Manual do professor


Conceito de lingua(gem) e ação com lingua(gem)



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Manual do professor
Conceito de lingua(gem) e ação com lingua(gem)

Para atingir todos esses objetivos, trabalhamos com o pressuposto de que língua e linguagem são elementos inseparáveis de um mesmo fenômeno. Adotamos, assim, o uso do termo “lingua(gem)”, entendido como um sistema semiótico complexo que compreende processos biocognitivos, sócio-históricos e político-culturais e que, como já dizia Saussure (1995), pertence ao domínio individual e ao domínio social. A língua como um sistema complexo não é apenas conjunto de estruturas linguísticas, mas um sistema vivo e dinâmico em constante evolução e mudança e que se auto-organiza na produção de texto/sentido. Vale lembrar que os conceitos de Saussure dos quais lançamos mão são revisitados, em consonância com as novas teorias sociais de aprendizagem de línguas.

Como todo sistema complexo, a lingua(gem) é um sistema aberto e novos componentes vão se agregando, fazendo que o sistema mude e se auto-organize constantemente. Daí a importância de mostrarmos aos alunos mudanças e variações linguísticas. Nesse processo dinâmico e auto-organizativo, a lingua(gem) nos constitui como sujeitos sociais, revela nossas identidades e nos permite vivenciar nossa subjetividade, nossos papéis sociais, e nos fornece elementos para refletirmos sobre a sociedade e nela agirmos.

Agir na sociedade implica, necessariamente, o uso de gêneros textuais. Como afirma Bazerman (2006, p. 19), “gêneros não são somente formas textuais, mas também formas de vida e de ação”. Ele acrescenta que “[a] abordagem social do gênero transforma-o em uma ação social, e assim em uma ferramenta de agência”. Adotamos, nesta coleção, a definição de gênero segundo Bazerman (2006, p. 23):

Gêneros são formas de vida, modos de ser. São frames para a ação social. São ambientes para a aprendizagem. São os lugares onde o sentido é construído. Os gêneros moldam os pensamentos que formamos e as comunicações através das quais interagimos. Gêneros são os lugares familiares para onde nos dirigimos para criar ações comunicativas inteligíveis uns com os outros e são os modelos que utilizamos para explorar o não familiar.

Os trabalhos propostos com os diversos gêneros orais e escritos têm por objetivo criar ações comunicativas, ou seja, levar o aluno a agir no mundo que o cerca. Além dos gêneros tradicionais, o material estimula o aprendiz a ler e a produzir textos multimodais e digitais, incluindo, entre outros, as mensagens tipo “texting” e mensagens criativas para correios de voz.

As atividades propostas motivam os alunos a agir, a usar a língua em práticas sociais da linguagem. Estimulam também a reflexão pessoal, comunicação e interação, divertimento, prazer estético, enfim, o estar no mundo mediado pela lingua(gem). Os textos não serão instrumentos para o ensino artificial de estruturas gramaticais. Ao contrário, a gramática estará sempre a serviço de uma situação de ação com a linguagem, o que não significa que o aluno não tenha oportunidade, esporadicamente, de ter contato com algum exercício de natureza mais formal, o qual, ainda assim, estará sempre vinculado ao tema da unidade ou da parte em questão.

Orientados pelos princípios da complexidade (Larsen-Freeman, 1997; Paiva, 2005; Larsen-Freeman, Cameron, 2008), entendemos a aprendizagem como um sistema complexo. Por isso, não descartamos as demais teorias,


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pois acreditamos que cada uma delas nos apresenta a visão de um aspecto da aquisição. Assim, a noção de aprendizagem que serve de suporte à nossa coleção aposta:

1. na capacidade inata para aprender uma língua;

2. na importância de hábitos automáticos, como no caso do uso de algumas expressões formulaicas e na aprendizagem de elementos sonoros;

3. na importância do insumo linguístico obtido por meio da exposição a práticas sociais da linguagem autênticas, contextualizadas e socialmente significativas;

4. na importância da interação, da lingualização (output) e da negociação de sentido, presente, de maneira mais recorrente, na seção de produção escrita, em que os alunos têm um público claro para o qual escrevem e precisam negociar que tipo de linguagem e que registro utilizar;

5. no papel das conexões neurais;

6. na relevância da construção da identidade;

7. na necessidade da mediação social, ideia que é explorada, principalmente, nos quadros Beyond the lines..., momento em que os alunos são convidados a refletir criticamente sobre aspectos sociais presentes nos temas abordados nos textos;

8. na aprendizagem situada em comunidades de prática, etc.

Nossa proposta se apoia em uma visão de aprendizagem como um sistema dinâmico, um sistema em movimento que alterna momentos de estabilidade e de turbulência e que muda constantemente. A aprendizagem, nessa perspectiva, não pode ser vista como produto, mas como processo dinâmico, como algo em permanente evolução.

Como os alunos e seus contextos são diferentes, também serão diferentes seus processos de aquisição e não podemos prever como será a rota de cada um. No entanto, cabe a nós professores estimulá-los a manter seus sistemas de aprendizagem sempre em movimento, com desafios frequentes e oportunidades de uso da língua de forma significativa.

Seguindo as Orientações Curriculares para o Ensino Médio (BRASIL, 2006), esta coleção inclui o ensino da leitura, da prática escrita e da comunicação oral contextualizadas, sem perder de vista o papel educacional do ensino de uma língua adicional.


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