Literatura



Baixar 46.61 Kb.
Pdf preview
Página1/4
Encontro11.12.2019
Tamanho46.61 Kb.
  1   2   3   4


PERSONAGENS E FATOS HISTÓRICOS NAS CANÇÕES DO IRON MAIDEN

Uma Jornada da Pré-História à Segunda Guerra Mundial 

Lauro Meller

Faculdade Estácio de Sá – Belo Horizonte 



1. Introdução 

Este trabalho pretende ser uma exposição panorâmica de algumas canções do grupo 

inglês Iron Maiden gravadas nos anos de 1980 e que versam sobre temas históricos. A fim 

de respeitarmos o formato conciso desta apresentação, limitar-nos-emos a comentar alguns 

aspectos dessas canções, em vez de procedermos a uma análise mais verticalizada das 

mesmas. 


Primeiramente, cumpre situar esse grupo musical londrino, cujo primeiro LP foi 

lançado em 1980. A Inglaterra, que assistira no início da década de 1970 à exuberância do 

rock progressivo (Yes, Genesis, Queen) e ao despontar do rock “pesado” (Deep Purple, Led 

Zeppelin, Black Sabbath), testemunhou, a partir dos idos de 1975, a crueza do movimento 

punk, cujos representantes principais na Grã-Bretanha, os Sex Pistols, compuseram o hino 

anti-sistema “Anarchy in the U.K.”. Na virada da década de 70/80, esgotadas muitas das 

possibilidades daqueles grupos e estilos, delineou-se o que viria a se chamar de “New Wave 

of British Heavy Metal”, cujo principal representante seria o Iron Maiden. Os dois primeiros 

discos da banda, Iron Maiden (1980) e Killers  (1981) expõem o grupo ainda em busca de 

uma definição de estilo, que nessa altura abraça influências tanto do rock progressivo 

quanto do punk.  Com a chegada do vocalista Bruce Dickinson, em 1982, o Iron Maiden 

começa a construir uma imagem finalmente compatível com os ecos medievais que seu 

nome sugere, e a consolidar seu estilo musical. Curiosamente, Dickinson fora aluno de 

História no Queen Mary and Westfield College, da Universidade de Londres e, embora ele 

não seja o principal compositor da banda, acreditamos firmemente que seu ingresso tenha 

exercido forte influência nas escolhas temáticas das canções. 

ANPUH – XXIII SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA – Londrina, 2005.

1



 

O termo “Iron Maiden” (em português, “Donzela de Ferro”) refere-se a um 

instrumento de tortura e execução, utilizado pelo Antigo Regime, que consistia em um 

sarcófago cujas portas continham, em seu interior, espetos pontiagudos. Uma vez que a 

vítima estivesse posicionada no interior do aparelho, suas portas eram cerradas, 

trespassando-lhe o corpo – mas não em pontos letais. Assim, o indivíduo agonizava muitas 

horas, às vezes dias, sofrendo dores lancinantes, até que viesse, finalmente, a expirar. 

Segundo a Wikipedia Encyclopaedia, na verdade houve apenas um  Iron Maiden, em 

Nuremberg, na Alemanha, e a primeira pessoa executada teria sido um forjador de moedas, 

em 14 de agosto de 1515. 

Esse tipo de inspiração mórbida – por vezes escatológica – é um dos componentes 

mais comuns do gênero heavy metal, e pode ser detectada nas canções dos grupos que 

inauguraram o movimento, como o nova-iorquino KISS (segundo algumas igrejas 

protestantes, abreviatura de Knights in Satan’s Service, “Cavaleiros a Serviço de Satã”), o 

australiano AC/DC (uma gíria para “bissexual”), e os ingleses do Black Sabbath. De fato, há 

vários denominadores comuns entre esses representantes de primeira hora, como a 

presença de vocais estridentes, a morbidez dos temas, as guitarras distorcidas e, na esfera 

visual, os cabelos revoltos e a indumentária confeccionada em couro e ferro – uma carapaça 

que guarda talvez um parentesco com as armaduras medievais.  

Chamou-nos a atenção, contudo, o fato de o Iron Maiden abordar em suas letras não 

apenas os temas-cliché comuns ao gênero, como o binômio “mulheres-bebedeiras” ou o 

suposto culto ao diabo (veja-se o LP The Number of the Beast, de 1982), mas por tratar de 

temas históricos em suas canções. Com efeito, as músicas com esse viés figuram de modo 

tão constante em sua discografia que é mesmo possível traçar-se uma “linha histórica”, 

abrangendo desde a Pré-História até a Segunda Guerra Mundial, passando por várias 

épocas e sublinhando os feitos tanto dos grandes vultos da História, como os de 

personagens anônimos, que ganham voz através das canções. Temos mesmo a impressão 

de haver certa intenção em se “fazer justiça” para com as vítimas da História, em letras – em 

ANPUH – XXIII SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA – Londrina, 2005.

2



primeira pessoa, diga-se de passagem – como a de “Hallowed Be Thy Name”, em que um 

condenado se encaminha para o cadafalso; a de “Aces High”, o relato de um piloto da 

R.A.F., na Segunda Guerra Mundial; ou a de “The Trooper”, em que um combatente da 

cavalaria inglesa desafia o inimigo russo para a batalha e nos detalha a própria morte: 

“You’ll take my life but I’ll take yours too / You’ll fire your musket but I’ll run you thorough” (...) 

“He pulls the trigger and I feel the blow / A burst of rounds takes my horse below / And as I 

lay there gazing at the sky / My body’s numb and my throat is dry / And as I lay forgotten and 

alone / Without a tear I draw my parting groan”.  

Embora surpreso num primeiro momento com a proliferação de temas históricos nas 

canções do Iron Maiden, logo percebemos que, no fundo, há certos elementos que 

contribuem para essa convergência. No plano estético, por exemplo, a instrumentação do 

heavy metal contém um inegável componente épico, grandiloqüente, e esse suporte musical 

constitui um terreno fértil para as alusões históricas, principalmente para aquelas relativas 

aos conflitos bélicos, em todas as suas configurações (das lutas corpo-a-corpo às batalhas 

aéreas). Estamos falando não somente das letras vociferadas, das guitarras distorcidas ou 

da bateria e do contrabaixo pulsantes, que elevam os níveis de adrenalina – isso sem 

mencionar o volume invariavelmente alto em que se costuma ouvir esse estilo de música –, 

mas também de alguns elementos estritamente musicais que de alguma forma combinam 

perfeitamente com os temas tratados nas canções. Alguns deles, seriam, por exemplo, os 

acordes quase sempre em modo menor (que sugerem sentimentos negativos, como tristeza 

ou melancolia – ou mesmo morbidez), o andamento acelerado em que as canções são 

executadas ou a longa duração das faixas, apropriada para os extensos relatos históricos.  

Tendo apresentado algumas das características gerais do heavy metal, 

contextualizando-o historicamente, e o modo como o Iron Maiden se diferencia dos demais 

grupos pelos temas retratados em suas canções, debrucemo-nos, agora, ainda que de 

modo sucinto, sobre aquelas que compõem a “linha histórica” a que nos referimos. A fim de 

mantermos a concisão que este trabalho requer, deter-nos-emos a cinco canções, 

ANPUH – XXIII SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA – Londrina, 2005.

3



ilustrativas de diferentes períodos históricos: “Quest for Fire”, “Alexander the Great”, 

“Hallowed Be Thy Name”, “Run to the Hills” e “Aces High”. Mesmo não analisadas, citemos, 

para  fins de registro, outras canções do Iron Maiden que envolvem temas históricos: 

“Powerslave” (sobre a escravidão no Egito Antigo), “Genghis Khan” (sobre o guerreiro 

mongol), “Invadiers” (acerca das invasões dos nórdicos às Ilhas Britânicas), “The Duellists” 

(que relata um duelo entre cavaleiros na Idade Média) e “The Trooper” (inspirada no poema 

“The Charge of the Light Brigade”, de Tennyson, sobre a Batalha de Balaclava, durante a 

Guerra da Criméia – 1854-1856). 






Compartilhe com seus amigos:
  1   2   3   4


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal