Marta Sofia Matos da Encarnação Os Abre-te Sésamo da Imaginação



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5.  Conclusão  

Ao longo da PES de 2.º ciclo na disciplina de Português, pude apurar que os alunos que liam o 



Ali Babá e os quarenta ladrões não se deixavam conduzir ao mundo encantado onde as palavras 

são mágicas e têm o poder de abrir grutas repletas de tesouros. 

Durante o pré-escolar, as crianças têm a hipótese de ser realmente crianças e, com isto, têm a 

oportunidade de ter uma imaginação livre e fértil, bem como, um mundo particular fantasioso. 

Contudo, tal como desconfiava e Fátima Albuquerque confirmou com a entrada no 1.º ciclo 

com  o  aumento  de  carga  horária  letiva,  o  reforço  da  disciplina,  o  rigor  e  a  exigência  de 

resultados de aprendizagem, não existem momentos de lazer, tais como, a hora do conto. Esses 

momentos  são  transferidos  e  transformados  em  momentos  sérios  de  aprendizagem. 

(Albuquerque,  2000:  28).  Ainda  acrescenta  que  «também  neste  acesso  ao  1.º  Ciclo  do  EB, 

ocorre  uma  desvalorização  do  imaginário  e  um  reforço  do  real  quotidiano»,  (Albuquerque, 

2000: 29)  

A citação acima vem confirmar e reforçar o que observei durante a execução do estudo que 

efetuei: os alunos ignoraram os momentos de fantasia/magia que eram descritos na história de 

«Ali Babá e os Quarenta Ladrões» e, facilmente, os encararam como momentos de ficção ou 

tecnologia dos dias de hoje, não recordando que naquela época não havia o avanço tecnológico 

que  atualmente  existe,  como  por  exemplo,  a  abertura  de  portas  automáticas  ou  sistemas  de 

reconhecimento de voz. 

No  decorrer  do  processo  de  investigação,  pude  concluir  que  as  crianças  atuais  estão  a  ser 

desviadas dos mundos imaginários.  

A criança normal começa a fantasiar com um segmento de realidade mais ou menos 

bem observado, que poderá evocar nela necessidades e angústias tão fortes que pode 

deixar-se arrastar por elas. Muitas vezes as coisas tornam-se tão confusas no seu 

espírito  que  ela  não  consegue  apartá-las  umas  das  outras.  Mas  é  necessário  um 

ordenamento  para  que  a  criança  regresse  à  realidade,  nem  enfraquecida  nem 

vencida, antes fortalecida por esta excursão pelas fantasias. (Bettelheim, 1985: 81).  

A  criança  precisa  de  ser  apresentada  ao  mundo  imaginário  para  que  possa  fantasiar  e 

desenvolver uma série de competências. 

Se  tivesse  tido  mais  tempo  de  prática  pedagógica,  gostava  de  ter  apurado  como  os  alunos 

encaravam a Morjana, visto que ela é que matou todos os ladrões e como recompensa casou 



 

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com o Ali Babá que «roubou» todas as riquezas aos ladrões. O aparecimento do Maravilhoso 

também foi estudado de forma superficial devido ao pouco tempo de abordagem que me foi 

cedido. Não contava com esse imprevisto, tive de me adaptar às condições impostas pelo plano 

anual de atividades da escola e fazer o melhor que consegui. No futuro, tenciono observar de 

forma mais minuciosa a reação dos alunos de 2.º ciclo a episódios do Maravilhoso.  

O professor na análise deste conto tem um papel fundamental, porque é ele que deve questionar 

o  estranho  e  motivar  o  debate  para  que  sejam  identificadas  as  ideias  dos  alunos  acerca  do 

Maravilhoso. 

Seria também enriquecedor explorar outras obras das Mil e uma noites e do género literário do 

maravilhoso, para descobrir como os alunos interpretavam outras histórias do mesmo tipo.  

Visto que considerava abordar outros contos presentes nas Mil e uma noites, seria interessante 

contar a história de Xerazade revelando, deste modo, aos alunos o poder da literatura. 

Em suma, depois de terminar este trabalho concluo que os alunos de hoje em dia, como não 

acreditam no maravilhoso, na magia, justificam todos os momentos em que ela se manifesta 

com  tecnologia  ou  ficção  científica.  Contudo,  para  expandir  esta  conclusão  teria  de  utilizar 

outras histórias em que são utilizados instrumentos mágicos, tais como,  o tapete voador e a 

lâmpada  mágica  para  verificar  se  os  alunos  aceitariam  esses  objetos  e  a  sua  magia  ou  se 

justificam os seus efeitos através da evolução da ciência.  

Se isso acontecesse, aos meus olhos, os contos que atualmente se aplicam a esta faixa etária não 

estão adequados visto que não cumprem com o suposto: desenvolver a imaginação dos alunos. 

Estes contos do maravilhoso devem ser abordados em turmas com crianças com idades mais 

baixas para que estas usufruam do mundo do maravilhoso da história.  

Por outro lado, os alunos de 2.º ciclo acabam por desenvolver a sua criatividade ao associarem 

a ciência aos momentos sobrenaturais a que são exposto durante as narrativas e, desta forma, 

só revelam o seu espirito crítico e a necessidade que têm em desmistificar tudo o que os rodeia.  

 




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