Leitura de obras infanto-juvenis do magrebe francófono para trocas interculturais



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Introdução

Ao longo das nossas pesquisas, reafirmamos a importância que possui a leitura literária em aula de Língua Estrangeira (doravante LE), sobretudo quando se trata de um público mais específico: o infanto-juvenil. Essa importância é ainda mais enfatizada quando pensamos no desenvolvimento de um ensino completo – que abranja todos os pontos ratificados como importantes para esse ensino, tais como: linguístico, social e cultural, a fim de abarcar todo o contexto de ensino/aprendizagem (PINHEIRO-MARIZ; FLORÊNCIO, 2016).

Nesse viés, nossas pesquisas estão baseadas nas discussões concernentes à importância que a literatura tem no ensino de FLE para crianças, uma vez que ela permite abrir uma gama de possibilidades para o desenvolvimento de tal ensino, como já bem explicado. Tendo em mente essa importância e, ao perceber que apenas algumas obras literárias eram (re)conhecidas, sobretudo em contexto exolingue, fomos instigados a voltar nosso olhar para o mundo francófono (países de língua francesa fora da França).

São muitos os estudiosos que afirmam a relevância da literatura no processo de ensino/aprendizagem de uma língua estrangeira, dentre eles: Cuq e Gruca (2009), Gaonac’h (2006), Vanthier (2009), Reyes (2010); só para citar alguns. No entanto, quando se fala a respeito do ensino de Francês como Língua Estrangeira (FLE) para crianças e jovens e da abordagem da literatura francófona infanto-juvenil, o leque de estudos parece ficar mais restrito, principalmente se incluirmos mais uma especificação: literatura em língua francesa do continente africano.

Nesta pesquisa, procuramos analisar a literatura infanto-juvenil magrebina de língua francesa, verificando a possibilidade dela se constituir em um espaço significativo para trocas interculturais entre a referida região e o Brasil, identificando as semelhanças e diferenças que permitiriam diálogos interculturais para o pequeno aprendiz (brasileiro) da língua francesa.


  1. Pelos caminhos metodológicos

Esta pesquisa tem característica qualitativa (MOREIRA; CALEFE, 2008), visto que desejamos identificar e analisar obras literárias infanto-juvenis produzidas no Magrebe de língua francesa e publicadas nessa região. A análise será fundada nas técnicas estabelecidas para as pesquisas qualitativas e, também, bibliográficas, visto que analisaremos as especificidades dos textos selecionados, buscando averiguar elementos que favorecem a leitura-fruição de textos literários para o público infantil.

Foram identificadas obras literárias francófonas magrebinas infanto-juvenis mais recentemente para se fazer a seleção, a partir dos principais espaços de divulgação dessa publicação, como nas mídias diversas, livrarias, bibliotecas; em uma segunda fase, selecionou-se para a análise as publicações literárias infanto-juvenis do norte da África, tanto na região ocidental, onde se localiza Magrebe, quanto na oriental, onde se localiza o Machrek, que é um termo árabe que significa "levante", complementar a Magrebe ou "poente”, tratando-se, portanto de uma noção geográfico e cultural.

Nesta pesquisa, buscou-se identificar os aspectos que permitem dizer que tais obras se configuram como instrumentos da fruição literária, respondendo assim, a pergunta que norteia esta pesquisa: como tais obras literárias poderiam estimular as trocas interculturais entre a referida região e o Brasil? Assim, chegamos à análise e discussão que comprovam as peculiaridades da obra selecionada, destacando-se a sua importância para diálogos interculturais tanto entre as Áfricas, quanto o seu desdobramento para o ensino do francês para crianças no Brasil. A obra foi discutida sob a ótica de um incitamento à quebra de clichês e estereótipos, favorecendo diálogos interculturais entre o Brasil e o continente africano.




  1. Reflexões sobre a literatura infanto-juvenil do Magrebe

É sabido que a literatura pode ocasionar obstáculos de compreensão e apreensão de sentidos, principalmente para o aprendiz de uma língua estrangeira. A fim de minimizar essa problemática, identificamos na proposta ancorada na interculturalidade, como um procedimento indispensável para conduzir aprendizes do FLE iniciantes a conhecerem literaturas e culturas distantes e diversas; de modo especial, dos países que têm a língua francesa como materna ou veicular, a exemplo dos países da região megrebina e na subsaariana. A proposta do intercultural no âmbito da literatura infanto-juvenil, busca estabelecer vínculos a respeito da cultura do outro a partir da literatura-mundo1.

Ao abordar a literatura francófona africana em sala de FLE, vemos também, em Matateyou (2011), que essa literatura é rica, culturalmente, por ter suas raízes na oralidade. É devido a esse fato que a literatura infanto-juvenil de língua francesa do continente africano traz a história de seu povo, que passou/passa durante décadas as diferentes lutas existentes (CHEVRIER, 2008; HUANNOU, 1999; MOURA, 2007; RICARD, 2006).

Um elemento identificado acerca da literatura infanto-juvenil francófona do continente africano, foi o aspecto cultural: a cultura local (de cada região) faz-se presente e está impregnada em cada livro. Isso sanciona que cada livro pode levar uma criança a enxergar o mundo de outra forma, a enxergar, por exemplo, o povo africano como um povo rico culturalmente. A criança poderá perceber por si mesma que não existe superioridade entre povos, entre culturas. Existem diferenças, particularidades que, por sua vez, não indicam inferioridade.

A partir das nossas leituras, identificamos que a literatura magrebina tem uma característica marcante, visto que ela, como uma testemunha, pode ser o reflexo (quase) fiel de uma realidade cultural e identitária (KHADRAOUI, 2004). Isso se dá pelo fato de essa literatura caracterizar-se como uma espécie de resposta à colonização francesa nos países que compõem o Magrebe.

Portanto, a literatura magrebina está inserida em um contexto linguístico-cultural bilateral, possuindo um papel muito importante na construção da identidade do próprio povo magrebino, visto que ela também se caracteriza como meio de preservar a cultura e a identidade magrebinas. É com esses fatos, e com a literatura magrebina em mente, analisamos as obras literárias infanto-juvenis de língua francesa dessa região, buscando delimitar algumas características que poderão ser encontrados a partir desse levantamento, bem como confirmar algumas considerações já feitas sobre ela. Nosso objetivo não se limita a apenas observar essas questões linguísticas e culturais, mas também averiguar o papel que a literatura magrebina pode desempenhar para o desenvolvimento cultural, linguístico e social do jovem aprendiz de FLE.




  1. Levantamento das obras

O levantamento e catalogação de obras literárias de língua francesa do continente africano, pertencentes da região ao norte do Saara, endereçada ao público infanto-juvenil, foi dividido em formato de quadro afim de apresentar a divisão das obras por região, e país, para uma melhor visualização.



QUADRO 1. Levantamento das obras infanto-juvenis do Magrebe




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