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Capítulo 10

156

 LEITURA

A natureza se apresenta de modo particular na poesia gonçalvina. Ela é, ao 

mesmo tempo, registro de ambiente, projeção de sentimentos, imagem maior 

e simbólica da pátria. Foi pela natureza que Gonçalves Dias escolheu representar 

a saudade que sentia de sua terra natal, em seu exílio voluntário.

Nesse conhecidíssimo poema, Gonçalves Dias exprimiu a nostalgia causada 

pela distância da pátria por meio de dois símbolos da natureza que associa ao 

Brasil – a palmeira e o sabiá. Embora se saiba que os sabiás não cantam em 

palmeiras, a imagem poética de uma terra que apresenta exóticas palmeiras 

com sabiás cantando despertava no leitor do século XIX uma identificação com 

essa natureza paradisíaca, que só existiria no Brasil.

Gonçalves Dias demonstra em seu poema não apenas a chamada “inspiração 

romântica”, mas também seu trabalho racional de poeta, aliando ritmo, rimas e 

conteúdo num poema que resistiu ao tempo e com que vários outros poetas 

dialogaram.

Canção do exílio

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá;

As aves, que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,

Nossas várzeas têm mais flores,

Nossos bosques têm mais vida,

Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,

Que tais não encontro eu cá;

Em cismar – sozinho, à noite –

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,

Sem que eu volte para lá;

Sem que desfrute os primores

Que não encontro por cá;

Sem qu’inda aviste as palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

DIAS, Gonçalves. Canção do exílio. In: BRAIT, Beth (Org.). 

Gonçalves Dias: seleção de textos, notas,  

estudos biográfico, histórico e crítico. São Paulo: Abril Cultural, 1988. p. ó6-ó7. (Literatura Comentada).





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