Kelleny brasil rodrigues



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Figura 15:

Sequência na qual Malévola tenta impedir o príncipe Filipe de acordar Aurora com o beijo

do amor verdadeiro. 

Esse episódio não existe no conto escrito, no qual Malévola é caracterizada como

uma   velha   fada   amargurada   e   aparece   apenas   na   parte   inicial   da   narrativa,   quando

amaldiçoa a princesa. No filme, diferentemente, Malévola ganha contornos de uma criatura

muito mais maléfica, aparecendo ao longo de toda a animação, planejando maldades e

destratando a todos. 




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Figura 16:

Desenvolvimento visual para a personagem Malévola, 1959.

Marc Davis, visual development for Sleeping Beauty, ca. 1959; courtesy Mike Glad; ©

Disney. Disponível no site oficial do The Walt Disney Family Museum:

http://www.waltdisney.org/blog/marc-davis-style-compromise-sleeping-beauty

 

 



. Acesso

em: 08/12/2016.

Na figura 16, há o esboço original da vilã Malévola, elaborado por Marc Davis –

responsável por desenhar as figuras humanas de A Bela Adormecida, principalmente as

femininas.   Para   elaborar   esta   personagem   icônica,   Davis   efetuou   uma   pesquisa   de

materiais para inspiração, incluindo um livro de pinturas religiosas da Tchecoslováquia.

Dele, tirou a ideia da roupa preta e vermelha

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 com detalhes parecidos com chamas. Já a



gola alta foi inspirada na figura do morcego e os chifres referenciavam aos demônios

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. A



partir da elaboração de Malévola, fica clara a intenção de caracterizar a personagem como

uma criatura definitivamente maligna, em contraste com a menina Aurora.

Malévola não apenas se caracteriza fisicamente como um demônio, mas também é

ambientada  numa  atmosfera  obscura  que remete  ao  inferno  como  um todo:  vive  num

castelo em cima de uma montanha reclusa, além de ter um corvo, símbolo popularmente

conhecido por representar a morte. Da mesma forma que ocorre com a construção visual

da   personagem   Tremaine,   em   Cinderela,   Malévola   é   representada   por   imagens   de

escuridão.   com  tons   frios   (cinzas   escuros,   azuis   e   violetas,   além   de   muito   preto),   em

contraste com a menina aurora e as três fadas, as quais são representadas com uma gama

mais ampla de cores e cenários com maior luminosidade.

Assim como a madrasta Tremaine, de Cinderela, Malévola possui um final ruim. À

medida que Tremaine tem suas maldades punidas pelo abandono de Cinderela e a solteirice

das filhas, Malévola recebe em troca de suas perversidades a morte. É possível dizer que a

dureza de seus desfechos é proporcional às maldades cometidas por essas personagens. 

Interessante   perceber   a   centralidade   dada   à   Malévola   na   narrativa   fílmica   –

lembrando que a personagem aparece apenas no início do conto escrito. O momento de

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O vermelho da capa seria substituído por um tom lavanda, após passar pelo crivo final de Eyvind Earle,



que achou que a cor daria um aspecto mais sutil a Malévola, em harmonia com sua presença nobre e

reservada. 

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Informações   disponíveis   em:  



http://www.waltdisney.org/blog/marc-davis-style-compromise-sleeping-

beauty





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clímax no filme refere-se à batalha de Malévola contra Filipe e seus dons recebidos pelas

três fadas madrinhas e, no meio de uma sequência com tanta ação, quase não se nota a

ausência de Aurora no momento mais importante do filme, e a ideia de que a princesa é

uma donzela totalmente indefesa e precisa da salvação de um príncipe é naturalizada na

animação. A passividade e submissão da protagonista feminina é proeminente e, mesmo

assim, seu final é vitorioso, lembrando às jovens espectadoras de que não é preciso ter o

pleno controle sobre suas próprias vidas; sua união e confiança em um bom homem lhes

garantirá um final feliz. 


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