Marta Sofia Matos da Encarnação Os Abre-te Sésamo da Imaginação


Apêndice VI - Reflexão da aula assistida



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Apêndice VI - Reflexão da aula assistida 

Aluna: Marta Encarnação 

Professora-cooperante: Graça Ribeiro 

Professor-supervisor: Artur Gonçalves 

Guião de aula assistida 

Português 

Data: 16-01-2015       Turma: 6.º B 

O  ensino  da  leitura  de  textos  de  teatro  deve  incluir  a  compreensão  do  texto,  a 

explicação  de  significados  de  palavras  desconhecidas  das  crianças,  a  leitura 

oralizada  do  texto,  a  repetição  activa  da  leitura  do  texto  (leitura  em  voz  alta,  a 

audição  da  leitura  por  outros,  a  recitação  com  entoação  e  gestos)  e,  sempre  que 

possível, a memorização de passagens do texto (Flynn, 2005) (Sim-Sim, 2007: 50) 

Por isso, nesta aula seguiu quase todos os momentos da anterior, ou seja, foi feita uma síntese 

do que já tinha sido lido, foram clarificadas as palavras incógnitas, lidas/ensaiadas as falas mais 

que uma vez. Segundo Inês Sim-Sim, «o ensaio de um texto de teatro para apresentar perante 

uma  audiência  fomenta  o  aprofundamento  da  compreensão  do  texto  e,  consequentemente,  a 

expressividade  da  leitura  oralizada»  (Sim-Sim,  2007:  49).  DE  seguida  foram  distribuídas  as 

personagens, feita a previsão do que poderá acontecer nos capítulos seguintes e, por fim, a auto 

e heteroavaliação da leitura feita pelos alunos. Inês Sim-Sim afirma que  

explorar  a  compreensão  de  textos  narrativos  implica  trabalhar  histórias  curtas, 

pequenas  novelas  e  obras  completas  adequadas  à  idade  e  interesse  das  crianças, 

fomentando  o  raciocínio  dedutivo,  a  análise  de  acções,  a  antecipação  de 

acontecimentos, a previsão de consequências (…)(Sim-Sim, 2007: 37),  

Por isso, concluo que o texto narrativo tem sido explorado de forma completa e adequada. 

Contudo, houve uma estratégia diferente: o reconto com recurso às ilustrações com o objetivo 

de diversificar a abordagem à narrativa para não causar monotonia. Pertendi também mostrar 

aos alunos que as imagens não são meramente decorativas. São auxiliares de leitura. 

Em relação às questões que coloquei no final da aula, as respostas foram inesperadas. A primeira 

questão obteve um imenso leque de resultados distintos. Por isso, fiz um resumo das ideias 

gerais  e  salientarei,  citando-as  na  íntegra,  as  que  considerei  mais  relevantes  devido  à  sua 




 

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maturidade e clareza. 

A  turma  dividiu-se  em  dois  grupos:  prós  e  contras.  Contudo,  nem  todos  tinham  as  mesmas 

motivações. 

Uma aluna concordava com as punições, porque é contra as pessoas chantagistas e gananciosas. 

Um  aluno  concorda  com  os  crimes  praticados,  porque  «naquele  tempo  era  assim  que 

funcionava». 

Dois alunos concordam com a morte de todas as personagens, exceto do ladrão batedor que foi 

enganado por Morjana, porque afirmam que ele cumpriu a sua palavra, apesar de Morjana ter 

forjado o seu trabalho. 

Por  outro  lado,  dois  alunos  são  mais  radicais  e  afirmam  que  o  acordo  com  o  batedor  era 

encontrar a porta correta e que como «não se deve fracassar missões» tinha de ser abatido, era 

esse o trato com o líder dos ladrões, tinha de ser seguido. 

Três alunos não consideravam justas as punições porque, na opinião deles, invadir propriedade 

privada não é motivo suficiente para degolar alguém. 

Dois alunos excluíam todas as mortes da história porque acredita que toda a gente tem direito 

à vidam que todos erramos e que devem ser dadas segundas oportunidades. 

Outro aluno justifica todas as punições da história com as más ações dos punidos, deduzo que 

concorde com o castigo aplicado visto que justificou cada pena com as atitudes que conduziram 

a tal desfecho. 

Aluno A  -  «Sim,  eu  acho  que  todos  os  castigos  foram  justos,  porque  todas  as  ações  foram 

suficientemente más para merecer os seus devidos castigos. Por outro lado, acho que o castigo 

de Qassem não foi justo.» 

Aluno B - «Referindo-me à morte de Qassem, não acho que foi justa mas se estivesse no lugar 

dos ladrões, conhecendo as suas regras e se fosse também um ladrão fazia o mesmo porque não 

era uma pessoa rica e gananciosa que ia destruir o que tinha roubado aquele tempo todo». 

Aluno C -  «Não considero as punições existentes justas, porque se uma pessoa entrar numa 

propriedade pertencente a outra não é razão para a degolarmos. Este exemplo serve para todos 

os outros castigos porque a gente tem direito à vida, mesmo que tenha ultrapassado os limites 

da liberdade. 

No geral, os alunos não concordam com a morte de Qassem mas concordam com a dos ladrões 



 

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porque os últimos são considerados os vilões da história e as crianças necessitam que os maus 

sejam derrotados para se sentirem seguros, para que o bem vença sempre o mal e, deste modo

se tornem pessoas que praticam o bem porque só essas têm finais felizes (Bettelhiem. 1985: 

11). […] 

Se estivesses no lugar das personagens, punirias de forma diferente? Qual? Porquê? 

Em relação à pergunta acima referida, as respostas foram as seguintes: 

- Dois alunos optaram pela prisão, porque acham que assim «aprendiam a lição». 

- Uma aluna apostava no trabalho comunitário para as pessoas se tornarem melhores. 

- Dois alunos obrigavam Qassem a contar o que sabia em troca da sua sobrevivência. 

- Um aluno alega não saber como lidava com as situações, porque desconhece a mentalidade 

«daquele tempo». 

- Um aluno aplicava castigos menos duros. 

- Em relação à morte do ladrão batedor, um aluno achou injusto a sua morte, contudo, um outro 

achou que ele devia ser castigado mas de forma mais leve. 

- Um aluno aos quarenta ladrões punia da mesma forma ou «mandava-os para sempre para a 

prisão». 

- Um aluno diz que matava para ter a certeza de que não era morto. 

- Apenas um dos alunos ficou no lado do Qoja e diz que raptava a Morjana para que esta o 

ajudasse a matar Ali Babá porque queria vingança. 



 



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