L’Harmonie Olivier Alain/ 1969 Tradução de trechos



Baixar 134.99 Kb.
Página1/2
Encontro18.03.2020
Tamanho134.99 Kb.
  1   2

L’Harmonie – Olivier Alain/ 1969

Tradução de trechos

Capítulos do livro: Generalidades, Do intervalo ao acorde, Do acorde à tonalidade, Harmonia tonal, Saturação e superação
Introdução p. 5
A harmonia, considerada sob o ângulo histórico, apareceu como uma exploração e uma organização empírica dos dados do universo sonoro natural. Como muitos outros ramos da atividade cultural, ela é característica do esforço do homem ocidental, uma vez que se apresenta claramente como um esforço de dominação intelectual e prática da natureza, em vista de uma utilização especificamente humana, isto é, ao mesmo tempo cerebral, afetiva e psicofísica no sentido mais abrangente, mais extensivo.

Desde a origem, tem havido divergências entre a teoria e a prática, entre o cálculo e a experiência, entre o ensino e a imaginação. Mas os conflitos e seus resultados tem sido de uma incessante fecundidade para a arte. E, se é possível se surpreender com a rigidez redacional de certos tratados de harmonia escolásticos, ou da ausência, nestes tratados, de certas noções que nos parecem hoje, essenciais, é necessário dizer que a pedagogia está sempre em desvantagem, tanto em relação à pesquisa teórica quanto em relação à ciência experimental, pois estas estão em perpétua evolução. Para ensinar qualquer coisa é necessário estabelecer um código “provisoriamente definitivo” do que é permitido e defendido, e isto é particularmente arbitrário em uma arte cujos frutos sucessivos constituem um catálogo, tanto de inovações e “heresias” fecundas, quanto de exemplos regulares e paradigmas incontestáveis.

De qualquer forma, realizar uma investigação histórica sobre a harmonia é uma tarefa sempre delicada, principalmente se ultrapassamos um pouco os três séculos mais próximos de nós. Mesmo a noção de harmonia como a concebemos hoje é muito recente. A harmonia, durante muito tempo, nada mais era do que a expressão das relações numéricas simples dos intervalos, ou seja, aquilo que definia as consonâncias na Antiguidade e na Idade Média. Com a adoção do temperamento igual as relações simples são abandonadas em favor de intervalos teoricamente complexos, mais aceitáveis para o ouvido e que fazem crescer indefinidamente as possibilidades de deslocamento de acordes. Daí surge uma primeira distinção entre a harmonia de intervalos (na Idade Média) e a harmonia de acordes (na época Clássica). É a familiaridade com a polifonia que engendrará lentamente a impressão do acorde vertical; e o ouvido irá aceitar que sejam ligeiramente modificados pelo temperamento os intervalos tradicionais (sejam os intervalos pitagóricos ou os aristoxênicos), em favor de uma maior possibilidade de deslocamento no espaço sonoro, sendo que a correção inicial da escala visa tornar invariável um mesmo acorde através de suas transposições. Que o ouvido, ao aceitar este fato tenha tido que renunciar a certas impressões características, por exemplo ao éthos (expressão específica) de um modo dado, e mesmo à cor própria de uma dada tonalidade antes do temperamento (fa# menor, sobre um teclado de temperamento desigual, por exemplo), é mais que provável. Mas não há porque lamentar as perdas e minimizar os ganhos. Diante de uma evolução histórica, seria inútil se opor.

Tentar compreender a história da harmonia é tentar encontrar as diferentes etapas da escuta no ocidente. É constatar a relatividade da linguagem sonora, mas também as possibilidades indefinidas de adaptação do ouvido. Vale salientar que, se há evolução no plano da linguagem e, sem dúvida progresso no plano da consciência psicológica, a noção de belo permanece como uma das raras invariantes do mundo humano, além das transformações formais e intelectuais da técnica artística.





Compartilhe com seus amigos:
  1   2


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal