Luana lais schwantes museu da cerveja


Os descendentes de Georg Ritter e a fabricação de cerveja



Baixar 10.72 Mb.
Página12/41
Encontro17.03.2020
Tamanho10.72 Mb.
1   ...   8   9   10   11   12   13   14   15   ...   41
Os descendentes de Georg Ritter e a fabricação de cerveja

Beiser (2009, pág. 9) lista os filhos de Georg Heinrich Ritter: Henrique, Carolina, Elizabeth, Carlos, Filipina, Jacó, Guilhermina, Catarina e Henriqueta do casamento com sua primeira esposa, Elizabeth Fuchs. Do segundo casamento, com sua cunhada Maria Margaretha Konrad Ritter, viúva de seu irmão Friedrich Georg Ritter, teve mais dois filhos: Phillip e Gustav. Georg também ajudou a criar seus sobrinhos e agora enteados: Maria Chistina, Elisabeth, Frederico Jacó, Susana Maria e Catharina (esta faleceu aos seis anos de idade).

De acordo com Bueno e Tailtelbaum (2009, pág. 64), Elisabeth, a enteada de Georg, casou-se com Wilhelm (ou Guilherme) Becker, um imigrante alemão que desembarcou em Porto Alegre no ano de 1869. Sem dinheiro, ele trabalhou no calçamento da Rua Cristovão Colombo e depois se mudou para Linha Nova, para trabalhar na cervejaria de quem, anos mais tarde, viria a ser seu sogro. Em 1978, já casado, ele voltou para Porto Alegre e, com a ajuda de Georg, abriu uma cervejaria na rua que ajudara a calçar.

Em 1889, aos 39 anos, Becker morreu vítima de silicose – moléstia pulmonar causada pela inalação de areia e pó de pedra. Henrique Ritter, filho de Georg Heinrich e meio-irmão da viúva, assumiu então a gerência da cervejaria Becker. Não por muito tempo, pois em 1890 Elizabeth casou-se com Bernhard Sassen, que assumia um negócio com o qual já estava familiarizado: em 1878 (...) ele já havia aberto sua própria cervejaria, a Sassen, em Porto Alegre. (BUENO; TAILTELBAUM, 2009, pág. 64)



Ainda segundo os mesmos autores, Henrique Ritter ficou satisfeito com o casamento da meia-irmã, pois não estava disposto a cuidar dos seus negócios. Queria seguir a trajetória de seu pai e de seu avô e assim, em 1894, na esquina das ruas Mostardeiro e Miguel Tostes, inaugurou a sua própria fábrica de cerveja.

Imagem 1.8: Cervejaria Ritter em 1897

Fonte: BEISER, 2009
Os filhos de Henrique, Frederico Augusto e Carlos, também permaneceram no ramo. Enquanto o primeiro formava-se mestre-cervejeiro na Alemanha, o segundo foi para Pelotas – cidade onde o seu tio-avô, Karl Ritter, possuía cervejaria desde 1872 – fundar a Cervejaria Ritter e Irmãos.

Em 1903, os dois irmãos se associaram e ergueram, no número 501 da Voluntários da Pátria, uma nova fábrica: H. Ritter e Filhos.


Imagem 1.9: Vista aérea da cervejaria Ritter



Fonte: BEISER, 2009

Imagem 1.10: Tonéis da cervejaria H. Ritter e Filhos em 1913

Fonte: BEISER, 2009
“Em 1907, Frederico casou-se com sua prima-segunda, Olga Becker, filha do falecido Wilhelm Becker (...).” (BUENO; TAILTELBAUM, 2009, pág. 65).

A Sassen ainda permanecia instalada na Cristovão Colombo e, em 1911, mais uma cervejaria se mudou para a mesma via: a afamada cervejaria Bopp, fundada por Karl Bopp em 1881. Em outubro daquele ano inaugurava-se a suntuosa sede e a Bopp se tornava a principal cervejaria do sul do Brasil. “O prédio, projetado por Theodor Wiederspahn e adornado por um impressionante conjunto da estatuária na fachada, parecia não deixar dúvidas quanto a isso.” (BUENO; TAILTELBAUM, 2009, pág. 65).


Imagem 1.11: Prédio da Cervejaria Bopp, inaugurado em 1911

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Pr%C3%A9dio_da_Cervejaria_Brahma_(Porto_Alegre)
Com as dificuldades enfrentadas pelas três maiores cervejarias gaúchas logo após a 1ª Guerra Mundial, as mesmas, unidas por uma rede de interesses familiares (Becker, Ritter, Sassen) ou comerciais (Bopp), “decidem, em julho de 1924, fundir-se em uma só.” (BUENO; TAILTELBAUM, 2009, pág. 65).

Surge assim a Cervejaria Continental, que, sob a razão social Bopp, Sassen, Ritter & Cia, instala-se na espetacular sede da Bopp, na Cristóvão Colombo, a rua que Wilhelm Becker ajudara a pavimentar...

A Continental foi mais que uma cervejaria. Pioneira da cultura da cevada cervejeira no Brasil, também foi a primeira a produzir e beneficiar malte genuinamente brasileiro. (BUENO; TAILTELBAUM, 2009, pág. 65).

Em 1946, após dois anos de negociações, a Continental veio a ser comprada pela Brahma. “Foi o fim de uma era.” (BUENO; TAILTELBAUM, 2009, pág. 66).




    1. O PATRIMÔNIO IMATERIAL DE LINHA NOVA

Grande festividade germânica, o Kerb é festejado anualmente em grande parte dos municípios de imigração alemã; na ocasião, lembra-se a data de fundação do povoado ou o padroeiro da igreja. Assim, cada comunidade, normalmente católica e evangélica, tem a sua data.

Uma vez que no município de Linha Nova a religião predominante é a Evangélica de Confissão Luterana, só há uma festa de Kerb. Como os protestantes não elegem padroeiros, seu Kerb é associado à data da inauguração da igreja. No entanto, na comunidade linhanovense, essa data, em algum momento, foi alterada. A inauguração da igreja ocorreu em 21 de setembro de 1890, enquanto o Kerb é comemorado no segundo domingo do mês de novembro, desde que este não ocorra antes do dia 13.

Nos dias atuais, a festa resume-se ao culto de domingo e a pequenas comemorações, realizadas por algumas famílias em suas casas. Antigamente, porém, a cidade inteira comemorava. Conforme as entrevistas realizadas com pessoas da comunidade (anexos I, II e III), o Kerb se resumia à maior festa da cidade, com realização de bailes durante vários dias seguidos. As moças mandavam fazer vestidos bonitos, enquanto os rapazes tratavam de providenciar o terno novo. Carneava-se um animal para obter a carne, que era preparada e assada no forno à lenha, e as mulheres se empenhavam em assar cucas, bolachas e os saborosos pães de ló. As famílias limpavam e enfeitavam suas casas para receber os amigos e familiares de longe, que, geralmente, ficavam hospedados para os dias de festa.

Havia vários salões de baile no município, mas o tradicional, lembrado por todos os entrevistados, era o da família Bauermann (anteriormente pertencente a Georg Heinrich Ritter). Os bailes eram regados à cerveja, música alemã e pratos de comida típica, como cuca, lingüiça e 3 tipos de saladas, geralmente rabanete, pepino e couve, esta preparada de uma forma semelhante ao que hoje denominamos de chucrute.

Vivemos em outra época. Nossos antepassados, em sua maioria agricultores, tinham a opção de programar suas atividades de forma a desprender a semana que antecedia o Kerb para os preparativos da grande festa. A família inteira se envolvia, afinal, tudo tinha que sair perfeito. Os móveis deveriam estar impecavelmente limpos, talheres brilhantes, pátios varridos e o jardim ricamente ornamentado com uma grande variedade de plantas.

Hoje, grande parte da população trabalha em indústrias e mesmo aqueles que continuam na agricultura, não podem mais interromper suas funções para organizar os festejos. Vivemos em um ritmo muito acelerado e inclusive as visitas de parentes e amigos se tornaram restritas. Se antes as pessoas se submetiam a vir de longe, a pé ou a cavalo, hoje não há tempo para se locomover de carro.

Nesse sentido, é inviável resgatar a tradição tal qual era no passado, com as comemorações no seio das famílias. No entanto, não há motivos para a comunidade deixar de celebrar. Com o ressurgimento da produção de cerveja na cidade, principal atrativo do Kerb, e a estruturação de um grande espaço aberto no entorno dos prédios que já abrigaram uma cervejaria e o popular salão de bailes, tem-se a possibilidade de voltar às origens e preservar um dos maiores patrimônios imateriais da cidade.

A festa pode ser incentivada pela administração municipal, que disponibilizará o local, enquanto uma comissão se responsabilizará pela organização e programação do evento. Com essa iniciativa, ganham a cultura, a comunidade e os visitantes.





  1. Compartilhe com seus amigos:
1   ...   8   9   10   11   12   13   14   15   ...   41


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal