Óleos essenciais da Curcuma longa Linnaeus: desenvolvimento de nanoemulsões, avaliação da atividade cititóxica e antibacteriana



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1. INTRODUÇÃO 

Curcuma longa Linnaeus é uma planta de origem Asiática conhecida mundialmente, 

pois, o seu rizoma seco e moído é usado como condimento, o açafrão, que tem a capacidade 

de  dar  cor  natural  a  alimentos,  diferente  do  “açafrão  verdadeiro”  que  é  produzido  com  as 

anteras  da  flor  de  Crocus  sativus.  Parry  (1969)  relata  que  os  rizomas  maduros  dessa  planta 

contêm amido, óleo essencial e pigmentos corantes, entre esses, a curcumina, de cor amarelo-

alaranjada, empregada em alimentos.  

Sigrist  (2009)  afirma  que  o  produto  comercializado  possui  uma  infinidade  de  usos 

finais,  como  na  fabricação  de  sopas  desidratadas,  pratos  e  temperos  prontos,  mostardas, 

salsichas,  margarinas,  macarrão,  snacks  e  salgadinhos.  Esta  diversidade  de  aplicações  na 

indústria alimentícia fez com que, em países onde a cultura tem status de commodity, fossem 

criadas  agências  reguladoras  da  produção  e  qualidade  para  padronização  da  matéria-prima 

comercializada.  

Na  Amazônia  brasileira,  mais  especificamente  no  Estado  do  Acre,  conhecida 

comumente  como  açafroa  ou  açafrão-da-terra  é  uma  planta  muito  comum  nos  quintais  das 

casas  dos  produtores  de  farinha  de  mandioca,  pois,  o  seu  rizoma  serve  para  dar  a  coloração 

amarelada ao produto, que é muito apreciado em toda a região.  

Segundo Van Velthem; Hussak (2012), os produtores o colocam na farinha atendendo 

aos pedidos dos comerciantes, já que os consumidores de várias regiões preferem uma farinha 

amarelada a uma de cor branca. No entanto, a C. longa L. deve ser usada a uma concentração 

de  0,003%,  pois,  Álvares  et  al.  (2015)  informam  que  o  açafrão-da-terra  contém  níveis  de 

Potássio (K), Fósforo (P) e Cálcio (Ca) relativamente altos, resultando em um teor de cinzas 

elevado, entre 2 e 9%. Entretanto, neste mesmo trabalho, farinhas com a maior concetração de 

açafrão-da-terra (0,03% e 1%) apresentam menores teores de umidade e de atividade de água.  

Maia et al. (2004) afirmam que vários estudos conclusivos sobre os condimentos têm 

demonstrado que estes apresentam propriedades antimicrobianas, antioxidantes e medicinais, 

e  existem  evidências  de  que  o  aumento  do  consumo  dos  condimentos  pode  levar  a  uma 

mudança na microbiota intestinal, reduzindo a incidência de câncer. 

A  C.  longa  tem  uma  longa  história  de  usos  terapêuticos  e  uma  importante  atividade 

antimicrobiana,  antifúngica,  inseticida,  anti-inflamatória  e  propriedades  antioxidantes 

(FERREIRA  et  al.,  2013),  sendo  ainda  C.  longa  e  C.  xanthorhiza  usadas  para  tratar 

estomatite,  hepatite,  diabetes,  aterosclerose  e  infecções  bacterianas,  como  condimento, 




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cosmético, medicamento, como pimenta ao ser adicionado ao curry dando a coloração típica 

do produto, para corar queijo, manteiga e outras comidas (ROHAETI et al., 2014).  

O  açafrão  e  curcuminóides  naturais  têm  sido  usado  há  séculos  em  preparações 

terapêuticas.  Na  medicina  Ayuverdica  a  curcumina  é  bem  documentada  no  tratamento  de 

doenças  respiratórias  como  asma,  hiperatividade  brônquica  e  alergia,  desordens  hepáticas, 

anorexia,  reumatismo,  ferimentos  em  pacientes  com  diabetes,  corrimentos  nasais,  tosse  e 

sinusite.  Na  medicina  chinesa  tradicional  está  associada  ao  tratamento  de  dores  abdominais. 

Na  antiga  medicina  Hindu  era  usada  no  tratamento  de  entorses  e  inchaços  (GOEL  et  al.

2008).  

Na  pesquisa  científica  moderna  se  descreve  o  uso  como  antioxidante,  anti-

inflamatório,  anticarcinogênico  e  antimicrobiano,  hepatoprotetor,  trombosupressor,  proteção 

contra infarto do miocárdio, no tratamento contra a hipoglicemia, artrite e artrite reumatóide 

(GOEL  et  al.,  2008).  Os  curcuminóides  de  C.  longa  possuem  atividade  inibidora  das 

neuraminidases  do  vírus  influenza  A  (DAO  et  al.,  2012),  doenças  neurodegenerativas  e  do 

metabolismo,  a  curcumina  também  inibe  diretamente  alguns  alvos  biológicos  (fatores  de 

transcrição e proteínas quinases) segundo Koeberle et al. (2014). 

Embora se utilize muito os rizomas de C. longa L. para a produção do açafrão também 

é possível extrair o óleo essencial tanto dos rizomas quanto das folhas desta planta, cada um 

tem  o  seu  aroma  característico  e  que  pode  ser  usado  em  diversas  aplicações  experimentais 

contra  o  Aspergillus  flavus,  fungo  produtor  de  aflotoxinas  (FERREIRA  et  al.,  2013)  e  na 

fabricação  de  nanocápsulas  para  o  combate  ao  câncer  (NATRAJAN  et  al.,  2015).  Existem 

poucos trabalhos publicados sobre a produção do óleo essencial das folhas de C. longa L. um 

deles  é  uma  pesquisa  sobre  o  combate  às  larvas  de  Aedes  aegypti  e  Anopheles 

quadrimaculatus (ALI et al., 2015), por exemplo. 

 Os  óleos  essenciais  são  compostos  voláteis  produzidos  pelas  plantas  para  sua 

sobrevivência.  A  espécie  vegetal  produz  compostos  primários,  tais  como  açúcares  e 

nitrogenados, e também compostos secundários, que não são utilizados diretamente para sua 

alimentação e nutrição. Entre os compostos secundários estão os alcalóides, os flavonóides, as 

saponinas e os óleos essenciais. Os óleos essenciais são substâncias químicas que exercem as 

funções  de  auto-defesa  e  de  atração  de  polinizadores.  A  planta  produz  óleos  essenciais  nas 

seguintes  partes:  flores,  cascas  de  frutos  (denominados  cítricos),  folhas  e  pequenos  grãos 

(“petitgrain”),  raízes,  cascas  da  árvore,  resinas  da  casca,  sementes  (WOLFFENBÜTTEL, 

2007). 



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Denominam-se tricomas as glândulas onde fica encapsulado o óleo essencial na planta. 

Estes  tricomas  são  rompidos  naturalmente  pela  espécie  vegetal,  liberando  o  óleo  essencial, 

que  forma  uma  espécie  de  “nuvem  aromática”  ao  seu  redor.  Os  tricomas  também  são 

rompidos  durante  os  processos  intencionais  de  extração  do  óleo  essencial.  O  óleo  essencial 

não é um produto simples de 1 componente, é um produto composto podendo ultrapassar 300 

componentes  químicos  diferentes.  Tal  diversidade  e  complexidade  fazem  do  óleo  essencial 

puro um produto altamente valorizado, com aplicação em diversas áreas: área da saúde devido 

ao seu potencial terapêutico, área da perfumaria e cosmética devido a sua refinada e complexa 

composição  aromática,  área  alimentícia  devido  ao  seu  potencial  como  aditivo  flavorizante, 

área  de  aromatização  ambiental  e  produtos  domosanitários,  e  a  mais  nova  área,  que  é  a  da 

moda,  confeccionando  fibras  onde  os  óleos  essenciais  inicialmente  retidos  vão  sendo 

liberados  na  medida  da  utilização  das  peças  em  couro,  bolsas,  cintos,  roupas 

(WOLFFENBÜTTEL, 2007). 

 

O presente trabalho visou analisar por espectroscopia as principais diferenças entre os 



óleos essenciais extraídos das folhas e dos rizomas do açafrão-da-terra, visando a comparação 

deles  e  a  produção  de  nanoemulsões  para  serem  testadas  afim  de  saber  se  existe  a  ação 

bactericida e atividade celular, este estudo buscou especificamente: 

 

a) Isolar o óleo essencial da folha e do rizoma de Curcuma longa L.; 



b)  Desenvolver  nanoemulsões  a  partir  de  ambos  os  óleos;  Fazer  análise  das  nanoemulsões 

pelo Potencial Zeta; 

c)  Análise  e  comparação  dos  óleos  essenciais  por  Espectroscopia  Raman,  Espectroscopia 

Infravermelho e Ultravioleta e Cromatografia Gasosa com Espectrometria de Massa;  

d) Fazer teste de atividade das nanoemulsões e dos óleos frente a macrófagos e a bactérias; 




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