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AMPLIAÇÃO Resistência à escravidão no Brasil colonial



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Resistência à escravidão no Brasil colonial

Os africanos e seus descendentes que foram escravizados no Brasil desenvolveram um longo e sistemá-

tico processo de resistência à escravidão. Sobre esse tema, leia as reflexões dos pesquisadores Kabengele 

Munanga e Nilma Lino Gomes.

O Quilombo dos Palmares

No final do século XVI, desenvolveu-se o Quilombo dos Palmares, o mais conhecido do Brasil. A palavra 

“quilombo” tem origem africana e significa fortaleza ou acampamento. O Quilombo dos Palmares, situado 

na Serra da Barriga, entre o que hoje são os estados de Pernambuco e Alagoas, resistiu cerca de um século, 

porque era formado por vários quilombos, que constituíam uma verdadeira fortaleza protegida por arma-

dilhas, fossos, muralhas de estacas e cercas de paliçada.

No seu interior, chegaram a viver é0 mil pessoas, entre homens, mulheres e crianças. A maioria da po-

pulação trabalhava nas plantações e, como a terra era propriedade coletiva, os trabalhadores tinham direito 

a uma parte do que produziam. Palmares também possuía oficinas, forjas e olarias, onde eram elaborados 

utensílios de metal, cerâmica e madeira.

Observe a representação que o pintor alemão Johann Moritz Rugendas fez de uma habitação da época.

Durante muitos anos, no Brasil, 

acreditou-se que o africano escravi-

zado sofreu de maneira passiva to-

dos os maus-tratos praticados pelos 

senhores. Essa crença interferiu e 

interfere, ainda hoje, no imaginário 

construído em nossa sociedade a 

respeito dos nossos antepassados 

africanos e dos seus descendentes 

na atualidade: os negros e as negras 

brasileiras.

É importante que saibamos qual 

a origem deste tipo de crença e como 

ela interfere na visão que temos so-

bre as pessoas negras e no modo 

como nos relacionamos com elas. 

Além de influir em nossas vidas das 

mais variadas formas, essa visão também tem efei-

tos na construção da autoestima e da identidade 

tanto das pessoas negras como das brancas.

Na realidade, a crença na passividade do afri-

cano escravizado no Brasil, na indolência, preguiça 

e em seu conformismo diante da escravidão trata-

-se de um equívoco histórico. 

[...]


Passando em revista a história do negro no Bra-

sil, descobriremos que esta não significou passivi-

dade e apatia, mas, sim, luta e organização. Para 

compreendermos as estratégias e formas de luta 

que foram criadas, é preciso considerar o momento 

histórico em que o africano escravizado vivia e o 

que significava ser negro e escravo no Brasil colô-

nia. Nesse sentido, quando pensamos a situação 

dos escravizados e dos libertos, também temos que 

considerar o tipo de sociedade existente naquele 

momento e as possibilidades desses sujeitos diante 

de um contexto que não previa nenhum tipo de 

integração e inserção social tanto dos escravizados 

como dos libertos na sociedade dos homens livres.

Essas ponderações são necessárias para que não 

se cometa o erro de querer encontrar nas formas e 

organizações negras que existiram durante a es-

cravidão o mesmo tipo de luta e organização dos 

movimentos sociais dos dias atuais. [...]

A esse processo de luta e organização negra 

existente desde a época da escravidão, podemos 

chamar de resistência negra. Várias foram as for-

mas de resistência negra durante o regime escra-

vocrata. Insubmissão às regras do trabalho nas 

roças ou plantações onde trabalhavam, os movi-

mentos espontâneos de ocupação das terras dis-

poníveis, revoltas, fugas, abandono das fazendas 

pelos escravos, assassinatos de senhores e de su-

as famílias, abortos, quilombos, organizações 

religiosas, entre outras, foram algumas estraté-

gias utilizadas pelos negros na sua luta contra a 

escravidão.

MUNANGA, Kabengele; GOMES, Nilma Lino. O negro no Brasil de hoje. São 

Paulo: Global; Ação Educativa, 2006. p. 6õ-69. 

Guerra dos Palmares. 1955. Manuel Victor. Óleo sobre tela.

O governo colonial tentou muitas vezes destruir Palmares, o pri-

meiro estado livre em terras brasileiras. Porém, o fim do quilombo só 

foi concretizado com a expedição do bandeirante Domingos Jorge 

Velho e de seus seis mil homens. Zumbi, o líder mais conhecido do 

quilombo, acabou preso e decapitado em 1695, tendo sua cabeça ex-

posta na cidade do Recife, como forma de mostrar para outros escra-

vizados o que poderia acontecer a eles se fugissem ou se revoltassem.

Atualmente, a morte de Zumbi, 20 de novembro, é celebrada co-

mo o Dia Nacional da Consciência Negra. Esse é um dia de resistência 

e de luta contra o preconceito e a discriminação racial, heranças do 

período colonial.

Habitação de negros. [c. 1835]. 

Johann Moritz Rugendas. 

Litografia colorida à mão, 

51,3 cm 3 35,5 cm.  

Coleção particular.

Zumbi (1655-1695), o mais conhecido líder do Quilombo dos Palmares, 

recusou-se a realizar acordo com a Coroa portuguesa enquanto houvesse 

escravidão no Brasil. 

Zumbi. [s. d.] Antônio Parreiras. Óleo sobre tela

113 cm 3 86 cm. Museu Antônio Parreiras, Niterói, RJ.

R

eprodução/Editora Abril



R

eprodução/Coleção par

ticular

R

eprodução/Museu 



Antônio P

ar

reiras, Niteroi, RJ



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