Marta Sofia Matos da Encarnação Os Abre-te Sésamo da Imaginação


 Reflexão sobre os resultados



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4.1. Reflexão sobre os resultados 

As  respostas  dos  alunos  em  relação  à  primeira  questão  foram  muito  homogéneas.  Nenhum 




 

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acredita que a abertura da gruta tenha sido provocada por magia. Todos justificaram com efeitos 

tecnológicos.  Como  referi  anteriormente,  o  facto  das  crianças  do  presente  não  terem 

desenvolvido o seu imaginário, poderá vir a dificultar o seu desenvolvimento e a definição da 

sua personalidade. 

Relativamente à segunda pergunta, os alunos, em alguns casos, concordam com as punições 

físicas, porque acham que as pessoas devem ser castigadas pelas más ações que têm.  Bruno 

Bettelheim justifica que «a convicção de que o crime não compensa é uma dissuasão muito 

mais eficaz, e é por isso que nos  contos de  fadas (os vilões)  perdem  sempre.»  (Bettelheim, 

1985:11). Os alunos encararam que os vilões eram os ladrões mas nenhum deles questionou a 

frieza de Morjana quando matou 38 ladrões com azeite fervendo. Talvez devido ao facto de não 

terem nome e serem identificados como ladrões, criou entre os alunos e as personagens aversão. 

Através das respostas dos alunos às segundas questões, pude concluir várias coisas, tais como: 

- Alguns toleram outras culturas e religiões; 

- A morte do ladrão batedor era inválida para alguns, porque ele cumpriu a sua missão, por outro 

lado, outros alunos acham que o acordo (a morte do batedor caso falhasse a missão) devia ser 

mantido, sem terem em consideração a falcatrua de Morjana. 

- Cinco estudantes são totalmente contra as mortes da história, sejam elas quais forem. Acham 

que a morte não é solução. 

-  Contrariamente,  dois  alunos  concordam  porque  acham  que  más  ações  merecem  «maus 

castigos». 

- Três alunos acham que as personagens podem mudar, que lhes deve ser dada uma segunda 

oportunidade. 

- Um aluno afirma que desconhecia que não conhece a mentalidade que se tinha na altura da 

história e, que por esse motivo, não sabia o que faria no lugar das personagens. 

No geral, a turma quando tentava administrar outras punições para as personagens optava pelas 

que são utilizadas no nosso país, como, por exemplo: prisão ou trabalho comunitário. 

Nenhum  aluno  identificou  a  Morjana  como  uma  assassina.  Se  observarmos  atentamente, 

Morjana foi quem mais gente matou na história. A crueldade da serva fez com que 38 homens 

fossem  assassinados  com  azeite  a  ferver,  de  forma  silenciosa  e  dolorosa.  Bruno  Bettelheim 

afirma que as crianças não preferem uma personagem pela oposição entre o bem e o mal, mas 

sim  a  que  lhes  causa  mais  simpatia.  (Bettelheim,  1985:18).  Será  que  os alunos  não  veem  a 




 

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maldade de Morjana, porque consideram que era o único método que permitia salvar Ali Babá? 

Não haveria modos mais pacíficos de resolverem o problema? Ou será porque Morjana é mulher 

e  os  alunos  associam-na  a  uma  mãe  protetora?  Ou  porque  a  consideram  uma  heroína?  «A 

criança identifica-se com o herói bom não por causa da sua bondade, mas porque a situação do 

herói encontra nela um eco profundo e positivo. Para a criança não é «Quero ser bom?», mas 

sim «Com quem me quero parecer?» (Bettelheim, 1985:18). 

Futuramente, quando explorar uma história, espero dedicar mais tempo a todos os pormenores. 

Ao longo do processo de pesquisa centrado na intervenção educativa, verifiquei que quando se 

termina  a  leitura  e  se  passa  à  atividade  seguinte,  não  se  dá  a  oportunidade  às  crianças  de 

contemplarem ou reagirem ao conto. Isso faz com que o que lhe foi transmitido pelo conto seja 

destruído, visto que a criança não tem tempo de refletir sobre a narrativa. 

Mas quando o narrador da história dá às crianças tempo suficiente para reflectirem 

sobre ela, para se submergirem na atmosfera que a narrativa cria, e quando elas são 

encorajadas a falar no assunto, então conversas posteriores revelam que, emocional e 

intelectualmente, a história oferece muito a algumas crianças. (Bettelheim, 1985: 79)  



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