Álvaro de Souza Gomes Neto


As características do Absolutismo



Baixar 172.79 Kb.
Pdf preview
Página3/11
Encontro29.10.2019
Tamanho172.79 Kb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9   10   11
As características do Absolutismo 

                             

Os  séculos  XVII  e  XVIII  foram  marcados  por  importantes  transformações  no  que  tratou  da 

história  de  Portugal.  A  Restauração,  realizada  em  1640  reinstalou  a  autonomia  política  do  Estado 

luso.  A partir daí  iniciou-se a busca pela consolidação do novo  governo, tendo como  consequência 

lógica um período de instabilidade, gerado pela transição. O reaparecimento de um Estado Nacional 

politicamente  independente,  em  Portugal,  inaugurou  uma  nova  fase  de  monarquias  absolutas, 

representadas por reis que, em maior ou menor intensidade, exerceram um poder centralizado. 

Ascenderam ao trono, no período entre a Restauração (1640) e o Tratado de Santo Ildefonso 

(1777), os seguintes reis: D. João IV (1640-1656), Dona  Luísa de Gusmão (1656-1662), D. Afonso 

VI (1662-1667), D. Pedro II (1668-1706), D. João V (1706-1750) e D. José I (1750-1777).

2

 

Esta  abordagem  não  objetiva  uma  análise  mais  aprofundada  do  processo  de  formação  dos 



Estados Modernos. É intenção, no entanto, expor algumas características, direcionando o estudo para 

as monarquias portuguesas dos séculos anteriormente citados. 

                                                           

1

 Doutor em História Iberoamericana. Professor horista da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.  



2

WEHLING, Arno e Maria José C. de. Formação do Brasil Colonial. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1994, p.153.  




A transição do feudalismo ao capitalismo é um dos temas mais polêmicos existentes entre os 

historiadores. Controverso, possibilitou, e ainda hoje o faz, amplas discussões entre especialistas no 

assunto.

3

 No ocaso desse processo define-se o Estado Moderno, também chamado Estado Nacional, 



ou  Estado  Absolutista,  como  resultado  de  ideias  ainda  divergentes.  Dessa  forma,  encontrar  uma 

definição fechada para o termo “absolutismo”, não se torna possível, em função do que foi exposto.  

Além da questão da definição do que foi o absolutismo na Europa, questiona-se o tempo de 

permanência  em  que  este  vigorou.  Esta  problemática  incide  exatamente  sobre  o  conceito  de 

absolutismo,  visto  alguns  autores  acharem  que  este  sistema  terminou  com  a  Revolução  Francesa,  e 

outros, no entanto, não concordarem.  



“...não  há  tal  meio  temporal  uniforme:  pois  os  tempos  dos 

absolutismos  mais  importantes  da  Europa  -  Oriental  e  Ocidental  - 

foram  ,  precisamente,  caracterizados  por  uma  enorme  diversidade, 

constitutiva ela mesma de sua natureza respectiva, enquanto sistemas 

estatais.  [...]...a  história  do  absolutismo  tem  múltiplos  e  sobrepostos 

pontos  de  partida  e  pontos  finais  díspares  e  escalonados.  A  sua 

unidade  subjacente  é  real  e profunda,  mas  não  é  a  de  um continuum 

linear”.

4

 

 

O  absolutismo  na  Espanha  foi  derrubado,  pela  primeira  vez,  em  fins  do  século  XVI,  mas  o 

absolutismo  russo  só  desapareceu  no  início  do  século  XX.

5

  Os  historiadores  marxistas  veem  o 



absolutismo  ligado  a  pontos  que  garantiram,  em  outros  moldes,  a  permanência  do  feudalismo.  O 

regime político da monarquia absoluta ligava-se a novas formas políticas, que garantiam o controle e 

a exploração feudal. Isto se dava através de uma economia mercantil.

6

 Esta ideia é ratificada por Hill, 



quando diz que “a monarquia absoluta foi uma forma  de monarquia feudal diferente das monarquias 

dos Estados medievais que a precedera”.

7

 

Para Engels, o poder do Estado, nos séculos XVII e XVIII, serviu como mediador, mantendo 



o  equilíbrio  entre  a  nobreza  e  o  povo.

8

  Na  opinião  de  Perry  Anderson,  o  advento  do  absolutismo 



apareceu  como  “uma  mudança  importante,  ocorrida  na  estrutura  do  Estado  aristocrático”.

9

  Nesse 



sentido, o autor considera que a resultante foi um aparelho real reforçado, tendo por função política 

permanente  reprimir  as  massas  dos  campos  e  das  cidades.

10

  Outros  historiadores,  não  marxistas, 



consideram  o  absolutismo  formado  a  partir  da  desestruturação  do  sistema  feudal.  Nessa  medida, 

                                                           

3

Em relação a isso ver SWEEZY, Paul, DOBB, Maurice, e outros. Do Feudalismo ao Capitalismo.  São Paulo: Martins Fontes, 1977. 



4

ANDERSON, Perry.  Linhagens do Estado Absolutista. São Paulo: Brasiliense, 1985, p.194. 

5

Idem, p.194. 



6

Louís Althusser. Montesquieu, a Política e a História.  In: ANDERSON,  ibidem, p.19. 

7

Christopher Hill.  Ciência e Sociedade In: ANDERSON,  ibidem,  p. 18. 



8

ENGELS, Friederich. A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado. Rio de Janeiro:Civilização Brasileira, 1979, p. 194. 

9

Op. cit., p.19. 



10

Idem, p.20. 




percebem  uma  transferência  do  poder  feudal  para  a  realeza,  afastando-se  de  uma  continuidade 

necessária.  Sob  esta  ótica,  Serrão  afirma  o  absolutismo  como  “um  sistema  político  dos  Estados 

nascidos com a Idade Moderna, onde se atribuía à realeza uma autoridade plena e de cariz divino”.

11

 



Assim, a autoridade do rei passou a controlar toda a estrutura político-institucional. A centralização 

política na pessoa do rei torna-se o ponto comum entre as diversas correntes historiográficas. 

No entanto, o conceito de absolutismo  revela-se mais complexo, se for entendido em  toda a 

sua dimensão política e sociológica. Isto acontece devido à complexidade dos fatores que o formaram 

e que acabaram aparecendo na sua própria estrutura. Esses fatores não surgiram com igual qualidade 

e  intensidade,  nem  no  mesmo  instante.  Seria  mais  correto  falar  em  absolutismos  do  que  em 



absolutismo,  embora idênticas,  são diversificadas as estruturas  políticas  absolutistas e até por vezes 

muito afastadas no tempo”.

12

    


As  transformações  econômicas  ocorridas  a  partir  dos  fins  da  Idade  Média,  aliadas  a  outros 

fatores, acabaram por centralizar a renda feudal no rei. Em vista disso, o absolutismo apareceu com 

funções econômicas próprias (não apenas no sistema de tributos), ampliando-se a partir da expansão 

marítima  e  da  formação  de  colônias.  Esse  sistema  político  aprofundou  raízes  na  força  dos  Estados, 

retirando os lucros da revolução econômica, fruto da expansão ultramarina. Os Estados autoritários, 

portanto,  passaram  a  representar  o  Antigo  Regime,  baseados  na  centralização  política  e  no 

colonialismo.

13

 



É  importante  ressaltar  o  fator  religioso,  atinente  ao  sistema  absolutista  nos  países  católicos. 

Na fundamentação do poder do rei encontrava-se a religião, que apareceu como última base da ação 

política. “O cetro que o rei detém deriva em última análise de Deus e a religião é, para ele, o que dá a 

essência à atuação régia”.

14

 Em função disso, o absolutismo veio imbuído, em certos países, de uma 



concepção  política  relacionada  à  religião  católica  romana.  Portugal  inseriu-se  nesse  contexto.  O 

binômio  política-religião,  atinente  a  estes  Estados,  caracterizou-se  no  século  XVII,  aliado  às 

mudanças econômicas e sociais. 

 



Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6   7   8   9   10   11


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal