José alves dias



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Antonio Bandeira de Mello (Curso de Direito Administrativo, Malheiros, 15ª ed., p. 104), 
que  “nem  favoritismo  nem  perseguições  são  toleráveis.  Simpatias  ou  animosidades 
pessoais,  políticas  ou  ideológicas  não  podem  interferir  na  atuação  administrativa  e  muito 
menos interesses sectários, de facções ou grupos de qualquer espécie.”; 
 
12 - E não é só. O uso da máquina do Estado – que compreende o sistema de ensino – para 
a  difusão  das  concepções  políticas  ou  ideológicas  de  seus  agentes  é  incompatível  com  o 
princípio  da  neutralidade  política  e  ideológica  do  Estado.  Também,  com  o  princípio 
republicano,  com  o  princípio  da  isonomia  (igualdade  de  todos  perante  a  lei)  e  com  o 
princípio do pluralismo político e de ideias, todos previstos, explícita ou implicitamente, na 
Constituição Federal; 
 
 
 
13  -  No  que  se  refere  à  educação  moral,  referida  no  art.  2º,  VII,  do  projeto  de  lei,  a 
Convenção Americana sobre Direitos  Humanos,  vigente no Brasil, estabelece  em  seu art. 
12  que  “os  pais  têm  direito  a  que  seus  filhos  recebam  a  educação  religiosa  e  moral  que 
esteja de acordo com suas próprias convicções”; 
 
14 - Ora, se cabe aos pais decidir o que seus filhos devem aprender em matéria de moral, 
nem o governo, nem a escola, nem os professores têm o direito de usar a sala de aula para 
tratar  de  conteúdos  morais  que  não  tenham  sido  previamente  aprovados  pelos  pais  dos 
alunos; 
 
15 - Finalmente, um Estado que se define como laico – e que, portanto, deve ser neutro em 
relação  a  todas  as  religiões  –  não  pode  usar  o  sistema  de  ensino  para  promover  uma 
determinada moralidade, já que a moral é em regra inseparável da religião; 
 
16.  Permitir  que  o  governo  de  turno  ou  seus  agentes  utilizem  o  sistema  de  ensino  para 
promover  uma  determinada  moralidade  é  dar-lhes  o  direito  de  vilipendiar  e  destruir, 
indiretamente, a crença religiosa dos estudantes, o que ofende os artigos 5º, VI, e 19, I, da 
Constituição Federal. 
 
Ante  o  exposto,  entendemos  que  a  melhor  forma  de  combater  o  abuso  da 
liberdade  de  ensinar  é  informar  os  estudantes  sobre  o  direito  que  eles  têm  de  não  ser 
doutrinados por seus professores, a fim de que eles mesmos possam exercer a defesa desse 
direito, já que, dentro das salas de aula, ninguém mais poderá fazer isso por eles. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
         
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Nesse sentido, o projeto que ora se apresenta está em perfeita sintonia com o art. 2º da Lei 
de  Diretrizes  e  Bases  da  Educação  Nacional,  que  prescreve,  entre  as  finalidades  da 
educação,  o  preparo  do  educando  para  o  exercício  da  cidadania.  Afinal,  o  direito  de  ser 
informado sobre os próprios direitos é uma questão de estrita cidadania. 
 
Note-se  por  fim,  que  o  projeto  não  deixa  de  atender  à  especificidade  das 
instituições  confessionais  e  particulares  cujas  práticas  educativas  sejam  orientadas  por 
concepções,  princípios  e  valores  morais,  às  quais  reconhece  expressamente  o  direito  de 
veicular  e  promover  os  princípios,  valores  e  concepções  que  as  definem,  exigindo-se, 
apenas,  a  ciência  e  o  consentimento  expressos  por  parte  dos  pais  ou  responsáveis  pelos 
estudantes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
         
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Sala das Sessões,
 
de
 
de 2016. 
 
 
 
 
 
 



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