Kelleny brasil rodrigues



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CONSIDERAÇÕES FINAIS…………………………………..………………………...62

FONTES……………………………………………………………................…..…..…..63

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS……………………………………………..…...64

ANEXOS…………………………………………….………………………………..…..66


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INTRODUÇÃO

As histórias classificadas como contos de fadas constituem parte importante no

imaginário universal, seja por seus enredos simples ou a abordagem de temáticas comuns à

humanidade – amor, superação, vingança – inseridas em uma realidade ficcional fantástica

e envolvente. 

 Essas histórias eram escritas, muitas das vezes, para o público adulto, como foi o

caso das Histoires ou Contes du temps passé (1697)de Charles Perrault, nas quais a leitura

dos   contos   –   tidos   como   gênero   literário   inferior   naquele   contexto   do   século   XVII   –

justificava-se   pelas   reflexões   morais,   embutidas   por   Perrault   ao   fim   das   histórias

(BENEDETTI, 2012).

 

Tais contos maravilhosos foram, e continuam sendo, apropriados e



representados   por   diversas   modalidades   artísticas   além   da   literatura,   seja   a   pintura,   a

gravura, o teatro, o balé ou, mais recentemente, o cinema.

Walt   Disney  foi  um dos  profissionais  que   fizeram  maior   sucesso,  ao   longo  do

século   XX,   adaptando   contos   de   fadas   à   linguagem   cinematográfica.   Seu   filme   para



Branca de Neve e os Sete Anões (1937) foi a primeira animação a ser produzida no formato

de longa-metragem e inaugurou uma série de filmes que viriam a consagrar-se como os

“Clássicos da Disney”. Durante os anos seguintes, os estúdios levam aos cinemas outros

filmes de sucesso, tal qual Pinocchio (1940); Dumbo (1941) e Bambi (1942). Adaptando ao

cinema várias narrativas escritas que antes eram do domínio dos adultos, Walt Disney

estabelece as bases para um cinema que agradou diferentes audiências, sendo, contudo,

mais   direcionado   ao   público   infanto-juvenil,   com   a   promessa   de   um   mundo   perfeito

forjado através da fantasia (GABLER, 2009: 12).

Ora, o cinema de Walt Disney, assim como aquele produzido por qualquer outro

estúdio, é  confeccionado dentro  de um contexto  histórico específico  e de acordo  com

determinadas   posturas  estético-ideológicas   assumidas  pelos   profissionais   envolvidos   na

feitura dos filmes. As animações em longa-metragem da Disney podem ser inseridas  na

lógica do sistema de estúdio do cinema norte-americano,  consolidado depois de 1914, e

caracterizado pela produção de narrativas clássicas. Esse modelo, conforme Xavier (2012),

consiste   na  construção   de   uma   narrativa   pautada   na   continuidade   temporal   e   lógica,

geradora de uma “montagem transparente”, de modo a aproximar-se de uma representação




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naturalista.   Esse   sistema   reuniu   três   elementos   para   produzir   o   efeito   naturalista:   a

decupagem   clássica   (responsável   por   produzir   o   ilusionismo   e   a   identificação   do

espectador);   a   interpretação   dos   atores   baseada   nas   filmagens   em   estúdios   e   cenários

construídos (com a reprodução fiel do comportamento humano e das aparências imediatas

do mundo físico); a escolha por histórias localizadas em gêneros estratificados – como o de

conto de fadas, por exemplo. Além de prezar o controle total da realidade criada pelas

imagens, o sistema naturalista intenta tornar invisíveis os meios pelos quais essa realidade

é produzida (XAVIER, 2012: 27-45). O sistema naturalista acaba por conferir um peso de

realidade   aos   mais   diversos   tipos   de   universos   projetados   na   tela.   Sobre   as   histórias

fantásticas elaboradas a partir desse sistema narrativo clássico, Xavier (2012:42) afirma

que seu poder de atração consiste justamente na precisão com que o irreal “torna-se real”,

ou seja, é naturalizado.

Segundo Laura Mulvey

 

(2008: 437-453), a ilusão dada pelo cinema clássico ao



espectador   –   de   um   rápido   espionar   num   mundo   privado   –,   acaba   por   jogar   com   as

fantasias vouyeristas dos observadores. Apropriando-se da teoria psicanalítica enquanto um

instrumento político capaz de demonstrar o modo pelo qual o inconsciente da sociedade

patriarcal estruturou a forma do cinema, essa autora acredita que essa forma de fazer

cinema, advinda de uma cultura patriarcal, utiliza-se de um processo de espetacularização

da mulher, pelo qual o homem é o principal responsável pelo desenrolar da narrativa,

articulando o olhar e executando as ações que deflagrarão o acontecimentos importantes,

enquanto a mulher torna-se figura passiva, disponível essencialmente como objeto para ser

olhado.   Em  Cinderela  e   em  A   Bela   Adormecida,   é   possível   perceber   que   as   jovens

mulheres que intitulam os filmes e supostamente deveriam ser as protagonistas de suas

histórias,   acabam   por   realizar   poucas   ações   importantes   nas   narrativas,   precisando   da

intercessão de outros personagens, mágicos ou não, para a definição de seus desfechos nas

narrativas.

Durante a década de 1950, Disney estabelece a tradição das animações de contos de

fadas centradas nas figuras femininas, com o lançamento de  Cinderela  (1950) e  A Bela




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