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A   S AG A   D E   S E R

B R A S I L E I RO



3

A   S AG A   D E   S E R

B R A S I L E I RO

HISTÓRIAS DO ACHÉ, O MAIOR 

LABORATÓRIO NACIONAL

M

U S E U D A



P

E S S O A




5

Os tijolos da memória

Um livro nunca é uma obra de um único autor. Afinal, cada pessoa é também

a soma das experiências dos outros. E esta obra não foge à regra. Ao contrário.

Ela foi expressamente escrita por muitas mãos, tendo como protagonista um

mesmo personagem, o Aché.

Os capítulos a seguir são fruto da memória coletiva, produzida dia a dia 

por heróis anônimos – muitos separados geograficamente, mas todos unidos

por um mesmo credo. Uma bíblia que guarda um conjunto de valores não

escritos, não codificados. 

Cada uma das histórias é um tijolo do desenho lógico da construção da 

empresa. Um projeto que nunca termina, como a representação do infinito 

plantado por Tomie Ohtake em nosso jardim, em Guarulhos. A cada ano, novos

artesãos, com diferentes tijolos nas mãos, lhe dão uma forma nunca definitiva. 

Aos seus fundadores, dentre os quais orgulhosamente me incluo, restam 

então três certezas. A primeira é que, continuamente, estaremos recomeçando

nossa memória. A segunda, que trilhamos um caminho irreversível.  

E a terceira, que sempre virão novos colaboradores para escrever os próximos

capítulos da nossa história.

Victor Siaulys



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Uma saga brasileira

São muitas as maneiras de contar uma história. E uma das mais valiosas é 

dar voz a seus protagonistas. Ao buscar sua memória pessoal, cada um também

decifra a trajetória da sua família, da cidade onde vive, da empresa onde 

trabalha. Foi esse o caminho escolhido pelo Aché Laboratórios Farmacêuticos

para celebrar a sua história.

Ao completar 35 anos, em outubro de 2001, o laboratório iniciou um projeto

de memória desenvolvido com o Museu da Pessoa, empresa especializada no

registro de histórias de vida. No total, foram gravados 184 depoimentos 

em vídeo. E este livro é uma saborosa mostra do rico acervo de experiências,

agora preservado.

Logo nos primeiros relatos, desponta o caráter especial desta história. Um

pequeno laboratório desconhecido se transforma na maior empresa farmacêutica

nacional, unindo forças, cruzando territórios, atravessando o tempo. Reúne

personagens repletos das suas próprias aventuras, sonhos e batalhas. Juntos,

vivem a saga de ser brasileiro.

Museu da Pessoa



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Índice


O Encontro

A Fortaleza

O Aché no Tempo

Histórias de Propagandistas

O Segredo

A Conquista

Os Produtos no Tempo

O Tesouro

A Responsabilidade Social no Tempo

Os Contadores de História

Bibliografia

Créditos e Agradecimentos




11

10

1

O Encontro:

C

R U Z A M



-

S E O S C A M I N H O S D E Q U AT RO

B R A S I L E I RO S

,  


C A D A U M C O M U M TA L E N T O

VA L I O S O

.   N

A B U S C A D E U M N O V O N E G Ó C I O



,

S U RG E U M P E Q U E N O A N Ú N C I O D E J O R N A L

.

U

N I D O S



,  

I N I C I A M U M A L O N G A J O R N A D A

.



13

Meus avós eram Cesário Ferreira de Brito Travassos e Teolina Vieira de

Andrade Palma. Eu os conheci muito bem. Meu avô paterno era um médi-

co muito conceituado, formado no Rio de Janeiro. Naquela época, os médi-

cos receitavam fórmulas e poções, manipuladas nas farmácias. Minha avó era uma mu-

lher bonita, que criou quatro filhos. O mais velho era médico. Depois, veio meu pai, que

era farmacêutico e bacteriologista formado pelo Instituto de Manguinhos, no Rio de

Janeiro, onde foi aluno dileto do próprio Oswaldo Cruz. O terceiro filho era engenheiro,

trabalhava na firma "Azevedo Travassos". Foi ele que doou o terreno para fazer o estádio

do Comercial de Ribeirão Preto, que tem o nome dele: Francisco Palma Travassos. O

quarto filho era advogado e foi diretor da 

Revista dos Tribunais

.

Meu pai, que se chamava João Palma Travassos, foi para Ribeirão Preto já forma-



do e, inicialmente, montou um laboratório de microbiologia que fazia anális-

es clínicas, o Laboratório de Análises João Palma Travassos, que ficou muito

famoso. Era no centro da cidade, na Rua Álvares Cabral. Meu pai trabal-

hava sozinho. Ele não admitia nem assistente porque não confiava em

ninguém. Ele era um estudioso, mas não gostava de escrever e não deixou

documentados os trabalhos que fez. Era um homem muito bravo, explo-

dia e brigava por qualquer coisa, mas era muito dedicado à família.

Ele conheceu a minha mãe em Ribeirão Preto, e lá se casaram. Quando eu nasci,

a cidade deveria ter uns 25, 30 mil habitantes. Entrei na escola em 1927, me formei

professora em 1937, mas acabei não dando aula porque fui trabalhar com o meu pai. 

M

O  


C O M E Ç O D E C A D A H I S T Ó R I A VA I M A I S L O N G E D O

Q U E S E I M A G I N A

.   É  

N O S P R I M E I RO S A N O S D A D É C A D A D E

2 0  

Q U E S U RG E E M



R

I B E I R Ã O

P

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( S P )  

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,   T

R AVA S S O S

&   C

I A


.  

C A R M E M   C E C Í L I A   T R A V A S S O S   P R A D O   L O P E S  

A primeira herdeira

12

O laboratório Aché foi fundado pelo doutor Phillipe Aché, que nós conhecemos muito



bem. Era um médico notável. Esteve na Índia, foi o introdutor do gado zebu no Brasil.

Como idealista que era, criou os soros hormônicos, mas como não tinha capital para

investir procurou sociedade com o Vital Brasil, que na época estava iniciando um labo-

ratório próprio para fabricar soros antiofídicos. Entretanto, o Vital Brasil logo se desin-

teressou do negócio, e o doutor Aché foi para Ribeirão Preto procurar outro sócio. E esse

sócio foi o meu pai. Eles foram apresentados pelo advogado João Alves Meira Júnior, que

também participou da sociedade com uma parte do capital. E eles montaram, então, um

laboratório modesto, o laboratório Aché. Era mais ou menos 1922. 

A partir daí, começaram a fazer os soros hormônicos com sangue de cavalos e éguas.

Tinham toda uma tropa de animais para sangrar e foram alugando pastagem e depois

compraram uma chácara para manter os animais. E foi indo, até que meu pai sugeriu

ao doutor Aché que produzissem também soros hormônicos especiais para cada órgão

humano. Dali em diante, meu pai foi estudando cada órgão,

extraindo de cada um o seu hormônio e fazendo soros específicos. 

Era soro para tudo. Acho que me lembro dos nomes. Tinha o

Pancreatino, feito com extrato de pâncreas; o Hormorenino, de

rim; o Hormopatino, de fígado; o Hormocardino, de coração; o

Hormocerebrino, da cabeça; o Hormoplacentino, da placenta,

um soro adequado para aumentar a lactação; o Hormoesplenino,

feito com extrato de baço; o Hormândrico, feito com testículos de bode. Tinha ainda

o soro Hormógeno, feito com ovários. Enfim, eram muitos soros! Todos eles injetáveis.

Depois da morte do doutor Phillipe Aché, só foram lançados o Hormoftálmico, o

Travasma, para asma, com boa saída porque tinha curado muita criança, e o Euforam,

para reumatismo, em cápsulas, pastilhas. Com sua morte, a família Aché deixou de ter

Carmem Cecília Travassos Prado

Lopes nasceu em Ribeirão Preto

(SP), em 1920. Filha de João

Palma Travassos, sócio de Philippe

Aché, Carmem acompanhou de

perto a história do laboratório até

ele ser vendido em 1960.




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