Livro de actas 4º sopcom


partidários  da  Escola  de  Frankfurt  vêem  em  Matrix  a  personificação



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partidários  da  Escola  de  Frankfurt  vêem  em  Matrix  a  personificação 

extrapolada  da  Kulturindustrie,  a  substância  social  reificada  e  alienada  (do 

capital)  diretamente  dominando  tudo,  colonizando  nossa  própria  vida  interior, 

usando­nos como fonte de energia; os adeptos da Nova Era vêem no filme uma 

fonte de especulações sobre 

como o nosso mundo é apenas uma miragem gerada por 

uma mente global personificada na rede mundial, ou World Wide Web

 

Mesmo contradizendo alguns dos princípios de Baudrillard, os realizadores – os irmãos 



Andy e Larry  Wachowsky – esforçaram­se por cumprir suas teorias de  forma bastante 

complexa  (e  no  mínimo  curiosa),  numa  obra

  midcult

  que  traz  consigo  mitologia, 

cristianismo,  zen­budismo,  kung­fu,  muita  tecnologia  e,  principalmente,  filosofia.  Na 

Trilogia Matrix, encontramos, concretamente, a teoria da ideologia de Marx, o dualismo 

antropológico, a filosofia da técnica de Heidegger, o argumento sobre o gênio maligno 

de  Descartes.  Na  trilogia  poderíamos  caracterizar  o  primeiro  da  série  como  sendo  um 

filme  racional  crítico,  de  cunho  principalmente  filosófico,  à  medida  que  a  história 

evolui,  a  filosofia  cede  espaço  ao  místico  e  religioso,  onde  a  saga  do  “Escolhido” 

desenrola­se  em  ressurreição,  milagre  e  fé.  O  próprio  Baudrillard  foi  convidado  pelos 

realizadores  para  ocupar  o  cargo  inédito  de  “consultor  filosófico”  no  filme  de  ficção 

científica  influenciado  por  sua  obra.  Ele  obviamente  disse  não,  acreditando  ser  rasa  e 

ingênua a referência de sua obra ao longo da película. 

Matrix  foi  fortemente  criticado  como  sendo  apenas  um  “pretexto  pseudo­intelectual 

para apresentar violência”, mas o empenho dos realizadores por tornar a carga filosófica 

menos indigesta prova o contrário. No script original pode­se constatar cortes como as



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referências  a  Arendt:  “Olhe  para  eles.  Autômatos.  Não  pensam  no  que  estão  fazendo, 

nem  por  quê.  O  computador  lhes  diz  o  que  fazer  e  eles  obedecem”,  ou  ainda,  “A 

banalidade do mal”. E este não é o único exemplo, algumas referências mais explícitas 

das teorias de Baudrillard  na concepção do guião foram cortadas devido ao desejo dos 

realizadores em atingir de  maneira equilibrada os consumidores de cultura de  massa  e 

eruditos.  A  citação  é  feita  durante  a  apresentação  do  “Constructo”,  uma  espécie  de 

programa de treinamento e carregamento dos rebeldes no sistema da Nabucodonosor, a 

saber:  “Você  tem  vivido  em  um  mundo  de  sonho,  Neo.  Como  na  concepção  de 

Baudrillard, toda a sua vida tem sido gasta dentro de um mapa, não do território”. 

No  guião  original,  esta  “fala”  faz  parte  da  apresentação  das  diferenças  entre  o  mundo 

real  e  a  Matrix,  entre  o  antes  e  o  depois  da  condição  humana,  e  precede  a  expressão 

característica  de  Baudrillard:  Bem­vindo  ao  Deserto  do  Real  .  Esta  passagem,  acerca 

mapa e território, diz respeito às primeiras linhas do livro de Baudrillard, quando o autor 

cita  a  fábula  de  Borges  como  a  “mais  bela  alegoria  da  symulação”.  Segundo  a  fábula 

cartógrafos  do  império  esforçaram­se  por  ser  não  minuciosos  no  mapa  que  este  acaba 

por cobrir exatamente o território. Com a ruína do império, resta apenas o mapa, agora 

um “modelo do real sem origem nem realidade: hiper­real”. 

Na base da cultura

 ciberpunk

, nítida em toda a trilogia, e dividindo a “responsabilidade” 

das  influências  do  enredo,  está  William  Gibson  e  seu  romance

  Neuromancer

,  que  no 

início  dos  anos  80  introduziu  os  termos  “ciberespaço”  e  “matriz”  para  referir­se  à 

realidade virtual. Matrix recorre ao conceito de ciberespaço de Gibson como sendo uma 

“alucinação  consensual”  invertendo­o,  ao  invés  de  paraíso,  os  Wachowsky  criam  o 

“ciberinferno”, onde os humanos são escravizados. É de Gibson também o prefácio do 

guião do filme, onde identifica Neo como sendo “um herói do real”. Mais Baudrillard? 

A idéia de simulacro não é pós­moderna, ela vem da Grécia, a Baudrillard fica o mérito 

de tê­la revitalizado com especulações filosóficas aplicadas à era digital e acrescidas de 

conceitos como a física e a semântica. Já Slavoj Zizek atribui ao simulacro o estatuto de 

ligação entre realidade e ilusão, remetendo a Platão:




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Essa série [Trilogia Matrix] remonta à República, de Platão. Por acaso, Matrix 

não repete exatamente o artifício da caverna de  Platão (seres humanos comuns, 

prisioneiros,  firmemente  amarrados  aos  seus  assentos  e  forçados  a  observar  os 

movimentos  imprecisos  de  algo  que  eles  (erroneamente)  consideraram 

realidade)? A diferença importante, claro, é que quando alguns fogem da caverna 

e chegam à superfície da Terra o que encontram lá não é mais um plano brilhante 

e  iluminado  pelos  raios  do  sol,  o  Bem  supremo,  mas  o  desolador  “ deserto  do 

real” .

 

Neo se iguala aos prisioneiros da caverna, porém o que ele descobre não é propriamente 



um reino abençoado de Formas, puras e reluzentes em beleza. Ao contrário, encontra a 

terra  devastada  pelo  inverno  nuclear,  fruto  da  guerra  entre  homem  e  máquina,  uma 

realidade  vivida  no  centro  da  Terra.  Ou,  nas  palavras  de  Tank  :  A  última  cidade 

humana, o único lugar que restou. (...)  Lá embaixo, perto do núcleo da terra, onde ainda 

é quente.” 

Escrita  há  2400  anos,  a  alegoria  mítica  de  Sócrates,  narrativa  deste  com  Glauco, 

apresenta uma comunidade sujeita a uma realidade particular, um conjunto de sombras, 

fruto  da  projeção  de  luz  sob  os  humanos  que  habitavam  a  parte  exterior  da  caverna. 

Supondo que um deles  liberta­se e se depara com um  mundo que ele  não reconhece  e 

não  acredita.  Livre,  ele  sofre,  pois  não  aceita  aquela  que,  para  ele,  não  é  a  verdadeira 

natureza  da  realidade.  Tal  recusa  é  representada  por  Cypher  que  “abre  mão”  da 

liberdade e da realidade da Nabucodonosor, para voltar reencarnado ou “revirtualizado” 

como  ator  na  Matrix.  Cypher,  “resgatado”  da  Matrix  muito  jovem,  viveu  à  mercê  da 

dura realidade da  Nabucodonosor e de Zion –  nada atrativos perto da Matrix –  e opta 

por voltar a ser plugado, opta pela “ignorância”, dizendo:

 

Cypher: Sabe, sei que este bife não existe. Sei que, quando eu coloco na boca, a 



Matrix diz ao meu cérebro que ele é suculento e delicioso. Após nove anos, sabe o 

que percebi? A ignorância é maravilhosa. 

Agent Smith: Então negócio fechado. 

Cypher:  Não  quero  me  lembrar  de  nada.  Nada. Entendeu?  E  eu  quero  ser  rico. 

Você sabe, alguém importante, tipo um ator.



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Agente Smith: O que desejar, Sr. Reagan. 

Cypher:  Tudo  bem.  Leve  o  meu  corpo  de  volta  à  usina,  me  coloque  de  novo  na 

Matrix e eu te dou o que deseja. 

Agente Smith: Senhas de acesso à área de Zion. 

Cypher: Não, eu já disse, eu não sei. Vou te entregar o homem que sabe. 

Agent Smith: Morpheus.

 No   séc.  XVIII,  René  Descartes  em  suas

  Meditações

  especula,  já  na  primeira  delas, 

provar que todas as nossas crenças são suscetíveis à dúvida. Falta de confiabilidade nos 

nossos  sentidos?  Possibilidade  de  estarmos  sonhando  tudo?  Sempre?  Apesar  de 

ponderar  que  não  poderíamos  ter  sempre  sonhado,  na  dúvida  sobre  a  fonte  dos 

conteúdos  que  alimentam  estes  sonhos  era  presente  o  ceticismo,  o  qual  julgava  poder 

superar  em  suas  meditações  posteriores.  Obsessivo  pelos  sonhos,  Descartes  afirmava 

que o que percebemos como mundo pode não passar de uma ilusão. Ou como Morpheus 

apresenta a Neo:

 “ O que é `real´? Como você define o real? Se estiver falando do que 

consegue sentir, do que pode cheirar, provar, ver, então `real´ são simplesmente sinais 

elétricos interpretados pelo cérebro.”

 

Para  Baudrillard,  o  hiper­real  consiste  em  criar  uma  satisfação  fictícia  personificando 



uma  realidade  conjunta.  Uma  espécie  de  cumplicidade  numa  realidade  percebida  e 

aceita em um sentido que fala por si mesmo, e nós, adaptamo­nos a ele. É contraditório. 

George  Orwell  orgulharia­se  de  programas  como  o  Big  Brother  onde,  a  partir  de  um 

contacto  indireto  com  este  simulacro  de  dia­a­dia,  não  somos  os  directores,  mas  o 

conduzimos. 

Em artigo publicado na Folha de São Paulo, Baudrillard defende:

 

Não é preciso entrar no duplo virtual da realidade, já estamos nele – o universo 



televisual  é  apenas  um  detalhe  holográfico  da  realidade  global.  Até  em  nossa 

existência mais cotidiana já estamos numa situação de realidade experimental. E 

é aí que surge o fascínio por imersão e por interatividade espontânea. (...) Assim 

os  espectadores  são  envolvidos  em  uma  gigantesca  contratransferência  negativa 

sobre si mesmos, e, mais uma vez, é daí que vem a atracção vertiginosa desse tipo



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de  espetáculo.  (...)  O  experimental  substitui  assim  em  toda  parte  o  real  e  o 

imaginário.  Em  toda  parte  os  protocolos  da  ciência  e  da  verificação  nos  são 

inoculados,  e  estamos  a  ponto  de  dissecar,  em  vivissecção,  sob  o  escalpelo  da 

câmera,  a  dimensão  relacional  e  social,  fora  de  qualquer  linguagem  e  contexto 

simbólico

 

Hoje,  a  função  essencial  do  signo,  sob  seu  ponto  de  vista,  consiste  em  obscurecer  a 



realidade, mascarando tal desaparecimento. A ficção representa parte do mundo, e a que 

nós estamos comparando realmente a ficção? Não seria à maneira que o mundo real é? 

Porém,  isso  é  justamente  um  outro tipo  de  representação  do  mundo  real:  uma  história 

mental  “sobre”  ele,  não  o  mundo  real  próprio.  Seria  reafirmar  Jacques  Lacan  – 

psicanalista influente entre os pós­modernistas, quando descreve: “o real é impossível”. 

O  que  Baudrillard  diz  a  respeito,  e  já  o  citando,  é:  “Não  é  mais  uma  questão  de 

imitação,  nem  de  duplicação,  nem  mesmo  de  paródia.  É  uma  questão  de  substituir  a 

realidade  pelos  signos  da  realidade”  .  Não  há,  então,  “senso  de  realidade”  que  possa 

encobrir o embuste, a própria cultura pós­moderna é artificial e ele afirma que perdemos 

toda a capacidade de distinguir sua natureza, pois fabricamos uma civilização hiper­real 

que constrói cenários ilusórios. Esta é, segundo Baudrillard, a função da Disneylândia:

 

(...) a Disneylândia existe para esconder que é o país `real´, toda a América `real´ 



que é a Disneylândia. (...) é colocada como imaginário a fim de fazer crer que o 

resto é real, quando toda Los Angeles e a América que a rodeia já não são reais, 

mas do domínio do hiper­real e da simulação

 

O  papel  da  linguagem  segundo os  pós­modernistas  é  importante  neste  contacto  com  a 



realidade,  pois  ela  é  produto  da  ideologia,  criando­se  através  da  comunicação  –  uma 

visão herdada do estruturalismo na lingüística. Os marxistas já tinham a ideologia como 

uma “falsa consciência”,  impedindo a real percepção das ações dos grupos dominantes 

–  lê­se  Estado  e  detentores  do  poder.  O  pós­modernismo,  na  contramão,  julga  sermos 

dependentes  da  linguagem  para  estruturar  percepções,  tornando  a  ideologia  como 

inevitável. Ou seja, verdade e realidade objetiva são utópicas.




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Andrew Gordon aponta o período posterior à Segunda Guerra Mundial como marca na 

ruptura  com  a  realidade,  acrescida  a  quatro  outros  fatores:  cultura  dos  meios  de 

comunicação, valor de troca, industrialização e urbanização.

 

Por  causa  dessas  `condições´  pós­modernas,  Baudrillard  afirma  que  perdemos 



todo  o  senso  de  `realidade´.  Os  `simulacros´  precedem  qualquer  contato  nosso 

com  o  `real´  e,  portanto,  definem  o  real  para  nós,  donde  a  expressão  de 

Baudrillard – a `precedência dos simulacros´. Matrix exemplifica essa idéia com 

perfeição ao torná­la literal – os seres humanos  conectados a esse programa de 

simulação  só  conhecem  os  fatos  da  sua  cultura  e  `realidade´  por  intermédio  de 

um programa de computador, pois a realidade em que esse programa se basuou 

de  início  não  mais  existe.  Num  sentido  bem  literal,  então,  `o  território  não 

precede o mapa, nem sobrevive a ele´. O que os humanos sempre conheceram foi 

só o mapa, ou o modelo .

 

Teoria  e  prática,  a  ideologia  universalista  do  Iluminismo  clássico  pressupõe  que,  no 



final das contas, as questões fundamentais podem ser resolvidas por meio da referência 

ao “conhecimento objectivo” dos especialistas. 

Thomas  Hibbs,  em  seu  ensaio

  Memórias  do  Subsolo:  Niilismo  e  Matrix

,  apresenta  a 

película  como  uma  espécie  de  “revival”  dos  debates  sobre  a  modernidade  do 

Iluminismo,  em  especial  numa  determinada  corrente  de  pensamento  iluminista 

dissecada por Dostoievski. Parafraseando o livro Memórias do Subsolo (1864), obra que 

mistura  romantismo,  utilitarismo,  socialismo  humanitário  e  egotismo  racional,  Hibbs 

resgata o homem do submundo de Dostoievski e o compara aos rebeldes que vociferam 

contra  os  criadores  da  Matrix,  indo  de  encontro  à  sua  utopia  de  modernidade  (aqui 

representada  como  sendo  a  realidade).  Em  seu  protesto  contra  a  reconstrução  da 

“racionalidade” da sociedade, o homem do submundo de Dostoievski opta por viver em 

sua  sórdida  cela  subterrânea,  na  Matrix,  os  humanos  livres  refugiam­se  em  Zion,  os 

rebeldes, na Nabucodonosor.

 

Os  teóricos  do  Iluminismo  prometem  liberação  de  vários  tipos  de  autoridade 



externa: familiar, religiosa e política. Mas uma conseqüência não pretendida da


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implementação das teorias do Iluminismo é a eliminação da liberdade (...) Outra 

fonte  é  a  ingenuidade  do  Iluminismo  quanto  à facilidade  com  que  a  teoria  pode 

ser  traduzida  na  prática.  A  implementação  da  teoria  requer  tanto  correção  da 

natureza humana como a reestruturação radical da sociedade.

 

Assim como na Matrix, e voltando ao discurso do Agente Smith quando fala da rejeição 



à primeira versão da Matrix, a natureza humana deve sempre ser levada em conta. Hibbs 

fala  da  eliminação  da  liberdade  quando  acreditamos  apenas  naquilo  que  é  verificável 

através das ciências naturais, matemáticas e mecânicas. 

Cypher  quando  opta  pela  “ignorância”  está  abrindo  mão  de  sua  suposta  liberdade  ou 

apenas fazendo a sua livre escolha?

 

Para exibir a própria liberdade, o homem do submundo insiste, eles são capazes 



de  deliberadamente  escolher  aquilo  que  é  prejudicial  e  autodestrutivo.  Nisso,  o 

homem  do  submundo  antecipa  a  afirmação  de  Nietzsche  que  os  seres  humanos 

“ preferem  desejar  o  nada  a  não  desejar” .  Como  é  freqüentemente  o  caso  de 

Nietzsche, também em Memórias do Subsolo, o niilismo não é um fim em si, mas 

um  protesto  ou  momento  preparatório.  A  negação,  espera­se,  cede  lugar  à 

afirmação.  Portanto,  o  homem  do  submundo  confessa  não  ser  um  “ anti­herói” , 

que apenas inverte e rejeita as teorias dos seus contemporâneos.

 

Simular  não  significa  duplicar,  mas  sintonizar  aos  nossos  desejos  e  propósitos.  Em 



Matrix vemos que o ano de 2199 simula a realidade de 1999 com alguns “extras”  . No 

decorrer  do  filme  não  vemos  crimes  e  pobreza,  mesmo  porque,  fome  e  criminalidade 

não são o objectivo das máquinas que, ao contrário, programaram uma população dócil. 

Todos queremos liberdade, resta­nos saber se alguém a tem. Morpheus quer  libertar os 

humanos da Matrix e de sua pseudo­liberdade que não passa de ilusão, Cypher quer se 

libertar  da  Nabucodonosor  e  de  Morpheus,  e  o  Agente  Smith  quer  libertar  os 

computadores.  Ainda  na  analogia  entre  o  Reality  Show  e  a  Matrix,  temos  o  primeiro 

como  hiper­realidade  consciente,  onde  somos  cúmplices  do  simulacro  criado,  bem




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fundamentado e de audiência garantida. Inseridos na Matrix, somos ignorantes da nossa 

condição de “baterias” – a não ser, claro, que Morpheus cruze o nosso “destino”. 

Bibliografia 

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;  [tradução  Maria  João  da  Costa  Pereira].  Lisboa: 

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A Pílula Vermelha – Questões de Ciência, Filosofia e Religião em Matrix



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Yeffeth;  introdução  David  Gerrold;  [tradução  Carlos  Silveira  Mendes  Rosa].  –  São  Paulo: 

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  A  Pílula  Vermelha  –  Questões  de  Ciência,  Filosofia  e  Religião  em  Matrix

  / 

organização Glenn Yeffeth; introdução David Gerrold; [tradução Carlos Silveira Mendes Rosa]. 



– São Paulo: Publifolha, 2003. p. 96­116 

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  ­


  Bem­vindo  ao 

Deserto  do  Real

 /  organização  William  Irwin;  [tradução  Marcos  Malvezzi  Leal].  –  São  Paulo: 

Madras Editora, 2003. p. 183­193. 

Zizek, Slavoj. “Matrix: ou, os Dois Lados da Perversão”, in

 Matrix


 ­

 Bem­vindo ao Deserto do 



Real

  /  organização  William  Irwyn;  [tradução  Marcos  Malvezzi  Leal].  –  São  Paulo:  Madras 



Editora, 2003. p. 259­285.



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