Mais Esperto que o Diabo


parte dela, no momento em que você deixar o corpo físico. Se você por acaso



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parte dela, no momento em que você deixar o corpo físico. Se você por acaso
negligenciar o uso da sua mente, aí então eu entro e assumo o privilégio de
tomar essa negligência através da Lei do Ritmo Hipnótico.
P – O quanto de uma pessoa você toma conta quando você a possui?
R – Tudo o que sobra depois que ela deixa de controlar e usar a sua própria
mente.
P – Em outras palavras, quando você ganha o controle de uma pessoa,
você toma conta de toda a sua individualidade até o momento em que
ela deixa de usar a própria mente? Isso está correto?
R – Essa é a forma com que trabalho.
P – O que você faz com as pessoas que você controla antes da morte? O
que de útil essas pessoas fazem para você enquanto elas vivem?
R – Eu as uso ou uso o que sobrou delas e, depois que tomo conta de sua


mente, essas pessoas tornam-se propagandistas e me ajudam a preparar as
mentes de outras pessoas para que entrem no hábito da alienação.
P – Você não apenas engana as pessoas destruindo seus poderes para
controlar as suas próprias mentes, mas as usa para ajudá-lo no trabalho
de emboscar outras?
R – Sim, não deixo passar nenhuma oportunidade.
P – Vamos voltar para o assunto do ritmo hipnótico. Conte-me mais de
como  essa  lei  funciona.  Mostre-me  como  você  usa  indivíduos  para
ajudar a ganhar o controle sobre outros. Quero saber algo de tal forma
que você me mostre a maneira mais efetiva com que você usa o ritmo
hipnótico.
R – Ah, isso é fácil! A coisa que eu mais gosto, na verdade, é preencher as
mentes das pessoas com o medo. Uma vez feito isso, não encontro nenhuma
dificuldade em fazê-la alienar-se. Após, ela fica presa na minha rede através
do ritmo hipnótico.
P – Que tipo de medo humano melhor serve ao seu objetivo?
R – O medo da morte.
P – Por que o medo da morte é sua arma favorita?
R – Porque na verdade ninguém sabe e, de acordo com as leis naturais do
universo, ninguém consegue provar definitivamente o que acontece após a
morte. Essa incerteza causa arrepios em todas as pessoas. As pessoas que se
deixam tomar conta pelo medo – qualquer tipo de medo – recusam-se a usar
as suas mentes e começam, nesse momento, a alienar-se. Eventualmente,
elas alienam-se no redemoinho do ritmo hipnótico do qual poderão nunca
escapar.
P – Então você não se preocupa com que os líderes religiosos pensam
ou falam de você quando eles falam da morte?
R – Não, contanto que eles digam alguma coisa. Se as igrejas parassem de
falar sobre mim, a minha causa sofreria um grande revés. Todo o ataque feito
contra mim, na verdade, aumenta o medo nas mentes de todas as pessoas
que são influenciadas por esses líderes. Como você pode ver, a oposição é a
coisa que mantém algumas pessoas longe da alienação! Considerando-se que
essas pessoas não se deixam dominar pelo medo que provém deles.
P – Você afirma que as igrejas ajudam na sua causa em vez de ajudar as
pessoas. Diga-me, o que então o deixa preocupado?
R – A minha única preocupação é que algum dia um real pensador possa


aparecer na Terra.
P – O que aconteceria se um pensador aparecesse na Terra?
R – Você me pergunta o que aconteceria? Vou contar-lhe o que aconteceria.
As pessoas aprenderiam a maior de todas as verdades – que o tempo que elas
passam temendo alguma coisa, se fosse revertido em fé, daria a elas tudo o
que elas gostariam de ter do mundo material e também as salvariam de mim,
após a sua morte física. Você não acha que isso é algo que vale a pena pensar?
P – Qual o principal obstáculo para aparecer um pensador no mundo?
R – Medo da crítica! Talvez possa interessar a você de que o medo da crítica
é a única arma eficaz que tenho para lutar contra você. Se você não tivesse
medo  de  publicar  essa  confissão,  após  arrancá-la  de  mim,  eu  certamente
perderia o meu reino na Terra.
P – E se eu o surpreendesse e a publicasse, quanto tempo levaria para
você perder o seu reinado?
R – Apenas tempo o suficiente para que uma geração de crianças crescesse
em entendimento. Você não consegue tirar os adultos de mim. Eles estão
muito presos na minha rede. Mas se você publicasse essa confissão já seria o
suficiente  para  manter-me  longe  do  controle  daqueles  que  ainda  não
nasceram e também daqueles que ainda não alcançaram a idade da razão.
Você não ousaria publicar o que eu lhe falei sobre os líderes religiosos. Eles
crucificariam você.
P – Pensei que a prática selvagem de crucificação já estivesse fora de
moda há mais de 2 mil anos.
R – Não quero dizer crucificação literalmente numa cruz. O que quero dizer
é que você sofreria uma crucificação social e financeira. A sua renda seria
cortada. Você se tornaria uma persona non grata nos círculos sociais. Líderes
religiosos e seus seguidores tratariam você com desprezo.
P – Suponho que eu deveria escolher apostar as minhas fichas com os
poucos selecionados que fazem uso de suas próprias mentes, em vez
de me preocupar com o medo das massas de pessoas que não usam as
suas mentes – as massas de pessoas que você clama ter 98%?
R – Se você tiver coragem suficiente para fazer isso, prejudicará o meu estilo.
P – Por que você não fala de nenhum cientista? Não gosta de cientistas?
R  –  Ah,  sim,  eu  gosto  de  todas  as  pessoas  e  muito,  mas  os  verdadeiros
cientistas estão fora do meu alcance.


P – Por quê?
R – Porque eles pensam por si mesmos e gastam o seu tempo estudando as
leis naturais. Eles lidam com fenômenos de causa e efeito, com fatos onde
quer que os achem. Mas não cometa o erro de acreditar que cientistas não
têm religião. Eles têm uma religião muito bem definida.
P – Qual é a religião deles?
R – A religião da verdade! A religião das leis naturais. Se o mundo algum dia
produzir um pensador de muita capacidade com habilidades para desvendar
os mais profundos segredos da vida e da morte, você pode ter certeza de que
a ciência será responsável por essa catástrofe.
P – Catástrofe para quem?
R – Para mim, é claro!
P – Vamos voltar ao assunto do ritmo hipnótico, eu quero saber mais
sobre  ele.  Ele  tem  alguma  coisa  a  ver  com  o  princípio  pelo  qual  as
pessoas podem hipnotizar umas às outras?
R – É precisamente a mesma coisa, e eu já lhe disse isso. Por que você repete
tanto as suas questões?
P  –  Isso  é  um  velho  costume  meu,  Sua  Majestade.  Para  seu
esclarecimento,  eu  lhe  direi  que  na  verdade  estou  forçando  você  a
repetir  muitas  de  suas  afirmações  pelo  simples  fato  de  dar  ênfase.
Também estou tentando ver se consigo pegar você em alguma mentira!
Não mude o assunto, volte para o ritmo hipnótico e me conte tudo o
que você sabe sobre ele. Eu, por acaso, sou uma vítima?
R – Neste momento não, mas muito pouco faltou para você cair na minha
rede.  Você  se  alienou  através  do  redemoinho  do  ritmo  hipnótico,  até  o
momento em que você descobriu como me forçar a fazer essa confissão. Aí,
nesse momento, perdi o controle sobre você.
P – Que interessante. Você não está tentando me recapturar através da
bajulação, está?
R – Essa seria a melhor propina que eu poderia oferecer a você. É exatamente
o tipo de suborno que usei em você efetivamente antes de você conseguir ser
mais esperto do que eu.
P – Com o que exatamente você me seduziu?
R  –  Com  muitas  coisas,  sendo  as  principais  o  sexo  e  o  desejo  por
autoexpressão.


P – Que efeito as suas propinas tiveram sobre mim?
R – Elas fizeram com que você negligenciasse o seu principal objetivo na vida
e fizeram com que você começasse a se alienar.
P – Isso foi tudo que você fez para mim com seus subornos?
R – Isso já é muito.
P – Mas já estou de volta no caminho e fora do seu alcance agora, não
estou?
R – Sim, você está temporariamente fora do meu alcance, porque você não
está alienado.
P – O que quebrou o seu feitiço sobre mim e me libertou do hábito da
alienação?
R – A minha resposta poderá humilhar você. Você quer ouvi-la?
P  –  Vá  em  frente  e  fale,  Sua  Majestade.  Eu  desejo  aprender  tudo  o
quanto possa aguentar sobre a verdade.
R – Quando você encontrou um grande amor na mulher da sua escolha eu
perdi o meu controle sobre você.
P – Então você vai me acusar de estar me escondendo atrás das saias de
uma mulher, é isso?
R – Não, na verdade não se escondendo. Eu não colocaria dessa forma. Diria
que  você  aprendeu  como  aproveitar-se  positivamente  da  mente  de  uma
mulher de alto nível.
P – A saia da mulher então não tem nada a ver com isso?
R – Não, mas o seu cérebro sim. Quando você e a sua esposa começaram a
combinar os seus dois cérebros através do hábito do “Master Mind” todos os
dias, você se deparou com o poder secreto do qual você me forçou a realizar
essa confissão.
P – Isso é verdade ou você está tentando me bajular de novo?
R – Eu poderia bajulá-lo e seduzi-lo se eu estivesse sozinho com você, mas
não  consigo  enquanto  você  estiver  fazendo  uso  da  sua  mente  e  da  sua
mulher de forma combinada.
P – Estou começando a entender algo importante. Estou começando a
entender  o  que  queria  dizer  aquela  passagem  da  Bíblia  que  dizia  de


forma  enfática:  “Quando  dois  ou  mais  reunirem-se  e  pedirem  por
qualquer coisa em Meu Nome, lhes será concedido”. É verdade, então,
que duas mentes são melhores do que uma?
R  –  Não  somente  é  verdade,  mas  é  necessário  antes  que  alguém  consiga
continuamente  contatar  a  grande  central  de  inteligência  infinita  que
conhece tudo o que é, o que foi, e o que será.
P – Existe essa central de inteligência infinita?
R  –  Se  não  existisse,  você  não  estaria  neste  momento  me  humilhando,
obrigando-me a confessar meus principais segredos.
P – Não é perigoso dar esse tipo de informação para o mundo?
R – Claro, é muito perigoso para mim. Se eu fosse você, não entregaria esse
tipo de informação.
P – Vamos voltar agora para a técnica através da qual você faz com que
suas vítimas caiam no hábito da alienação. Qual o primeiro passo que
um alienado deve dar para quebrar esse hábito tão diabólico?
R – Um desejo ardente de quebrá-lo. Você com certeza sabe que ninguém
pode  ser  hipnotizado  por  outra  pessoa  sem  estar  consciente  e  apto  a  ser
hipnotizado.  Essa  consciência  pode  assumir  a  forma  de  indiferença  em
relação à vida, geralmente por falta de ambição, medo, falta de definição de
um propósito definido e muitas outras formas. A natureza não precisa do
consentimento de ninguém para fazer uma pessoa cair sob o feitiço do ritmo
hipnótico. Tudo o que ela precisa é achar essa pessoa desprevenida, através
de qualquer forma que ela negligencie de usar a sua própria mente. Lembre-
se disto: o que quer que você tenha, ou você usa ou você perde. Todas as
tentativas bem-sucedidas de quebrar o hábito da alienação devem ser feitas
antes que a natureza a transforme em um hábito permanente através do
ritmo hipnótico.
P – Pelo que estou entendendo, o ritmo hipnótico é uma lei natural
através da qual a natureza fixa a vibração de todos os ambientes, isso é
verdade?
R  –  Sim,  a  natureza  usa  o  ritmo  hipnótico  para  fazer  os  pensamentos
dominantes de uma pessoa e os seus hábitos de pensamento se tornarem
permanentes. É por isso que a pobreza é uma doença. A natureza a faz dessa
forma fixando permanentemente os hábitos de pensamento de todos os que
aceitam a pobreza como uma circunstância inevitável. Através dessa mesma
Lei  do  Ritmo  Hipnótico,  a  natureza  também  fixará  permanentemente
pensamentos  positivos  de  riqueza  e  prosperidade.  Talvez  você  entenda
melhor a forma com que o ritmo hipnótico trabalha se eu lhe disser que a sua
natureza é fixar permanentemente todos os hábitos, sejam eles mentais ou


físicos. Se a sua mente teme a pobreza, a sua mente atrairá a pobreza. Se a
sua  mente  deseja  riqueza  e  espera  por  ela,  a  sua  mente  atrairá  os
equivalentes físicos e financeiros da riqueza. Isso está em concordância com
uma lei imutável da natureza.
P  –  O  escritor  daquela  frase  na  Bíblia  “o  que  quer  que  um  homem
plante, ele colherá” tinha em mente essa lei da natureza?
R  –  Ele  não  poderia  ter  nada,  além  disso,  em  sua  mente.  A  afirmação  é
verdadeira. Você pode ver evidências dessa verdade em todas as relações
humanas.
P – É por isso que o homem que forma o hábito de alienar-se através da
vida deve aceitar o que quer que chegue a suas mãos. Isso está correto?
R – Isso está absolutamente correto. A vida paga ao alienado pelo seu próprio
preço, em seus próprios termos. O não alienado faz a vida pagar nos seus
termos.
P – Por acaso a questão da moral não entra no que se consegue da vida?
R – Para falar a verdade, a única razão em que entra a moral é que ela tem
uma influência direta nos pensamentos de uma pessoa. Ninguém consegue o
que  quer  da  vida  meramente  sendo  bom,  se  é  o  que  você  está  querendo
saber.
P – Não, acho que não. Entendo o que você quer dizer. Estamos todos
onde estamos e somos o que somos pelos nossos feitos.
R – Não, não exatamente. Você está onde está e você é o que é por causa de
seus pensamentos e de suas ações.
P – Então, isso que chamam de sorte não existe, é isso?
R – Enfaticamente, não. As circunstâncias que as pessoas não entendem são
classificadas sob o título de sorte. Por trás de toda a realidade existe uma
causa. Muitas vezes, a causa está tão longe do efeito que a circunstância
pode ser explicada somente atribuindo-se a sorte. A natureza não reconhece
tal lei como sorte. É uma hipótese feita pelo homem, com a qual ele explica as
coisas que ele não entende. Os termos “sorte e milagre” são irmãos gêmeos.
Nenhum  dos  dois  possui  uma  existência  real,  exceto  na  imaginação  das
pessoas. Ambos são usados para explicar aquilo que as pessoas não entendem.
Lembre-se disso, tudo que possui uma existência real pode ser provado como
tal. Mantenha essa verdade na sua mente e você se tornará um pensador
mais profundo.
P – O que é mais importante: pensamentos ou atos?


R – Todos os atos seguem pensamentos. Não existem feitos sem antes ter
havido um padrão de pensamento que o antecedesse. Além disso, todos os
pensamentos têm uma tendência de se tornarem a sua contraparte física. Os
pensamentos dominantes, que são aqueles que uma pessoa mistura com as
emoções, desejos, esperança, fé, medo, ódio, ganância, entusiasmo, eles não
apenas têm a tendência de se tornarem o seu equivalente físico como estão
fadados a se tornarem o equivalente físico.
P – Isso me leva a lhe pedir que me conte mais sobre a sua pessoa.
Onde, além das mentes das pessoas, você se fixa e realiza seus planos?
R – Opero onde quer que haja algo que eu possa controlar e me apropriar. Já
lhe disse que eu sou a porção negativa do elétron da matéria.
Sou a explosão do raio.
Sou a dor na doença e o sofrimento físico.
Sou o general que não é visto na guerra.
Sou o agente desconhecido da pobreza e da fome.
Sou o executor na pena de morte.
Sou um inspirador do desejo na carne.
Sou o criador da inveja, da ganância e do ciúme.
Sou o instigador do medo.
Sou  o  gênio  que  converte  as  realizações  de  homens  da  ciência  em
instrumentos de morte.
Sou o destruidor da harmonia em todas as formas de relações humanas.
Sou a antítese da justiça.
Sou a força propulsora de toda a imoralidade.
Sou o obstáculo para tudo o que é bom.
Sou a ansiedade, o suspense, a superstição e a insanidade.
Sou o destruidor da esperança e da fé.
Sou o inspirador da fofoca destrutiva e do escândalo.
Sou o desencorajador do pensamento livre e independente.
Em  resumo,  sou  o  criador  de  todas  as  formas  de  miséria  humana,  o
instigador do desencorajamento e do desapontamento.
P – E você não chama isso de frio e cruel?
R – Eu chamo isso de certo e confiável. A crise econômica mundial quebrou
os  hábitos  dos  homens  em  todas  as  partes  e  redistribuiu  as  fontes  de
oportunidades em todos os setores da vida, em uma escala sem precedentes.
O álibi do alienado, com o qual ele tenta explicar a sua posição indesejável, é
o  seu  grito  de  que  não  existem  novas  oportunidades  no  mundo.  Não


alienados não esperam pela oportunidade para trilhar o seu caminho. Eles
criam  oportunidades  que  estejam  em  acordo  com  os  seus  desejos  e
necessidades.
P – Os não alienados são espertos o suficiente para evitar a influência
do ritmo hipnótico?
R  –  Ninguém  é  esperto  o  suficiente  para  fugir  da  influência  do  ritmo
hipnótico.  Poderia  uma  pessoa  facilmente  evitar  a  influência  da  Lei  da
Gravidade? A Lei do Ritmo Hipnótico fixa permanentemente os pensamentos
dominantes dos homens, sejam eles positivos ou negativos ou não alienados
ou  alienados,  respectivamente.  Não  há  razão  para  que  um  não  alienado
queira evitar a influência do ritmo hipnótico, porque essa lei é favorável a ele.
Ela o ajuda a converter seus objetivos, planos e metas em réplicas físicas. Ela
fixa  os  seus  hábitos  de  pensamento  e  os  faz  permanentes.  Somente  um
alienado desejaria escapar da influência do ritmo hipnótico.
P  –  Boa  parte  da  minha  vida  adulta  fui  um  alienado.  Como  foi  que
consegui escapar do redemoinho do ritmo hipnótico?
R  –  Você  não  escapou.  A  maior  porção  dos  seus  pensamentos  e  desejos
dominantes, desde o momento em que você alcançou a vida adulta, tem
sido um desejo definido de entender todas as potencialidades da mente.
Você pode ter se alienado em pensamentos de menor importância, mas não
se alienou com esse desejo. Devido ao fato de não ter se alienado, você agora
está  gravando  um  documento  que  lhe  dará  exatamente  o  que  os  seus
pensamentos dominantes desejavam da vida.
P – Por que a sua oposição não usa o ritmo hipnótico para fazer com
que pensamentos positivos e causas nobres tornem-se permanentes?
Por  que  a  sua  oposição  permite  que  você  use  essa  força  estupenda
como  um  meio  de  enredar  as  pessoas  em  uma  rede  diabólica  gerada
pelos seus próprios pensamentos e ações? Por que a sua oposição não
vence você blindando as pessoas com pensamentos que construam e as
eleve acima da sua influência?
R – A Lei do Ritmo Hipnótico está disponível para todos que queiram fazer
uso  dela.  Faço  uso  dela  de  forma  mais  efetiva  do  que  a  minha  oposição,
porque ofereço às pessoas subornos mais atrativos, a fim de que elas pensem
os meus tipos de pensamentos e realizem os meus tipos de ações.
P  –  Em  outras  palavras,  você  controla  as  pessoas  fazendo  com  que
pensamentos negativos e ações destrutivas sejam prazerosos para elas.
Isso está correto?
R – Essa é a ideia, exatamente!


Capítulo Sete
SEMENTES DO MEDO
P – Seguidamente fico imaginando por que a sua oposição – que nós
humanos chamamos de Deus – simplesmente não aniquila você? Você
sabe me dizer por quê?
R  –  Porque  a  FORÇA  é  tanto  Dele  quanto  minha.  Essa  força  está  tão
disponível para ele quanto está para mim. E é exatamente isso que venho
tentando fazer você entender. A força mais poderosa do universo pode tanto
ser usada com objetivos construtivos e positivos, através do que os humanos
chamam de Deus, quanto com objetivos estritamente negativos, através do
que vocês chamam de Diabo. E ainda tem algo mais importante que você
deve saber: essa FORÇA pode ser usada por qualquer ser humano, de forma
tão efetiva quanto eu ou Deus podemos.
P – Você faz uma afirmação que não me parece muito palpável. Você
tem como provar o que está afirmando?
R – Sim, mas seria muito melhor se você provasse por si mesmo. A palavra do
Diabo  não  me  parece  que  tenha  muita  validade  entre  vocês,  humanos
pecadores. Nem a palavra de Deus. Na verdade, vocês temem o Diabo e não
confiam no seu Deus. Por isso vocês têm apenas uma fonte disponível através
da  qual  vocês  podem  se  apropriar  do  benefício  da  força  Universal,  que  é
justamente confiando e usando a sua própria força do pensamento. Esse é o
caminho  direto  para  a  Central  Universal  de  Inteligência  Infinita.  Não  há
outro caminho disponível a ser trilhado para qualquer ser humano.
P  –  Por  que  nós,  seres  humanos,  não  achamos  o  caminho  para  a
Inteligência Infinita antes?
R – Porque eu os interceptei primeiro e os tirei do caminho, plantando nas
suas mentes pensamentos que destroem a sua força de tal forma que vocês
não conseguem usar a sua mente de forma adequada. Fiz com que fosse
atrativo para vocês usar o poder da inteligência infinita a fim de obter fins
negativos, através da ganância, da avareza, da luxúria, da inveja e do ódio.
Lembre-se, a sua mente atrai aquilo que ela mais enfatiza. Para mantê-los
longe da minha oposição, tudo o que eu tinha que fazer era alimentá-los com
pensamentos que fossem úteis à minha causa.
P  –  Se  estou  entendendo,  o  que  você  quer  dizer  é  que  nenhum  ser
humano precisa temer o Diabo ou se preocupar em bajular a Deus!
R – É precisamente isso. Essa admissão pode afetar minha reputação, mas
também, ao mesmo tempo, pode atrapalhar a minha oposição, já que ela abre


espaço para enviar mais humanos diretamente para a Fonte de Toda a Força.
P – Em outras palavras, se você não pode controlar as pessoas através
de subornos negativos ou pelo medo, então você quer realmente chutar
o balde e mostrar às pessoas como ir diretamente a Deus? Por algum
acaso, você também é político? A sua técnica me parece estranhamente
familiar.
R – Eu, na política? Se eu por acaso não estou na política, quem você acredita
que começa as crises econômicas e força as pessoas a entrarem em guerra?
Você com certeza não acha que isso é papel da minha oposição? Conforme já
lhe  disse,  possuo  aliados  em  todos  os  setores  da  vida  que  ajudam  a  me
conectar com todos os tipos de relações humanas existentes.
P  –  Por  que  você  não  toma  conta  de  todas  as  igrejas  e  as  usa
diretamente para sua causa?
R – Você acha que eu sou um idiota? Quem manteria vivo o medo do Diabo
se eu subjugasse as igrejas? Quem serviria de isca para atrair a atenção das
pessoas enquanto eu manipulo as suas mentes, se eu não tivesse algum tipo
de agente através do qual eu pudesse semear as sementes do medo e da
dúvida? A coisa mais inteligente que eu faço é justamente usar os aliados da
minha oposição para manter sempre vivo o medo do Inferno nas mentes das
pessoas. Enquanto as pessoas temerem algo, não importa o que, eu manterei
meu controle sobre elas.
P – Eu estou começando a entender o seu esquema. Você usa as igrejas
para  plantar  a  semente  do  medo,  da  incerteza  e  da  indefinição  nas
mentes das pessoas. Esses estados negativos da mente fazem com que
as  pessoas  formem  o  hábito  da  alienação.  Esse  hábito  acaba
cristalizando-se permanentemente através do ritmo hipnótico; então a
vítima  torna-se  indefesa  para  se  ajudar.  Isso  está  correto?  O  ritmo
hipnótico então é algo para ser observado e respeitado?
R – O melhor modo de dizer a verdade é que o ritmo hipnótico é algo a ser
estudado, entendido e voluntariamente aplicado para que se possa conseguir
alcançar metas e desejos determinados.
P – Se a força do ritmo hipnótico não é voluntariamente aplicada para
se conseguir fins determinados, ela pode ser um grande perigo?
R – Sim, e também porque ela funciona automaticamente. Se ela não for
conscientemente aplicada para obter um determinado resultado desejado,
poderá  e  certamente  fará  com  que  se  obtenham  resultados  indesejados.
Pegue a simples ilustração do clima, por exemplo; qualquer um pode ver e
entender  que  a  natureza  força  cada  ser  humano  e  cada  elemento  da
matéria a ajustarem-se ao seu clima. Nos trópicos ela cria árvores que dão


frutos  e  se  reproduzem.  Ela  força  as  árvores  a  ajustarem-se  ao  seu  sol
escaldante! Ela as força também a formarem folhas especialmente feitas para
a  proteção  contra  os  raios  de  sol.  Essas  mesmas  árvores  não  poderiam
sobreviver  se  fossem  removidas  para  as  regiões  árticas,  onde  a  natureza
estabeleceu um clima totalmente diferente. Nos climas mais frios, ela cria
árvores  que  são  ajustadas  para  sobreviver  e  se  reproduzir,  mas  elas  não
poderiam  sobreviver  se  fossem  transplantadas  nas  regiões  tropicais.  Da
mesma maneira, a natureza abriga os seus animais dando a cada um deles
um tipo de clima diferente e um tipo de cobertura para que eles tenham
conforto e sobrevivam nesse clima. De uma maneira similar, a natureza força
na mente dos homens todas as influências que este recebe do seu ambiente
e  que  muitas  vezes  são  mais  fortes  do  que  os  próprios  pensamentos  dos
indivíduos. As crianças são forçadas pela natureza a receber influência de
todos à sua volta, a não ser que seus próprios pensamentos sejam mais fortes
que essas influências. A natureza estabelece um ritmo definido para cada
ambiente, e tudo dentro desse ritmo é forçado a entrar em sua frequência. O
homem,  sozinho,  possui  o  poder  de  estabelecer  o  seu  próprio  ritmo  de
pensamento, considerando que ele exercita esse privilégio antes de o ritmo
hipnótico  ter  forçado  sobre  ele  as  influências  do  seu  ambiente.  Todas  as
casas, todos os tipos de negócio, toda cidade e vilarejo e cada rua e centro
comunitário tem o seu próprio, definido e discernível ritmo. Se você deseja
conhecer a diferença que existe na frequência de ritmos das ruas, dê uma
caminhada na 5a Avenida, em Nova Iorque, e depois desça uma rua em
direção aos bairros pobres. Todas as formas de ritmo tornam-se permanentes
com o tempo.
P – Cada indivíduo possui o seu próprio ritmo de pensamento?
R – Sim, essa é precisamente a maior diferença entre os indivíduos. A pessoa
que pensa em termos de poder, sucesso, opulência, define um ritmo tal que
atrai essas possessões desejáveis. A pessoa que pensa em termos de miséria,
escassez,  fracasso,  desencorajamento  e  pobreza  atrai  essas  influências
indesejáveis.  Isso  explica  por  que  tanto  o  sucesso  quanto  o  fracasso  são
resultados do hábito. O hábito estabelece o ritmo do pensamento e esse ritmo
atrai o objeto que por sua vez representa os pensamentos dominantes.
P – O ritmo hipnótico, por acaso, é algo que se parece com um ímã que
atrai coisas que possuem uma afinidade magnética. Isso está correto?
R – Sim, isso está correto. Esse é o motivo de por que todos aqueles que são
orientados  para  a  pobreza  acabam  acumulando-se  nas  mesmas
comunidades.  Isso  explica  aquele  velho  adágio:  “A  miséria  adora
companhia”.  Isso  também  explica  por  que  as  pessoas  que  começam  a  se
tornar bem-sucedidas em qualquer tarefa acham que o sucesso multiplica
com muito menos esforço, conforme a passagem do tempo. Todas as pessoas
bem-sucedidas  usam  o  ritmo  hipnótico,  tanto  conscientemente  quanto


inconscientemente, esperando e exigindo o sucesso. A exigência torna-se um
hábito, o ritmo hipnótico toma conta do hábito, e a lei da atração harmoniosa
a traduz no seu equivalente físico.
P  –  Em  outras  palavras,  se  eu  sei  o  que  eu  quero  da  vida,  peço
deliberadamente e apoio o meu pedido com total consciência e desejo
pagar o preço que a vida cobrar para conseguir o que quero, e ainda
recuso aceitar quaisquer substitutos, a Lei do Ritmo Hipnótico tomará
conta dos meus desejos e me ajudará, pelos meios lógicos e naturais, a
transformar esses desejos em realidade física. Isso é verdade?
R – Isso descreve a forma como a lei trabalha.
P – A ciência estabeleceu provas irrefutáveis de que as pessoas são o
que  são  devido  a  dois  fatores  principais:  a  hereditariedade  e  a
influência  do  ambiente.  Elas  trazem  consigo,  ao  nascer,  uma
combinação  de  todas  as  qualidades  físicas  de  seus  numerosos
ancestrais.  Após  chegarem  aqui,  elas  atingem  a  idade  da
autoconsciência  e,  daquele  momento  em  diante,  elas  formam  suas
próprias personalidades e mais ou menos definem os seus destinos no
planeta como um resultado das influências dos ambientes as quais elas
estão sujeitas, especialmente as influências que as controlam durante a
sua infância. Esses dois fatos foram tão bem estabelecidos que não há
o menor espaço, mesmo para qualquer pessoa inteligente, questioná-
los.  Como  pode  o  ritmo  hipnótico  mudar  a  natureza  de  um  corpo
físico, que por sua vez é uma combinação de milhares de ancestrais
que viveram e morreram antes de se terem nascido? Como pode o ritmo
hipnótico mudar a influência do ambiente em que se vive? As pessoas
que  nascem  em  meio  à  pobreza  e  à  ignorância  possuem  uma  forte
tendência  a  permanecerem  guiadas  pela  pobreza  e  pela  ignorância
durante  toda  sua  vida.  O  que,  se  é  que  é  possível,  pode  o  ritmo
hipnótico fazer sobre isso?
R – O ritmo hipnótico não pode mudar a natureza do corpo físico que se
herda  ao  nascer,  mas  ele  pode  e  modificará,  mudará,  controlará  e  fará
permanentes as influências ambientais que estiverem à nossa volta.
P – Se entendi o que você quer dizer, das duas, uma: ou o ser humano é
forçado pela natureza a aceitar e tornar-se parte do ambiente que ele
escolhe, ou as forças do ambiente são impostas sobre ele.
R – Isso está correto, mas há modos e meios pelos quais um indivíduo pode
resistir  às  influências  de  um  ambiente  que  ele  não  deseja  aceitar,  e  há
também  um  método  pelo  qual  se  pode  reverter  a  influência  do  ritmo
hipnótico partindo do negativo para se alcançar resultados positivos.


P – Você quer dizer que existe um método definido pelo qual o ritmo
hipnótico pode ser utilizado para servir em vez de destruir?
R – É exatamente isso que eu quero dizer.
P – Diga-me como esse fantástico fim pode ser obtido.
R  –  Para  que  a  minha  descrição  seja  de  algum  valor  prático,  ela
necessariamente terá de ser longa, porque terá que cobrir os sete princípios
da psicologia, os quais devem ser entendidos e aplicados por todos aqueles
que  desejem  usar  o  ritmo  hipnótico  para  ajudá-los  a  forçar  a  vida  a  lhes
trazer aquilo que eles realmente querem.
P – Então divida sua descrição em sete partes, cada uma delas contendo
uma  análise  detalhada  dos  sete  princípios,  com  instruções  simples
para sua aplicação na prática.


Capítulo Oito
PROPÓSITO DEFINIDO
P – Sua Majestade procederá agora à revelação dos segredos dos sete
princípios através dos quais os seres humanos podem forçar a vida a
fornecer-lhes  a  liberdade  espiritual,  mental  e  física.  Não  seja
econômico  ao  longo  de  sua  descrição  desses  princípios.  Quero  uma
ilustração completa de como esses princípios podem ser utilizados por
qualquer  pessoa  que  escolha  fazer  uso  deles.  Conte-nos  tudo  o  que
sabe sobre o princípio do Propósito definido.
R – Se, por acaso, seguir adiante com essa ideia maluca de publicar a minha
confissão, você abrirá as portas do Inferno e libertará todas as almas que eu
busquei ao longo destes últimos séculos. Você me privará de milhões de almas
que  ainda  não  nasceram.  Você  libertará  de  minha  submissão  milhões  de
almas que agora habitam o planeta. Pare. Eu lhe imploro.
P – Vamos lá, se abra. Vamos ouvir o que tem a dizer sobre o princípio
do Propósito definido.
R – Você está colocando água nas chamas do Inferno, mas a responsabilidade
é  sua,  não  minha.  Eu  posso,  sem  sombra  de  dúvida,  também  dizer  que
qualquer ser humano que esteja firme em seus planos e metas pode fazer a
vida entregar a ele exatamente aquilo que ele deseja.
P  –  Isso  é  uma  afirmação  muito  abrangente,  Sua  Majestade.  Você
poderia diminuir um pouco o escopo de sua afirmação?
R – Diminuir? Não, desejo aumentar! Quando ouvir o que eu tenho a dizer,
você  entenderá  por  que  o  princípio  da  definição  de  propósito  é  tão
importante. A minha oposição usa um truque muito esperto para me enganar
e tirar o meu controle sobre as pessoas. Porque, na verdade, a oposição sabe
que o princípio da definição de propósito fecha a porta da mente de qualquer
um contra mim de tal forma que eu não consigo invadir a não ser induzindo
essa pessoa ao hábito da alienação.
P – Por que a sua oposição não revela o seu segredo a todas as pessoas
contando a elas como evitá-lo através de um propósito definido? Você
já  admitiu  que  de  cada  100  pessoas  apenas  duas  pertencem  à  sua
oposição.
R – Porque sou mais esperto que a minha oposição. Eu afasto as pessoas de
suas definições através das minhas promessas. Como você pode ver, controlo
mais pessoas do que a minha oposição porque sou um melhor vendedor e
também  um  grande  showman.  Eu  atraio  as  pessoas  alimentando-as


deliberadamente com os seus próprios hábitos de pensamentos nos quais elas
se satisfazem.
P – O princípio da definição de propósito é algo com que alguém deve
nascer ou algo que pode ser adquirido?
R – Todas as pessoas, conforme eu já disse antes, nascem com o privilégio e
com o potencial de terem a definição do propósito. Mas 98 de cada 100
pessoas  perdem  esse  privilégio  porque  não  o  utilizam  e  nem  tomam
consciência de sua existência. O privilégio da definição de propósito pode ser
mantido somente através de uma política pela qual a pessoa o adota como
um guia para todos os assuntos de sua vida.
P – Ah, entendo! Pode-se tomar vantagem do princípio da definição de
propósito da mesma forma que se pode construir um corpo físico forte
e musculoso – através do uso constante e sistemático. É assim mesmo?
R – Essa é a verdade nua e crua, da forma mais acertada possível.
P – Agora eu penso que estamos chegando a algum lugar, Sua Majestade.
Finalmente chegamos ao ponto de partida pelo qual todos os que se
tornam autodeterminados em suas vidas irão infalivelmente encontrar
o sucesso. Descobrimos, através de sua fantástica confissão, que o seu
maior ativo é a falta de precaução do homem, que por sua vez habilita
você  a  guiá-lo  pela  selva  da  indefinição,  através  de  pequenos
subornos. Aprendemos, acima de qualquer dúvida, que qualquer um
que adote o princípio da definição de propósitos como uma política e
a use nas suas experiências do dia a dia jamais pode ser induzido a
formar o hábito da alienação. Sem a ajuda do hábito da alienação, você
não tem força para atrair as pessoas através de suas promessas. Isso
está correto?
R – Eu mesmo não poderia ter dito tamanha verdade.
P  –  Vá  em  frente  agora  e  descreva  como  as  pessoas  negligenciam  o
privilégio de ser livres e autodeterminadas através da indefinição e da
alienação.
R – Já fiz uma breve referência sobre esse princípio, mas agora entrarei nos
mínimos  detalhes  para  explicar  de  que  forma  esse  princípio  funciona.
Começarei no momento do nascimento. Quando uma criança nasce, ela traz
consigo  nada  além  de  um  corpo  físico,  representando  os  resultados  da
evolução de milhões de anos de seus ancestrais. A sua mente é um branco
total.  Quando  a  criança  alcança  a  idade  da  consciência  e  começa  a
reconhecer os objetos do seu entorno, ela também começa a imitar outras
pessoas. A imitação torna-se um hábito fixo. Naturalmente, a criança imita,
antes  de  tudo,  os  seus  pais.  Aí,  então,  ela  começa  a  imitar  seus  outros


parentes e pessoas que as acompanham diariamente, incluindo os instrutores
religiosos e os professores da  escola.  A  imitação  estende-se  não  somente  à
expressão física, mas também à expressão do pensamento. Se os pais de uma
criança têm medo de mim e expressam esse medo de tal forma que a criança
consiga ouvir isso, essa criança adquire o medo através do hábito da imitação
e acaba armazenando isso no seu subconsciente como uma crença real. Se o
instrutor religioso dessa criança expressar qualquer forma de medo de mim
(e todos eles expressam de uma forma ou outra), esse medo é adicionado ao
mesmo  temor  passado  para  a  criança  por  seus  pais.  Essas  duas  formas
negativas  de  limitação  ficam  armazenadas  no  subconsciente,  de  forma  a
serem utilizadas por mim mais adiante em suas vidas. De forma similar, a
criança  aprende,  por  imitação,  a  limitar  a  sua  força  do  pensamento,
preenchendo a sua mente com inveja, ódio, ganância, luxúria, vingança e
todos  os  outros  impulsos  negativos  do  pensamento,  que  destroem  toda  e
qualquer possibilidade de definição de propósito. Enquanto isso, me hospedo
na mente dessa criança e a induzo a alienar-se, até que eu tenha controle
total sobre ela por meio do ritmo hipnótico.
P – Pelo que eu pude entender de todas as suas afirmações, você tem
que ganhar o controle das pessoas enquanto elas são muito jovens,
sob pena de perder a oportunidade de controlá-las?
R – Eu prefiro possuí-las antes que elas tomem conta de suas próprias mentes.
Uma  vez  que  uma  pessoa  aprenda  o  real  poder  dos  seus  próprios
pensamentos, ela se torna positiva, e então é muito difícil que ela se submeta
a  mim.  Na  verdade,  não  tenho  poder  sobre  nenhum  ser  humano  que
descubra e use o princípio da definição do propósito.
P – O hábito da definição de propósitos seria uma proteção permanente
contra o seu controle?
R – Não, de certa forma não. A definição fecha a porta da mente para mim,
mas ela só mantém as portas fechadas contanto que a pessoa siga o princípio
de forma sistemática e permanente, fazendo dele um hábito de vida. Uma
vez que a pessoa hesite, procrastine, ou torne-se indefinida sobre qualquer
coisa, ela está apenas a um passo de deixar essa proteção e ser envolvida por
mim e pelo meu controle.
P  –  Qual  a  relação  que  existe  entre  a  definição  de  propósito  e  as
circunstâncias materiais de determinada pessoa? Eu gostaria de saber
se uma pessoa pode adquirir poder através da definição de propósitos,
sem trazer para si o poder da destruição através da Lei da Compensação.
R – A sua questão limita as minhas ilustrações porque há tão poucas pessoas
no mundo que entendem. Existiram muito poucas pessoas no passado que
entendiam  como  usar  o  princípio  do  propósito  definido  sem  atrair  para  si


mesmas as implicações negativas da Lei da Compensação. Aqui você está me
forçando a revelar um dos meus truques mais valiosos. Estou para contar a
você que eventualmente trago novamente para a minha causa todos aqueles
que escapam de mim temporariamente, através do princípio da definição de
propósito.  A  forma  de  como  eu  faço  essas  pessoas  retornarem  a  mim  é
simplesmente preenchendo as mentes delas com ganância por poder e amor
pela  expressão  egocêntrica,  até  o  limite  de  o  indivíduo  cair  no  hábito  da
violação dos direitos dos outros. Aí, então, entro com a Lei da Compensação e
imediatamente retomo a minha vítima.
P  –  Então  eu  vejo,  baseado  em  suas  próprias  admissões,  que  o
princípio  da  definição  de  propósito  pode  ser  perigoso
proporcionalmente à possibilidade de tornar-se uma forma de poder.
Isso é uma verdade?
R – Sim, e o que é mais importante: cada princípio do bem carrega consigo a
semente de um perigo equivalente.
P – É difícil de acreditar nisso. Que perigo, por exemplo, pode haver no
hábito do amor à verdade?
R – O perigo encontra-se na palavra “hábito”. Todos os hábitos, com exceção
somente aquele do amor à definição de propósito, podem levar à alienação. O
amor à verdade, a menos que ele assuma a proporção da procura definitiva
por ela, pode se tornar similar a todas as outras boas intenções. E você sabe, é
claro, o que faço com boas intenções.
P – O amor pelos parentes também é perigoso?
R – O amor por qualquer coisa ou por qualquer pessoa, exceto o amor pelo
propósito definido, pode ser perigoso. O amor é um estado de espírito que
encobre a razão, limita a força de vontade e cega a mente para os fatos e para
a  verdade.  Todos  aqueles  que  se  tornam  autodeterminados  e  ganham
liberdade  espiritual  para  pensar  os  seus  próprios  pensamentos,  devem
examinar  cuidadosamente  cada  emoção,  mesmo  aquela  mais  vaga
relacionada ao amor. Você pode ficar surpreso em saber que o amor é uma
das  minhas  iscas  mais  efetivas.  Com  ele  trago  para  o  hábito  da  alienação
aqueles que não consegui atrair com nada mais. E é por isso que o coloquei
encabeçando a minha lista de subornos. Mostre-me aquilo que uma pessoa
mais ama e eu terei a chave para saber como essa pessoa pode ser induzida a
alienar-se, até o ponto de eu fisgá-la com o ritmo hipnótico. Amor e medo,
combinados, me fornecem as armas mais efetivas com as quais induzo as
pessoas a se alienarem. Cada qual é tão útil quanto o outro. Ambos têm o
efeito  de  fazer  com  que  as  pessoas  negligenciem  o  desenvolvimento  da
definição no uso das suas próprias mentes. Dê-me o controle sobre os medos
de uma pessoa e adicionalmente me conte o que ela mais ama. Com certeza,


pode contar que essa pessoa será minha escrava. O amor e o medo são forças
emocionais de tão estupenda potência que qualquer uma das duas têm o
poder de retirar a força de vontade e o uso da razão. Sem o poder da vontade
e da razão, não há nada mais que possa sustentar a definição de propósito.
P – Mas, Sua Majestade, não valeria a pena viver se as pessoas nunca
sentissem a emoção do amor.
R – Ah! Você está tão certo quanto à sua razão, mas negligenciou ao não
adicionar que o amor deve estar sob total controle da pessoa em todos  os
momentos. É claro, o amor é um estado de espírito completamente desejável,
mas também é um paliativo que pode ser usado para limitar ou destruir a
razão  e  a  força  de  vontade,  e  ambas  devem  estar  acima  do  amor  em
importância para todos aqueles seres humanos que desejam a liberdade e a
autodeterminação.
P  –  Entendo,  pelo  que  você  diz,  que  as  pessoas  que  ganham  poder
devem endurecer as suas emoções, controlar os seus medos e dominar
o amor. Isso está correto?
R – As pessoas que ganham e mantêm poder devem tornar-se definidas em
todos os seus pensamentos e atos. E se isso é o que você chama endurecer,
então, sim, eles têm que ser duros.
P – Vamos olhar para as fontes da vantagem de ser definido em todos
os assuntos do dia a dia de nossa vida. Qual é mais apto para ser bem-
sucedido: um plano fraco aplicado com definição ou um plano forte e
profundo aplicado sem definição?
R – Planos fracos têm um meio de se tornarem fortes se forem aplicados com
definição.
P – Você quer dizer que qualquer plano, definitivamente colocado em
ação  contínua  na  busca  por  um  propósito  definido,  pode  tornar-se
bem-sucedido mesmo que não seja o melhor plano?
R – Sim, é exatamente isso que eu quero dizer. A definição de propósito, mais
um plano bem elaborado, geralmente traz consigo o sucesso, não importando
o quão fraco o plano possa ser. A maior diferença entre um plano forte e um
fraco é que o plano forte, se definitivamente aplicado, pode trazer sucesso
mais rapidamente do que um plano fraco.
P – Em outras palavras, se não se consegue estar sempre certo, então se
deve  ser  sempre  definido?  É  isso  que  você  está  tentando  me  fazer
entender?
R – Essa é a ideia. As pessoas que são definidas, tanto em seus planos quanto


em seus objetivos, aceitam derrotas temporárias como sendo um sinal para
que façam um esforço maior. Você pode ver por si mesmo que esse tipo de
política está fadada a ganhar, se for feita com convicção.
P  –  Pode  uma  pessoa  que  se  move  com  definição,  tanto  de  planos
quanto de propósitos, estar sempre certa de alcançar o sucesso?
R – Não. O melhor dos planos, algumas vezes, falha, mas a pessoa que age
com definição reconhece a diferença entre a derrota temporária e o fracasso.
Quando os planos falham, ela os substitui por outros, mas ela não muda o seu
propósito,  ela  persevera.  Eventualmente,  ela  encontra  um  plano  que  será
bem-sucedido.
P  –  Um  plano  baseado  em  fins  imorais  ou  injustos  será  tão  bem-
sucedido  e  de  forma  tão  rápida  quanto  um  plano  motivado  por  um
senso apurado de justiça e moralidade?
R – Através da operação da Lei da Compensação, todos, sem exceção, colhem
aquilo que plantam. Planos baseados em motivos injustos ou imorais podem
trazer  sucesso  temporário,  mas  sucesso  duradouro  deve  levar  em
consideração  a  quarta  dimensão:  o  tempo.  O  tempo  é  o  inimigo  da
imoralidade  e  da  injustiça.  Ele  é  o  amigo  da  justiça  e  da  moralidade.  O
fracasso em reconhecer esse fato como verdadeiro tem sido responsável pela
onda  de  crimes  entre  jovens  do  mundo  inteiro.  A  mente  jovem  e
inexperiente  pode  frequentemente  cometer  o  erro  de  avaliar  sucesso
temporário como algo permanente. Os jovens frequentemente cometem o
erro de cobiçar os ganhos temporários baseados em planos injustos e imorais,
e negligenciam olhar à frente e observar as penalidades que sempre seguem,
exatamente como a noite segue o dia.


Capítulo Nove
EDUCAÇÃO E RELIGIÃO
P – Isso é coisa profunda, Sua Majestade. Vamos voltar à discussão de
assuntos  mais  leves  e  mais  concretos,  e  que  provavelmente  vão
interessar  à  maioria  das  pessoas.  Estou  interessado  em  discutir  as
coisas  que  fazem  as  pessoas  felizes  e  miseráveis,  ricas  e  pobres,
doentes e saudáveis. Em resumo, estou interessado em tudo que pode
ser  usado  por  seres  humanos,  de  tal  forma  que  a  vida  possa  pagar
dividendos  satisfatórios  como  retorno  para  o  esforço  que  se  coloca
nesse negócio que se chama viver.
R – Muito bem, vamos ser definitivos.
P  –  Você  pegou  a  minha  ideia.  Sua  Majestade  tem  uma  tendência  a
divagar  em  detalhes  abstratos  que  a  maior  parte  das  pessoas  não
consegue  nem  entender,  nem  usar  na  solução  dos  seus  problemas.
Poderia  isso,  de  alguma  maneira,  ser  um  plano  definido  seu  para
responder as minhas questões utilizando-se de respostas indefinidas?
Se esse é o seu plano, é um truque astuto, mas não funcionará. Vá em
frente  agora  e  me  fale  mais  alguma  coisa  sobre  as  misérias  e  os
fracassos  dos  seres  humanos  que,  por  sua  vez,  crescem  diretamente
ligados à indefinição.
R – Por que não me permitir lhe contar mais sobre os prazeres e sucessos das
pessoas que entendem e aplicam o princípio da definição?
P  –  Observo  que  algumas  vezes  pessoas  com  planos  e  objetivos
definidos  conseguem  o  que  querem  da  vida,  para  somente  depois
descobrir  que  aquilo  que  elas  conseguiram  não  é  exatamente  o  que
queriam. O que é então?
R  –  Geralmente,  nos  livramos  de  qualquer  coisa  que  não  queremos  pela
aplicação do mesmo princípio de definição das coisas das quais adquirimos.
Uma  vida  que  é  vivida  com  absoluta  paz  de  espírito,  contentamento  e
felicidade, sempre se livra de tudo aquilo que não quer. Qualquer um que se
submete a coisas que não quer por um longo período, este sim é um alienado.
P  –  E  o  que  você  tem  a  dizer  sobre  pessoas  casadas  que  deixam  de
querer estar um com o outro? Eles devem se separar ou é verdade que
todos  os  casamentos  são  feitos  no  céu  e  os  contratantes  são,  dessa
forma,  ligados  eternamente  por  essa  vontade  momentânea,  mesmo
provando ser uma escolha pobre para ambos?
R – Primeiro, deixe-me corrigir esse velho ditado de que todos os casamentos


são feitos no céu. Eu conheço alguns que são feitos do meu lado da cerca.
Mentes que não se harmonizam jamais deveriam ser forçadas a permanecer
juntas  no  casamento  ou  em  qualquer  tipo  de  relacionamento.  O  atrito  e
todas as formas de discórdia entre as mentes levam inevitavelmente para o
hábito da alienação e, consequentemente, para a indefinição.
P – As pessoas não são algumas vezes ligadas umas às outras por uma
relação de dever, o que acaba sendo impraticável para eles tirarem da
vida o que elas mais querem?
R  –  “Dever”  é  uma  das  palavras  mais  abusadas  e  mal-entendidas  da
existência. O primeiro dever de cada ser humano é consigo mesmo. Cada
pessoa deve a si mesma o dever de encontrar como viver uma vida plena e
feliz. Além disso, se a pessoa possui tempo e energia extras e que não são
necessárias  para  preencher  os  seus  próprios  desejos,  ela  deve  assumir  a
responsabilidade de ajudar outros.
P – Isso não é uma atitude egoísta, e egoísmo não é uma das principais
causas do fracasso em se achar a felicidade?
R – Mantenho exatamente a mesma frase que lhe disse antes, de que não
existe maior dever do que aquele que devemos a nós mesmos.
P – Uma criança não deve algo, no sentido de dever, aos seus pais, que
lhe deram a vida e o sustento durante seus períodos de necessidade?
R – De forma alguma. É exatamente o oposto. Os pais devem às suas crianças
tudo o que eles podem dar a elas na forma de conhecimento. Além desse
ponto, os pais normalmente mimam em vez de ajudar as suas crianças, tudo
isso por um falso senso de dever que os faz satisfazer as suas crianças em vez
de forçá-las a procurar e ganhar o conhecimento.
P – Entendo o que você quer dizer. A sua teoria é de que o excesso de
ajuda  para  os  jovens  os  encoraja  a  se  alienarem  e  se  tornarem
indefinidos  em  todas  as  coisas.  Você,  Majestade,  acredita  que  a
necessidade é um professor de grande sagacidade, que a derrota carrega
consigo  uma  virtude  equivalente  e  que  presentes  que  não  são
merecidos,  sejam  de  que  naturezas  forem,  podem  tornar-se  uma
maldição em vez de uma benção. Isso está correto?
R – Você conseguiu colocar a minha filosofia de forma perfeita. A minha
crença não é teoria. É um fato.
P – Então você não advoga a oração como um meio de alcançar fins
desejáveis?
R – Pelo contrário, advogo que a oração é poderosa, mas não o tipo de oração


que consiste em palavras vazias, sem sentido e suplicantes. O tipo de oração
contra  a  qual  não  tenho  nenhuma  força  é  a  oração  com  um  propósito
definido.
P  –  Eu  nunca  pensei  na  definição  de  propósito  como  sendo  uma
oração. Como ela pode ser?
R – A definição é, em efeito, a única forma de oração em que alguém pode
realmente basear-se. Ela, na verdade, posiciona a pessoa de forma que use o
ritmo hipnótico para alcançar fins definidos, apropriando-se da grande fonte
universal  de  inteligência  infinita.  Essa  apropriação,  no  caso  de  você  estar
interessado,  ocorre  através  da  definição  de  propósito,  persistentemente
perseguida.
P – Por que a maioria das orações falham?
R – Elas não falham. Todas as orações trazem aquilo pelo qual se reza.
P  –  Mas  você  disse  que  a  definição  de  propósito  é  o  único  tipo  de
oração  em  que  alguém  pode  se  basear.  Agora  você  diz  que  todas  as
orações trazem resultado. O que você quer dizer?
R  –  Não  há  nada  inconsistente  com  isso.  A  maioria  das  pessoas  que  reza
recorre à oração somente após tudo ou mais ter falhado. Naturalmente, elas
começam as suas orações com suas mentes cheias de medo de que as suas
orações não serão atendidas. Bem, os medos então são realizados. A pessoa
que começa uma oração com um propósito definido e fé inabalável de que
vai  alcançar  o  seu  objetivo,  coloca  em  ação  as  leis  da  natureza  que
transmutam os desejos dominantes de uma pessoa no seu equivalente físico.
Isso  é  tudo  que  se  pode  dizer  sobre  uma  oração.  Uma  forma  de  oração
negativa traz somente resultados negativos. A outra forma é positiva e traz
resultados definidos e positivos. Poderia algo ser mais simples do que isso? As
pessoas que se lamentam e imploram que Deus assuma responsabilidade por
todos os seus problemas e forneça todas as necessidades e luxúrias que a vida
pode oferecer são na verdade muito preguiçosas para conseguir o que elas
querem da vida e traduzir tudo isso como uma realidade física através do
poder de suas próprias mentes. Quando você escuta uma pessoa rezando por
algo  que  ela  deveria  conseguir  com  seus  próprios  esforços,  você  pode  ter
certeza  de  que  você  está  escutando  um  alienado.  A  inteligência  infinita
favorece somente aqueles que entendem e adaptam-se às suas leis. Ela não
faz  discriminação  por  definição  de  um  caráter  excelente  ou  de  uma
personalidade  agradável.  Essas  características  ajudam  as  pessoas  a
negociarem o seu caminho através da vida de forma mais harmoniosa, mas a
fonte com a qual a oração é respondida não é impressa com letras de ouro. A
lei da natureza diz o seguinte: “Saiba o que você quer, adapte-se às minhas
leis, e você com certeza o terá”.


P – Isso se harmoniza com os ensinamentos de Cristo?
R – Perfeitamente. Isso também se harmoniza com os ensinamentos de todos
os grandes filósofos.
P  –  A  sua  teoria  de  definição  está  em  harmonia  com  a  filosofia  dos
homens da ciência?
R  –  A  definição  é  a  maior  diferença  entre  um  cientista  e  um  alienado.
Através do princípio da definição de plano e propósito, o cientista força a
natureza a revelar-lhe os seus mais profundos segredos. Foi através desses
princípios  que  Edison  descobriu  o  segredo  da  máquina  falante  (vitrola),  a
lâmpada  elétrica  incandescente  e  muitos  outros  benefícios  para  a  espécie
humana.
P  –  Então  eu  entendo  que  a  definição  é  o  primeiro  requisito  para  o
sucesso  em  todo  e  qualquer  empreendimento  humano.  Isso  está
correto?
R – Exatamente. Qualquer coisa que ensine as pessoas a examinarem fatos e
conectá-los  a  planos  definidos  através  de  um  pensamento  apurado  vai
dificultar a minha profissão. Se essa sede por conhecimento definido, que
agora está se espalhando pelo mundo, mantiver-se assim, meu negócio ficará
ameaçado  dentro  dos  próximos  séculos.  Eu  triunfo  na  ignorância,  na
superstição, na intolerância e no medo, mas não consigo manter-me de pé
ante  um  conhecimento  definido,  propriamente  organizado  em  planos
definidos nas mentes das pessoas que pensam por si mesmas.
P  –  Por  que  você  não  assume  a  Onipotência  e  administra  todos  os
trabalhos da sua própria maneira?
R – Você pode também perguntar por que a porção negativa do elétron não
toma conta da porção positiva e faz todo o trabalho. A resposta é que ambas
as cargas, positiva e negativa da energia, são necessárias para a existência do
elétron.  Uma  é  balanceada  igualmente  contra  a  outra,  e  assim  deve
permanecer. E é dessa forma que ocorre a relação entre a Onipotência e Eu.
Representamos as forças positivas e negativas de todo o sistema dos universos
e  estamos  igualmente  balanceados  uma  contra  a  outra.  Se  essa  força  de
equilíbrio fosse modificada, mesmo que num ínfimo grau, todo o sistema dos
universos se tornaria rapidamente reduzido a uma massa de matéria inerte.
Agora  você  sabe  por  que  eu  não  posso  tomar  conta  de  todo  o  show  e
simplesmente fazer tudo do meu jeito.
P – Se o que você diz é verdade, você tem exatamente o mesmo poder
que a Onipotência possui. Isso é verdadeiro?
R – Isso está correto. A minha oposição – a quem você chama onipotência – se
expressa através das forças que você chama de “boas”, as forças positivas da


natureza. Eu me expresso através de forças que você chama de “más”, as
forças  negativas  da  natureza.  Tanto  o  Bem  quanto  o  Mal  são  forças  que
devem coexistir na natureza. Uma é tão importante quanto a outra.
P – Então a doutrina da predestinação é verdadeira. As pessoas nascem
para o sucesso ou para o fracasso, para a miséria ou para a felicidade,
para serem boas ou más, e elas nada têm a ver com isso e muito menos
podem modificar as suas naturezas. É isso que você está afirmando?
R  –  Enfaticamente:  não!  Cada  ser  humano  possui  uma  ampla  gama  de
escolhas, tanto para os seus pensamentos quanto para as suas ações. Cada ser
humano  pode  usar  o  seu  cérebro  para  a  recepção  e  para  a  expressão  de
pensamentos positivos, ou pode usá-lo para expressar pensamentos negativos.
A sua escolha nesse assunto tão importante molda toda a sua vida.
P – Pelo que você disse, pude perceber que os serem humanos possuem
mais liberdade de expressão do que você ou a sua Oposição. Isso está
correto?
R – Sim, isso está correto. Tanto eu quanto a onipotência somos limitados por
leis  imutáveis  da  natureza.  Nós  não  podemos  nos  expressar,  seja  de  que
maneira for, se não for em conformidade com essas leis.
P – Então é verdade que o homem possui direitos e privilégios não
disponíveis  nem  para  a  onipotência  e  nem  para  o  Diabo.  Isso  é  a
verdade?
R – Sim, isso é verdade. Mas você também tem que acrescentar que o homem
ainda não acordou totalmente para dar-se conta de sua força em potencial.
O homem ainda se considera algo como uma poeira no vento, quando na
realidade  ele  possui  muito  mais  poder  do  que  todas  as  criaturas  vivas
combinadas.
P – A definição de propósito parece ser uma panaceia para todos os
males do homem.
R – Talvez não isso, mas você pode ter certeza de que ninguém se tornará
autodeterminado sem a definição de propósito.
P  –  Por  que  não  ensinam  para  as  crianças  sobre  a  definição  de
propósito nas escolas?
R – Pela razão de que não existe um plano definido ou propósito por trás de
qualquer currículo escolar. As crianças são enviadas para a escola para ganhar
um diploma escolar e aprender como memorizar, não para aprender o que
elas realmente querem da vida.


P  –  Qual  o  benefício  de  um  diploma  escolar,  se  não  se  consegue
convertê-lo em realizações espirituais e materiais da vida?
R – Eu sou somente o Diabo e não um resolvedor de enigmas!
P – Eu deduzo, por tudo que você diz, que nem as escolas e nem as
igrejas preparam os jovens do mundo com um conhecimento prático de
como funcionam suas próprias mentes. Existe alguma coisa de maior
importância para um ser humano do que o entendimento das forças e
circunstâncias que influenciam a sua própria mente?
R  –  A  única  coisa  de  valor  duradouro  para  qualquer  ser  humano  é  o
conhecimento de como opera a sua própria mente. As igrejas não permitem
que uma pessoa investigue e adentre para conhecer as potencialidades de
sua própria mente, e as escolas tampouco reconhecem tais potencialidades.
P – Você não está pegando um pouco pesado com as escolas e com as
igrejas?
R  –  Não,  estou  apenas  as  descrevendo  como  elas  são,  sem  tendências  ou
preconceitos.
P – As escolas e as igrejas não são seus piores inimigos?
R – Os seus líderes podem pensar que são, mas eu só me impressiono com
fatos. A verdade é esta, se é que você quer saber: as igrejas são meus aliados
mais úteis e as escolas estão logo atrás.
P  –  De  que  forma  específica  ou  em  termos  gerais  você  faz  essa
afirmação?
R  –  Da  seguinte  forma:  tanto  as  igrejas  quanto  as  escolas  me  ajudam  a
converter as pessoas para o hábito da alienação.
P – Você consegue perceber que os indícios que você está levantando
são substanciais, a ponto de macular a imagem de duas instituições
que  foram  da  maior  importância  e  responsáveis  pela  civilização  da
forma como se conhece hoje?
R – Se me dou conta? Minha nossa, eu me regozijo com isso. Se as escolas e as
igrejas  tivessem  ensinado  as  pessoas  a  pensarem  por  si  mesmas,  onde  eu
estaria agora?
P  –  Essa  confissão  sua  desiludirá  milhões  de  pessoas  cuja  única
esperança de salvação está nas suas igrejas. Isso não é algo cruel para
fazer  com  elas?  Não  seria  muito  melhor  para  a  maioria  das  pessoas
viver na ignorância desse fato do que saber a verdade sobre você?


R – O que você quer dizer com o termo “salvação”? Do que na verdade as
pessoas  estão  sendo  salvas?  A  única  forma  de  salvação  duradoura  que
realmente  é  válida  para  qualquer  ser  humano  é  aquela  que  vem  do
reconhecimento do poder de sua própria mente. Ignorância e medo são os
únicos inimigos dos quais os homens necessitam salvação.
P – Você parece não considerar nada como sagrado.
R  –  Você  está  errado.  Mantenho  como  sagrada  a  única  coisa  que  eu
considero meu mestre – a única coisa da qual tenho medo.
P – E o que é isso que você teme?
R  –  O  poder  do  pensamento  independente  amparado  pela  definição  de
propósito.
P – Então você não possui muitas pessoas para temer?
R  –  Somente  duas  de  cada  cem,  para  ser  mais  exato.  As  outras  todas  eu
controlo.
P – Vamos dar um tempo para as igrejas e voltar para as escolas. A sua
confissão mostrou claramente que você prospera e se perpetua de uma
geração para outra utilizando o truque de tomar conta das mentes das
crianças  antes  que  elas  tenham  a  chance  de  usar  os  seus  próprios
intelectos. Desejo saber o que está errado com o sistema escolar que
permite que o Diabo controle tantas pessoas. Desejo saber também o
que pode ser feito para estabelecer um sistema de ensino que garantirá
a oportunidade de aprendizado para todas as crianças – primeiro de que
elas possuem mentes, segundo de que forma elas podem usar as suas
mentes para trazer liberdade espiritual e econômica para suas vidas.
Estou  colocando  essa  questão  de  forma  suficientemente  definida,
considerando que você tem salientado a importância da definição de
propósito. Estou aqui para alertá-lo de que a sua resposta para minha
questão deve ser definida.
R – Espere um momento enquanto eu respiro. Você me deu uma ordem e
tanto! E parece estranho que você tenha vindo para o Diabo para aprender
como viver. Eu penso que você deveria visitar a minha oposição. Por que você
não vai?
P  –  Sua  Majestade,  quem  está  sendo  inquirido  aqui  é  você,  não  eu.
Quero a verdade e não estou preocupado pela fonte através da qual vou
tê-la.  Existe  algo  radicalmente  errado  com  o  sistema  de  educação,
sistema tal que tem nos fornecido um balancete da vida que nos mostra
que  estamos  vulneravelmente  no  vermelho,  sempre  na  esperança  de


entrar  para  o  caminho  da  autodeterminação,  tal  como  se  fôssemos
animais  perdidos  numa  selva.  Quero  saber  duas  coisas  sobre  esse
sistema. Primeiro: qual a maior fraqueza do sistema? Segundo: como
pode essa fraqueza ser eliminada? A bola está com você novamente!
Por favor, permaneça focado na questão e pare de tentar me desfocar
para questões abstratas. Isso é ser definido, não é?
R – Você não me deixa nenhuma chance a não ser partir para uma resposta
direta. Para começar, o sistema de ensino parte de um ângulo educacional
errado. O sistema escolar esforça-se para ensinar às crianças a memorizar
fatos, em vez de ensiná-los como usar as suas próprias mentes.
P – É somente isso que está errado com o sistema?
R – Não, esse é apenas o começo. Outra grande fraqueza do sistema escolar é
que  ele  não  estabelece  na  mente  das  crianças  nem  a  importância  da
definição de propósito e nem tenta ensinar aos jovens como serem definidos
sobre qualquer coisa. O maior objetivo de toda escola é forçar os estudantes a
abarrotar as suas memórias com fatos, em vez de ensiná-los como organizar e
fazer um uso prático desses fatos. Esse sistema de acumulação da memória
faz  com  que  a  atenção  dos  estudantes  seja  centrada  apenas  em  ganhar
créditos e boas notas, mas deixa de lado a questão mais importante, que seria
a  do  uso  desse  conhecimento  nos  assuntos  práticos  da  vida.  Esse  sistema
gradua  estudantes  e  forma  diplomados,  cujas  mentes  estão  vazias  de
autodeterminação. O sistema escolar partiu já de um mau começo. As escolas
começaram a sua história como instituições de “aprendizado de alto nível”,
tendo  sido  criadas  inteiramente  para  aqueles  poucos  afortunados  cujas
famílias  os  destinavam  para  a  educação.  Assim,  todo  o  sistema  escolar  foi
desenvolvido  começando  pelo  topo  até  chegar  à  parte  de  “baixo”  da
sociedade. Não é de se estranhar que esse sistema negligencie a ensinar às
crianças a importância da definição de propósito, quando o próprio sistema
literalmente desenvolveu-se através da indefinição.
P – O que corrigiria essa fraqueza do sistema escolar? Vamos combinar
que  não  vamos  reclamar  da  fraqueza  do  sistema  ao  menos  que
estejamos  preparados  para  oferecer  um  remédio  prático,  com  o  qual
todo  o  sistema  pode  ser  corrigido.  Em  outras  palavras,  enquanto
estamos discutindo a importância da definição de um plano e de um
propósito,  vamos  nós  mesmos  tomar  nosso  remédio  e  sermos
definidos.
R  –  Por  que  não  esquece  as  escolas  e  as  igrejas  e  evita  uma  série  de
incomodações para você mesmo? Não sabe que está colocando seu nariz em
assuntos que envolvem as duas forças que controlam o mundo? Vamos supor
que  você  mostre  ao  mundo  que  as  escolas  e  as  igrejas  são  fracas  e
inadequadas para as necessidades dos seres humanos. O que vai acontecer?
Com o que vai substituir essas duas instituições?


P – Pare de tentar escapar das minhas questões com esse velho truque
de fazer outra pergunta! Não tenho intenção de substituir as escolas e
as igrejas. Mas tenho a intenção de encontrar, se puder, um meio de
fazer com que essas forças organizadas possam ser modificadas de tal
forma que elas sirvam às pessoas em vez de as manter nas trevas da
ignorância. Vá em frente agora e me dê um catálogo detalhado de todas
as mudanças que poderiam ser feitas no sistema escolar e que, por sua
vez, o aperfeiçoariam.
R – Então, você quer todo o catálogo, é isso? Quer as mudanças sugeridas na
ordem de sua importância?
P – Descreva as mudanças necessárias na ordem em que elas vêm para
você.
R – Você está me forçando a cometer um ato de traição contra mim mesmo,
mas aqui está:
Reverta o presente sistema dando às crianças o privilégio de liderar nos seus
trabalhos escolares, em vez de seguir regras ortodoxas estabelecidas somente
para  compartilhar  conhecimento  abstrato.  Deixe  os  instrutores  servirem
como estudantes e deixe os estudantes servirem como instrutores.
Tanto quanto possível, organize todos os trabalhos das escolas em métodos
definidos  através  dos  quais  os  estudantes  possam  aprender  fazendo  e
direcione  o  trabalho  da  classe  de  tal  forma  que  todo  estudante  esteja
engajado em alguma forma de trabalho prático, conectado com os problemas
diários da vida.
As ideias são o começo de todas as realizações humanas. Ensine todos os
estudantes  como  reconhecer  ideias  práticas,  que  podem  ser  de  grande
benefício para ajudá-los a adquirir o que quer que seja que a vida exija deles.
Ensine aos estudantes como fazer uma administração efetiva do tempo e,
sobretudo, ensine a verdade de que o tempo é o ativo mais valioso disponível
para todos os seres humanos, e também o mais barato.
Ensine  ao  estudante  os  motivos  básicos  pelos  quais  todas  as  pessoas  são
influenciadas,  e  mostre  a  eles  como  usar  esses  motivos  para  adquirir  as
necessidades e os luxos da vida.
Ensine às crianças o que comer, o quanto comer, e qual a relação existente
entre uma boa alimentação e um corpo saudável.
Ensine às crianças a verdadeira natureza e a função da emoção do sexo, e,
sobretudo,  ensine  a  eles  que  o  sexo  pode  ser  transmutado  em  uma  força
propulsora capaz de levar qualquer um ao topo de suas realizações.
Ensine às crianças a importância de serem definitivas em todas as coisas,
começando com a escolha de um grande propósito definido para a vida.
Ensine às crianças o princípio do hábito, e de que este pode ser bom ou mau,
usando as experiências do dia a dia como exemplo para elas.


Ensine às crianças como hábitos tornam-se permanentes através do ritmo
hipnótico e as influencia a adotar, enquanto ainda estão no início dos anos
escolares, hábitos que as levarão a ter pensamentos independentes.
Ensine às crianças a diferença entre derrota temporária e fracasso. E ensine
a elas como procurar pela semente de uma vantagem equivalente que toda
derrota traz consigo.
Ensine às crianças a importância de expressarem seus próprios pensamentos
sem medo, e ensine-as a aceitar ou rejeitar, por sua própria vontade, todas as
ideias  dos  outros,  reservando  para  si  mesmas,  sempre,  o  privilégio  de  as
submeterem ao seu próprio julgamento.
Ensine as crianças a tomarem decisões prontamente e a mudá-las, mesmo
que sejam todas, vagarosamente e com relutância e nunca sem uma razão
definida.
Ensine às crianças que o cérebro humano é o instrumento com o qual se
recebe da grande fonte central da natureza a energia que é especializada em
pensamentos  definidos;  de  que  o  cérebro  não  pensa,  mas  serve  como  um
instrumento para a interpretação dos estímulos que causam o pensamento.
Ensine às crianças o valor da harmonia em suas próprias mentes e que isso é
possível somente através do autocontrole.
Ensine às crianças a natureza e o valor de ter autocontrole.
Ensine às crianças que existe uma lei de retornos crescentes que pode e deve
ser colocada em operação, como um hábito, mostrando que se deve sempre
prestar mais e melhores serviços do que é esperado delas.
Ensine às crianças a verdadeira natureza da “Regra de Ouro” e, sobretudo,
mostre a elas que, através da operação desse princípio, tudo o que elas fazem
para e por outros, elas acabam fazendo para si mesmas.
Ensine as crianças a não terem opiniões, a não ser que sejam formadas por
fatos  ou  crenças  que  possam  ser  razoavelmente  aceitas  como  verdadeiros
fatos.
Ensine  às  crianças  que  cigarros,  bebidas,  drogas  e  o  sexo  em  demasia
destroem a força de vontade e acabam levando ao hábito da alienação. Não
proíba esses males – apenas explique para elas.
Ensine às crianças sobre o perigo de acreditar em qualquer coisa meramente
porque os seus pais, os seus instrutores religiosos ou qualquer outra pessoa
tenha dito para fazê-lo.
Ensine  as  crianças  a  encararem  fatos,  sejam  eles  agradáveis  ou
desagradáveis, sem recorrer a subterfúgios ou sem oferecer-lhes álibis.
Ensine as crianças a encorajarem o uso do seu sexto sentido, através do qual
as  ideias  apresentam-se  em  suas  mentes  de  fontes  desconhecidas,  e  a
examinar tais ideias cuidadosamente.
Ensine  às  crianças  a  importância  da  Lei  da  Compensação,  tal  como  foi


interpretada por Ralph Waldo Emerson, e mostre a elas como essa lei trabalha
nos eventos do dia a dia, mesmo nos menores.
Ensine  às  crianças  que  a  definição  de  propósito,  amparada  por  planos
definidos  persistentemente  e  continuamente  aplicados,  é  a  forma  mais
eficaz de oração disponível para os seres humanos.
Ensine às crianças que o espaço que elas ocupam no mundo é medido pela
qualidade e pela quantidade de serviço útil que elas prestam para o mundo.
Ensine às crianças que não existe nenhum problema que não tenha uma
solução  apropriada,  e  que  a  solução,  na  maior  parte  das  vezes,  pode  ser
encontrada nas circunstâncias que criaram o problema.
Ensine às crianças que as suas únicas limitações reais são aquelas impostas
por si mesmas ou que elas permitem que outros estabeleçam em suas próprias
mentes.
Ensine a elas que tudo que um homem pode conceber e acreditar ele pode
alcançar!
Ensine  às  crianças  que  todas  as  escolas  e  todos  os  livros  de  textos  são
elementos  essenciais  que  podem  ser  úteis  no  desenvolvimento  de  suas
mentes, mas que a única escola de real valor é a grande universidade da
vida, onde se tem o privilégio de aprender pela experiência.
Ensine  as  crianças  a  serem  verdadeiras  consigo  mesmas  em  todos  os
momentos e, considerando-se que elas não podem satisfazer a todos, elas
devem ter sempre em mente que precisam satisfazer-se a si mesmas.
P – Essa é uma lista imponente, mas me parece óbvio pelo fato de que
ela ignora praticamente todas as matérias que agora são ensinadas nas
escolas. Era essa a intenção?
R  –  Sim.  Você  me  pediu  uma  lista  de  mudanças  sugeridas  no  currículo
escolar, as quais beneficiariam as crianças – foi isso que eu lhe dei.
P  –  Algumas  das  mudanças  que  você  sugere  são  tão  radicais  que
chocariam a maioria dos educadores de hoje, você não acha?
R  –  A  maioria  dos  educadores  de  hoje  necessita  desse  choque.  Um  bom
choque normalmente ajuda o cérebro que se atrofiou pelo hábito.
P – As mudanças que você sugere para as escolas dariam imunidade às
crianças contra o hábito da alienação?
R – Sim, esse seria um dos resultados que as mudanças trariam, mas existem
outros também.
P – Como essas mudanças sugeridas poderiam ser aplicadas no atual
sistema escolar? Você sabe, é claro, que é tão difícil programar uma


nova ideia no cérebro de um professor quanto é fazer com que um líder
religioso  modifique  a  religião  de  tal  forma  que  ela  possa  ajudar  as
pessoas a angariar mais da vida.
R – A maneira mais certa e mais rápida para forçar a aplicação dessas ideias
práticas  no  sistema  escolar  é,  primeiro,  introduzi-las  através  de  escolas
privadas e estabelecer uma exigência para o uso nas escolas públicas, de tal
forma  que  os  administradores  dessas  escolas  sintam-se  compelidos  a
empregá-las.
P – Deveriam ser feitas outras mudanças no sistema das escolas?
R – Sim, muitas. Entre outras mudanças necessárias em todos os programas
escolares  está  o  acréscimo  de  um  curso  completo  de  treinamento  de
psicologia de negociação entre as pessoas. Todas as crianças  deveriam  ser
ensinadas na arte da venda e da persuasão, aprendendo meios de diminuir o
atrito nas relações humanas através da vida. Toda escola deveria ensinar os
princípios  de  realização  individual  através  dos  quais  se  pode  obter  uma
posição  de  independência  financeira.  As  classes  deveriam  ser  abolidas
também. Elas deveriam ser substituídas pela mesa-redonda ou pelo sistema
de  conferência,  tais  quais  os  homens  de  negócios  empregam.  Todos  os
estudantes  deveriam  receber  instruções  individuais  e  serem  guiados  em
conexão com matérias que não podem ser ensinadas apropriadamente em
grupos. Toda escola deveria ter um grupo auxiliar de instrutores, consistindo
de  homens  de  negócios,  cientistas,  artistas,  engenheiros,  jornalistas.  Cada
qual compartilharia com todos os estudantes um conhecimento prático da
sua  própria  profissão,  negócio  ou  ocupação.  Essa  instrução  deveria  ser
conduzida através do sistema de conferência, a fim de economizar o tempo
dos instrutores.
P – O que você sugeriu é, com efeito, um sistema auxiliar de instrução
que  daria  a  todas  as  crianças  que  frequentam  as  escolas,  um
conhecimento dos assuntos práticos da vida, direto da fonte original.
Seria essa a ideia?
R – Você colocou corretamente.
P  –  Vamos  esquecer  um  pouco  o  sistema  escolar  por  agora  e  vamos
voltar  para  as  igrejas  por  um  momento.  Toda  a  minha  vida  ouvi
clérigos  pregando  contra  o  pecado  e  advertindo  pecadores  a  ficarem
atentos  e  se  arrependerem,  pois  essa  seria  a  única  maneira  de  serem
salvos. Mas nunca ouvi nenhum deles me dizer o que realmente é o
pecado. Você me daria alguma luz nessa questão?
R  –  Pecado  é  qualquer  coisa  que  alguém  faça  ou  pense  e  que  cause
infelicidade para si mesmo ou para os outros! Seres humanos que estão em
ótimas condições físicas e em perfeita saúde espiritual deveriam estar em paz


consigo mesmos e sempre felizes. Qualquer forma de miséria mental ou física
indica a presença do pecado.
P – Nomeie algumas das formas comuns de pecado.
R – Comer em excesso é uma forma de pecado porque leva à perda da saúde
e à miséria.
O excesso de sexo é um pecado porque quebra a força de vontade da pessoa e
a leva para o hábito da alienação.
Permitir que a mente seja dominada por pensamentos negativos de inveja,
ganância,  medo,  ódio,  intolerância,  vaidade,  autopiedade  ou
desencorajamento  é  uma  forma  de  pecado,  porque  esses  estados  mentais
levam para o hábito da alienação.
Enganar,  mentir  e  roubar  também  são  pecados,  porque  esses  hábitos
destroem o autorrespeito, submetem a consciência e levam à infelicidade.
É um pecado também permanecer nas trevas da ignorância, porque a falta
de conhecimento leva à pobreza e à perda da autoconfiança.
É um pecado aceitar da vida qualquer coisa que não se queira, porque isso
indica uma forma imperdoável de negligenciar o uso da mente.
P – É um pecado alienar-se através da vida, sem um objetivo definido,
plano ou propósito?
R  –  Sim,  porque  esse  hábito  leva  à  pobreza  e  destrói  o  privilégio  da
autodeterminação. Ele também priva uma pessoa do privilégio de usar a sua
própria mente como um meio de contato com a inteligência infinita.
P – Você é o inspirador chefe do pecado?
R – Sim! O meu negócio, como eu já disse, é ganhar o controle das mentes
das pessoas de todos os meios possíveis.
P – Você consegue controlar a mente de uma pessoa que não comete
pecados?
R  –  Não  consigo,  porque  essa  pessoa  nunca  permite  que  sua  mente  seja
dominada por qualquer forma de pensamento negativo. Não consigo entrar
na mente de quem não peca, muito menos controlá-la.
P – Quais são as formas mais comuns e mais destrutivas de todos os
pecados?
R – Medo e ignorância.
P – Você não tem mais nada para acrescentar à lista?


R – Nada mais a acrescentar.
P – O que é a fé?
R  –  É  um  estado  da  mente  onde  se  reconhece  e  se  utiliza  o  poder  do
pensamento positivo, como um meio pelo qual se contata e se chega à fonte
central da inteligência universal.
P  –  Em  outras  palavras,  a  fé  é  a  ausência  de  todas  as  formas  de
pensamento negativo. Seria essa a ideia?
R – Sim, essa é outra forma de descrevê-la.
P – Um alienado possui capacidade de usar a fé?
R – Ele pode ter a capacidade de usar, mas não utiliza. Todo mundo tem a
força potencial para limpar a sua mente de todos os pensamentos negativos, e
dessa forma utilizar-se do poder da fé.
P – Colocando de outra forma, a fé é a definição de propósito amparada
pela  crença  na  obtenção  do  objetivo  desse  propósito.  Isso  está
correto?
R – Essa é a ideia, exatamente.


Capítulo Dez
AUTODISCIPLINA
P – A que tipo de preparação uma pessoa deve se submeter antes de ser
capaz de avançar com definição de propósito?
R  –  A  pessoa  deve  ter  domínio  sobre  si  mesma.  Este  é  o  segundo  dos  sete
princípios. A pessoa que não domina a si mesma jamais poderá ser líder de
outras.  A  falta  de  autodomínio  é  por  si  só  a  forma  mais  destrutível  de
indefinição.
P  –  Por  onde  uma  pessoa  deve  começar  quando  ela  quer  iniciar  um
controle sobre si mesma?
R  –  Dominando  os  três  apetites  responsáveis  pela  maior  parte  da  falta  de
autodisciplina das pessoas. Os três apetites são: o desejo por comida, o desejo
pela expressão do sexo e o desejo de expressar opiniões imprecisas.
P – O homem possui outros apetites que ele necessita controlar?
R – Sim, muitos outros, mas esses três são os que devem ser conquistados
primeiro.  Quando  um  homem  torna-se  mestre  desses  três  desejos,  ele
desenvolveu autodisciplina o suficiente para conquistar todos aqueles desejos
de menor importância.
P  –  Mas  esses  desejos  são  naturais.  Eles  devem  ser  satisfeitos  se  a
pessoa está saudável e feliz.
R – Tenha certeza de que eles são desejos naturais, mas eles também são
perigosos  porque  as  pessoas  que  não  possuem  autodomínio  possuem  uma
tendência a se alienarem nesses desejos, tornando-os vícios. O autodomínio
contempla  um  controle  suficiente  tal  que  todos  os  desejos  podem  ser
satisfeitos de forma a cumprir com as necessidades básicas, alimentando o
corpo com o que é necessário e segurando aquilo que é excesso.
P  –  O  seu  ponto  de  vista  é  tanto  interessante  quanto  educacional.
Descreva os detalhes pelos quais eu possa entender como e em quais
circunstâncias as pessoas se excedem nos seus desejos.
R – Pegue o desejo por comida, por exemplo. A maioria das pessoas é tão fraca
na  autodisciplina,  que  enche  o  estômago  com  combinações  de  alimentos
altamente ricos, que por sua vez satisfazem o gosto, mas fazem com que os
órgãos da digestão e da eliminação trabalhem em excesso. Eles colocam em
seus estômagos tanto quantidade quanto combinações de comidas as quais a
química  do  corpo  somente  consegue  descartar  convertendo  a  comida  em
toxinas venenosas. Esses venenos entopem e ficam estagnados no sistema


excretor do organismo, até o momento em que ele diminui o trabalho do
organismo na eliminação dessa matéria de sobra. Após um tempo, o sistema
gastrointestinal para de funcionar de forma saudável e a vítima acaba tendo
o que se chama de “constipação”. A partir daí, ela está pronta para ir para o
hospital. A autointoxicação pelo sistema gastrointestinal leva a máquina do
cérebro a tornar-se algo como uma massa disforme. A vítima então fica lenta
nos  seus  movimentos  físicos  e  mentalmente  irritada  e  irrequieta.  Se  essa
pessoa  pudesse  dar  uma  olhada  e  pudesse  sentir  o  cheiro  do  seu  sistema
gastrointestinal,  ela  teria  vergonha  de  se  olhar  no  espelho.  Os  sistemas
excretores  das  cidades  não  são  os  lugares  mais  agradáveis,  quando  eles
tornam-se  sobrecarregados  ou  entupidos,  mas  eles  são  limpos  e  suaves
quando comparados ao sistema gastrointestinal quando está sobrecarregado
ou  constipado.  Essa  não  é  uma  história  bonita  para  ser  associada  ao  ato
agradável e necessário de comer, mas as coisas são como são, e neste caso
conclui-se que comer em demasia e combinar alimentos de forma errada é o
que causa a autointoxicação. As pessoas que comem sabiamente e mantêm os
seus  sistemas  excretores  limpos  dificultam  o  meu  trabalho,  porque  um
sistema intestinal em perfeito funcionamento significa um corpo saudável e
um  cérebro  que  funciona  de  forma  apropriada.  Imagine  –  se  a  sua
imaginação  consegue  chegar  a  tal  ponto  –  como  qualquer  ser  humano
poderia mover-se com definição de propósito com o seu sistema intestinal
com uma quantidade tal de “veneno” o suficiente para matar 100 pessoas,
se fosse injetado diretamente na corrente sanguínea.
P – E todo esse problema é o resultado da falta de controle sobre o
apetite por comida?
R – Bem, se você deseja ser absolutamente correto, deveria dizer que comer
de  forma  inapropriada  é  a  grande  responsável  pela  grande  maioria  das
doenças do corpo, e praticamente todas as dores de cabeça. Se você quer
prova disso, selecione 100 pessoas que sofrem com enxaqueca e dê a cada
uma  delas  uma  lavagem  intestinal  completa,  com  um  grande  enema,  e
observe que não menos do que 95 das dores de cabeça desaparecerão dentro
de alguns minutos, após os seus intestinos terem sido liberados.
P – Por tudo que você diz sobre o trato intestinal, tenho a impressão de
que o domínio sobre o apetite físico por comida significa também o
domínio sobre o hábito de negligenciar e manter os intestinos limpos.
Isso está correto?
R – Sim, isso é verdade. Tão importante quanto eliminar o lixo do organismo e
as porções não utilizadas de comida é ingerir as quantidades corretas bem
como as combinações adequadas de alimentos.
P  –  Nunca  pensei  na  autointoxicação  como  sendo  um  dos  seus
instrumentos para controlar as pessoas e estou totalmente chocado em


saber quantas pessoas são vítimas desse sutil inimigo. Vamos ouvir o
que você tem a dizer desses outros dois desejos.
R  –  Bem,  vamos  falar  do  desejo  por  sexo.  Essa  é  uma  força  com  a  qual
controlo os fracos e os fortes, os velhos e os jovens, os ignorantes e os sábios.
Na verdade, domino todos aqueles que negligenciam em dominar o desejo
por sexo.
P – Como se pode dominar a emoção do sexo?
R – Pelo simples processo de transmutar essa emoção em alguma forma de
atividade que não seja a cópula. Sexo é uma das grandes forças que motivam
os seres humanos. Devido a esse fato, ela também é uma das forças mais
perigosas. Se os seres humanos conseguissem controlar os seus desejos por
sexo  e  os  transmutassem  em  uma  força  propulsora  pela  qual  eles
conseguissem utilizar em suas ocupações, ou seja, se eles gastassem no seu
trabalho metade do tempo que eles perdem à procura de sexo, eles nunca
conheceriam a pobreza.
P – Pelo que estou entendendo, quer dizer que existe uma relação entre
sexo e pobreza?
R – Sim, onde o sexo não está sob controle. Se for permitido ao sexo mover-se
em seu curso natural, ele rapidamente levará a pessoa ao hábito da alienação.
P – Existe alguma relação entre sexo e liderança?
R  –  Sim,  todos  os  grandes  líderes,  em  todos  os  caminhos  da  vida,  são
altamente sexuados, mas eles seguem o hábito de controlar os seus desejos
por sexo, transformando-os em uma força propulsora que os motiva nas suas
ocupações.
P – O hábito da indulgência, no sexo, é tão perigoso quanto o hábito de
utilizar drogas ou bebidas?
R  –  Não  há  diferença  entre  esses  hábitos.  Ambos  levam  para  o  controle
hipnótico, através do hábito da alienação.
P – Por que o mundo olha para o sexo como algo vulgar?
R – Devido ao abuso vulgar que as pessoas fizeram dessa emoção. Não é o
sexo que é vulgar. É o indivíduo que negligencia ou se recusa a controlá-lo e
guiá-lo.
P – Você quer dizer, pela sua afirmação, que não se deve satisfazer o
desejo por sexo?
R – Não, eu quero dizer que sexo, como todas as outras forças disponíveis


para o homem, deve ser entendido, dominado e feito para servir ao homem.
O desejo por sexo é tão natural quanto o desejo por comida. Esse desejo não
pode  ser  aniquilado,  assim  como  não  se  pode  parar  um  rio  de  fluir.  Se  a
emoção do sexo fosse desligada de seu modo de expressão natural, ela se
quebraria  em  outras  formas  menos  desejáveis,  assim  como  um  rio,  se
represado, procura quebrar e fluir na volta da represa. A pessoa que possui
autodisciplina entende a emoção do sexo, a respeita e aprende a controlar e a
transmutá-la em atividades construtivas.
P – Quais são os prejuízos decorrentes do desejo excessivo de sexo?
R – O maior dos danos é que ele priva a fonte de uma das maiores forças
propulsoras do homem e gasta, sem uma compensação adequada, a energia
criativa  do  homem.  Ele  dissipa  a  energia  necessária  pela  natureza  para
manter a saúde física. O sexo é a força terapêutica mais útil da natureza,
mas  em  excesso  diminui  a  energia  magnética  que  é  a  fonte  de  uma
personalidade  atrativa  e  agradável.  Ele  remove  o  brilho  dos  olhos  e  acaba
gerando discórdia no tom de voz de uma pessoa. Destrói o entusiasmo, acaba
com a ambição e leva inevitavelmente para o hábito da alienação, em todos
os assuntos.
P – Eu gostaria que você respondesse a minha questão de outra forma,
dizendo-me quais os fins benéficos que a emoção do sexo pode trazer,
se for dominada e transmutada.
R – O sexo controlado fornece a força magnética que atrai as pessoas uma
para a outra. É o fator mais importante de uma personalidade agradável.
Ele dá qualidade ao tom de voz e capacita uma pessoa a conseguir, através
da voz, incitar um sentimento desejado.
Ele  serve,  melhor  do  que  qualquer  coisa,  para  dar  força  motivacional  aos
desejos de uma pessoa.
Ele  mantém  o  sistema  nervoso  carregado  com  a  energia  necessária  para
dissipar  a  energia  através  de  todo  o  corpo,  mantendo-o  funcionando
apropriadamente.
Ele afia a imaginação e capacita uma pessoa para criar ideias úteis.
Ele fornece agilidade e definição para os movimentos físicos e mentais.
Ele fornece à pessoa persistência e perseverança, na busca por um objetivo
maior na vida.
Ele é um grande antídoto para todas as formas de medo.
Ele fornece imunidade contra o desencorajamento.
Ele fornece resistência física e mental nos momentos em que se passa por
alguma forma de fracasso ou revés.
Ele fornece as qualidades necessárias para lutar sob quaisquer circunstâncias,


aumentando a capacidade de autodefesa.
Em resumo, ele faz vencedores e não perdedores.
P – Essas são todas as vantagens que você afirma estarem relacionadas
à energia do sexo controlado?
R – Não, elas são somente alguns dos benefícios mais importantes que ele
fornece. Talvez, alguns acreditarão que a maior de todas as virtudes do sexo
é que ele é o método que a natureza utiliza-se para a perpetuação de toda a
vida no planeta. Só isso já deve remover todo e qualquer pensamento que
leve a crer que o sexo seja algo vulgar.
P – Pelo que estou entendendo, baseado no que você diz, a emoção do
sexo é uma virtude e não uma falha.
R  –  Ela  é  uma  virtude  quando  controlada  e  direcionada  para  obter  fins
desejáveis. Ela é uma falha quando negligenciada e quando se permite sair
do controle e levar-nos a atos de luxúria.
P – Por que essas verdades não são ensinadas para as crianças através
de seus pais e das escolas?
R  –  Ambos  negligenciam  isso  porque,  na  verdade,  desconhecem  a  real
natureza do sexo. Para a manutenção da saúde do corpo é tão necessário
que se entenda e se use apropriadamente a emoção do sexo quanto é manter
o sistema intestinal limpo. Os dois assuntos devem ser ensinados em todas as
escolas e em todas as casas onde haja crianças.
P  –  A  maioria  dos  pais  não  precisaria  de  instruções  adequadas  a
respeito  das  funções  e  do  uso  do  sexo  antes  que  eles  pudessem
inteligentemente ensinar as suas crianças?
R – Sim, tanto eles quanto os professores das escolas.
P  –  Qual  seria  o  grau  de  importância  relativa  que  você  daria  para  a
necessidade de conhecimento apurado sobre o assunto sexo?
R – Está próximo do topo da lista. Há apenas uma coisa de maior importância
para os seres humanos, que é pensar com exatidão.
P – Pelo que estou entendendo, você afirma que o conhecimento das
reais funções do sexo e a habilidade para pensar com exatidão são as
duas coisas de maior importância para o homem?
R  –  Essa  era  a  minha  intenção,  para  que  você  entendesse.  Pensar  com
exatidão  vem  primeiro,  porque  é  a  solução  para  todos  os  problemas  do
homem,  a  resposta  para  todas  as  suas  orações,  a  fonte  da  opulência  e  de


todas as possessões materiais. O pensamento exato é auxiliado pela emoção
do sexo propriamente controlada e direcionada, isso porque a mesma energia
que o homem usa para pensar ele também usa para o sexo. Ela começa com
todos aqueles que desejam ter autodeterminação suficiente para pagar o seu
preço.  Ninguém  consegue  estar  inteiramente  livre  –  espiritualmente,
mentalmente,  fisicamente  e  economicamente  –  sem  aprender  a  arte  do
pensamento exato. Ninguém consegue aprender a pensar com exatidão sem
incluir,  como  parte  do  conhecimento  necessário,  informações  sobre  o
controle da emoção do sexo através da transmutação.
P – Será uma grande surpresa para muitas pessoas saber que existe uma
relação  íntima  entre  o  pensamento  e  a  emoção  do  sexo.  Conte-nos,
agora, sobre o terceiro desejo e vamos ver o que isso tem a ver com
autodisciplina.
R – O hábito de expressar opiniões imprecisas e desorganizadas é um dos
hábitos mais destrutivos. O prejuízo consiste na sua tendência a influenciar
as pessoas no ato de adivinhar em vez de procurar pelos fatos, no momento
em que elas formam opiniões, criam ideias ou organizam planos. O hábito
desenvolve o que eu chamo de uma “mente gafanhoto” – é aquela mente
que pula de uma coisa para outra, mas nunca chega a lugar nenhum. E,
claro, o descuido na expressão de opiniões que não são baseadas em fatos leva
ao hábito da alienação. A partir desse ponto, é somente um passo ou dois até
que  se  estejam  amarrados  pela  Lei  do  Ritmo  Hipnótico,  que,  por  sua  vez,
automaticamente inibe o pensamento com exatidão.
P – Quais outras desvantagens existem na livre expressão de opiniões?
R  –  A  pessoa  que  fala  demais  acaba  informando  ao  mundo  todos  os  seus
planos e objetivos e, por sua vez, fornece aos outros a oportunidade de lucrar
com as suas ideias. Homens sábios mantêm seus planos  para  si  mesmos  e
evitam expressar opiniões que não tenham sido solicitadas. Isso previne que
outros possam apropriar-se de suas ideias, bem como dificulta o acesso de
outros aos seus planos, diminuindo assim as interferências desnecessárias.
P – Por que tantas pessoas insistem no hábito de expressar opiniões
não solicitadas?
R  –  Esse  hábito,  na  verdade,  inclui  em  si  mesmo  um  modo  de  expressar
egocentrismo e vaidade. O hábito da autoexpressão é inerente às pessoas. O
motivo  por  trás  do  hábito  é  atrair  a  atenção  de  outros  e  impressioná-los
favoravelmente.  Na  verdade,  ele  possui  justamente  o  efeito  contrário.
Quando aquele que se convida a falar atrai a atenção, geralmente ele atrai
para si condições desfavoráveis.
P – Sim, quais são as outras desvantagens desse hábito?


R – A pessoa que insiste em falar demais raramente tem a oportunidade de
aprender ouvindo outros.
P – Mas não é verdade que um orador que possua uma aura magnética
normalmente coloca-se no caminho da oportunidade para beneficiar a
si  mesmo  atraindo  a  atenção  de  outros  através  do  poder  da  sua
oratória?
R – Sim, um orador que possua o dom da fala realmente possui um ativo de
tremendo valor na habilidade de impressionar as pessoas pelo seu discurso,
mas não consegue fazer o melhor uso desse ativo se forçar o seu discurso em
pessoas que não solicitaram a sua fala. Nenhuma outra qualidade acrescenta
mais  à  personalidade  de  uma  pessoa  do  que  a  habilidade  de  falar  com
emoção, força e convicção. Mas um orador jamais deve impor o seu discurso
sobre outros sem ter sido convidado a fazê-lo. Há um velho ditado que diz
que nada vale mais do que o seu verdadeiro custo. Isso se aplica tanto para a
livre  expressão  de  opiniões  que  não  são  bem-vindas  quanto  para  as  coisas
materiais.
P  –  E  sobre  as  pessoas  que  expressam  as  suas  opiniões  de  forma
voluntária  através  da  escrita,  elas  também  sofrem  da  falta  de
autodisciplina?
R – Uma das piores pestes presentes na Terra é a pessoa que escreve cartas
deliberadamente  para  pessoas  públicas  de  alta  proeminência.  Políticos,
estrelas do cinema, homens que foram bem-sucedidos nos seus negócios, ou
até  mesmo  escritores  de  livros  best-sellers,  e  ainda  pessoas  cujos  nomes
aparecem  seguidamente  nos  jornais,  são  frequentemente  assediados  por
aqueles que escrevem cartas expressando as suas opiniões dos mais diversos
assuntos.
P  –  Mas  escrever  cartas  não  solicitadas  é  uma  forma  inofensiva  de
encontrar o prazer através da autoexpressão, não é? Que tipo de dano
uma pessoa pode causar por esse hábito?
R  –  Hábitos  são  contagiosos.  Todo  hábito  atrai  um  conjunto  de  hábitos
relacionados. O hábito de fazer qualquer coisa que seja inútil leva à formação
de  outros  hábitos  que  também  são  inúteis,  especialmente  o  hábito  da
alienação.  Mas  esses  não  são  todos  os  perigos  associados  com  o  hábito  do
prazer em escrever opiniões não solicitadas. O hábito cria inimigos e coloca
em suas mãos armas perigosas pelas quais podem causar grandes transtornos
àqueles  que  insistem  em  mantê-los.  Ladrões,  estelionatários  e  vigaristas
pagam  altos  preços  pelos  nomes  e  endereços  de  escritores  desse  tipo  de
cartas, porque, conhecendo-os como eles os conhecem, acabam tornando-se
vítimas fáceis de todas as formas de esquemas que resultam na perda do seu
dinheiro. Eles referem-se aos escritores de tais cartas como “doidos”. Se você


deseja saber o quão idiotas essas pessoas são, leia a sessão de cartas de leitores
de qualquer jornal – a coluna na qual o jornal publica opiniões voluntárias de
seus leitores – e você verá por si mesmo como os escritores de tais cartas
antagonizam pessoas e trazem para si a oposição de muitas outras.
P – Eu não tinha ideia, Sua Majestade, de que as pessoas podem criar
tanta  confusão  apenas  expressando  opiniões  não  solicitadas,  mas
agora que você trouxe o assunto à tona, lembro-me de ter escrito para o
editor  de  uma  proeminente  revista  uma  carta  de  crítica,  que
obviamente não havia sido solicitada, e que no futuro custaram-me um
belo trabalho e um emprego na sua empresa, que me geraria um alto
salário.
R – Esse exemplo é perfeito. O lugar adequado para começar a autodisciplina
é  exatamente  onde  você  está.  O  modo  para  começar  é  exatamente
reconhecendo a verdade de que não existe nada para sempre ou nada de
diabólico  exceto  o  poder  da  lei  natural,  em  toda  a  criação  e  em  todos  os
universos.  Não  existe  nenhuma  personalidade  individual,  onde  quer  que
seja,  através  de  todos  os  universos,  que  possua  o  mais  ínfimo  poder  para
influenciar um ser humano, exceto a natureza e as próprias pessoas, por si
mesmas.  Não  existe  ser  humano  algum,  agora,  vivendo  ou  que  já  tenha
vivido, e absolutamente ser humano algum que venha a viver em qualquer
ponto do planeta, que tenha o direito ou o poder de privar o outro de seu
privilégio de exercitar o pensamento livre e independente. Esse privilégio é o
único sobre o qual qualquer pessoa pode ter controle absoluto. Nenhum ser
humano  adulto  jamais  perde  o  direito  da  liberdade  de  pensamento,  mas
muitos perdem os benefícios desse privilégio, ou por negligenciá-lo ou porque
já  foi  tirado  deles  por  seus  pais  ou  instrutores,  antes  mesmo  da  idade  do
entendimento. Essas verdades são autoevidentes, não menos importantes,
pelo simples fato de terem sido reveladas a você pelo Diabo e não pela minha
oposição.
P  –  Mas  no  que  as  pessoas  vão  se  sustentar  no  momento  de  uma
emergência quando elas não souberem para onde nem a quem apelar?
R  –  Deixe  que  elas  se  apoiem  na  única  fonte  de  força  disponível  para
qualquer ser humano.
P – E o que é essa força?
R – Eles mesmos! A força de seus próprios pensamentos. A única força que
eles podem controlar e na qual eles devem se sustentar. A única força que
não pode ser nunca pervertida, modificada, mexida e falsificada por outros
seres humanos mal-intencionados.
P  –  Tudo  que  você  diz  parece  lógico,  mas  porque  eu  deveria  vir


justamente para o Diabo para descobrir tais verdades tão profundas?
Vamos  voltar  para  os  sete  princípios.  Você  revelou  informação
suficiente  que  mostra  claramente  que  o  segredo  de  como  quebrar  o
poder  do  ritmo  hipnótico  está  justamente  embutido  nos  sete
princípios.  Você  mostrou  também  que  o  mais  importante  de  todos
esses princípios é a autodisciplina. Agora, vá em frente e descreva os
outros  cinco  princípios  que  você  ainda  não  mencionou,  e  indique
quais  as  suas  funções  para  auxiliar  uma  pessoa  a  adquirir  a
autodisciplina.
R – Primeiro, deixe-me resumir essa parte da minha confissão revelada até o
presente momento. Eu lhe contei francamente que meus dois instrumentos
mais efetivos para dominar os seres humanos são o hábito da alienação e a Lei
do Ritmo Hipnótico. Mostrei a você que se alienar não é uma lei natural, mas
um hábito feito pelo homem que o leva, por sua vez, a submeter-se à Lei do
Ritmo Hipnótico. Os sete princípios são os meios pelos quais o homem pode
quebrar o padrão do ritmo hipnótico e assumir novamente o controle de sua
própria mente. Como você pode ver, dessa forma os sete princípios são os sete
passos que levam as vítimas do ritmo hipnótico a abrir a fechadura de suas
prisões autoimpostas.
P  –  Os  sete  princípios  são  a  chave  mestra  que  abre  as  portas  para  a
autodeterminação espiritual, mental e econômica? Isso é verdade?
R – Sim, essa é outra forma de dizer a verdade.


Capítulo Onze
APRENDENDO COM A ADVERSIDADE
P – O fracasso, em algum momento, é um benefício para o homem?
R  –  Sim.  Na  verdade,  aprender  com  a  adversidade  é  o  terceiro  dos  sete
princípios. Mas poucas pessoas sabem que cada adversidade traz consigo a
semente  de  uma  vantagem  equivalente.  Menos  pessoas  ainda  sabem  a
diferença  entre  derrota  temporária  e  fracasso.  Se  esse  conceito  fosse  de
conhecimento  geral,  eu  seria  privado  de  uma  das  minhas  armas  mais
poderosas, que uso para controlar os seres humanos.
P – Mas entendi que você disse que o fracasso é um dos seus grandes
aliados. Tive a impressão, baseado na sua confissão, de que o fracasso
faz com que as pessoas percam a ambição e parem de tentar, aí então
você as possui sem nenhum tipo de dificuldade ou oposição por parte
delas.
R – Esse é justamente o ponto. Assumo o poder sobre elas justamente no
momento  em  que  elas  desistem  de  tentar.  Se  elas  soubessem  a  diferença
entre  derrota  temporária  e  fracasso,  elas  não  desistiriam  quando
encontrassem  adversidades  na  vida.  Se  soubessem  que  cada  forma  de
derrota,  e  todos  os  fracassos,  trazem  consigo  a  semente  de  uma  nova
oportunidade, elas se manteriam lutando e acabariam por vencer. O sucesso
normalmente está a um passo muito curto além do ponto em que se desiste
de lutar.
P  –  Isso  é  tudo  o  que  se  pode  aprender  da  adversidade,  derrota  e
fracasso?
R – Não, esse é o mínimo que alguém pode aprender. Detesto dizer isso, mas
o  fracasso  normalmente  serve  como  uma  benção  disfarçada,  porque  ele
quebra o padrão do ritmo hipnótico e faz com que a mente se liberte para um
novo começo.
P  –  Agora  estamos  chegando  a  algum  lugar.  Então,  você  confessou,
finalmente,  que  mesmo  a  lei  natural  do  ritmo  hipnótico  pode  ser  e
normalmente é anulada pela própria natureza. Isso está correto?
R  –  Não,  essa  não  é  a  forma  correta  e  exata  de  abordar  esse  assunto.  A
natureza nunca anula nenhuma de suas leis naturais. A natureza nunca tira
a  liberdade  de  pensamento  de  um  ser  humano  através  da  Lei  do  Ritmo
Hipnótico. O indivíduo abdica de sua liberdade pelo abuso dessa lei. Se um
homem pulasse de uma árvore e fosse morto pelo abrupto impacto de seu
corpo  com  a  Terra,  através  da  Lei  da  Gravidade,  você  não  diria  que  a


natureza o assassinou, diria? Você diria que o homem negligenciou no ato de
relacionar-se apropriadamente com a Lei da Gravidade.
P  –  Estou  começando  a  entender.  A  Lei  do  Ritmo  Hipnótico  é  tanto
capaz  de  ser  utilizada  pelo  lado  negativo  quanto  pelo  positivo.  Ela
pode  levar  uma  pessoa  para  as  profundezas,  chegando  à  escravidão,
através da perda do privilégio da liberdade de pensamento, ou ela pode
ajudar uma pessoa a alcançar o topo de suas realizações, através do
livre  uso  dos  seus  pensamentos,  dependendo  da  forma  como  o
indivíduo se relaciona com a lei. Isso está correto?
R – Agora você está conseguindo entender.
P  –  E  sobre  o  fracasso?  Uma  pessoa  não  fracassa  intencionalmente,
pensando  deliberadamente  em  falhar.  Ninguém  estimula  a  derrota
temporária. Essas são circunstâncias sobre as quais o indivíduo não
possui qualquer tipo de controle. Como, então, pode-se dizer que a
natureza  não  tira  a  liberdade  de  pensamento  quando  na  verdade  o
fracasso  destrói  a  ambição,  a  força  de  vontade  e  autoconfiança
essencial para se fazer um novo começo?
R – O fracasso é uma circunstância feita pelo homem. Ele nunca é real, até
que seja aceito pelo homem como algo permanente. Colocando-se de outra
forma, o fracasso é um estado de espírito; por isso é algo que um indivíduo
pode controlar até o momento em que ele se nega a exercitar esse privilégio.
A natureza não força as pessoas a fracassarem. Mas a natureza impõe a sua
Lei do Ritmo Hipnótico sobre todas as mentes, e através dessa lei ela mantém
permanentemente todos os pensamentos que dominam essas mentes. Em
outras  palavras,  pensamentos  de  fracasso  são  tomados  pela  Lei  do  Ritmo
Hipnótico  e  feitos  permanentes,  se  o  indivíduo  aceita  tais  circunstâncias
como sendo um fracasso permanente. Essa mesma lei, de forma inexorável,
também assume e faz com que se tornem permanentes os pensamentos de
sucesso.
P – Qual o papel, então, que possui o fracasso em ajudar um indivíduo
a quebrar o padrão do ritmo hipnótico após essa lei estar impregnada
na mente dessa pessoa?
R – O fracasso traz consigo um clímax, no qual uma pessoa tem o privilégio de
limpar  a  sua  mente  do  medo  e  fazer  um  novo  começo,  seguindo  outra
direção.  O  fracasso  prova  conclusivamente  que  algo  está  errado  com  os
objetivos e planos da pessoa, através dos quais os mesmos objetivos e planos
são  perseguidos.  O  fracasso  é  o  ponto  final  do  hábito  que  a  pessoa  tem
seguido, e, quando o mesmo é alcançado, ele força a pessoa a deixar esse
caminho e seguir por outro, fazendo com que ela crie um novo ritmo para a
sua  vida.  Mas  o  fracasso  faz  mais  do  que  isso,  ele  dá  ao  indivíduo  uma


oportunidade para testar a si mesmo, onde pode aprender o quanto de força
de  vontade  ele  possui.  O  fracasso  também  força  as  pessoas  a  aprenderem
muitas  verdades  que  elas  nunca  descobririam  sem  ele.  O  fracasso
normalmente leva o indivíduo a entender a força da autodisciplina, sem a
qual ninguém poderia voltar atrás após ter sido vítima do ritmo hipnótico.
Estude as vidas de todas as pessoas que atingiram resultados fantásticos, em
qualquer  ramo  de  atividade,  e  observe  que  o  seu  sucesso  é,  em  geral,
diretamente  proporcional  às  experiências  de  derrota  e  fracasso  que  ele
vivenciou antes de ser bem-sucedido.
P – Isso é tudo que você tem a dizer sobre as vantagens do fracasso?
R – Não, eu recém comecei. Se você quer o real significado da adversidade,
do fracasso, da derrota e de todas as outras experiências que quebram os
hábitos dos seres humanos e os forçam a formar novos hábitos, observe a
natureza em seu trabalho. A natureza usa a doença para quebrar o ritmo
físico  do  corpo,  quando  a  relação  entre  as  células  e  os  órgãos  torna-se
imprópria. Ela usa crises econômicas para quebrar o ritmo do pensamento em
massa, quando um grande número de pessoas relaciona-se impropriamente –
através de negócios, atividades sociais e políticas. E ela usa o fracasso para
quebrar o ritmo do pensamento negativo, quando um indivíduo relaciona-se
impropriamente  consigo  mesmo  e  com  sua  própria  mente.  Observe
cuidadosamente e você verá que, em todos os lugares da natureza, sempre
há uma lei natural que fornece uma eterna mudança para toda matéria,
toda energia e todo poder do pensamento. A única coisa permanente em
todos os universos é a mudança. A mudança eterna e inexorável é aquela
através da qual cada átomo da matéria e cada unidade de energia possui a
oportunidade  de  relacionar-se  apropriadamente  com  outras  unidades  de
matéria e energia, e cada ser humano tem a oportunidade e o privilégio de
relacionar-se  apropriadamente  com  todos  os  outros  seres  humanos,
independente  de  quantos  erros  ele  cometa,  ou  quantas  vezes  e  de  que
maneiras ele possa ser derrotado. Quando o fracasso em massa toma conta
de  uma  nação,  tal  como  a  crise  econômica  mundial  de  1929,  essa
circunstância  está  em  perfeita  harmonia  com  os  planos  da  natureza  de
quebrar  os  hábitos  dos  homens  e,  por  sua  vez,  fazer  florescer  novas
oportunidades.
P  –  O  que  você  está  dizendo  me  intriga  muito.  Pelo  que  estou
entendendo, o ritmo hipnótico tem algo a ver com a forma com que as
pessoas se relacionam umas com as outras?
R – Essa coisa evasiva e abstrata chamada caráter nada mais é do que uma
manifestação da Lei do Ritmo Hipnótico. Por isso, quando se fala do caráter
de alguém, seria mais apropriado dizer-se que os seus hábitos de pensamento
foram cristalizados em uma personalidade positiva ou negativa, através da
Lei do Ritmo Hipnótico. Uma pessoa é boa ou ruim devido à fusão dos seus


pensamentos com as suas ações, através dessa lei. Uma pessoa é presa pela
pobreza ou abençoada com a abundância devido às suas aspirações, planos e
desejos, ou à falta deles, que por sua vez são feitos permanentes e reais pelo
ritmo hipnótico.
P – Isso é tudo que você tem a dizer a respeito da conexão entre o ritmo
hipnótico e as relações humanas?
R  –  Não,  eu  apenas  comecei.  Lembre-se  de  que,  enquanto  estou  falando,
estou mencionando a influência do ritmo hipnótico em conexão com todas
as relações humanas. As pessoas que são bem-sucedidas nos negócios o são
inteiramente devido à forma como se relacionam com os seus sócios e com
todos  os  outros  no  seu  círculo  de  negócios.  Profissionais  que  são  bem-
sucedidos o são prioritariamente devido à forma com que eles se relacionam
com os seus clientes. É muito mais importante para o advogado conhecer as
pessoas e conhecer as leis da natureza do que conhecer propriamente a lei
jurídica. E o médico acaba sendo um fracasso antes mesmo de começar, a
menos que ele conheça como relacionar-se com os seus pacientes e como
estabelecer  a  fé  destes  nele  mesmo.  Um  casamento  fracassa  ou  é  bem-
sucedido  inteiramente  devido  à  maneira  com  que  os  participantes
relacionam-se  um  com  o  outro.  Um  relacionamento  apropriado  no
casamento começa inicialmente com um motivo para casar-se. A maioria dos
casamentos não traz felicidade para o casal, porque ambos não entendem, e
nem fazem questão de entender, a Lei do Ritmo Hipnótico, através de sua
ação em que cada palavra que eles dirigem um ao outro, cada ato que eles
fazem e cada motivo que os leva a lidar um com o outro faz parte de uma
rede  que  pode  trazer-lhes  controvérsias  e  miséria  ou  dar-lhes  asas  para  a
liberdade, através da qual ambos conseguem sobrevoar todas as formas de
infelicidade.
Cada  nova  amizade  que  ocorre  entre  as  pessoas  pode  acabar  em  uma
amizade  verdadeira,  e  então  em  uma  harmonia  espiritual  (algumas  vezes
chamada amor), ou planta uma semente de suspeita e dúvida, que acaba
evoluindo e crescendo para uma rebelião aberta, de acordo com a forma com
que os participantes nessa amizade relacionam-se uns com os outros. O ritmo
hipnótico  simplesmente  pega  as  motivações  dominantes,  as  aspirações,  os
objetivos  e  os  sentimentos  dessas  mentes  em  contato,  e  os  transforma  de
alguma  forma  em  fé  ou  medo,  amor  ou  ódio.  Após  o  padrão  ter  tomado
forma, o que ocorre com o tempo, ele é imposto sobre essas mentes que estão
em contato e torna-se parte delas. Nessa forma silenciosa, a natureza faz
com que sejam permanentes os fatores dominantes de cada ser humano. Em
cada relacionamento humano, as motivações e as ações vis desses indivíduos
que  estão  em  contado  são  coordenadas  e  consolidadas  em  uma  forma
definida e costuradas neste tão importante traço humano conhecido como
caráter.  Da  mesma  maneira,  as  motivações  e  as  ações  boas,  virtuosas,  são
consolidadas e impostas sobre o indivíduo. Você pode ver que, por isso, não


são somente as ações de uma pessoa, mas também os pensamentos dela, que
determinam a natureza de todas as relações humanas.
P  –  Você  está  entrando  em  águas  profundas.  Vamos  manter  nossa
conversa perto da costa, onde posso segui-lo sem ter medo de afundar.
Vá em frente e conte-me como os relacionamentos humanos realmente
funcionam em um mundo tão cheio de problemas tal como temos hoje.
R – Esse é um pensamento feliz. Mas deixe-me ter certeza de que você está
entendendo os princípios que estou revelando, antes que eu tente mostrar a
você como aplicá-los nos princípios da vida. Desejo ter certeza de que você
entende a Lei do Ritmo Hipnótico e que ela é algo que não se pode controlar,
influenciar ou escapar. Mas todo mundo pode relacionar-se com essa lei de
forma  a  beneficiar-se  da  forma  inexorável  como  ela  trabalha.  Um
relacionamento harmonioso com a lei consiste em um indivíduo modificar
completamente os seus hábitos, de tal forma que ele consiga ser claro naquilo
que ele realmente deseja e está disposto a aceitar. Ninguém pode modificar a
Lei  do  Ritmo  Hipnótico,  assim  como  ninguém  pode  modificar  a  Lei  da
Gravidade,  mas  todo  mundo  pode  modificar  a  si  mesmo.  Lembre-se,
contudo,  que  em  resumo  todos  os  relacionamentos  humanos  são  feitos  e
mantidos pelos hábitos dos indivíduos relacionados. A Lei do Ritmo Hipnótico
executa o papel de solidificar os fatores que constituem as relações humanas,
mas ela não cria esses fatores. Antes de irmos mais adiante com a discussão
dos  relacionamentos  humanos,  quero  que  você  tenha  um  claro
entendimento  da  mente  subconsciente.  O  termo  “mente  subconsciente”
representa um hipotético órgão físico que, na verdade, não possui existência
real. A mente do homem consiste de energia universal (alguns chamam de
inteligência infinita), que o indivíduo recebe, apropria-se dela e organiza em
formas  definidas  de  pensamento,  através  de  um  aparato  físico  completo
conhecido como cérebro. Essas formas de pensamento são réplicas de vários
estímulos  que  chegam  ao  cérebro  através  dos  cinco  sentidos,  e  do  sexto
sentido,  que  ainda  não  é  bem  conhecido.  Quando  qualquer  forma  de
estímulo alcança o cérebro e toma a forma definida de um pensamento, ele é
classificado  e  armazenado  em  um  grupo  de  células  cerebrais  conhecido
como  grupo  da  memória.  Todos  os  pensamentos  de  natureza  similar  são
armazenados juntos, de tal forma que, quando se traz um pensamento, este
mesmo  leva  facilmente  ao  contato  de  todos  os  outros  pensamentos
associados a ele. Esse sistema é muito similar à forma de armazenamento
moderna de arquivos e também é operado de forma similar. As impressões de
pensamento,  as  quais  uma  pessoa  mescla  com  a  maior  quantidade  de
emoções (ou sentimentos), são os fatores dominantes do cérebro, porque eles
estão  sempre  próximos  da  superfície  –  no  topo  do  sistema  de
armazenamento,  vulgarmente  falando  –,  onde  eles  entram  em  ação
voluntariamente,  no  momento  em  que  o  indivíduo  se  nega  a  exercitar  a
autodisciplina. Esses pensamentos cheios de emoção são tão poderosos que
frequentemente fazem com que o indivíduo se coloque em ação e motive-se


a  fazer  coisas  que  não  seriam  aprovadas  pela  faculdade  da  razão.  Essas
explosões  emocionais  normalmente  destroem  a  harmonia  em  todos  os
relacionamentos  humanos.  O  cérebro  normalmente  traz  consigo
combinações  de  sentimentos  e  emoções  tão  poderosas  que  acabam
assumindo o controle e deixando a razão de lado. Em todas essas ocasiões, os
relacionamentos humanos estão fadados a perder a harmonia.
Através do funcionamento do sexto sentido, o cérebro de um ser humano
pode  contatar  o  arquivo  de  outros  cérebros  e  inspecionar  quaisquer
impressões  que  estejam  presentes  nele.  A  condição  pela  qual  uma  pessoa
consegue  contatar  e  inspecionar  o  arquivo  do  cérebro  de  outra  pessoa  é
geralmente conhecida como harmonia, mas você pode entender melhor o
que isso quer dizer se eu disser que cérebros que estão sintonizados pelas
mesmas vibrações de pensamento podem facilmente e rapidamente exercitar
o  privilégio  de  entrar  e  inspecionar  os  arquivos  de  pensamentos  uns  dos
outros.  Além  de  receber  pensamentos  organizados  de  arquivos  de  outros
cérebros através do sexto sentido, uma pessoa pode, através desse mesmo
órgão  físico,  contatar  e  receber  informações  da  fonte  central,  conhecida
como inteligência infinita.
Todas as informações que chegam ao cérebro de uma pessoa através do sexto
sentido provêm de fontes que não são facilmente rastreadas e isoladas; por
isso  esse  tipo  de  informação  –  acredita-se  –vem  geralmente  da  mente
subconsciente da pessoa. O sexto sentido é o órgão do cérebro através do qual
se recebem todas as informações, todo o conhecimento, todas as impressões
de pensamento que não vêm através de um ou de todos os cinco sentidos.
Agora  que  você  compreende  como  a  mente  funciona,  entenderá  mais
facilmente como e por que as pessoas acabam gerando tristeza e desarmonia
através de relacionamentos humanos impróprios. Você também entenderá
como  os  relacionamentos  humanos  podem  ser  idealizados  para  angariar
riquezas na sua mais alta forma, riquezas materiais, mentais e espirituais.
Além  disso,  você  compreenderá  que  nunca  pode  haver  felicidade  exceto
através do entendimento e da aplicação dos princípios corretos das relações
humanas. Entenderá também que nenhum indivíduo é uma entidade em si
mesma,  e  que  só  se  pode  conseguir  uma  mente  plena  pela  harmonia  de
objetivos e ações entre duas ou mais mentes. Entenderá por que cada ser
humano deveria, por sua própria escolha, tornar-se o guardião do seu irmão,
tanto de fato como em teoria.
P – O que você diz pode ser verdade, mas ainda insisto que você tem
me levado para as profundezas do pensamento. Vamos voltar para a
superfície, onde eu possa nadar em águas familiares. Nadaremos nas
águas profundas após eu aprender a nadar com maestria. Começamos
discutindo o assunto de como lucrar com a adversidade, mas me parece
que perdemos o foco desse assunto.
R – Fizemos um desvio, mas não nos alienamos. O Diabo nunca se aliena. O


desvio era necessário para que você se preparasse para entender a parte mais
importante de toda esta entrevista.
Agora estamos prontos para voltar à discussão sobre adversidade. Visto que a
maior parte das adversidades ocorre devido a relações impróprias entre as
pessoas,  me  parece  importante  que  você  entenda  como  as  pessoas  podem
relacionar-se apropriadamente.
Naturalmente, levanta-se a questão de o que é uma relação apropriada entre
as pessoas. A resposta é que um relacionamento apropriado é aquele que traz
a todos que estão ligados a ele ou afetados por ele alguma forma de benefício.
P – O que então é um relacionamento impróprio?
R  –  Qualquer  relacionamento  entre  pessoas  que  cause  dano  ou  traga
qualquer forma de miséria ou infelicidade para qualquer um dos envolvidos.
P – Como podem relacionamentos impróprios ser corrigidos?
R – Pela mudança da mente da pessoa que está causando o relacionamento
impróprio  ou  pela  mudança  das  pessoas  envolvidas  no  relacionamento.
Algumas mentes harmonizam-se naturalmente, enquanto outras colidem da
mesma forma. Relacionamentos humanos bem-sucedidos, e que são feitos
para durar como tal, devem ser formados de mentes que naturalmente se
harmonizem, além de terem interesses comuns como um meio de trazê-los
para a harmonia.
Quando  você  fala  de  líderes  de  negócio  que  são  bem-sucedidos  porque
“sabem como escolher homens”, você pode mais corretamente dizer que eles
são bem-sucedidos porque sabem como associar mentes que se harmonizam
naturalmente.  Saber  como  escolher  pessoas  de  forma  bem-sucedida,  para
qualquer  objetivo  definido  na  vida,  é  uma  habilidade  desenvolvida  para
reconhecer os tipos de pessoas cujas mentes naturalmente se harmonizam.
P – Por favor, fique focado na adversidade. Se há possíveis benefícios
a serem encontrados através da adversidade, nomeie-os.
R  –  A  adversidade  livra  as  pessoas  da  vaidade  e  do  egocentrismo.  Ela
desencoraja  o  egoísmo,  provando  que  nenhum  indivíduo  pode  ser  bem-
sucedido sem a cooperação de outros.
A  adversidade  força  o  indivíduo  a  testar  a  sua  força  mental,  física  e
espiritual; portanto, ela traz o indivíduo face a face com suas fraquezas e dá
a ele a oportunidade de transpô-las.
A  adversidade  força  uma  pessoa  a  procurar  caminhos  e  meios  para  fins
definidos,  através  da  meditação  e  do  pensamento  introspectivo.  Isso
regularmente leva à descoberta e ao uso do sexto sentido, através do qual a
pessoa consegue comunicar-se com a inteligência infinita.
A  adversidade  força  uma  pessoa  a  reconhecer  a  necessidade  de  uma


inteligência  que  não  está  disponível  dentro  de  sua  própria  mente,  mas
provém de fontes externas.
A adversidade quebra velhos hábitos de pensamento e dá para a pessoa a
oportunidade de formar novos hábitos; por isso, ela pode servir para quebrar o
ciclo do ritmo hipnótico e mudar o seu funcionamento de negativa para fins
positivos.
P – Qual o maior benefício que uma pessoa pode receber através da
adversidade?
R – O maior benefício da adversidade é que ela pode, e geralmente o faz,
forçar  uma  pessoa  a  mudar  os  seus  hábitos  de  pensamento,  quebrando  e
redirecionando a força do ritmo hipnótico.
P – Em outras palavras, o fracasso é sempre uma benção quando ele
força a pessoa a adquirir conhecimento ou para construir hábitos que
levam à realização dos maiores objetivos da vida de uma pessoa. Isso
está correto?
R – Sim, e algo mais! O fracasso é uma benção quando ele força a pessoa a
depender menos das forças materiais e mais das forças espirituais. Muitos
seres  humanos  descobrem  os  seus  “outros  eus”  –  as  forças  que  operam
através do poder do pensamento – somente após alguma catástrofe que os
priva do livre e total uso dos seus corpos físicos. Quando um homem não
consegue mais usar as suas mãos e os seus pés, ele geralmente começar a usar
o  seu  cérebro;  assim,  coloca-se  no  caminho  de  descobrir  o  poder  de  sua
própria mente.
P – Quais benefícios são obtidos a partir da perda de coisas materiais –
dinheiro, por exemplo?
R  –  A  perda  de  coisas  materiais  pode  ensinar  muitas  lições  necessárias,
contudo nenhuma tão grande quanto a de não possuir controle sobre nada e
de não ter certeza do uso permanente de qualquer coisa, exceto o poder do
seu pensamento.
P – Fico imaginando se esse não é o maior benefício disponível que se
pode aprender através da adversidade.
R – Não. O maior de todos os benefícios potenciais de qualquer circunstância,
que  leve  uma  pessoa  a  fazer  um  novo  começo,  é  que  ele  fornece  uma
oportunidade  para  quebrar  o  equilíbrio  do  ritmo  hipnótico  e  acaba
desenvolvendo  um  novo  parâmetro,  com  novos  hábitos  de  pensamento.
Novos hábitos oferecem a única saída para as pessoas que fracassam. A maior

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