Marta Sofia Matos da Encarnação Os Abre-te Sésamo da Imaginação


Apêndice III- Reflexão da aula



Baixar 480.81 Kb.
Pdf preview
Página26/29
Encontro17.03.2020
Tamanho480.81 Kb.
1   ...   21   22   23   24   25   26   27   28   29
Apêndice III- Reflexão da aula 

Aluna: Marta Encarnação 

Professora-cooperante: Graça Ribeiro 

Professor-supervisor: Artur Gonçalves 

Português 

Data: 13-01-2015       Turma: 6.º B 

No meu entender, em modo geral, a aula foi bem-sucedida por diversos motivos: 

- Cumpri tudo o que estava planeado no guião de aula; 

- Realizei todas as atividades dentro do tempo correspondente à aula e de forma controlada, 

quero com isto dizer, executei os momentos da aula com o timing correto; 

- Os alunos participaram de forma motivada, ativa e positiva em todos os momentos da aula; 

- Atingi os objetivos propostos pelas Metas Curriculares, previamente selecionados (registo no 

guião de aula). 

Tenho  recorrido  constantemente  à  estratégia  de  reconto  porque  julgo  importante  a  sua 

elaboração  antes  de  se  iniciar  a  leitura  de  novos  capítulos  pois,  deste  modo,  é  feita  uma 

articulação  entre  as  informações  já  adquiridas  com  as  novas  a  serem  apreendidas  durante  a 

leitura dos novos capítulos. 

O reconto (retelling) consiste em pedir a um aluno que leia uma história e a conte 

por  palavras  suas.  Com  os  mais  novos  o  reconto  faz-se  oralmente,  mas  os  mais 

velhos podem produzir um reconto escrito. 

Na  sua  origem,  o  reconto  destinava-se  à  avaliação  da  compreensão  na  pesquisa 

sobre  o  texto.  Hoje  em  dia,  esta  técnica  começa  a  ser  utilizada  na  aula 

simultaneamente como instrumento de avaliação e como meio de intervenção na 

compreensão. (Giasson, 1993: 149) 

Apesar de os alunos do 6.º ano serem capazes de realizarem um registo do reconto por 

escrito, julguei mais rápido e eficaz que fosse feito oralmente porque, desta forma, era 

realizado  com  a  contribuição  de  todos  os  elementos  da  turma.  Através  do  reconto 

consegui estimar a compreensão dos alunos e orientá-los quando necessário.  

Para além da importância do reconto, Jocelyne Giasson (1990) salienta que 

Um significativo número de estudos mostrou a relação entre o conhecimento do 

vocabulário  contido  no  texto  e  a  compreensão  deste.  Aliás  esta  relação  não  é 



 

50 


 

unívoca:  por  um  lado,  o  vocabulário  influencia  a  compreensão  na  leitura  e,  por 

outro,  a  compreensão  de  um  texto  pode  ajudar  a  desenvolver  o  vocabulário. 

(Giasson, 1990: 254) 

Pelo  que  pode  ser  lido  na  citação  anterior,  é  relevante  o  esclarecimento  do  significado  das 

palavras que são desconhecidas pelos alunos porque se o leitor não dominar todo o vocabulário 

que está presente na história, é impossível fazer uma interpretação completa e correta. Por isso, 

antes da leitura da obra, em  grande  grupo, é necessário  fazer o reconhecimento  de todas as 

palavras consideradas estranhas pelos alunos. É por este motivo que solicito aos alunos que 

realizem  uma  pré-leitura  em  casa,  para  que  consigam  fazer  esse  levantamento.  Ao  serem 

deparados com novas palavras e significados, os alunos enriquecem o seu vocabulário. 

A seleção dos leitores pelos colegas tendo em consideração o seu desempenho na leitura que 

estes realizam no ensaio, a meu ver, estimula o interesse do avaliado e ainda a dedicação porque 

todos  querem  «desempenhar  um  papel».  Como  é  óbvio,  eu  estou  atenta  à  avaliação  para 

verificar e evitar algum tipo injustiça. 

Decidi ser eu a ler a parte mais extensa da história, a narração. Optei fazê-lo porque os alunos 

ainda não leem de forma fluente e correta e, por vezes, não respeitam a entoação nem as pausas 

impostas  pelos  sinais  de  pontuação,  o  que  torna  a  leitura  pouco  clara  e  percetível  e, 

consequentemente, desmotivam os ouvintes, causando e dispersão e desatenção nos restantes 

elementos da turma. Supus que os alunos que ficariam encarregues de dramatizar as falas das 

personagens,  iriam  prestar  atenção  porque  necessitavam  saber  quando  tinham  de  realizar  a 

leitura correspondente à fala da sua personagem. Contrariamente, os restantes alunos, devido à 

desmotivação e desinteresse, ignorariam o momento de leitura da obra. Maria Alarcão esclarece 

que 


(…) a passividade, o desinteresse e até o aborrecimento acontecem quando, num 

texto, os alunos vêem apenas uma mancha tipográfica igual a tantas outras a que 

não atribuem qualquer função e sobre a qual vão realizar um exercício de leitura 

sem objectivos e tarefas definidos. (Alarcão, 2005: 22) 

No final da leitura de cada capítulo, questionei os alunos sobre a prestação dos colegas que 

interpretaram  personagens porque julgo que seja importante sentirem-se  úteis visto que não 

tiveram uma participação ativa na leitura. Ao utilizar a estratégia em que eles devem avaliar os 

colegas leitores, garanto a total atenção deles durante a leitura. Estes adquirem a noção dos 

erros que ouvem e, assim, corrigirem os colegas e as suas próprias falhas ao verificarem-nas 



 

51 


 

nos outros. Desta forma, tomam consciência de como deve, ou não, ser feita uma leitura em voz 

alta para um «público». 

Tive cuidado de permitir que todos os alunos lessem, em voz alta, algum momento da história, 

durante as aulas que dedicámos ao estudo da mesma. Para além de se sentirem incluídos na 

atividade de abordagem da narrativa, quis que praticassem e desenvolvessem a sua leitura e 

dramatização, considerando que é um dos objetivos propostos pelas MC. Além disso,  

A  leitura  de  textos  de  teatro  e  a  representação  dos  mesmos  pelas  crianças  é  de 

grande  importância  no  desenvolvimento  sociocognitivo  dos  alunos.  A 

interiorização  dos  diálogos,  numa  actividade  verbal  colectiva  como  é  a 

dramatização,  favorece  o  desenvolvimento  de  processos  auto-reguladores  do 

discurso interior da criança (Vygotsky, 1962) (Sim-Sim, 2007: 49) 

Para concluir a atividade, pedi aos alunos que fizessem uma previsão do que acontecerá nos 

capítulos.  Os  alunos  participaram  e  contribuíram  com  ideias  de  forma  ativa  e  positiva.  A 

previsão dos momentos seguintes da narrativa são importantes porque desenvolve a imaginação 

dos  alunos  e  desperta-lhes  curiosidade  acerca  do  que  poderá  acontece  nos  capítulos  que  se 

seguem.  Beck  (1989)  lembra  que  «Se  lhes  pedirmos  que  façam  previsões  na  ausência  de 

indícios,  encorajamos  o  seu  pensamento  criativo»  E  ainda,  «dado  que  os  leitores  fazem 

diferentes previsões durante a leitura, os alunos menos hábeis deveriam ser sensibilizados a este 

processo  de  elaboração,  que  poderia  torná-los  mais  activos  na  compreensão  dos  textos». 

(Giasson, 1993: 182) 

Relativamente às questões que realizei pós-leitura, depois de organizar e analisar as respostas 

dos alunos, verifiquei que a maior parte dos elementos da turma não crê no poder das palavras 

mágicas  «Abre-te,  Sésamo!».  Os  restantes,  em  contrapartida,  registaram  que  lhes  causou 

estranheza o momento em que o sapateiro cozeu a cabeça do Qassem ao corpo. Apesar disso, 

durante o debate com a turma, pude concluir, através dos comentários efetuados, que os que 

viram sinistralidade no comportamento do sapateiro, consideravam que a gruta se abria porque 

já possuía uma tecnologia avançada, passando por cima da anacronia cometida na supressão do 

sobrenatural. Ou seja, nenhum aluno da turma acreditava neste episódio do maravilhoso. As 

opiniões do grupo de pré-adolescente estavam em consenso. Todos transformaram o que fugia 

declaradamente ao natural num episódio do quotidiano facilmente explicado com a tecnologia 

que temos nos dias de hoje. Apesar de Bredella afirmar que 

os  textos  literários  «apresentam  projectos  de  sentido  capazes  de  aprofundar  e 



 

52 


 

alargar os horizontes de percepção e motivação daquele que compreende» (1988: 

198). Para este autor, a realidade apresentada nesses textos desafia muitas vezes as 

capacidades  de  compreensão  dos  alunos,  dado  que  lhes  oferecem  aspectos  não 

observados ainda nessa mesma realidade. Enriquecem, por isso a sua experiência e 

alargam os seus horizontes. 

 

Esta  afirmação  de  Bredella,  revela  de  forma  muito  sugestiva  como  o  mundo  que  rodeia  os 



alunos, influencia a sua forma de interpretação. As crianças de 1988 viajavam pelo mundo do 

imaginário. Os alunos dos dias de hoje justificam os episódios do Maravilhoso com tecnologia. 

Não resisti em colocar esta transcrição, apesar de ser tão longa neste documento porque assim 

consegui  mostrar  como  a  influência  que  o  mundo  tecnológico  tem  sobre  os  estudantes. 

(Alcarão, 2005: 30) 

Como sempre, solicitei aos alunos que preparassem a leitura em casa porque só com um estudo 

prévio realizado em casa é que é possível aprofundar a abordagem da obra em sala de aula 

porque já veem com uma ideia formada sobre a história. 

 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 

 



 

 


1   ...   21   22   23   24   25   26   27   28   29


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal