Kevin B. Lee: "Os vídeo-ensaios fazem-nos ver através dos olhos de outra pessoa"



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ENTREVISTA 2 KEVIN B LEE
Interface 2.0 (2012) de Kevin B. Lee

LM – Quando preparámos esta estrevista e pensámos nesta questão da falta de representação de cinematografias menos populares, vimos e revimos alguns dos seus ensaios audiovisuais e houve um que nos interessou  particularmente: Interface 2.0 (2012), sobre o cinema do Harun Farocki. Comparando-o com o Tranformers: The Premake, é evidente que lhe interessam as imagens como linguagem, como nos filmes de Farocki e Godard. Esta é uma forma de tocar a pele do cinema. Ou como disse Valéry, a pele, a mais profunda das coisas. Disse que os vídeo-ensaios são para si uma ferramenta de ensino muito poderosa, mas não é também uma ferramenta muito estética e plástica?

Sim, a pele do cinema… Eu posso falar desse vídeo e de como foi para mim fazê-lo. Ele estava a falar de como as imagens podem comentar outras imagens. Isso tocou-me muito. Nessa altura essa possibilidade foi muito importante para mim que na altura estava já farto de narração. Isso foi a principal coisa que recebi do interface com o Farocki e os seus filmes. Mas outra coisa interessante de que ele fala é a questão da codificação e descodificação. No originalInterface, ele tentava explicar o que estava a fazer nos seus filmes – de uma modo muito interessante, é um vídeo-ensaio sobre o seu próprio trabalho, algo que eu acho que nunca ninguém havia feito antes. À medida que ele tentava explicar o seu processo ele usava uma série de técnicas, e por isso estava a aplicar uma nova camada – uma nova pele. Assim a questão punha-se sobre se a máquina do cinema era uma que permitia a descodificação ou se codificava, isto é, se servia para explicar ou se criava novos mistérios. E é isso que se está a passar com o vídeo-ensaio, em vez de ser apenas uma ferramenta para perceber filmes é agora algo sobre o que estamos a colocar várias perguntas. O que é isto? Como se tivéssemos acrescentado um nova pele à outra, uma segunda pele, e agora estamos a tentar perceber como ela é, as suas texturas. Eu pensava que estava a fazer isto como realizador e percebi que estava a mergulhar no reino dos new media. E por isso regressei à escola, a uma faculdade que tem um departamento de cinema, vídeo e novos media e era este último que mais me interessava.

Os novos media problematizam a cultura da Internet e as imagens em movimento, mas não como objecto uno num filme, como pedaços que estão constantemente a mover-se e a circular. Hoje em dia as pessoas vêem filmes em pedaços, em pequenos clips, em gifs, fragmentos ou cenas, e é assim que também escrevemos sobre filmes e os partilhamos numa base diária, por exemplo, uma imagem do Leonardo DiCaprio triste pode servir para expressar os meus sentimentos num dia mau. A cultura fílmica desmantelou a nossa ideia do cinema em pedaços que estamos a tentar compreender de novo. Eu achava que era uma pessoa do cinema, mas agora já não consigo pensar no cinema sem pensar nos novos media.


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