Mais Esperto que o Diabo


partir  daquele  momento  você  foi  motivado  por  essa  entidade.  Por  mera



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partir  daquele  momento  você  foi  motivado  por  essa  entidade.  Por  mera
conveniência, você pode chamar essa Entidade Fé de seu ‘outro eu’. Ela não
conhece  limitações,  não  possui  medos  e  não  reconhece  a  palavra
‘impossível’.”
“Você foi direcionado a selecionar esse ambiente de luxo em um bom
hotel,  como  um  meio  de  desencorajar  o  retorno  da  entidade  medo.  Esse
antigo  eu  motivado  pelo  medo  não  está  morto;  ele  simplesmente  foi
destronado.  E  ele  o  seguirá  aonde  quer  que  você  vá,  esperando  uma
oportunidade favorável para tomar conta de você novamente. Ele somente
pode tomar o controle de você por meio dos seus pensamentos. Lembre-se
disso e mantenha as portas da sua mente hermeticamente fechadas contra
todos os pensamentos que procuram limitá-lo de qualquer maneira e você
assim ficará a salvo.”
“Não se permita preocupar-se com o dinheiro que você precisará para suas
despesas  imediatas.  O  recurso  virá  a  você  no  momento  em  que  você
necessitar dele.”
“Agora, vamos aos negócios. Antes de qualquer coisa, você deve saber que
a entidade Fé, que agora está no comando do seu corpo, não faz nenhum
tipo de milagre e também não trabalha em oposição a nenhuma das leis da
natureza.  Enquanto  ela  estiver  no  comando  do  seu  corpo,  ela  o  guiará
sempre  que  você  a  chamar,  através  de  impulsos  de  pensamentos  que
cruzarão pela sua mente e o ajudarão a realizar todos os seus planos pela
maneira mais natural, conveniente e lógica possível.”
“Acima  de  qualquer  coisa,  tenha  este  fato  claramente  fixado  na  sua
mente,  que  o  seu  ‘outro  eu’  não  fará  o  trabalho  por  você,  ele  somente  o
guiará  inteligentemente  no  caminho  para  você  conquistar  todos  os  seus
objetivos e desejos.”
“Este  ‘outro  eu’  o  ajudará  a  transformar  todos  os  seus  planos  em
realidade. Além disso, você deve saber que ele começa sempre com o seu
maior ou mais pronunciado desejo. Neste momento, o seu maior desejo –
aquele que o trouxe até aqui – é publicar e distribuir os resultados da sua
pesquisa nas causas de sucesso e fracasso. A sua estimativa é de que serão
necessários aproximadamente 25 mil dólares.”
“Entre os seus conhecidos, há um homem que estará disposto a investir o
capital necessário. Comece de uma vez a imaginar e focar no nome de todas
as pessoas do seu círculo de conhecidos que poderiam de alguma maneira ser
induzidos a fornecer a ajuda financeira de que você está precisando.”
“Quando o nome da pessoa certa vier à sua mente, você o reconhecerá
imediatamente.  Entre  em  contato  com  essa  pessoa,  e  a  ajuda  que  você
procura será dada. Nos seus argumentos, contudo, apresente o seu pedido
em uma terminologia tal que você usaria numa transação usual de negócios.


Jamais, sob nenhuma hipótese, faça qualquer referência à descoberta desse
seu  ‘outro  eu’.  Se  você  violar  essas  instruções,  será  acometido  por  uma
derrota temporária.”
“O  seu  ‘outro  eu’  continuará  no  comando  e  permanecerá  a  guiá-lo
enquanto  você  quiser  fazer  uso  dele.  Mantenha  a  dúvida,  o  medo  e  as
preocupações e todos os pensamentos de limitação totalmente fora da sua
mente.”
“Isso é tudo para o momento. A partir de agora você começará a se mexer
por seu livre-arbítrio, precisamente da mesma maneira que você começou
antes de descobrir o seu ‘outro eu’. Fisicamente, você é o mesmo que sempre
foi; por isso ninguém reconhecerá nenhuma mudança em você.”
Olhei em volta do quarto, pisquei os olhos e, para ter certeza de que não
estava sonhando, levantei e caminhei até um espelho e olhei para mim de
perto. A expressão do meu rosto havia mudado de dúvida para Coragem e Fé.
Não havia mais qualquer sinal de dúvida na minha mente, visto que o meu
corpo físico estava sob uma influência muito diferente daquela que havia
sido  destronada  duas  noites  antes,  enquanto  eu  caminhava  na  escola  na
West Virgínia.


O
Capítulo Dois
UM NOVO MUNDO SE REVELA PARA MIM
bviamente, eu havia passado por uma experiência de renascimento em
que todas as formas de medo haviam se afastado de mim. Eu agora
tinha coragem de tal maneira que nunca havia experimentado antes. Apesar
do fato de ainda não ter sido mostrado para mim como ou de que fonte eu
seria capaz de receber os recursos necessários, eu tinha fé inabalável de que o
dinheiro estava vindo ao meu alcance, na verdade conseguia enxergá-lo já
em minha posse.
Em muito poucas ocasiões na minha vida inteira pude experimentar tal
tipo de fé. Na verdade, era um sentimento indescritível. Não há palavras na
língua  portuguesa  que  possam  descrevê-lo  –  fato  que  todos  aqueles  que
tiveram experiências similares podem facilmente testemunhar.
Naquele instante, comecei a colocar em prática as instruções que havia
recebido.  Todo  aquele  sentimento  de  que  eu  estaria  entrando  em  uma
missão impossível agora haviam me deixado. Um por um, comecei a buscar
em  minha  mente  os  nomes  de  todos  os  meus  conhecidos  que  talvez
pudessem ser capazes de financiar os 25 mil dólares de que eu precisava,
começando com o nome de Henry Ford e passando por toda a lista de mais
de  trezentas  pessoas.  Meu  “outro  eu”  simplesmente  disse:  “Continue
procurando”.
A hora mais escura é justamente um pouco antes da aurora
Mas eu chegara ao fim da linha. Minha lista inteira de conhecidos havia
sido  esgotada,  e  com  ela  minha  resistência  física  também.  Eu  estava
trabalhando,  concentrando  a  minha  mente  naquela  lista  de  nomes  por
basicamente  dois  dias  e  duas  noites,  parando  somente  para  dar  alguns
cochilos.
Recostei-me  na  cadeira,  fechei  meus  olhos  e  entrei  numa  espécie  de
transe por alguns minutos. Fui acordado pelo que parecia ser uma explosão
no  quarto.  Conforme  ganhei  consciência,  o  nome  de  Albert  L.  Pelton
apareceu  em  minha  mente…  e  com  ele  um  plano  que  eu  soube
instantaneamente ser o plano que me faria ter sucesso em persuadir o Sr.
Pelton a publicar os meus livros. Eu me lembrei do senhor Pelton somente
como um editor na revista Golden Rule (Regra de Ouro) – aquela que eu havia
publicado em anos anteriores.
Eu me sentei, peguei a máquina de escrever e enderecei uma carta ao
senhor  Pelton  em  Meriden,  Connecticut,  e  descrevi  o  plano  da  mesma
maneira que ele havia sido entregue para mim. Ele respondeu por telegrama,


dizendo que estaria na Filadélfia para me ver no dia seguinte.
Quando  ele  chegou,  mostrei  a  ele  os  manuscritos  originais  da  minha
filosofia  e  brevemente  expliquei  qual  seria  a  sua  missão.  Ele  pegou  os
manuscritos, folheou algumas páginas por alguns minutos, então parou de
repente  e  com  os  olhos  fixos  na  parede  por  alguns  segundos  disse:  “Eu
publicarei os livros para você”.
O contrato foi assinado; uma quantia substancial de royalties me foi paga,
e os manuscritos foram entregues a ele, que os levou para Meriden.
Eu não perguntei a ele o que o fez tomar a decisão de publicar os meus
livros antes mesmo de tê-los lido, o que eu sei é que ele me forneceu o capital
necessário, imprimiu os livros e me ajudou a vender milhares deles para a sua
própria clientela de compradores de livros, espalhados em praticamente todos
os países de língua inglesa no mundo.
Meu “outro eu” se sai bem
Três meses após o dia que o senhor Pelton me visitou na Filadélfia, um
jogo completo com todos os meus livros estava em cima da mesa, bem na
minha frente, e minha renda da venda dos livros era grande o suficiente
para suprir todas as minhas necessidades. Esses livros agora estão nas mãos
de todos os meus estudantes do mundo inteiro.
Meu  primeiro  cheque  dos  royalties  referente  à  venda  dos  meus  livros
alcançou a quantia de 850 dólares. No momento em que abri o envelope
para apanhar o cheque, meu “outro eu” disse: “Sua única limitação é aquela
que você impõe em sua própria mente”.
Não tenho certeza de que eu entenda exatamente o que esse “outro eu”
seja, mas tenho plena convicção de que não há derrota permanente para o
homem ou a mulher que o descubra e confie nele.
No dia após o senhor Pelton ter ido me visitar na Filadélfia, o meu “outro
eu”  me  presenteou  com  uma  ideia  que  resolveu  imediatamente  o  meu
problema financeiro. A ideia que cruzou a minha mente me mostrava que os
métodos de venda da indústria automobilística tinham que passar por uma
mudança  drástica  e  que  os  futuros  vendedores  desta  área  da  indústria
teriam que aprender a VENDER automóveis, em vez de meramente servir de
compradores de carros usados, como a maioria estava fazendo na época.
Ocorreu-me também que jovens rapazes que haviam recém-finalizado a
faculdade e que por isso não conheciam nada dos velhos “truques” da venda
de automóveis seriam o ponto de partida desse novo tipo de profissional de
vendas e poderiam ser mais bem desenvolvidos.
A ideia era tão distinta e impressionante que eu imediatamente liguei
para o gerente de vendas da General Motors e brevemente expliquei meu


plano. Ele também ficou impressionado e me indicou para visitar uma filial
da Companhia de Automóveis Buick, que naquela época era propriedade e
dirigida por Earl Powell. Eu visitei o senhor Powell, expliquei-lhe meu plano e
ele imediatamente me colocou para treinar quinze garotos cuidadosamente
selecionados da faculdade.
A minha renda deste treinamento foi mais do que suficiente para tomar
conta  de  todas  as  minhas  despesas  pelos  próximos  três  meses,  até  que  os
resultados da venda dos meus livros começassem a entrar, incluindo o custo
daquela luxuosa suíte que naquela época me preocupou muito.
Meu “outro eu” não havia me desapontado. O dinheiro que eu precisava
estava em minhas mãos justamente no momento em que eu precisei. Nesse
momento, fui convencido de que a minha viagem para a Filadélfia não era,
sob  nenhuma  hipótese,  uma  missão  sem  sentido,  conforme  minha  razão
havia indicado antes de partir do Oeste da Virgínia.
Daquele  momento  em  diante  até  este  exato  minuto,  tudo  o  que  eu
precisei  veio  até  mim.  E  isso  mesmo  considerando  que  o  mundo  inteiro
recentemente  passara  por  um  período  de  depressão  econômica  quando
mesmo as necessidades básicas não estavam disponíveis para muitas pessoas.
Em alguns momentos, a chegada das coisas materiais das quais eu precisei
veio um pouco tarde, mas posso com toda a certeza dizer que o meu “outro
eu” sempre me encontrou no cruzamento e por sua vez sempre me indicou
por qual caminho eu deveria seguir.
O “outro eu” não possui precedentes, não reconhece nenhum tipo de
limite e sempre, sempre acha um modo de satisfazer nossos desejos! Ele pode
se deparar com derrotas temporárias, mas nunca com fracasso permanente.
Tenho tanta certeza disso que estou afirmando quanto o fato de estar aqui
escrevendo estas linhas.
Enquanto isso, sinceramente espero que alguns dos milhões de homens e
mulheres que foram atingidos pela depressão econômica ou outros dissabores
da  vida  descubram  dentro  de  si  mesmos  essa  estranha  entidade  que  eu
chamei de meu “outro eu” e que essa descoberta os guie, como me guiou a
um intenso e próximo relacionamento com essa fonte de energia que supera
obstáculos e resolve todas as dificuldades, em vez de ser derrotada por elas.
Há uma grande força a ser descoberta no seu “outro eu”! Procure com todo
o seu ser e você o achará.
“Fracasso”: uma benção disfarçada
Fiz outra descoberta como resultado dessa apresentação ao meu “outro
eu”, ou seja, há uma solução para cada problema legítimo, não importa quão
difícil o problema pareça ser. Também descobri que para cada experiência de
derrota temporária, para cada fracasso e cada forma de adversidade existe a


semente de um benefício equivalente.
Entenda  o  que  eu  quero  dizer,  não  afirmei  que  isso  seria  uma  flor
desabrochada do sucesso, mas sim a semente pela qual essa flor germinará e
crescerá. Para essa regra não há exceções. A semente da qual eu falo nem
sempre pode ser observada, mas pode ter certeza de que ela está lá, de uma
forma ou de outra.
Não pretendo entender tudo sobre essa estranha força que me reduziu à
pobreza e a uma situação de necessidade e medo e então fez renascer uma
fé dentro de mim através da qual tive o privilégio de ajudar a dezenas de
milhares de pessoas que se achavam descendo a ladeira. Mas sei que tal força
entrou em minha vida como uma missão para que eu pudesse colocar outros
em contato com ela.
Durante um quarto de século em que me dediquei à pesquisa das causas
de sucesso e fracasso, descobri muitos princípios de verdade que têm sido
úteis para mim e para outros, mas nada que observei me impressionou tanto
quanto a descoberta de que cada grande líder do passado foi tomado por
dificuldades  e  encontrou  derrotas  temporárias  antes  de  alcançar  os  seus
objetivos.
De Cristo até Edson, os homens que mais realizaram foram os que mais se
depararam  com  formas  duradouras  de  fracasso  temporário.  Isso  pareceria
justificar a conclusão de que a inteligência infinita tem um plano, ou uma lei
pela qual ela faz com que homens se deparem com muitos obstáculos, antes
de  dar-lhes  o  privilégio  da  liderança  ou  a  oportunidade  de  realizar  um
serviço útil, de uma forma notável.
Eu não desejaria sujeitar-me novamente às experiências pelas quais passei
naquela  noite  fatídica  de  véspera  de  Natal  em  1923,  e  também  naquela
noite quando caminhei em volta da escola na West Virgínia e lutei aquela
terrível batalha contra o medo, mas toda riqueza do mundo não seria capaz
de me fazer abandonar o conhecimento que ganhei dessa experiência.
A fé tem um novo significado para mim
Repito  que  não  sei  exatamente  o  que  é  este  “outro  eu”,  mas  sei  o
suficiente para me apoiar nele com um espírito de absoluta fé em tempos de
necessidade, quando a razão da minha mente parece inadequada para suprir
as minhas necessidades.
A  depressão  econômica  que  começou  em  1929  trouxe  miséria  para
milhões de pessoas, mas não devemos esquecer que a experiência também
trouxe  muitas  bênçãos,  a  começar  pelo  conhecimento  de  que  há  algo
infinitamente pior do que ser forçado a trabalhar, que é ser forçado a não
trabalhar. De certa forma, essa depressão foi mais uma benção do que uma
maldição, se analisada à luz das mudanças que trouxe para as mentes de


todos  que  foram  afetados  por  ela.  O  mesmo  é  verdadeiro  para  cada
experiência que altera os hábitos dos homens e os força a olhar para o seu
“interior”, para a solução dos seus problemas.
O  tempo  que  passei  em  reclusão  na  West  Virgínia  foi,  sem  sombra  de
dúvidas, a mais severa das punições da minha vida, mas a experiência trouxe
bênçãos na forma de conhecimentos de que eu precisava e que de certa
forma  mais  do  que  compensaram  o  sofrimento.  Estes  dois  resultados  –  o
sofrimento  e  o  conhecimento  ganho  dele  –  foram  inevitáveis.  A  Lei  da
Compensação, a qual Ralph Waldo Emerson tão claramente definiu, fez esse
resultado um tanto quanto natural e necessário.
O que o futuro pode guardar para mim na forma de desapontamentos,
através de derrotas temporárias, com certeza não tenho meios de saber. Mas
sei, contudo, que nenhuma experiência do futuro pode possivelmente me
atingir tão profundamente quanto aquelas do passado, porque agora tenho
acesso ao meu “outro eu”. Desde que este “outro eu” tomou conta de mim,
venho  tendo  acesso  a  um  tipo  de  conhecimento  que  por  certo  não  teria
descoberto enquanto a minha antiga entidade, chamada medo, estava no
controle. Aprendi que todos aqueles que se deparam com dificuldades que
parecem  insolúveis  podem  resolvê-las  e  ainda  melhor  lidar  com  elas,  se
estiverem dispostos a esquecer suas próprias dificuldades e partir para ajudar
outras pessoas que por ventura estejam passando por dificuldades maiores.
O valor de dar antes de tentar conseguir
Tenho plena certeza de que nenhum esforço que nós possamos fazer em
prol daqueles que estão em momentos de dificuldade ocorre sem algum tipo
de recompensa adequada. Nem sempre a recompensa vem daquelas próprias
pessoas para as quais prestamos serviços, mas a mesma virá de uma fonte ou
outra.
Desconfio  seriamente  de  que  nenhum  homem  pode  utilizar-se  dos
benefícios deste “outro eu” enquanto estiver impregnado pela ganância e
pela  avareza,  pela  inveja  e  pelo  medo.  Mas,  se  eu  estiver  errado  nesta
conclusão, ainda tenho a honra de ser aquele que achou paz de espírito e
alegria através de um ponto de vista que não estava correto. Eu preferiria
assim, estar errado e feliz a estar certo e infeliz! Mas esse ponto de vista não
está errado.
Enquanto  eu  estiver  de  bem  com  o  meu  “outro  eu”,  serei  capaz  de
adquirir qualquer coisa material de que precise. Além disso, serei capaz de
conquistar felicidade e paz de espírito. O que mais poderia alguém querer?
O  único  motivo  que  me  inspirou  a  escrever  este  livro  foi  um  desejo
profundo  e  sincero  de  ser  útil  a  outros,  compartilhando  com  eles  tanto
quanto eles estejam preparados para aceitar a fortuna que se tornou minha,


no momento em que descobri meu “outro eu”. Essa riqueza, felizmente, não
pode ser medida em termos materiais ou financeiros, porque ela representa
muito mais do que isso.
Riquezas  materiais  e  financeiras,  quando  reduzidas  aos  seus  valores
líquidos, são mensuráveis em termos de saldos bancários. Saldos bancários
não são mais fortes do que bancos. Esta outra forma de riqueza da qual falo é
mensurável não somente em termos de paz de espírito e contentamento,
mas  da  mesma  forma  como  é  manifestada  naqueles  que  são  adeptos  da
oração.
Quando rezo, meu “outro eu” ensinou-me a concentrar-me nos meus
objetivos e a esquecer do plano que deve ser atingido. Não estou sugerindo
que  objetos  materiais  devam  ser  adquiridos  sem  planos.  O  que  eu  estou
dizendo  é  que  o  poder  que  transforma  os  pensamentos  e  desejos  em
realidade tem a sua fonte na infinita inteligência, que, por sua vez, conhece
mais sobre os planos do que quem está fazendo a oração.
Colocando o caso de outra forma, não seria mais inteligente, quando em
oração, confiar na mente universal para nos entregar o plano que melhor se
adapte  à  realização  do  objetivo  da  nossa  oração?  Minha  experiência  com
oração me ensinou que tudo aquilo que resulta de uma oração é um plano,
um  plano  que  é  adequado  e  adaptado  para  o  atingimento  do  objetivo  da
oração,  através  de  um  meio  natural  e  material.  O  plano  deve  ser
transmutado através de uma ação de alto esforço.
Eu não conheço nada a respeito de qualquer tipo de oração que possa
funcionar favoravelmente em uma mente dominada, mesmo que em menor
grau, pelo medo.
Um novo meio de orar
Desde que me tornei íntimo de meu “outro eu”, minha forma de orar
modificou-se. Eu costumava rezar somente quando encarava dificuldades.
Agora, rezo antes da dificuldade, quando possível. Eu agora rezo não mais
pelos bens e pelas grandes bênçãos deste mundo, mas para ser merecedor de
tudo que já possuo. Acho que este meio de orar é melhor do que o antigo.
A inteligência infinita parece não ficar ofendida quando rendo graças e
mostro  que  sou  grato  por  todas  as  bênçãos  que  coroaram  meus  esforços.
Fiquei  maravilhado  quando  primeiro  tentei  este  plano  de  oferecer  uma
oração de agradecimento por tudo que eu já possuía, pois assim descobri a
vasta riqueza de que já dispunha e não apreciava.
Por  exemplo,  descobri  que  eu  tinha  um  corpo  maravilhoso  que  nunca
havia sido seriamente danificado pela doença. Eu contava com uma mente
razoavelmente bem equilibrada. Tinha uma imaginação criativa com a qual
eu poderia prestar um serviço muito útil para um grande número de pessoas.


Eu era abençoado com toda a liberdade que desejava, tanto de corpo quanto
de mente. Nutria um desejo ardente de ajudar outros que não tinham a
mesma sorte.
Descobri que a felicidade, o maior de todos os objetivos do ser humano,
era minha de qualquer maneira, com depressão econômica ou sem depressão
econômica. Por último, descobri que eu tinha o privilégio de me aproximar da
inteligência infinita, tanto com o intuito de agradecer pelo que eu possuía e
por iluminar e direcionar meu caminho quanto para pedir mais bênçãos.
Pode ser útil para cada leitor deste livro fazer o inventário de seus ativos
intangíveis. Tal inventário pode mostrar que existem ativos que não possuem
valor.
Alguns sinais que nós subestimamos
O  mundo  inteiro  está  passando  por  um  momento  de  mudanças  de
tamanhas proporções que milhões de pessoas estão em estado constante de
pânico,  trazendo  junto  consigo  preocupações,  dúvidas,  indecisões  e,
principalmente, medo. Parece-me que agora é o momento certo para todos
aqueles  que,  por  alguma  razão,  encontram-se  naquele  cruzamento  da
dúvida  e  da  incerteza,  para  que  conheçam  e  se  tornem  íntimos  de  seus
“outros eus”.
Todos os que desejarem realizar tal tarefa acharão útil tirar uma lição da
natureza.  A  observação  mostrará  que  as  estrelas  eternas  brilham  todas  as
noites nos seus devidos lugares; que o Sol continua mandando seus raios de
luz e calor, provendo a mãe natureza com abundância de comida e energia;
que a água continua a correr da sua nascente na montanha; que os pássaros
e  os  animais  selvagens  da  floresta  recebem  condições  adequadas  e
satisfatórias  de  alimento;  que  após  um  dia  de  trabalho  vem  a  noite  para
descansarmos; que após o movimentado verão vem o inverno de calmaria;
que as estações vêm e vão exatamente como faziam antes da crise de 1929
chegar;  que  na  verdade  somente  as  mentes  dos  homens  deixaram  de
funcionar normalmente, e isso porque os homens preencheram suas mentes
com o MEDO. A observação desses simples fatos da vida cotidiana pode ser
muito  útil  como  um  ponto  de  partida  para  todos  aqueles  que  desejam
suplantar o medo pela fé.
Não sou um profeta, mas posso, sem falsa modéstia, predizer que todo
indivíduo  tem  o  poder  de  mudar  seu  estado  material  ou  financeiro,  mas
primeiro ele ou ela tem que mudar a natureza das suas crenças.
Não confunda a palavra “crença” com a palavra “desejo”. As duas não
são a mesma coisa. Todo mundo é capaz de “desejar” vantagens financeiras,
materiais ou espirituais, mas o elemento FÉ é a única força verdadeira pela
qual  um  desejo  pode  ser  transformado  em  uma  crença,  e,  por  sua  vez,  a


crença transmuta-se em realidade.
E é exatamente nesse ponto o momento mais apropriado para chamar
atenção  para  o  real  benefício  que  qualquer  um  pode  experimentar
simplesmente  usando  de  forma  deliberada  a  sua  fé  focada  em  qualquer
forma  de  desejo  construtivo.  A  mente  age  sempre  de  acordo  com  nossos
desejos mais profundos e dominantes. Não há escapatória desse fato, isso é
literalmente  um  fato.  “Tenha  muito  cuidado  com  o  que  você  deseja  de
coração, porque por certo será seu.”
A fé é o começo de toda grande realização
Se Thomas Edison tivesse parado, simplesmente desejando conhecer o
segredo pelo qual a energia elétrica fazia com que a lâmpada incandescente
acendesse,  toda  conveniência  que  as  suas  descobertas  trouxeram  para  a
civilização teria permanecido como segredos da natureza. Ele encontrou-se
com o fracasso temporário por mais de 10 mil vezes antes de finalmente
conseguir arrancar esse segredo da natureza. Até que finalmente ela cedeu
para  ele,  porque  ele  acreditou  que  conseguiria  e,  mais  importante  ainda,
continuou tentando até que conseguiu a resposta.
Edison  descobriu  mais  dos  segredos  da  natureza  (eles  teriam  sido
chamados de milagres em um período anterior) no campo da física do que
qualquer outro homem que já viveu, e isso porque ele ficou íntimo do seu
“outro eu”. Eu ouvi isso da boca do próprio Edison, mas, mesmo que eu não
tivesse ouvido, as suas realizações por si mesmas revelaram esse segredo.
Nada  dentro  da  razão  é  impossível  para  o  homem  ou  a  mulher  que
acredita  e  confia  no  seu  “outro  eu”.  Tudo  em  que  um  homem  ou  uma
mulher acreditar ser verdadeiro, a partir daquele instante começa a se tornar
verdadeiro.
Uma oração é uma expressão do pensamento, algumas vezes expresso em
palavras  audíveis  e  outras  vezes  expresso  silenciosamente.  Observei  por
experiência  própria  que  uma  oração  silenciosa  é  tão  eficaz  quanto  uma
oração expressa em palavras. Observei também que o estado de espírito de
quem está rezando é o fator determinante para a oração funcionar, ou não.
Minha concepção do “outro eu” que tenho tentado descrever é que ele
simboliza meramente um novo modo de se chegar à inteligência infinita, um
modo pelo qual se pode controlar e direcionar o simples processo de combinar
a fé com os pensamentos. Isso é somente outra maneira de dizer que agora
tenho muito mais fé no poder da oração.
O estado de espírito conhecido como FÉ aparentemente abre o meio para
um sexto sentido, através do qual se pode comunicar com fontes de poder e
informação  que  ultrapassam  e  muito  os  nossos  cinco  sentidos.  O
desenvolvimento desse sexto sentido vem sempre para sua ajuda, e ele é na


verdade uma estranha força que, vamos assumir, é um anjo da guarda que
pode abrir para você, sempre que quiser, a porta para o templo da sabedoria. O
“sexto sentido” é a experiência mais próxima a que já cheguei de algo que se
possa chamar de milagre, e ele aparece dessa forma talvez porque eu não
entenda exatamente o método pelo qual esse princípio funciona.
O que eu realmente sei é que existe uma força ou uma causa central
primeira, ou uma inteligência que permeia cada átomo da matéria e faz parte
de  cada  unidade  de  energia  perceptível  pelo  homem;  que  essa  infinita
inteligência  converte  ramos  em  árvores,  faz  com  que  a  água  escorra  dos
montes em resposta à Lei da Gravidade, faz a noite após o dia, o inverno após
o  verão,  cada  um  mantendo  seu  próprio  lugar  e  funcionando  de  forma
harmoniosa, bem como o relacionamento entre si. Essa inteligência ajuda a
transformar  desejos  em  formas  concretas  ou  materiais.  Tenho  este
conhecimento porque o experimentei.
Por muitos anos, venho mantendo o hábito de fazer o inventário de toda
a minha vida pessoal, uma vez por ano, com o objetivo de determinar quanto
de  minhas  fraquezas  consegui  ultrapassar  ou  eliminar,  e  também  para
calcular quanto progresso, se é que tive algum, fiz durante o ano.


E
Capítulo Três
UMA ESTRANHA ENTREVISTA COM O DIABO
nquanto você estiver lendo a entrevista com o Diabo, você reconhecerá,
a partir da breve descrição que dei da história da minha vida, o esforço
desesperado do Diabo em me calar antes que eu ganhasse reconhecimento
público. Você entenderá também, após ler a entrevista com o Diabo, por que a
entrevista tinha que ser precedida por esta história pessoal.
Antes que você comece a ler a entrevista, eu quero que você tenha uma
noção bem clara do tipo de ataque que o Diabo fez comigo, e lembre-se de
que foi esse ataque final que afortunadamente virou o jogo, fazendo com
que o Diabo ficasse sem saída e tivesse que se confessar.
Este trabalho do Diabo começou com a crise de 1929. Através daquela
feliz  virada  na  roda  da  vida,  perdi  600  acres  nas  montanhas  de  Katskill.
Meus rendimentos foram a zero, o Harriman National Bank, onde todos os
meus  fundos  estavam  depositados,  quebrou  e  com  ele  se  foi  todo  o  meu
dinheiro.  Antes  que  eu  notasse  o  que  estava  acontecendo,  me  peguei  no
meio  de  um  furacão  espiritual  e  econômico  que  se  desenvolveu  numa
catástrofe  mundial  de  tal  força  que  nenhum  indivíduo  ou  grupo  de
indivíduos poderia suportar.
Enquanto  esperava  a  tempestade  passar  e  todo  o  medo  que  estava
espalhado ceder, me mudei para Washington DC, a cidade onde comecei o
trabalho, após o meu primeiro encontro com Andrew Carnegie, quase um
quarto de século antes.
Parecia  que  não  havia  nada  que  eu  pudesse  fazer,  exceto  sentar  e
esperar.  Tudo  que  eu  tinha  era  tempo.  Após  três  anos  de  espera  sem
resultados  tangíveis,  minha  alma  incansável  começou  a  me  empurrar  de
volta para o serviço.
Havia  muito  poucas  oportunidades  para  eu  ensinar  uma  filosofia  de
sucesso  quando  o  mundo  à  minha  volta  estava  no  meio  do  mais  abjeto
fracasso  e  as  mentes  dos  homens  estavam  preenchidas  com  o  medo  da
pobreza.
Este  pensamento  veio  até  mim  em  uma  noite,  enquanto  eu  estava
dirigindo o meu automóvel em frente ao Memorial de Lincoln sobre o rio
Potomac, dentro da sombra do Capitólio. Com isso, veio outro pensamento: o
mundo  havia  experimentado  uma  crise  sem  precedentes,  através  da  qual
nenhum ser humano tinha o menor controle. Com essa crise, veio até mim a
oportunidade de testar a filosofia da autodeterminação, a organização à qual
eu havia devotado boa parte da minha vida adulta. Uma vez mais eu tinha a
oportunidade de aprender se a minha filosofia era prática ou mera teoria.
Notei  também  que  aí  estava  a  oportunidade  de  testar  uma  frase  de


minha  autoria,  a  qual  eu  havia  pronunciado  centenas  de  vezes:  “Toda
adversidade traz consigo a semente de uma vantagem equivalente”. Qual, se
há  alguma,  eu  me  perguntei,  foi  a  vantagem  de  uma  crise  mundial  para
mim?
Quando comecei a procurar por uma direção por onde eu poderia testar a
minha filosofia, fiz a descoberta mais chocante da minha vida. Descobri que,
através de alguma estranha força que eu não entendia, eu havia perdido
minha coragem; minha iniciativa tinha sido desmoralizada; meu entusiasmo
havia enfraquecido. Pior do que tudo isso, eu estava envergonhado em me
dar conta de que era o autor de uma filosofia de autodeterminação porque,
lá no fundo do meu coração, eu sabia, ou pensava que sabia, que eu não
poderia  fazer  a  minha  própria  filosofia  me  tirar  do  fundo  do  poço  e
consequentemente mudar a situação desesperadora na qual me encontrava.
Enquanto  eu  lutava  em  um  estado  mental  de  total  confusão  e
atordoamento, o Diabo devia estar dançando de felicidade. Afinal, ele tinha
o autor da primeira filosofia de realização e sucesso pessoal paralisado pela
indecisão.
Mas os inimigos do Diabo também deviam estar trabalhando
Enquanto eu estava sentado em frente ao Memorial Lincoln, revisando
em  retrospecto  as  circunstâncias  que,  por  muitas  vezes,  elevaram-me  a
grandes realizações, somente para logo depois me deixarem cair de alturas
equivalentes, um pensamento feliz chegou até mim, na forma de um plano
de ação definido, o qual eu acreditava que poderia me desfazer de uma vez
por todas desse sentimento hipnótico de indiferença ao qual eu estava preso.
Na entrevista com o Diabo, a exata natureza da força pela qual eu havia
sido  privado  da  minha  iniciativa  e  da  minha  coragem  foi  revelada.  É
exatamente a mesma força que milhões de outros foram sujeitos durante a
grande crise. É a arma principal que o Diabo utiliza para enredar e controlar
os seres humanos.
A essência desse novo pensamento que veio para mim era esta: apesar do
fato de eu ter aprendido com Andrew Carnegie e mais de quinhentos outros
que  tiveram  sucessos  profissionais  e  pessoais  equivalentes,  que  realizações
notáveis em todos os passos da vida vêm através da aplicação do “Master
Mind”  (a  coordenação  harmoniosa  de  duas  ou  mais  mentes  trabalhando
para  um  mesmo  objetivo),  eu  havia  falhado  em  fazer  tal  aliança  com  o
objetivo de colocar em prática o meu plano de revelar a primeira filosofia
individual de sucesso para o mundo.
Apesar do fato de eu ter entendido o poder do Master Mind, eu havia
sido relapso em apropriar-me e usar essa força. Eu estava trabalhando como
um lobo solitário, em vez de associar-me com outras mentes superiores.


Uma análise
Vamos agora, brevemente, analisar essa estranha entrevista que você está
prestes  a  ler.  Alguns  irão  perguntar  após  terminá-la:  “Você  realmente
entrevistou o Diabo ou você meramente entrevistou um Diabo imaginário?”.
Alguns talvez desejem a resposta a essa questão antes mesmo de começar a
entrevista.
Responderei da única e mais honesta maneira que poderia, dizendo que o
Diabo que entrevistei pode ter sido real tanto quanto ele dizia ser ou ele pode
ter sido uma criação da minha própria imaginação. Seja lá o que ele fosse, real
ou imaginário, é de muito pouca importância se comparado com a natureza e
com o conteúdo das informações contidas na entrevista.
A  questão  realmente  importante  é  esta:  a  entrevista  contém  alguma
informação que possa ser realmente útil para as pessoas que estão tentando
achar os seus lugares no mundo? Se ela possui esse tipo de informação, não
importa se está contida na forma de um fato ou ficção, então ela deve ser
séria e cuidadosamente analisada por meio de uma leitura muito atenciosa.
Eu não tenho a menor preocupação quanto à real fonte da informação ou
quanto à real natureza do Diabo, cuja história fantástica você está prestes a
ler.  Estou  somente  preocupado  com  o  fato  de  que  a  confissão  do  Diabo
encaixa-se perfeitamente com o que eu tenho visto da vida.
Acredito que a entrevista contenha informações de benefícios práticos
para todos aqueles que ainda não acharam a vida amigável, e a razão pela
qual eu acredito nisso é que eu fiz com que o tema central deste livro me
trouxesse toda felicidade de que preciso, na forma que mais se encaixou na
minha  natureza.  Eu  tive  o  suficiente  de  experiências  com  os  princípios
mencionados  pelo  Diabo,  de  tal  forma  que  posso  assegurar  que  eles  farão
exatamente o que ele diz que farão. Isso é suficiente para mim. Então, passo
a  história  desta  entrevista  para  você,  para  que,  seja  lá  de  qual  maneira,
consiga extrair dela o máximo possível de dividendos em termos financeiros e
pessoais.
Talvez  você  consiga  grandes  valores  em  termos  financeiros,  se  você
aceitar  o  Diabo  como  sendo  o  que  ele  diz  que  é,  baseando-se  na  sua
mensagem para seja lá o que for que ela lhe possa trazer e que você consiga
aplicar da melhor maneira possível, não se preocupando em saber quem é o
Diabo ou se realmente ele existe.
Se você quiser minha honesta opinião pessoal, eu acredito que o Diabo é
realmente quem ele diz ser. Agora, vamos analisar a sua estranha confissão.
Após forçar a sua entrada na consciência do Diabo, o “Senhor Humano”
começou a entrevista que o Diabo não queria dar, com questões que ele não
poderia deixar de responder.


Aqui começa a entrevista com o Diabo
P  –  Eu  descobri  o  código  secreto  pelo  qual  tenho  acesso  aos  seus
pensamentos.  Vim  para  lhe  fazer  algumas  perguntas  muito  simples.
Exijo que você me forneça respostas diretas e verdadeiras. Você está
pronto para a entrevista, senhor Diabo?
R – Sim, estou pronto. Mas primeiro você deve se dirigir a mim com mais
respeito. Durante esta entrevista, você se dirigirá a mim somente como “Sua
Majestade”.
P – Com que direito você exige tal respeito real?
R – Você deve saber que eu controlo 98% das pessoas do seu mundo. Você
não acha que isso é motivo suficiente para me dar um título de realeza?
P – Você tem prova do que está afirmando?
R – Sim, tenho provas em abundância.
P – No que consistem as suas provas?
R – Consistem de muitas coisas. Se você quer respostas, você se dirigirá a mim
como  “Sua  Majestade”.  Algumas  coisas  você  entenderá;  outras,  não.  Para
que você entenda meu ponto de vista, descreverei a mim mesmo e corrigirei
a falsa noção que as pessoas têm de mim e de onde eu habito.
P – Esta é uma ótima ideia, Sua Majestade. Comece me contando onde
você mora e então descreva a sua aparência física.
R  –  Minha  aparência  física?  Bem,  meu  querido  Senhor  Humano,  eu  não
possuo um corpo físico. Um corpo físico me colocaria em desvantagem e seria
um fardo que eu teria que carregar, tal como vocês criaturas humanas o
carregam  ao  longo  da  vida.  Eu  consisto  de  Energia  Negativa  e  vivo  nas
mentes das pessoas que têm medo de mim. Também ocupo metade de cada
átomo da matéria física e cada unidade de energia mental e física. Talvez
você entenda melhor a minha natureza se eu lhe disser que sou a porção
negativa do átomo.
P  –  Ah,  eu  entendo  o  que  você  está  querendo  dizer.  Você  está
preparando o terreno para dizer que, se não fosse por você, não haveria
mundo, nem estrelas, nem elétrons, nem átomos, nem seres humanos,
nada. Não é isso?
R – Verdade! Você está absolutamente certo.
P – Bem, se você ocupa somente metade da energia e da matéria, quem


ocupa a outra metade?
R – A outra metade é ocupada pela minha “oposição”.
P – Oposição? O que você quer dizer com isso?
R – A oposição é o que vocês, humanos, chamam de Deus.
P  –  Então,  você  divide  o  universo  com  Deus,  é  isso  que  você  está
dizendo?
R  –  Não  é  o  que  eu  estou  dizendo,  isso  é  um  fato.  Antes  do  final  desta
entrevista, você entenderá por que as minhas afirmações são verdadeiras.
Você  também  entenderá  por  que  elas  têm  que  ser  verdadeiras,  ou  não
poderia  haver  um  mundo  como  você  o  conhece,  muito  menos  criaturas
humanas como você. Eu não sou nem de perto uma besta com um garfo e
um rabo pontudo.
P  –  Mas  você  controla  as  mentes  de  98  em  cada  100  pessoas.  Você
mesmo  disse.  Quem  causa  toda  a  miséria  desses  98%  do  mundo
controlados pelo Diabo, se não é você?
R – Eu não disse em momento algum que não sou a causa de toda a miséria
do mundo. Por outro lado, me vanglorio disso. O meu negócio é representar o
lado  negativo  de  tudo,  incluindo  os  pensamentos  negativos  de  vocês,
humanos. De que outra maneira eu poderia controlar as pessoas? A minha
oposição controla o pensamento positivo. Eu controlo o pensamento negativo.
P – Como você assume o controle das mentes dessas pessoas?
R – Ah, isso é fácil: eu simplesmente entro em suas mentes e ocupo o espaço
que não é usado do cérebro humano. Eu planto as sementes do pensamento
negativo nas mentes das pessoas, e dessa forma eu consigo ocupar e controlar
o espaço!
P – Você deve ter muitos truques e ferramentas pelas quais você ganha
o controle e o acesso à mente humana.
R – Para ser claro, eu emprego truques e meios para controlar o pensamento
humano. Os instrumentos que uso também são inteligentes.
P  –  Vá  em  frente  e  me  descreva  os  seus  truques  inteligentes,  Sua
Majestade.
R – Um dos mais astutos instrumentos que uso para o controle da mente
humana é o Medo. Planto a semente do medo nas mentes das pessoas e,
conforme essas sementes germinam e crescem, através do uso contínuo dos
pensamentos negativos, controlo o espaço que elas ocupam. Os seis medos


mais efetivos são o medo da pobreza, da crítica, da perda da saúde, da perda
do amor, da velhice e da morte.
P  –  Qual  desses  seis  medos  mais  o  ajuda  a  assumir  o  controle,  Sua
Majestade?
R – O primeiro e o último – pobreza e morte. Em um momento ou outro
durante  a  vida,  amarro  as  pessoas  através  de  um  deles  ou  até  de  ambos.
Planto esses medos nas mentes das pessoas de forma tão inexorável que elas
acreditam  que  esses  medos  são  sua  própria  criação.  Realizo  essa  tarefa
fazendo  com  que  as  pessoas  acreditem  que  eu  estou  lá,  esperando-as  no
portão de entrada da próxima vida, esperando para julgá-las e puni-las por
toda a eternidade. É claro que não posso punir ninguém, exceto na própria
mente dessa pessoa, através de alguma forma de medo – mas medo daquilo
que não existe é tão útil para mim quanto o medo daquilo que existe. Todas
as formas de medo ampliam o espaço que ocupo na mente humana.
P – Sua Majestade, você explicará como ganhou esse controle sobre os
seres humanos?
R  –  A  história  é  muito  longa  para  ser  contada  em  poucas  palavras.  Tudo
começou  há  mais  de  um  milhão  de  anos,  quando  o  primeiro  homem
começou a pensar. Até aquele momento eu tinha o controle sobre todos os
homens, mas inimigos meus descobriram o poder do pensamento positivo e o
colocou nas mentes dos homens. Aí então começou uma batalha de minha

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