José alves dias



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Praeponere (A nada dar mais valor do que a Cristo), além de seus perfis no YouTube
®

no  Twitter
®
  e  no  Facebook®
®
.  Todas  as  redes  mantêm  a  mesma  identidade  visual  e 
complementam-se  fazendo  referências  recíprocas  (vídeos,  textos,  livros,  postagens, 
reportagens e entrevistas). Segundo Silveira,  “toda a intensa  atividade do padre Paulo 
Ricardo como professor, pregador, palestrante e ‘lobista’ junto a deputados católicos e 
evangélicos está espalhada nas redes sociais eletrônicas”. Para o autor, o padre se utiliza 
desse  capital  simbólico  conseguido  com  sua  atuação  nas  redes,  em  palestras  e  em 
eventos  católicos  de  massas  pelo  Brasil  para  “pressionar  políticos  religiosamente 
conservadores  e  campanhas  políticas  no  Congresso  e  nas  Câmaras  Estaduais”. 
(SILVEIRA, 2015, p. 24) 
O padre Paulo  Ricardo,  que se coloca, como  “‘militante’ anticomunista e anti-
PT” também oferece em sua página uma série de cursos gratuitos em vídeo tanto sobre a 
doutrina  católica  quanto  sobre  temas  da  atualidade.  Um  de  seus  cursos  é  justamente 
sobre Revolução e Marxismo Cultural (PADRE, 2016?), sendo composto de 6 aulas: 1) 
Visão  Histórica;  2)  O  fascismo  e  marxismo  cultural;  3)  Reação  à  crise  marxista;  4) A 
infiltração do marxismo cultural no Brasil; 5) Teologia da libertação e sua influência na 
igreja  e  6)  Como  lutar  o  bom  combate.  Nestes  vídeos,  estão  expostos  todos  os 
argumentos que embasam o PL 1859/2015. Segundo a ementa do curso disponível neste 
site, o objetivo 
 [...]  é  o  de  apresentar  a  revolução  cultural  dentro  da  Igreja  ou,  melhor 
dizendo, um estudo sistemático das raízes da Teologia da Libertação e de sua 


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atuação dentro da Igreja Católica. Como reflexão teológica, o objetivo é o de 
identificar  o  que  está  acontecendo  com  a  teologia  e  a  maneira como  o 
pensamento  revolucionário  está  influenciando  a  forma  de  pensar  a  teologia, 
Deus, a Igreja e o sacerdócio. Porém, para se chegar à teologia é importante 
conhecer  as  raízes  desta  revolução,  que  se  encontram  na  filosofia.  O  curso 
também irá abordar a razão pela qual a expressão teologia da libertação não é 
mais  tema  de  discussão.  Na  realidade,  ela  já  domina  hegemonicamente  o 
pensamento da própria Igreja. E é exatamente para desmascarar esse domínio 
velado  que  este  curso  é  apresentado  aos  alunos  do  site  Christo  Nihil 
Praeponere. (PADRE, 2016?) 
Figura 6 – Print screen da página com as seis aulas sobre marxismo cultural 
 Fonte: https://padrepauloricardo.org/ 
Figura 7 - Nesta imagem é possível observar a duração de cada “aula” 
 
Fonte: https://padrepauloricardo.org/ 
Segundo Silveira,  
[...]  são  falas  que  mesclam  muitos  elementos,  constituindo  um  mosaico 
desarmônico de referências e uma leitura enviesada e absolutamente fora dos 
padrões acadêmicos da sociologia, filosofia ou antropologia. Nelas, são feitas 
referências  a  filósofos  fundamentais,  como  Karl  Marx,  Friedrich  Hegel  e 
Antônio  Gramsci,  além  de  Judith  Butler  e  outros.  As  ideias  filosóficas  dos 


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pensadores  e  os  fatos  históricos  citados  (como  a  Revolução  Russa,  por 
exemplo)  boiam  como  fragmentos  em  meio  a  um  caldo  de  leitura  feito  por 
uma  “hermenêutica”  da  suspeita  absoluta,  chegando  a  afirmações 
completamente  desfocadas,  descontextualizadas  e  dificilmente  corroboradas 
como acadêmicas e científicas. Desse modo, não analiso as falhas lógicas do 
argumento, tampouco as ideias filosóficas, mas o que torna o argumento um 
“tecido  contínuo”  e  situa  o  discurso  como  forma  de  inserção  nos  jogos 
linguísticos. (SILVEIRA, 2015, p. 31) 
Acreditamos  ter  encontrado  ao  longo  da  pesquisa  indícios  suficientes  para 
afirmar que o Movimento Escola Sem Partido não é algo isolado com relação ao cenário 
político  e  ideológico  brasileiro.  Acreditamos  ter  demonstrado  como  o  movimento 
insere-se na lógica de contenção da laicização da sociedade e secularização do Estado, 
tal  como  defendido  por  Cunha.  Os  mesmos  parlamentares,  que  propuseram  as  leis 
programa  ESP  e  congêneres,  foram  autores  dos  projetos  de  lei  contrários  ao  aborto,  à 
eutanásia,  a  direitos  da  população  LGBT,  que  contrariam  a  tradicional  moral  cristã. 
Seus  discursos  baseiam-se  na  defesa  da  família  (tradicional)  e  contra  tudo  que 
identifiquem  como  uma tentativa  de  destruição  desta,  como,  por  exemplo,  a  discussão 
de gênero, identificada por estes grupos como “ideologia de gênero”. 
 

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