Livro didático novas palavras: uma análise das concepçÕes de aprendizagem 1


A CONCEPÇÃO DE APRENDIZAGEM COGNITIVISTA



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A CONCEPÇÃO DE APRENDIZAGEM COGNITIVISTA
A ascensão do cogniti vismo se deu em meados da 
década de 1970, quando a infl uência behaviorista entrou 
em declínio. Com a teoria que surgia, a aprendizagem 
em si deixou de atrair a atenção, sendo substi tuída pelo 
interesse no estudo das leis universais da “máquina mental” 


Caderno Seminal Digital, nº 31, v. 31 (JUL-DEZ/2018) – e-ISSN 1806-9142
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(STETSENKO; ARIEVITCH, 2013). Nessa perspecti va, a teoria 
cogniti vista desti na-se a apontar a descrição de regras e 
estruturas comuns a todos os seres humanos, independente 
do contexto.
Por exemplo, a parti r de uma posição 
cogniti vista, o que importa na análise da 
memória humana não é como as crianças 
aprendem a memorizar certos ti pos de 
material, nem como sua aprendizagem 
depende das maneiras que elas são ensinadas. 
Tudo o que importa são as característi cas de 
uma capacidade de armazenamento geral 
predeterminada e prati camente imutável, 
que é pensada para ser melhor revelada 
através de pesquisas sobre a memorização 
de informações sem senti do (por exemplo 
sequências de letras ou números) em 
experiências escolares ou quaisquer outras 
práti cas de aprendizagem em que a criança 
está envolvida. (STETSENKO; ARIEVITCH, 
2013, p.2)
Nessa teoria, o progresso dos alunos no desenvolvimento 
de capacidades mentais é atribuído às suas próprias 
experiências e descobertas independentes. A teoria não 
tem como foco verifi car se aquilo que é ensinado aos 
discentes afeta ou não e de que maneira pode afetar o seu 
desenvolvimento cogniti vo, verifi cando-se, assim, que o 
papel de ensino-aprendizagem no desenvolvimento mental é 
ignorado nessa perspecti va (STETSENKO; ARIEVITCH, 2013, p.3). 


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Nesse senti do, essa perspecti va dá ao aluno lugar central 
na construção de seus próprios saberes, de modo que o 
professor não ocupa papel de destaque nessa concepção.
Um grande nome de infl uência da teoria cogniti vista é Jean 
Piaget, psicólogo, epistemólogo e biólogo de formação que se 
voltou para o estudo do conhecimento, objetivando oferecer 
uma explicação biológica das formas do conhecimento. Sua 
perspectiva epistemológica se preocupa em compreender 
“como os conhecimentos aumentam e por que processos eles 
passam de um nível de complexidade para outro”, sendo o 
conhecimento considerado como um processo de adaptação 
que está em constante mudança (LEGENDRE, 2010, p.430). 
Dentre as contribuições de Piaget está a concepção de 
estruturas de conhecimentos pelos quais são organizados 
os dados da experiência humana. Essas estruturas não 
são inatas, elas estão em evolução e abertas para novas 
evoluções. Além disso, Piaget reconhece o papel ati vo do 
pensamento na estrutura da experiência, de modo que as 
estruturas do conhecimento são compreendidas como um 
processo dinâmico e evoluti vo, o que faz surgir a ideia de que 
o sujeito constrói ati vamente os seus conhecimentos muito 
mais do que recebe do exterior de forma passiva (LEGENDRE, 
2010).


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O conhecimento, segundo essa concepção, era construído 
por meio da interação do sujeito com um ambiente propício à 
sua aprendizagem, no que tange à maturação biológica para 
compreender um dado conhecimento (PIAGET, 1983). Em 
outras palavras, o cogniti vismo focalizava as descrições de 
regras e/ou estruturas que são comuns a todos (STETSENKO; 
ARIEVITCH, 2013), independente do contexto em evidência.
No que se refere à pedagogia, Piaget considera que 
ensinar não se limita a transmiti r conhecimentos e a 
aprendizagem não é apenas memorização de verdades 
já elaboradas. “Piaget insiste nos limites da pedagogia 
da transmissão, que privilegia essencialmente o discurso 
em detrimento da ati vidade do sujeito discente, e põe em 
evidência o papel central do aluno na elaboração dos seus 
próprios conhecimentos” (LEGENDRE, 2010, p.440), o que 
reforça a ideia de que o aluno tem o papel central em suas 
aprendizagens.
Na concepção de Piaget, a aprendizagem é uma ati vidade 
de procura de senti do e ela só pode ser signifi cati va para o 
aluno na medida em que traz algum fundamento para ele.
O mestre deverá esti mular o aluno a explicar 
o seu raciocínio, levando-o a justi fi car as 
suas respostas por meio de argumentos
organizar contra-exemplos a fi m de esti mular 
a sua refl exão, evidenciar contradições 


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ou incoerências e ajudá-lo a superá-las, 
dando-lhe acesso aos recursos necessários. 
É principalmente pela experimentação, pela 
discussão, pela troca de pontos de vista e pelo 
choque das ideias que o aluno será levado 
a tomar consciência daquilo que sabe, mas 
também dos limites dos seus conhecimentos 
anteriores e da perti nência de integrar novos 
saberes. (LEGENDRE, 2010, p.442)
Dessa maneira, o aluno possui papel central no seu 
processo de aprendizagem, entretanto, para que esse 
processo se concreti ze, é necessário que o docente guie o 
aluno para reconstruir noções, dando a ele oportunidade 
de experimentar ati vamente e buscar soluções para os 
problemas que enfrenta (LEGENDRE, 2010, p.442).

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