Kevin B. Lee: "Os vídeo-ensaios fazem-nos ver através dos olhos de outra pessoa"


RVL – Crê que a ferramenta do vídeo-ensaio pode ou deve ser usada como uma forma de imaginar um filme que não existe realmente?



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ENTREVISTA 2 KEVIN B LEE
RVL – Crê que a ferramenta do vídeo-ensaio pode ou deve ser usada como uma forma de imaginar um filme que não existe realmente?

Sim, claro. De certa forma os vídeo-ensaios são filmes que não existiam até que foram feitos. Eles são uma expressão daquilo que existia na imaginação de alguém, na sua mente. Assistir a um filme planta uma semente no espectador e o vídeo-ensaio é o que resulta do crescimento dessa semente e finalmente ganha forma física. É o filme que não existia até que todo o processo de encontro da pessoa com o filme aconteceu e daí germinou algo. Mas esta é a forma como vemos filmes: ver filmes faz-nos criar novos filmes na cabeça, e os vídeo-ensaios dão forma a esses filmes imaginados.



LM – Por vezes tendemos a esquecer os espectadores ou os leitores. Estava a falar há pouco de si, e da importância que os ensaios audiovisuais tiveram para si como realizador, escritor e pensador. De que forma é que os espectadores beneficiam na sua maneira de ver o cinema e pensar o cinema quando vêem ensaios audiovisuais?

A ideia originalmente era que se podia aprender sobre cinema, e assumia-se que os vídeo-ensaios serviam para explicar filmes a outras pessoas. Mas isto é apenas metade da história. Por que razão lemos críticas? Muitas vezes pensamos que lemos críticas porque queremos aprender sobre cinema. Eu lia uma série de críticos porque queria aprender sobre filmes com aquelas pessoas, mas depois percebi que eu queria saber tanto sobre os filmes como queria saber sobre os próprios críticos. Eu quero compreender o modo de pensar deles, como vêem o mundo, não apenas sobre os filmes, mas sobre um ponto de vista. Os vídeo-ensaios funcionam de certo modo como ver através dos olhos de outra pessoa. Por isso não é apenas sobre os filmes, mas sobre ver através da perspectiva de outra pessoa, de uma forma muito vívida, muito mais do que qualquer texto. É algo que altera a nossa forma de olhar. E pode ser uma experiência cinemática, no sentido em que vemos algo de modo muito novo e é isso que é o cinema: ver as coisas de um modo que nunca tínhamos visto antes. Os vídeo-ensaios prolongam esse potencial cinemático, reflectindo no próprio cinema. Não é apenas sobre os filmes, é sobre o acto de ver.
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