Luana lais schwantes museu da cerveja


O ARQUITETO E A CRIAÇÃO DO PROGRAMA



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O ARQUITETO E A CRIAÇÃO DO PROGRAMA



    1. EMBASAMENTO TEÓRICO

“Compor hoje significa criar programas. Somos capazes de inventar ou propô-los, nós os misturamos, lhes damos suporte, os desnaturalizamos.” (SORIANO, apud FARINA; BARBOSA, 2010, pág. 94). Diferentemente de alguns anos atrás, quando o arquiteto era contratado apenas para projetar edifícios ou espaços e recebia o programa de necessidades a ser contemplado, hoje cabe a ele também decidir o que deve ser projetado, e qual o público alvo.

Os arquitetos são também urbanistas: como tais, têm condições para analisar a cidade e interpretar os desejos e anseios da comunidade. De posse de informações referentes ao sítio, aspectos econômicos, sociais e culturais, o profissional pode elaborar a relação de necessidades a serem sanadas e desenvolver sua proposta.



    1. ROTA DA CERVEJA

Em todo o território gaúcho, pode-se acompanhar o renascimento de microcervejarias. Essa volta às origens foi impulsionada com o surgimento da Dado Bier em Porto Alegre, no ano de 1995. Aliando diferentes combinações e experimentos, a Dado Bier tem uma linha de cervejas especiais que merecem destaque no mercado. Inicialmente, a cerveja era produzida artesanalmente e vendida diretamente para os clientes. A partir de 2004, passou a ser engarrafada e hoje podemos encontrá-la em vários mercados, não havendo mais restrições quanto ao público consumidor, podendo ser saboreada também em estados como Rio de Janeiro e São Paulo.

Atualmente, cidades como Feliz, Pareci Novo, Morro Reuter, Capela de Santana, Carazinho, Teutônia, Nova Petrópolis, Gramado, Canela, Santa Cruz do Sul, Ijuí, Novo Hamburgo, Alvorada, Bento Gonçalves, Eldorado do Sul, entre outras, já possuem microcervejarias em atividade. Com a crescente procura pela bebida diferenciada que elas oferecem, a tendência é de que muitos outros municípios passem a ter seu próprio negócio no ramo, oferecendo cervejas com sabores únicos, como as produzidas com o que há de mais tradicional em nosso Estado: a erva-mate, por exemplo.

A partir da constatação desse fato, levando em conta o potencial do município de Linha Nova em voltar a ter sua própria cervejaria, numa forma de resgatar sua história, e a presença de microcervejarias em municípios próximos, torna-se oportuno o surgimento de uma nova rota turística e cultural no Rio Grande do Sul: a Rota da Cerveja.


Imagem 4.1: Localização do município de Linha Nova

Fonte: http://www.linhanova.rs.gov.br/portal1/municipio/localizacao.asp?iIdMun=100143221
Com base no esquema de mapa acima, podemos estabelecer os municípios que seriam integrados à esta rota: Feliz, Linha Nova, Nova Petrópolis, Gramado e Canela. A escolha destes justifica-se pela sua proximidade e pela presença de microcervejarias. O ponto culminante da Rota da Cerveja viria a ser o Museu – proposto nesta pesquisa –, no município de Linha Nova, onde o visitante entraria em contato com a história da bebida.

O município de Feliz abriu espaço para o lançamento desta ideia: nos dias 08 e 09 de outubro de 2011, promoveu o 1º Encontro de Cervejarias Artesanais (anexo IV). O evento foi muito bem aceito pelo público (anexo V), que prestigiou a festa e degustou vários tipos de cerveja. Com o resultado, confirma-se a viabilidade da Rota da Cerveja, como forma de resgatar a história e potencializar o turismo da região.


Imagem 4.2: 1º Encontro de Cerv. Artesanais Imagem 4.3: Banda típica animando o 1º

Fonte: Autora, 2011 Encontro de Cervejarias Artesanais

Fonte: Autora, 2011





    1. MUSEU DA CERVEJA

O conceito de museu sofreu alterações desde a primeira vez que foi empregado e é uma tipologia arquitetônica que continua evoluindo. Já não temos mais a ideia de prédios estáticos, confinando grandes tesouros patrimoniais; vivemos uma cultura que quer interagir com o acervo, tornar o espectador o protagonista da exposição.

Embora o museu entendido como caixa tenha sobrevivido até hoje, revalorizado como reação a idéias dominantes de transparência e demonstrado até que ponto a idéia de neutralidade pode ser somente um simulacro, não há dúvida de que a partir da ruptura com as vanguardas, da dissolução dessa caixa fechada, foram abertos novos caminhos que tiveram continuidade com linhas próprias de expansão.

Em muitos aspectos, o museu contemporâneo rompeu sua escravidão em relação à caixa. Os museus urbanos podem ser caixas tão transparentes quanto um showroom. E os museus não urbanos, espalhados na paisagem, estão em contato direto com o lugar a que se referem, por exemplo, um sítio arqueológico ou industrial primitivo. Além disto, a própria existência de museus ao ar livre e de esculturas nos espaços públicos da cidade, demonstra a dissolução do conceito de contenedor. A caixa, convertida em cristal, acaba por se diluir. Os objetos antes abrigados no museu, libertam-se e caracterizam a cidade e a paisagem. (MONTANER, 1994, pág. 13).

Com o intuito de resgatar e preservar o patrimônio material e imaterial do município de Linha Nova concebe-se o Museu da Cerveja. Integrando os prédios centenários apresentados no decorrer desta pesquisa, o espaço será constituído de vários ambientes, abertos e fechados, e contará a história da cerveja, desde seu surgimento, o início da fabricação no Estado, a comercialização aos habitantes locais e a sua primordial participação na vida da comunidade: durante os festejos do Kerb.

Para a elaboração do programa, foi determinante a área escolhida para intervenção. Além do seu valor histórico e cultural, representa um pedaço pulsante dentro da cidade. Independente do crescimento e da expansão urbana, continuará sendo o núcleo central, a partir do qual se deu a ordenação do espaço. Assim, é oportuna a valorização e preservação do local, sem, no entanto, restringi-lo a instituição concluída. O projeto deve estimular a flexibilidade e adaptar-se às constantes mudanças de uma sociedade cada vez mais ativa.

Em conseqüência, o museu será formado por diferentes ambientes:


  • de uso específico, responsáveis pela transmissão dos fatos da história já consolidada; alterações ficarão restritas, de forma a proteger o “acervo”;

  • de uso sugerido, os quais poderão ser adaptados de acordo com o momento, o evento e a necessidade. A qualquer tempo, poderão retornar ao estado inicial de projeto;

  • de uso livre, permitindo aos usuários a construção de sua própria história, que poderá ser desfeita a qualquer momento ou vir a integrar e dar sequência à história já preservada pelo museu.

Com esta proposta, baseada em espaços dinâmicos, procura-se antecipar a inevitável desconstrução do projeto, uma das teorias de Tschumi, transcrita por FARINA e BARBOSA: “Tschumi insiste em que um programa arquitetônico é peça fundamental no sistema projetual. Mas é perda de tempo dos arquitetos pretenderem que um espaço possa ser concebido para abrigar eternamente uma mesma função.” (FARINA; BARBOSA, 2010, pág. 100).

Nesta estratégia, o programa proposto é complementado pelos programas inventados pelos usuários. Enquanto um delimita o lugar, o outro define o espaço, ressaltando a ideia de que um museu não é uma obra estanque.

O espaço do evento é mais que o espaço do programa. É o espaço que admite o aleatório do movimento e da presença. O evento do programa dá a pista de que o programa do evento possibilita, ao projetar, uma nova conceituação de espaço, fundamental para a arquitetura. (FARINA; BARBOSA, 2010, pág. 108)



    1. PROGRAMA DE NECESSIDADES E PRÉ-DIMENSIONAMENTOS

Considerando o levantamento feito até aqui, é chegado o momento de montar o programa de necessidades para o Museu da Cerveja. O espaço, além de contar a história da bebida, deverá preservar o patrimônio material e imaterial do município e representar um local onde as pessoas possam relaxar, interagir com os amigos e apreciar uma cerveja.

Para o projeto, serão consideradas 4 das 8 construções existentes na área de intervenção: centro de exposições, antiga residência, casa comercial e primeira cozinha da família Ritter. As mesmas foram selecionadas pelo seu valor histórico ou pela sua possibilidade de adequação à proposta.

Quanto aos usos:







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