Justificativa e objetivos


RESSUSCITAÇÃO  CARDIOPULMONAR  (RCP)  MO-



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RESSUSCITAÇÃO  CARDIOPULMONAR  (RCP)  MO-

DERNA

Em 1960, um novo dado extremamente importante foi incluído 

nos conceitos de reanimação de emergência, a partir da observação 

feita por Kouwenhoven, Jude e Knickerbocker

1,46 

de que a compres-



são sobre o terço inferior do esterno, feita adequadamente, fornecia 

uma circulação artificial suficiente para manter a vida em animais 

e seres humanos com parada cardíaca. O grande interesse por esta 

técnica de compressão cardíaca externa levou à verificação rápida 

de seus resultados. Estudos posteriores indicaram a necessidade de 

associação da massagem cardíaca externa com a respiração artificial 

para a técnica de reanimação cardiorrespiratória (RCP) por Safar

47 


e confirmada

 

por Jude



48,49

. Esta associação da respiração artificial 

com a circulação artificial foi uma das recomendações mais impor-

tantes feitas pelo International Symposium on Emergency Resuscita-



tion, realizado em Stavanger, Noruega, em agosto de 1961

50

.



Percebendo o grande potencial da reanimação cardiorrespiratória, 

em 1961, a American Heart Association criou um Comitê de Reani-

mação Cardiorrespiratória, que mais tarde transformou-se no Com-

mittee on Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Care. Esta 

organização tomou a frente de um esforço intensivo para maiores 

pesquisas, para programas de treinamento e para a padronização 

da RCP. Sua campanha continua até hoje e abriu os horizontes 

da RCP, incluindo todos os aspectos dos suportes básicos de vida 

(SBV) e dos suportes de vida avançados (SVA).

O desenvolvimento de manequins para treinamento da RCP ocor-

reu concomitantemente com as evoluções iniciais das técnicas de 

RCP e os programas de treinamento. Enquanto que os primeiros 

métodos  manuais  podiam  ser  simulados  ou  praticados  entre  os 

próprios colegas de um curso de treinamento, a massagem cardíaca 

eficaz podia causar traumatismo e necessitava de manequins bem 

semelhantes ao ser humano. Estimulado pela Scandinavian Society 

of Anesthesiologists, Asmund S. Laerdal (Figura 16)

51

, que fazia bo-



necas em Stavanger, Noruega, criou a Resusci Anne, um manequim 

com coração, pulmões e pulso carotídeo . Ela tornou-se a progeni-

tora de toda uma família de manequins, incluindo Resusci-Andy

®



Resusci-Baby

®

, Anatomic Resusci-Anne



®

, Arrhythmia Resusci-An-

ne

®

 e Recording Resusci-Anne



®

 e das atuais gerações Sim Man

®

, Sim 


Baby

®

 e SIM 3G



®

 e este manequins tornaram-se fundamentais para 

um bom treinamento de RCP em todo o mundo

52,53


.

Figura 16 – Åsmund S. Lærdal

Fonte: www.laerdalfoundation.org/english/status



184

Guimarães HP, Lane JC, Flato UAP e col.

Em relação à Resusci Anne, uma breve e romantizada história 

merece  um  rápido  relato:  este  sem  dúvida  é  o  manequim 

para treinamento em ressuscitação mais conhecido em todo 

mundo.  Åsmund  Laerdal  a  projetou  baseado  em  pesquisas 

de  Peter  Safar  e  de  James  Elam,  e  a  introduziu  em  treina-

mentos, primeiramente em 1960. Um dos grandes enigmas 

esta na face do manequim: relata-se que é baseada em uma 

máscara mortuária de uma jovem desconhecida que se afo-

gou no rio Sena, em Paris, em torno de 1880; naquela época, 

comumente, os corpos recuperados no rio permaneciam em 

exposição  aguardando  a  reivindicação  da  família,  fato  que 

nunca aconteceu com a jovem em questão. Por qual motivo? 

Ninguém sabe, porque o corpo permaneceu não reclamado 

e  foi  enterrado  com  indigente.  Mas  o  assistente  funerário, 

tocado por sua beleza e por seu sorriso doce, fez uma máscara 

mortuária, de modo a permitir alguma identificação futura. 

A  imagem  assombrosa  da  jovem  que  sorria  delicadamente 

tocou  os  corações  de  Paris  e  cópias  da  máscara  mortuária 

foram encomendadas; nomeada de “L’Inconnue de la Seine” 

(“a desconhecida do Sena”) (Figura 17), logo teve suas cópias 

comuns distribuídas entre os salões da França, e sua histó-

ria,  romantizada  por  escritores  franceses  e  alemães.  Assim 

quando chegou o momento de se escolher um rosto para o 

manequim de salvamento, o sorriso de uma mulher francesa 

desconhecida cuja vida curta teve antecipado trágico fim se 

transformou na “face mais beijada” do mundo, ajudando a 

conservar vidas de tantos outros.

Figura 17 – “L’Inconnue de la Seine”

Fonte: Arquivo dos autores. 

O entusiasmo inicial pela RCP e os possíveis riscos de seu uso 

indiscriminado levaram à realização de um relatório sobre seus 

riscos e benefícios, em Editorial no Circulation, em setembro 

de 1965

52

. Este foi assinado pela American Heart Association 



(AHA), pela American Red Cross (ARC) e pela Industrial Me-

dical Association (IMA). Sugeria que a RCP fosse uma “técnica 

médica” para ser aplicada apenas por pessoas cuidadosamente 

treinadas; que o treinamento da RCP para o público em geral 

fosse adiado até que houvesse mais dados acumulados; e que a 

ênfase devesse ser dada ao treinamento de médicos, dentistas, 

enfermeiros e socorristas especialmente qualificados.

Com o acúmulo de maiores experiências sobre os benefícios e 

riscos da RCP, em maio de 1966 foi publicado na revista Cir-



culation um relatório, assinado pela AHA, ARC, IMA e pelo 

U.S. Public Health Service

52,53


. Este mudou o conceito da téc-

nica para “técnica de emergência”. Acentuou a necessidade de 

treinamento e retreinamento para garantir o reconhecimento 

imediato da necessidade de RCP e de sua boa execução. Soli-

citava que o treinamento fosse amplamente disseminado pelos 

membros  das  equipes  médicas,  odontológicas,  enfermagem 

e outras profissões ligadas à saúde. Entretanto, recomendava 

que o treinamento da RCP para o público em geral deverias 

aguardar mais dados.




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