Marta Sofia Matos da Encarnação Os Abre-te Sésamo da Imaginação



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4.  Análise dos dados 

Para poder realizar um estudo sobre a leitura integral de Ali Babá e os quarenta ladrões, após 

a análise do capítulo que continha o momento em que as palavras mágicas «Abre-te, Sésamo!» 

são um instrumento de magia para abrir uma gruta, decidi aplicar as seguintes questões à turma: 

Há algum momento / costume na história que consideres estranho? Que 

não acredites na totalidade? Qual? Porquê? 

Os alunos leram as suas respostas e debateram-nas, tendo-se chegado a duas situações distintas. 

1.  7 Alunos disseram que o momento estranho da história ocorrera quando o sapateiro coseu 

a cabeça de Qassem ao corpo, porque não era a sua função fazê-lo. 

2.  Os restantes 12 alunos não acreditaram que a gruta se abrisse com o simples pronunciar 

das palavras mágicas referidas, justificando que, naquele tempo, não havia sistemas de 

reconhecimento  de  voz  que  acionassem  a  abertura  de  portas. Alguns  acrescentaram 

ainda que, se fosse uma história atual,  acreditariam, porque a tecnologia moderna já 

permite que isso aconteça. 

A  maior  parte  dos  elementos  da  turma  não  crê  no  poder  das  palavras  mágicas  «Abre-te, 

Sésamo!». Os restantes, em contrapartida, registaram que lhes causou estranheza o momento 

em que o sapateiro cozeu a cabeça do Qassem ao corpo. Apesar disso, durante o debate com a 

turma, pude concluir, através dos comentários efetuados, que os que viram sinistralidade no 

comportamento  do  sapateiro,  consideravam  que  a  gruta  se  abria  porque  já  possuía  uma 

tecnologia avançada, passando por cima da anacronia cometida na supressão do sobrenatural. 

Ou  seja,  nenhum  aluno  da  turma  acreditava  neste  episódio  do  maravilhoso. As  opiniões  do 

grupo  de  pré-adolescente  estavam  em  consenso.  Todos  transformaram  o  que  fugia 

declaradamente ao natural num episódio do quotidiano facilmente explicado com a tecnologia 

que temos nos dias de hoje. 

Quando a leitura integral da obra terminou e os alunos se deparam com o desfecho em que os 

quarenta ladrões são mortos com azeite a ferver, considerei pertinente questionar se os alunos 

concordavam  com  a  punição  dos  ladrões.  Se  as  consideravam  necessárias,  se  as  coisas  não 

podiam ter sido resolvidas de outra forma.  




 

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Coloquei mais interrogações, que foram por si respondidas de forma individual e escrita, passo 

a citar uma com as respetivas resposta e, assim sucessivamente: 

Ao  longo  da  obra  que  estamos  a  estudar,  deparamo-nos  com  vários 

castigos/punições. Consideras as punições existentes na história justas? Porquê? 

A questão obteve um imenso leque de resultados distintos. Por isso, irei fazer um resumo das 

ideias gerais e salientarei, citando-as na íntegra, as que considerei mais relevantes devido à sua 

maturidade e clareza. 

A  turma  dividiu-se  em  dois  grupos:  prós  e  contras.  Contudo,  nem  todos  tinham  as  mesmas 

motivações. 

Uma aluna concordava com as punições, porque é contra as pessoas chantagistas e gananciosas. 

Um  aluno  concorda  com  os  crimes  praticados,  porque  «naquele  tempo  era  assim  que 

funcionava». 

Dois alunos concordam com a morte de todas as personagens, exceto do ladrão batedor, que foi 

enganado por Morjana, porque afirmam que ele cumpriu a sua palavra, apesar de Morjana ter 

forjado o seu trabalho. 

Por  outro  lado,  dois  alunos  são  mais  radicais  e  afirmam  que  o  acordo  com  o  batedor  era 

encontrar a porta correta e que como «não se deve fracassar missões» tinha de ser abatido, era 

esse o trato com o líder dos ladrões, tinha de ser seguido. 

Três alunos não consideravam justas as punições, porque, a seu ver, invadir propriedade privada 

não é motivo suficiente para degolar alguém. 

Dois alunos excluíam todas as mortes da história, por acreditarem que toda a gente tem direito 

à vida, que todos erramos e que nos devem ser dadas sempre segundas oportunidades. 

Outro aluno justifica todas as punições da história com as más ações dos punidos. Deduzo que 

concorde com o castigo aplicado, visto que justificou cada pena com as atitudes que conduziram 

a tal desfecho. 

Aluno A  -  «Sim,  eu  acho  que  todos  os  castigos  foram  justos,  porque  todas  as  ações  foram 

suficientemente más para merecer os seus devidos castigos. Por outro lado, acho que o castigo 

de Qassem não foi justo.» 

Aluno B - «Referindo-me à morte de Qassem, não acho que foi justa mas se estivesse no lugar 

dos ladrões, conhecendo as suas regras e se fosse também um ladrão fazia o mesmo, porque 



 

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não era uma pessoa rica e gananciosa que ia destruir o que tinha roubado aquele tempo todo». 

Aluno C -  «Não considero as punições existentes justas, porque se uma pessoa entrar numa 

propriedade pertencente a outra não é razão para a degolarmos. Este exemplo serve para todos 

os outros castigos porque a gente tem direito à vida, mesmo que tenha ultrapassado os limites 

da liberdade.  

No geral, os alunos não concordam com a morte de Qassem mas concordam com a dos ladrões, 

porque os últimos são considerados os vilões da história e as crianças necessitam que os maus 

sejam derrotados para se sentirem seguros, para que o bem vença sempre o mal e, deste modo

se tornem pessoas que praticam o bem porque só essas têm finais felizes (Bettelhiem. 1985: 

11). […] 

Se  estivesses  no  lugar  das  personagens,  punirias  de  forma  diferente? 

Qual? Porquê? 

Em relação à pergunta acima referida, as respostas foram as seguintes: 

- Dois alunos optaram pela prisão, porque acham que assim «aprendiam a lição». 

- Uma aluna apostava no trabalho comunitário para as pessoas se tornarem melhores. 

- Dois alunos obrigavam Qassem a contar o que sabia em troca da sua sobrevivência. 

- Um aluno alega não saber como lidava com as situações, porque desconhece a mentalidade 

«daquele tempo». 

- Um aluno aplicava castigos menos duros. 

- Em relação à morte do ladrão batedor, um aluno achou injusto a sua morte, contudo, um outro 

achou que ele devia ser castigado mas de forma mais leve. 

- Um aluno aos quarenta ladrões punia da mesma forma ou «mandava-os para sempre para a 

prisão». 

- Um aluno diz que matava para ter certeza de que não era morto. 

- Apenas um dos alunos ficou no lado do Qoja e diz que raptava a Morjana para que esta o 

ajudasse a matar Ali Babá porque queria vingança. 




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