Livro didático novas palavras: uma análise das concepçÕes de aprendizagem 1



Baixar 465.92 Kb.
Pdf preview
Página3/13
Encontro18.11.2022
Tamanho465.92 Kb.
#26035
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   13
34145-128347-1-PB (2)
REFERENCIAL TEÓRICO
Para a realização da pesquisa, será apresentado um 
levantamento das três concepções de aprendizagem 
buscadas nas unidades analisadas, no que concerne a suas 
defi nições e característi cas.
A CONCEPÇÃO DE APRENDIZAGEM BEHAVIORISTA
A teoria behaviorista surgiu para romper com o paradigma 
vigente na psicologia da época, que ti nha a introspecção 
como método. Acreditava-se, até então, que a tarefa da 
Psicologia era estudar a estrutura e o
funcionamento da 
mente humana, com a atenção voltada aos aspectos internos, 


Caderno Seminal Digital, nº 31, v. 31 (JUL-DEZ/2018) – e-ISSN 1806-9142
115
DOI: htt p://dx.doi.org/10.12957/cadsem.2018.34145
como as percepções, os
senti mentos e a
personalidade do 
homem, pois se considerava que o comportamento humano 
era determinado pelos pensamentos.
Nesse senti do, o behaviorismo se instaurou para fazer uma 
revolução no campo da psicologia (STAATS, 1980), excluindo 
a ideia de que tudo vem de dentro e substi tuindo o foco nos 
processos internos pelo estudo do comportamento humano.
Seu programa era o do estudo do 
comportamento, das condições ambientais e 
dos princípios dos quais o comportamento era 
uma função. Isto, considera-se, representa 
um behaviorismo básico. Ainda que esse 
programa tenha sido uma correção para os 
abusos da época, ele foi, entretanto, radical 
e por isto mesmo rejeitou importantes áreas 
de estudo, estendendo esta rejeição aos 
termos e métodos da introspecção. (STAATS, 
1980, p.100)
Essa ciência do comportamento substi tuiu a análise do 
subjeti vo pela análise do “por que fazemos o que fazemos 
e o que devemos e não devemos fazer” (Baum, 1999, Apud 
TERRA, 2003, s/p). O behaviorismo passou por três gerações 
disti ntas, brevemente apresentadas a seguir.

primeira 
geração, 
denominada 
Behaviorismo 
Metodológico, foi inaugurada por John B. Watson, em 1913, 
sendo postulado o comportamento como objeto de estudo. 
Esse movimento tomou como base o realismo, que defendia a 


Caderno Seminal Digital, nº 31, v. 31 (JUL-DEZ/2018) – e-ISSN 1806-9142
116
DOI: htt p://dx.doi.org/10.12957/cadsem.2018.34145
ideia de existência de um mundo real externo, a parti r do qual 
se consti tuía o mundo interno. Watson compreendia que o 
homem possui um aparato orgânico que se adapta ao ambiente 
em que vive;
nesse senti do, defendia que “o comportamento 
deve ser estudado como função de certas variáveis do meio, 
sob o argumento de que certos estí mulos levam o organismo a 
dar determinadas respostas” (TERRA, 2003, s/p). 
O behaviorismo dessa geração era fundamentado na lei do 
condicionamento clássico de Pavlov, pelo qual as respostas 
se davam por estí mulos do ambiente. Dessa maneira, Watson 
instaurou o conceito de refl exo condicionado, que tratava 
de interações em estí mulo-resposta, sofridas pelo sujeito 
através do ambiente, fazendo com que o indivíduo passasse 
a responder por estí mulos a
que antes não respondia.
A segunda geração denominava-se Behaviorismo Radical, 
introduzida por Skinner, e defendia a análise experimental do 
comportamento. Eram adotados princípios do pragmati smo, 
defendendo que a grande realização da ciência estava no 
fato dela permiti r “dar signifi cado a nossa experiência” 
(TERRA, 2003, s/p). Deixou de ser pautada em métodos para 
adotar conceitos e termos, passando a admiti r todos os 
eventos naturais passíveis de serem acessados e excluindo 
os eventos fi ctí cios, como a mente e todas as suas partes e 
processos.


Caderno Seminal Digital, nº 31, v. 31 (JUL-DEZ/2018) – e-ISSN 1806-9142
117
DOI: htt p://dx.doi.org/10.12957/cadsem.2018.34145
Surge a concepção de comportamento operante, pelo qual 
a aprendizagem deixa de ser um condicionamento, e passa a 
se considerar a interação sujeito e ambiente, ocorrendo um 
estí mulo denominado reforço, o qual assume a responsabilidade 
pela ação. A aprendizagem está, nesse senti do, na relação entre 
uma ação e o seu efeito (TERRA, 2003, s/p).
A terceira geração, denominada Behaviorismo Social, 
representada por Staats, passou a reconhecer que a análise 
do comportamento deve considerar os processos simbólicos, 
concentrando o interesse na análise do pensamento e dos 
mecanismos que ele uti liza para controlar a ação. Além disso, 
colocou em pauta a ênfase nos processos autorregulatórios, 
pelos quais a própria pessoa é capaz de organizar seu 
condicionamento, e trouxe a ideia de aprendizagem através 
de modelação, pela qual a aquisição de conhecimentos 
e comportamentos novos se dá por meio de observação 
(TERRA, 2003, s/p).
No que concerne ao papel da aprendizagem no 
desenvolvimento, pode-se considerar que ela veio à tona 
como a ascensão do behaviorismo, visto que essa teoria 
tentou especifi car os mecanismos de aprendizagem que 
sustentaram as mudanças no comportamento. Entretanto,
as teorias behavioristas foram fundamentadas 
em pesquisas sobre como os animais 


Caderno Seminal Digital, nº 31, v. 31 (JUL-DEZ/2018) – e-ISSN 1806-9142
118
DOI: htt p://dx.doi.org/10.12957/cadsem.2018.34145
aprendem a realizar comportamentos. 
Aprendizagem das crianças, parti cularmente 
na escola, não era o foco direto. Embora 
algumas inferências tenham sido reti radas 
de estudos em animais sobre o ensino e 
educação de crianças, esta abordagem 
não poderia e não oferece muita refl exão 
sobre como o ensino-aprendizagem afeta 
o desenvolvimento da mente. (STETSENKO; 
ARIEVITICH, 2013, p.2)
O que se compreende sobre a concepção behaviorista 
de aprendizagem dos alunos se dá por meio de inferências 
realizadas a parti r do estudo do comportamento observado 
em animais. Ainda, o behaviorismo considerava, em primeiro 
plano, os estudos do comportamento e as condições 
ambientais dos sujeitos (STAATS, 1980), isto é, acreditava-se 
que qualquer produção humana, inclusive a linguagem, era 
resultado de uma sucessão de hábitos adquiridos por meio de 
um condicionamento operante e, portanto, desconectados 
de qualquer processamento cogniti vo (TICKS, 2008).

Baixar 465.92 Kb.

Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   13




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal