Mais Esperto que o Diabo


"Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento, e não mais lutando



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"Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento, e não mais lutando
por dinheiro e poder, então nossa sociedade poderá enfim evoluir a um novo
nível."


“Medo é a ferramenta de um Diabo idealizado pelo homem. A fé
inabalável em si mesmo é tanto a arma que derrota este Diabo
quanto a ferramenta que o homem utiliza para construir uma vida
de sucesso. E é mais do que isso. É uma conexão direta com as
forças irresistíveis do universo que apoiam o homem que não
acredita em fracassos e derrotas, senão como experiências
meramente temporárias.”
Napoleon Hill




Do original em inglês Outwitting the Devil
COPYRIGHT © 2011 By
The Napoleon Hill Foundation 1a edição em português: 2014
Direitos reservados desta edição: CDG Edições e Publicações Tradução
M. Conte Jr. FRC, M∴M
Preparação de texto e revisão
José Renato Deitos
Capa
Pâmela Siqueira
Projeto gráfico e editoração
Isabel Kubaski
Adaptação para eBook
Hondana
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


H647m
Hill, Napoleon
Mais esperto
que o diabo: o
mistério revelado
da liberdade e do
sucesso. /
Napoleon Hill,
tradução e epílogo
de M. Conte Jr. –
Porto Alegre:
CDG, 2014.
200p.
ISBN 978-85-
68014-00-4


 
1. Literatura -
ficção. I. Conte
Jr., M. II.
Título.
CDU 820-3
Bibliotecária Responsável: Ana Lígia Trindade CRB/10-1235
Dados técnicos do livro
Fontes: Times New Roman, Arial Papel: lux cream 70g (miolo) e supremo
240g (capa) Medidas: 15,8x23cm *Autor de mais de 100 milhões de cópias
vendidas segundo a Fundação Napoleon Hill


SUMÁRIO
Capítulo Um
MEU PRIMEIRO ENCONTRO COM ANDREW CARNEGIE
Capítulo Dois
UM NOVO MUNDO SE REVELA PARA MIM
Capítulo Três
UMA ESTRANHA ENTREVISTA COM O DIABO
Capítulo Quatro
ALIENANDO-SE COM O DIABO
Capítulo Cinco
A CONFISSÃO CONTINUA
Capítulo Seis
RITMO HIPNÓTICO
Capítulo Sete
SEMENTES DO MEDO
Capítulo Oito
PROPÓSITO DEFINIDO
Capítulo Nove
EDUCAÇÃO E RELIGIÃO
Capítulo Dez
AUTODISCIPLINA
Capítulo Onze
APRENDENDO COM A ADVERSIDADE
Capítulo Doze
AMBIENTE, TEMPO, HARMONIA E PRECAUÇÃO
RESUMO
EPÍLOGO


+ ESPERTO QUE O DIABO
Pelo homem que quebrou o código do Diabo e o forçou a confessar.
O  mais  corajoso  e  inspirador  de  todos  os  livros  de  autoconhecimento,
escrito pelo filósofo do sucesso número 1 da América, que, após trinta anos
de  pesquisas,  achou  o  Diabo  e  arrancou  dele  uma  confissão  fantástica,
revelando onde ele mora, por que ele existe, como ele ganha o controle da
mente das pessoas e o principal: como qualquer um pode vencê-lo. Este livro
é um curso generoso em psicologia, deixando claros os princípios de como
funciona a mente humana. Quando você terminar esta história do Diabo,
você saberá muito mais sobre Deus.
Por Napoleon Hill
Autor de Pense e enriqueça


P
Capítulo Um
MEU PRIMEIRO ENCONTRO COM ANDREW CARNEGIE
or mais de um quarto de século, meu principal objetivo foi o de separar e
organizar, em uma filosofia de realizações, as principais causas tanto do
fracasso como do sucesso, com o objetivo de ser útil a todos os outros que não
têm  nem  a  inclinação  nem  a  oportunidade  de  se  engajar  nesse  tipo  de
pesquisa.
Meu trabalho começou em 1908, como resultado de uma entrevista que
fiz com Andrew Carnegie. Eu, francamente, contei ao senhor Carnegie que
eu tinha concebido a ideia de entrar para a faculdade de Direito e que eu
havia pensado em pagá-la entrevistando homens e mulheres bem-sucedidos,
descobrindo  como  eles  conseguiam  sucesso  e  descrevendo  as  minhas
descobertas para revistas. No final de minha visita, o senhor Carnegie me
perguntou se eu tinha ou não coragem para realizar algo que ele estava para
me oferecer. Respondi que coragem era tudo o que eu tinha e que estava
preparado para dar o meu melhor, independentemente da proposta que ele
tinha a me oferecer.
Ele então disse:
“A  sua  ideia  de  escrever  histórias  sobre  homens  e  mulheres  bem-
sucedidos é memorável enquanto ideia, e eu não tenho nenhuma intenção
de tentar desencorajá-lo de cumprir o seu objetivo. Mas eu preciso lhe dizer
que, se você realmente quer fazer um serviço que seja útil, não somente para
as pessoas de hoje, mas também que dure para toda a posteridade, ocupe o
seu tempo organizando, baseado nessas histórias, as causas do fracasso e do
sucesso  dessas  pessoas.  Há  milhões  de  pessoas  no  mundo  que  não  têm  a
menor  concepção  das  causas  do  sucesso  e  do  fracasso.  As  escolas  e
faculdades ensinam praticamente tudo, exceto os princípios de realização
pessoal. Eles exigem que jovens, homens e mulheres, passem de quatro a oito
anos adquirindo conhecimentos abstratos, mas não os ensinam o que fazer
com esse conhecimento depois de tê-lo.
“O  mundo  está  precisando  de  uma  filosofia  de  realização  prática  e
inteligível, organizada a partir de conhecimento resultante da experiência de
homens e mulheres da grande universidade da vida. Em todo o campo da
filosofia,  eu  não  encontro  nada  que  se  assemelhe  ao  tipo  de  filosofia  que
tenho  em  mente.  Nós  temos  muito  poucos  filósofos  que  são  capazes  de
ensinar a homens e mulheres a arte de viver. Parece, para mim, que há uma
oportunidade  que  deveria  desafiar  um  jovem  ambicioso  do  seu  tipo,  mas
ambição  pura  não  basta  para  essa  tarefa  que  eu  sugeri.  Aquele  que  ousar
seguir minha sugestão deverá ter coragem e tenacidade.
“O  trabalho  demandará  pelo  menos  vinte  anos  de  esforço  contínuo,
durante o qual aquele que topar terá que ganhar a vida com outra fonte de


renda,  porque  esse  tipo  de  pesquisa  nunca  é  lucrativo  no  seu  início,  e
geralmente  os  poucos  que  se  aventuraram  a  contribuir  para  a  civilização
através de trabalhos dessa natureza tiveram que esperar cem anos ou mais
após seus próprios funerais para receber reconhecimento pelo seu feito. Se
você prosseguir com esse trabalho, deve entrevistar não somente os poucos
que foram extraordinariamente bem-sucedidos, mas também os muitos que
fracassaram.  Você  deve  cuidadosamente  analisar  milhares  de  pessoas  que
foram  classificadas  de  ‘fracassadas’  –  e  eu  quero  dizer  com  o  termo
‘fracassado’ homens e mulheres que chegam aos estágios finais de suas vidas
desapontados  porque  não  conseguiram  alcançar  as  metas  que  haviam  se
proposto  de  coração.  Tão  inconsistente  como  parece  ser,  você  aprenderá
muito mais como ser bem-sucedido a partir dos fracassos do que com o tão
chamado ‘sucesso’. Eles lhe ensinarão o que não fazer.
“Na parte final da sua pesquisa, se você conseguir com sucesso manter o
foco, fará uma descoberta que poderá ser uma grande surpresa. Descobrirá
que a causa para o sucesso não é algo separado e longe do homem, mas que é
uma força tão intangível na natureza, que a maioria dos homens nunca a
reconhece; uma força que pode muito bem ser chamada de ‘Outro Eu’. O
mais  interessante  é  o  fato  de  que  este  ‘outro  eu’  raramente  exerce  sua
influência ou se faz conhecer, exceto em momentos de emergência, quando
os  homens  são  forçados,  por  meio  das  adversidades  e  das  derrotas
temporárias,  a  mudar  seus  hábitos  e  pensar  estratégias  para  sair  das
dificuldades. Minha experiência me ensinou que um homem nunca está tão
perto do sucesso como quando o que ele chama de ‘fracasso’ toma conta de
sua vida, porque nessas ocasiões ele é forçado a pensar. Se ele pensar com
exatidão  e  com  persistência,  vai  descobrir  que  aquilo  que  ele  chama  de
fracasso, na verdade, nada mais é que um sinal para elaborar um novo plano
ou objetivo. A maior parte dos fracassos reais se deve a limitações que os
homens impõem a si mesmos em suas próprias mentes. Se eles tivessem
a coragem de ir mais um passo à frente, eles descobririam os seus próprios
erros.”
Começando uma vida nova
O discurso do senhor Carnegie reformulou a minha vida por completo e
plantou em minha mente um desejo ardente, que me orientou sem cessar.
Isso aconteceu mesmo eu não tendo a mais vaga ideia do que significava o
termo o “Outro Eu”.
Durante o meu trabalho de pesquisa nas causas de fracasso e sucesso, tive
o  privilégio  de  analisar  mais  de  25  mil  homens  e  mulheres  que  eram
rotulados de “derrotados”, e mais de 500 que eram classificados de “bem-
sucedidos”. Muitos anos atrás, tive meu primeiro contato com aquele “Outro
Eu” que o senhor Carnegie havia mencionado. A descoberta veio como ele


disse que viria: como resultado de dois pontos cruciais da minha vida, mas
que foram, na verdade, emergências e que me forçaram a pensar um jeito de
vencer  as  minhas  dificuldades  de  tal  maneira  que  eu  nunca  havia
experimentado.
Gostaria  que  fosse  possível  descrever  essa  descoberta  sem  o  uso  do
pronome pessoal “eu”, mas isso é impossível, visto que ela ocorreu através de
experiências  pessoais  que  não  podem  ser  separadas.  Para  dar  uma  visão
completa  da  descoberta,  terei  que  voltar  ao  primeiro  desses  dois  pontos
marcantes da minha vida e mostrar, passo a passo, essa descoberta.
Para realizar a pesquisa, com a compilação de dados, foram necessários
anos de trabalho. Eu tinha chegado à falsa conclusão de que minha tarefa
de  organizar  uma  filosofia  completa  de  sucesso  pessoal  havia  terminado.
Longe de estar completo, meu trabalho havia apenas começado. Eu havia
erigido o esqueleto de uma filosofia, organizando os dezessete princípios do
sucesso e as trinta maiores causas do fracasso, mas aquele esqueleto tinha
que ser coberto com a carne da realização e da experiência. Além disso, tinha
que ser dada ao trabalho uma alma que inspirasse homens e mulheres a não
somente transporem obstáculos, mas também a não se deixarem abater por
eles.
A “alma”, que ainda teria que ser adicionada, como eu descobri depois,
somente se tornaria disponível após aparecer o meu “outro eu”, através dos
dois  pontos  cruciais  da  minha  vida.  Resolvendo  focar  a  minha  atenção  e
quaisquer talentos que eu por ventura tivesse em retornos monetários através
de canais de negócios, decidi dedicar-me à profissão de publicitário. Tornei-
me,  então,  o  gerente  de  publicidade  do  curso  de  extensão  La  Salle  da
Universidade de Chicago. Tudo correu maravilhosamente bem durante um
ano. Entretanto, no final desse ano, fui tomado por um violento desgosto
pelo meu trabalho e, então, me demiti.
Posteriormente, ingressei no ramo de cadeias de lojas, juntamente com o
ex-presidente  da  Universidade  de  Extensão  La  Salle.  Logo  me  tornei
presidente  da  Cia.  de  Doces  Betsy  Ross.  Porém  desacordos  com  os  sócios
desse negócio fizeram com que eu saísse do empreendimento. A atração pela
propaganda ainda estava em meu sangue, e tentei novamente dar expressão
a ela. Organizei uma escola de propaganda e vendas, como uma parte da
Escola de Negócios Bryant & Stratton.
O  empreendimento  navegava  em  águas  tranquilas  e  muito  dinheiro
entrava rapidamente. Foi então que os Estados Unidos tomaram parte da
Primeira Guerra Mundial. Em resposta a um chamado interior, que palavras
não conseguem descrever, saí da Escola e entrei para o serviço do governo
dos Estados Unidos, sob a direção pessoal do presidente Woodrow Wilson,
deixando um negócio fantástico desintegrar-se.
No dia do armistício, em 1918, comecei a atuar na publicação da revista
Golden Rule (Regra de Ouro, na tradução livre). Apesar do fato de eu não ter


nenhum  centavo  de  capital,  a  revista  cresceu  rapidamente  e  em  pouco
tempo  ganhou  circulação  nacional,  chegando  a  quase  meio  milhão  de
exemplares,  finalizando  seu  primeiro  ano  de  negócios  com  um  lucro  de
3,156 mil dólares. Alguns anos depois, aprendi com um experiente executivo
de uma empresa de publicações que nenhum homem capaz naquele ramo
pensaria em começar uma revista tal como esta com menos do que 500 mil
dólares de capital.
A revista Golden Rule e eu estávamos destinados a nos separar. Quanto
mais  sucesso  alcançávamos,  mais  descontente  eu  me  tornava.  Até  que,
finalmente, devido a um acúmulo de perturbações causadas por sócios no
negócio, dei a revista como um presente a eles e deixei o negócio. Com essa
atitude, provavelmente joguei fora uma pequena fortuna.
Logo após, organizei uma Escola de Treinamento para vendedores. Minha
primeira missão era treinar um exército de vendas de 3 mil pessoas para uma
rede de lojas. Receberia 10 dólares para cada vendedor que frequentasse a
minha aula. Dentro de seis meses, esse trabalho havia me rendido um pouco
mais de 30 mil dólares. O Sucesso, em termos financeiros, estava coroando
meus  esforços  com  abundância.  Novamente  meu  espírito  estava
descontente.  Eu  não  estava  feliz.  Tornava-se,  a  cada  dia,  mais  óbvio  que
nenhuma quantidade de dinheiro, em algum momento, me faria feliz.
Sem a menor desculpa razoável por minhas ações, saí do negócio e desisti
de  um  empreendimento  no  qual  teria  facilmente  recebido  um  salário
satisfatório. Meus amigos e sócios no negócio pensaram que eu estava louco, e
eles não estavam tão errados nos seus pensamentos. No fundo, eu estava
inclinado  a  concordar  com  eles,  mas  parecia  que  não  havia  nada  que  eu
pudesse fazer para mudar de ideia. Procurava pela felicidade e ainda não a
tinha  encontrado.  Pelo  menos,  essa  é  a  única  explicação  que  eu  poderia
oferecer para justificar as minhas atitudes um tanto quanto inusitadas. Qual
o homem que realmente conhece a si mesmo?
Isso aconteceu no final do outono de 1923. Eu me sentia solitário em
Columbus, Ohio, sem recursos e, pior ainda, sem nenhum plano para me tirar
daquela situação difícil. Na verdade, era a primeira vez na vida que eu estava
acuado devido à falta de recursos. Em muitas ocasiões, já havia passado por
momentos de aperto, mas nunca antes havia faltado dinheiro a tal ponto de
eu não conseguir suprir as minhas necessidades pessoais. A experiência me
assombrou: eu parecia estar totalmente à margem do que poderia ou deveria
fazer.
Pensei em uma dúzia de jeitos de conseguir resolver os meus problemas,
mas descartei-os todos: eram impraticáveis e impossíveis de realizar. Me senti
como alguém que estava perdido em uma selva, sem uma bússola sequer.
Toda  tentativa  que  eu  fazia  para  me  tirar  da  dificuldade  acabava  me
trazendo de volta para o ponto de partida.
Por quase dois meses, sofri com a pior das doenças humanas: a indecisão.


Eu  conhecia  os  dezessete  princípios  da  realização  pessoal,  mas  não  sabia
como aplicá-los. Sem saber, estava encarando uma daquelas emergências da
vida de que o senhor Carnegie havia me falado, situações essas em que os
homens muitas vezes descobrem os seus “Outros Eus”. Meu estresse era tão
grande que em nenhum momento me ocorreu sentar, analisar a sua causa e
procurar a sua cura.
Derrota é convertida em vitória
Uma tarde, tomei uma decisão que me ajudou a sair daquela situação. Eu
tinha um sentimento de que o que eu realmente desejava era sair para os
“espaços abertos do país”, onde poderia respirar ar fresco e, principalmente,
pensar.
Comecei a caminhar e já havia percorrido mais ou menos sete ou oito
milhas  quando,  de  repente,  me  vi  parado.  Por  muitos  minutos,  fiquei  ali
como se estivesse com os pés colados. Tudo na minha volta tornou-se escuro.
Eu  podia  ouvir  o  som  estridente  de  alguma  forma  de  energia  que  estava
vibrando a uma frequência muito alta.
Então  meus  nervos  aquietaram-se,  meus  músculos  relaxaram  e  uma
grande  calma  tomou  conta  de  mim.  A  atmosfera  começou  a  clarear  e,
enquanto  isso  ocorria,  recebi  um  comando  de  meu  interior,  que  veio  na
forma de um pensamento, tão perto quanto eu posso descrevê-lo.
O  comando  era  tão  claro  e  distinto,  que  não  havia  meios  de  eu  não
entendê-lo. Na essência, ele disse: “Chegou o momento de você completar a
filosofia  de  sucesso  que  você  começou,  seguindo  a  sugestão  de  Carnegie.
Volte para casa de uma vez por todas e comece a transferir os dados que você
juntou da sua própria mente, transformando-os em manuscritos”. O meu
“Outro Eu” havia acordado.
Por  alguns  minutos,  permaneci  aterrorizado.  Essa  experiência  não  era
parecida  com  nada  que  eu  houvesse  experimentado  antes.  Eu  virei  e
caminhei rapidamente até chegar em casa. Quando me aproximei de casa, vi
meus três filhos olhando pela janela para as crianças do vizinho, que estavam
decorando uma árvore de Natal. Então, me lembrei que era véspera de Natal.
Para completar, me dei conta, com um sentimento de pura tristeza, tal qual
eu jamais havia experimentado, de que não haveria árvore de Natal na nossa
casa.  O  olhar  de  desapontamento  no  rosto  das  minhas  crianças  me  fez
lembrar desse fato com muita dor.
Entrei em casa, sentei em frente à minha máquina de escrever e comecei
de uma vez por todas a transcrever todas as descobertas que eu havia feito,
relacionadas às causas de sucesso e fracasso. No instante em que coloquei a
primeira  folha  de  papel  na  máquina,  fui  interrompido  pelo  mesmo
sentimento  estranho  que  havia  me  ocorrido  algumas  horas  antes.  E  este


pensamento passou de forma muito clara na minha mente.
“Sua  missão  nesta  vida  é  completar  a  primeira  filosofia  de  sucesso  e
realização  pessoal.  Você  tem  tentado  em  vão  escapar  da  sua  tarefa,  cada
esforço trazendo fracasso para você. Você está procurando pela felicidade.
Aprenda esta lição, de uma vez por todas: você somente achará a alegria
ajudando outros a encontrá-la. Você tem sido um estudante teimoso. Você
tinha que ser curado da sua teimosia através de desapontamentos sucessivos.
Dentro de poucos anos, o mundo todo começará uma experiência na qual
milhões  de  pessoas  que  necessitam  desta  filosofia  terão  acesso  a  ela,
justamente devido a este direcionamento que você recebeu para completá-
la. A sua grande oportunidade de achar a felicidade prestando um serviço
útil terá chegado. Vá trabalhar e não pare até que você tenha completado e
publicado os manuscritos que você começou.”
Eu estava consciente de ter chegado ao final do arco-íris da vida e estava
feliz!
A dúvida aparece
O “feitiço”, se é que essa experiência pode ser assim chamada, passou.
Comecei a escrever e, pouco depois, fui sugestionado pela minha “razão” e
pensei que talvez eu estivesse entrando numa missão estúpida. A ideia de
que  um  homem  que  estava  em  plena  depressão  e  praticamente  falido
pudesse escrever uma filosofia de sucesso pessoal me parecia tão fantasiosa
que ri vigorosamente e acabei dando gargalhadas.
Me arrumei na cadeira, passei os dedos pelo meu cabelo e tentei criar um
álibi que justificaria à minha própria mente que eu deveria tirar o papel da
máquina  de  escrever  antes  de  começar.  Mas  a  vontade  de  continuar  era
muito mais forte do que o desejo de desistir, e acabei me reconciliando com a
minha tarefa e segui em frente.
Olhando aos eventos passados, agora sob a ótica de tudo o que aconteceu,
posso ver que essas pequenas experiências de adversidade, pelas quais passei,
foram  entre  as  mais  enriquecedoras  e  lucrativas  de  todas  as  minhas
vivências. Elas na verdade foram bênçãos, porque me forçaram a continuar
um trabalho que finalmente me trouxe uma oportunidade para me fazer
mais  útil  ao  mundo  do  que  eu  jamais  teria  sido  caso  tivesse  sido  bem-
sucedido em quaisquer dos planos ou objetivos anteriores.
Por  quase  três  meses,  trabalhei  nesses  manuscritos,  finalizando-os
durante o começo de 1924. Assim que os completei, me senti novamente
compelido a voltar ao grande jogo dos negócios americanos.
Sucumbindo  ao  meu  desejo,  comprei  a  Faculdade  de  Negócios
Metropolitana  em  Cleveland,  Ohio,  e  comecei  a  organizar  os  planos  para
aumentar  a  sua  capacidade.  No  final  de  1924,  tínhamos  desenvolvido  e


expandido,  adicionando  novos  cursos.  Havíamos  dobrado  os  números,
considerando o melhor momento que a escola já tinha vivido.
Novamente, o germe do descontentamento começou a se fazer sentir em
meu  sangue.  Mais  uma  vez,  eu  sabia  que  não  poderia  achar  a  felicidade
neste tipo de empreendimento. Repassei o negócio aos meus sócios e fui para
a plataforma de palestras, falando sobre a filosofia de realização e sucesso
pessoal, para a organização pela qual eu havia devotado tantos dos meus anos
anteriores.
Uma noite, estava marcado para eu palestrar em Canton, Ohio. O destino,
ou o que quer que algumas vezes pareça moldar o futuro dos homens, não
importasse  o  quanto  eu  tentasse  lutar  contra  ele,  novamente  me  colocou
cara a cara com uma nova e muito dolorosa experiência.
No meu auditório em Canton estava sentado Don R. Mellett, responsável
pela publicação do Canton Daily News. O Sr. Mellett ficou tão interessado na
filosofia de realização e sucesso pessoal da minha palestra naquela noite que
me convidou para visitá-lo no dia seguinte.
Essa visita resultou em um acordo de parceria que era para ter acontecido
no dia 1o de janeiro seguinte, quando o senhor Mellett planejava renunciar
ao cargo de chefe da publicação do Daily News para se encarregar do negócio
e  da  publicação  da  filosofia  na  qual  eu  estava  trabalhando.  Contudo,  em
julho  de  1926,  o  Sr.  Mellet  foi  morto  por  Pat  McDermott,  uma  figura
carimbada  do  submundo,  e  um  policial  de  Canton,  sendo  ambos
posteriormente sentenciados à prisão perpétua. Ele foi morto porque estava
expondo em seu jornal uma ligação entre os bandidos e alguns membros da
polícia de Canton. O crime foi um dos mais chocantes que a Era da Proibição
já produziu.
O acaso (?) salva minha vida
Na manhã seguinte à morte do senhor Mellet, fui chamado no telefone
por uma pessoa desconhecida que me alertou de que eu teria uma hora para
sair de Canton e de que eu poderia ir voluntariamente dentro de uma hora,
mas se eu esperasse mais tempo eu provavelmente iria dentro de um caixão.
Minha  associação  com  o  senhor  Mellett  havia  aparentemente  sido  mal
interpretada. Seus assassinos decerto acreditavam que eu estava conectado
de forma direta à exposição que ele vinha fazendo em seus jornais.
Não esperei acabar o meu limite de uma hora, mas imediatamente entrei
no meu carro e dirigi para a casa de parentes nas montanhas a oeste de
Virgínia, onde fiquei até que os assassinos tivessem sido colocados na prisão.
Essa experiência veio bem dentro da categoria descrita pelo senhor Carnegie
como “uma emergência” que força homens a pensarem. Pela primeira vez na
minha  vida,  conheci  a  dor  do  medo  constante.  A  minha  experiência  de


alguns anos anteriores, em Columbus, havia preenchido a minha mente com
dúvida e indecisão temporária, mas esta preencheu a minha mente com um
medo que parecia impossível de remover. Durante o tempo em que eu estava
escondido,  raramente  deixava  a  casa  à  noite  e,  quando  saía,  mantinha
minha mão em uma pistola automática levada no bolso do casaco, mantida
destravada para ação imediata. Se um automóvel estranho parasse em frente
à casa onde eu estava escondido, eu ia imediatamente para o porão e, com
cuidado, escrutinava os seus ocupantes através das janelas.
Depois de alguns meses convivendo com esse tipo de experiência, meus
nervos começaram a sentir. A coragem sumiu por completo, assim como a
ambição que eu tinha em meu coração durante os longos anos de trabalho
em busca das causas do fracasso e do sucesso também partiu.
Vagarosamente,  passo  a  passo,  me  senti  caindo  num  estado  de  total
letargia da qual eu temia que jamais conseguisse emergir. O sentimento deve
ter sido o mesmo que aqueles que pisam na areia movediça sentem, quando
se dão conta de que cada esforço que fazem para tirá-los da areia apenas leva
mais para o fundo. O medo é uma areia movediça que se retroalimenta.
Se  a  semente  da  insanidade  estivesse  presente  na  minha  constituição
física, certamente ela teria germinado durante esses meses subsistindo como
um morto-vivo. Indecisão completa, sonhos irresolutos, dúvidas e medo eram
tudo o que a minha mente experimentava dia e noite.
A “emergência” que eu encarei fora desastrosa por dois motivos. Primeiro,
a  verdadeira  natureza  dessa  emergência  me  manteve  num  estado  de
constante  indecisão  e  medo.  Segundo,  esse  enclausuramento  forçado  me
deixou em estado de tensão constante. Eu tendia a me preocupar com o peso
do tempo que passava.
A minha faculdade da razão tinha sido quase paralisada. Me dei conta de
que precisava trabalhar a minha mente para sair desse estado mental. Mas
como? Os recursos que tinham me ajudado a resolver todas as emergências
anteriores  da  minha  vida  parece  que  criaram  asas  e  me  deixaram
completamente à mercê da situação.
Além  de  todas  as  dificuldades  que  eu  estava  enfrentando  até  esse
momento,  outra  situação  que  parecia  mais  dolorosa  que  todas  as  outras
combinadas surgiu. Era a tomada de consciência de que eu havia gasto a
maior parte dos meus últimos anos em busca do arco-íris, procurando aqui e
lá pelas causas do sucesso, e me achando agora neste exato momento mais
fraco e incapacitado do que qualquer uma das 25 mil pessoas às quais eu
havia julgado como sendo “fracassos”.
Esse pensamento era quase que enlouquecedor. Além disso, era também
extremamente humilhante, porque eu estava palestrando por todo o país em
escolas e faculdades e para organizações de comércio, tentando contar às
outras pessoas como aplicar os 17 princípios do sucesso, enquanto aqui estava


eu, incapaz de aplicá-los para mim mesmo. Estava certo de que nunca mais
poderia encarar o mundo com um sentimento de confiança.
Toda  vez  em  que  me  olhava  no  espelho,  notava  uma  expressão  de
desgosto próprio na minha face, e frequentemente disse coisas ao homem no
espelho que não devem ser escritas. Eu havia começado a tomar o lugar na
categoria dos charlatões que oferecem a outros um remédio para a cura que
eles não conseguem aplicar com sucesso a si mesmos.
Os  criminosos  que  assassinaram  o  senhor  Mellett  foram  julgados  e
mandados  para  a  prisão  perpétua;  por  isso,  seria  perfeitamente  seguro,
considerando onde eles estavam, sair do meu esconderijo e novamente tocar
o  meu  trabalho.  Contudo,  não  conseguia  sair  porque  agora  encarava
circunstâncias mais aterrorizantes do que aquela que havia sido criada pelos
assassinos.
A experiência destruíra qualquer tipo de iniciativa que eu havia possuído.
Eu  sentia  uma  influência  de  tal  modo  depressiva  que  tudo  parecia  um
pesadelo. Estava vivo e poderia me mover, mas não conseguia pensar em um
único movimento por meio do qual eu pudesse continuar a procurar pela
meta  que  eu  tinha  estipulado  para  mim  mesmo,  baseado  na  sugestão  do
senhor Carnegie. Estava rapidamente me tornando indiferente não apenas a
mim  mesmo,  mas,  pior  ainda,  começava  a  me  tornar  mal-humorado  e
irritado  com  aqueles  que  haviam  me  oferecido  abrigo  durante  a  minha
“emergência”.
Encarei a maior emergência da minha vida. A menos que tenha passado
por uma experiência similar, você não consegue imaginar como me senti. Tais
experiências não conseguem ser descritas. Para serem entendidas, devem ser
sentidas.
O momento mais dramático da minha vida
A virada veio de repente, no outono de 1927, mais de um ano após o
incidente de Canton. Deixei a casa em uma noite e caminhei para o prédio
da escola pública que se situava no topo de uma montanha acima da cidade.
Eu havia chegado a uma decisão de lutar contra tudo aquilo antes que a
noite acabasse. Comecei a caminhar em volta do edifício, tentando forçar
meu cérebro confuso a pensar com clareza. Devo ter dado centenas de voltas
ao  redor  do  prédio  antes  que  qualquer  coisa  que  se  assemelhasse  a  um
pensamento  organizado  pudesse  cruzar  a  minha  mente.  Enquanto
caminhava, repetia constantemente para mim mesmo: “Existe uma saída e
vou achá-la antes de voltar pra casa”. Devo ter repetido essa frase mil vezes.
Além disso, estava decidido a fazer exatamente o que eu estava dizendo a
mim mesmo. Estava totalmente desgostoso comigo mesmo, mas ensaiei uma
esperança de salvação.


Então, como um raio que cai de um céu claro, uma ideia explodiu em
minha mente com tal força que o impulso fez com que meu sangue subisse e
descesse das minhas veias de forma abrupta: “Este é o seu período de teste.
Você foi reduzido à pobreza e humilhado para que pudesse ser forçado a
descobrir o seu outro eu”.
Pela primeira vez em anos, recordei o que o senhor Carnegie dissera sobre
este  “outro  eu”.  Nesse  momento,  lembrei-me  que  ele  havia  dito  que  eu
descobriria este outro eu no final do meu trabalho de pesquisa pelas causas
de  fracasso  e  sucesso,  e  ainda  recordei  que  ele  disse  que  a  descoberta
normalmente viria como resultado de uma emergência, quando homens são
forçados a mudar os seus hábitos e pensar formas de sair da dificuldade.
Continuei  caminhando  ao  redor  da  escola,  só  que  agora  eu  estava
flutuando. Inconscientemente, parecia saber que estava para ser liberado da
prisão que havia feito a mim mesmo.
A partir desse momento, me dei conta de que esta grande emergência
havia  me  trazido  uma  oportunidade  não  somente  para  descobrir  o  meu
“outro eu”, mas também para testar a eficácia da filosofia de sucesso que eu
vinha ensinando a outros como sendo algo palpável e realizável. Brevemente,
eu saberia se ela funcionaria ou não. Tomei a decisão de que, se ela não
funcionasse, eu queimaria todos os manuscritos e nunca mais me sentiria
culpado  por  tentar  provar  aos  outros  que  eles  eram  “os  mestres  de  seus
destinos, os capitães de suas almas”.
A  lua  cheia  estava  recém  cobrindo  o  topo  da  montanha.  Eu  nunca  a
havia  visto  brilhar  tão  intensamente  antes.  Enquanto  a  estava
contemplando,  outro  pensamento  cruzou  a  minha  mente:  “Você  tem
mostrado  às  outras  pessoas  como  dominar  o  medo  e  como  sobrepujar  as
dificuldades que surgem nas emergências da vida. De agora em diante, você
pode falar com autoridade, porque está a ponto de superar as suas próprias
dificuldades com coragem e objetivo, resoluto e destemido”.
Com este pensamento veio uma mudança na química do meu ser que me
elevou  a  um  estado  de  euforia  que  eu  nunca  havia  experimentado.  Meu
cérebro começou a clarear, e o estado de letargia no qual ele se encontrava
começou a passar. A minha razão passou a trabalhar novamente.
Por um breve momento, estava feliz pelo privilégio de passar por longos
meses  de  tormento,  já  que  a  experiência  me  ofereceu  a  oportunidade  de
testar a eficácia dos princípios de sucesso, os quais eu vinha pesquisando de
forma inexorável.
Quando este pensamento surgiu, parei, uni os meus pés, saudei (eu não
sabia  o  que  ou  quem)  e  fiquei  rigidamente  em  estado  de  meditação  por
muitos minutos. Isso parecia, de início, uma atitude boba, mas, enquanto eu
estava lá de pé naquele estado, outro pensamento cruzou a minha mente em
forma de uma “ordem”, que era tão breve e instantânea quanto uma ordem


dada por um comandante militar a um subordinado.
A ordem dizia: “Amanhã, entre no seu carro e dirija até a Filadélfia. Lá
você receberá ajuda para publicar a sua filosofia do sucesso”.
Não havia nenhuma forma de explicação e qualquer tipo de modificação
da ordem. Tão logo a recebi, caminhei de volta para casa, fui para a cama e
dormi profundamente com uma paz de espírito tal que não experimentava
havia mais de um ano.
Quando  acordei  na  manhã  seguinte,  me  levantei  da  cama  e
imediatamente comecei a fazer as malas para a viagem à Filadélfia. Minha
razão me dizia que eu estava embarcando numa missão sem sentido. Quem
eu poderia conhecer na Filadélfia que pudesse me ajudar financeiramente a
publicar  oito  volumes  de  livros  a  um  custo  de  25  mil  dólares?  Eu  me
questionei.
Instantaneamente, ouvi em minha mente a resposta para essa questão de
forma tão clara como se as palavras tivessem sido ditadas em meu ouvido:
“Você agora está seguindo ordens, em vez de ficar fazendo perguntas. O seu
‘outro eu’ estará no comando durante toda esta viagem”.
Havia  outra  condição  que  parecia  fazer  a  minha  preparação  para  ir  à
Filadélfia  algo  que  beirava  o  absurdo.  Eu  não  tinha  dinheiro.  Esse
pensamento mal me havia ocorrido quando meu “outro eu” explodiu dando
uma ordem enfática: “Peça para o seu cunhado 50 dólares e ele emprestará
para você”.
A  ordem  parecia  definitiva  e  final.  Sem  qualquer  hesitação,  segui  as
instruções.  Quando  pedi  o  dinheiro  ao  meu  cunhado,  ele  disse:  “Claro,
certamente vou lhe emprestar os 50, mas, se você vai para tão longe, seria
melhor levar 100 dólares”. Agradeci a ele e disse que 50 dólares seriam o
suficiente. Sabia que não bastava, mas esta era a quantia que meu “outro eu”
havia me ordenado a pedir, e foi exatamente isso que fiz.
Eu estava bastante aliviado quando me dei conta de que meu cunhado
não ia me perguntar por que eu estava indo para a Filadélfia. Se ele soubesse
tudo  que  havia  se  passado  pela  minha  mente  na  noite  anterior,  talvez
pensasse que eu deveria ir para um hospital psiquiátrico em vez de sair em
busca do pote de ouro no final do arco-íris.
Meu “outro eu” assume o comando

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