Mais histórias que trazem felicidade Richard Simonetti


todos os que encontrardes



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todos os que encontrardes. 

Assim fizeram os servos, que reuniram todos os que encontraram, maus e bons. 

O salão das festividades ficou repleto. 

Ao chegar, o rei percebeu a presença de um homem que não estava trajado com as vestes para as núpcias, isto é, não 

estava vestido de acordo com a solenidade. 

E logo o inquiriu: 

-Amigo, como entraste aqui sem a veste nupcial? 

O convidado, constrangido, não sabia o que dizer. Ordenou o rei aos servos: 

-Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o fora, nas trevas exteriores, onde haverá choro e rcmger de dentes. 

***


 

Estranha tal representação de Deus como o rei que faz o convite para as bodas. 




Está mais para o Jeová mosaico, que costumava vingar-se até a quarta geração dos que o aborreciam e mandava os 

judeus passarem a fio de espada, em terra inimiga, tudo o que tivesse fôlego, envolvendo homens e mulheres, velhos e 

crianças, sãos e doentes, ricos e pobres, animais, aves, peixes... 

Generoso com os que correspondiam às suas expectativas, mas cruel com os que se negavam a atendê-lo. 

Diferente do Pai de Amor e Justiça anunciado por Jesus. 

Há outros aspectos indigestos: 

„  Ninguém  se  interessou  em  comparecer  ao  casamento.  Afinal,  um  convite  real  soa  sempre  como  irrecusável 

convocação, e havería lauto banquete, fartos comes-e-bebes... 

„ Diante de novo convite, o povo permaneceu alheio. Cada qual foi cuidar de seus interesses. Pior: assassinaram os 

emissários. 

„    Por castigo, o rei determinou que fosse destruída a cidade, exterminando seus moradores, inclusive os inocentes. 

„    O convite foi estendido a todos os que fossem encontrados nas estradas, bons e maus, sãos e doentes, e estropiados 

de todos os matizes, que, obviamente, compareceram sem trajes adequados, por não os possuírem. O rei não levou isso 

em consideração, logo mandando castigar o primeiro que surgiu à sua frente. 

Difícil conceber seja exatamente assim que Jesus contou essa parábola. 

Imagino que, dentro || espírito da época, Mateus, ou quem escreveu em seu nome, agiu como o sapateiro que foi além 

dos sapatos, conforme a expressão latina. Extrapolou o conteúdo da história, colocando nos lábios de Jesus o que ele 

não diria. 

É preciso, aqui, como em outras passagens, separar o joio do trigo e definir o que o Mestre realmente ensinou. 

Em princípio, podemos considerar que os antigos usavam a imagem do casamento para simbolizar os pactos de Deus 

com os homens, favorecendo-os com suas benesses, desde que observassem Sua vontade. 

Na parábola, os judeus eram os primeiros convidados para o matrimônio, depositários da nova aliança, envolvendo os 

ensinamentos cristãos. 

As  lições  de  Jesus,  um  aperfeiçoamento  da  revelação  mosaica,  deveriam  estar  inseridas  no  judaísmo,  em 

desdobramento natural e cumulativo, como acontece em qualquer ramo de conhecimento. 

Não há, por exemplo, várias astronomias. O que temos é o acrescentar de conhecimentos, desde as ideias  primitivas 

em que as estrelas, o Sol e a Lua eram situados por meros enfeites celestes. 



Ocorre que os judeus cristalizaram-se em tomo de conceitos dogmáticos e rejeitaram a renovação proposta por Jesus 

que, inicialmente, falou nas sinagogas e no templo. 

Expulso deles, foi perseguido e morto, o mesmo acontecendo com seus discípulos. 

Então, o convite foi estendido ao povo, fora dos círculos religiosos, nas encruzilhadas... 

E surgiu o movimento cristão. 

No século dezenove veio a Revelação Espírita. 

Repetiu-se o mesmo problema. 

O Cristianismo, ao  longo dos  séculos,  institucionalizou-se e se fechou em princípios  dogmáticos. Pior: aderiu ao 

materialismo e passou a negar, veementemente, a possibilidade de intercâmbio com o Além, paradoxo tanto maior 

guando se recorda que Jesus conversava com os Espíritos, o mesmo acontecendo com a primitiva comunidade cristã. 

Recusado o convite, os arautos da Nova Revelação  foram também para as encruzilhadas. O Espiritismo situou-se 

como nova opção, não como natural desdobramento do Cristianismo, o que foi lamentável. 





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