José alves dias


participado das Constituintes de 1934 e 1946



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participado das Constituintes de 1934 e 1946. 


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tidos  como  ilegítimos,  quando  morriam  não  podiam  ser  enterrados  nos 
cemitérios públicos. Portanto, os presbiterianos, metodistas e congregacionais 
desenvolveram  uma  longa  e  silenciosa  luta  contra  o  monopólio  religioso  da 
Igreja  Católica,  até  que  a  laicidade  republicana  (plataforma  de  liberais, 
maçons e positivistas) os liberou dos entraves jurídico-políticos existentes no 
Estado confessional da monarquia. (CUNHA e OLIVA, 2014, p.218-19) 
Nos  concentraremos,  agora,  em  traçar  brevemente  a  história  do  movimento  no 
Brasil para chegarmos à questão fundamental para nós, que é a sua atuação parlamentar, 
principalmente nas questões relativas à educação. Mariano, citando Freston, aponta que 
“o pentecostalismo brasileiro pode ser compreendido como a história de três ondas de 
implantação de igrejas”. (MARIANO, 2014, p. 28-9) A primeira ocorreu na década de 
1910, com a chegada da Congregação Cristã, em 1910, em São Paulo, e da Assembleia 
de Deus, em 1911, em Belém. De 1910 até 1950, as duas religiões se expandiram sem 
concorrentes por todo Brasil, da seguinte maneira:  
[...]  no  início,  compostas  majoritariamente  por  pessoas  pobres  e  de  pouca 
escolaridade,  discriminadas  por  protestantes  históricos  e  perseguidas  pela 
Igreja  Católica,  ambas  caracterizaram-se  por  um  ferrenho  anticatolicismo, 
por  enfatizar  o  dom  de  línguas,  a  crença  na  volta  iminente  de  Cristo  e  na 
salvação paradisíaca e pelo comportamento de radical sectarismo e ascetismo 
de rejeição do mundo exterior. (MARIANO, 2014, p. 29) 
A  segunda  onda  pentecostal  se  deu  basicamente  em  São  Paulo,  de  onde  se 
espalhou pelo país nos anos 1950 e início dos 1960. Foi nesse período que começou a 
fragmentação  dos  pentecostais  em  três  grandes  grupos:  Quadrangular  (1951),  Brasil 
Para Cristo (1955) e Deus é Amor (1962) e dezenas de igrejas menores. Iniciou-se com 
o  “trabalho  missionário  de  dois  ex-atores  de  filmes  de  faroeste  do  cinema  americano, 
Harold  Williams  e  Raymond  Boatright,  vinculados  à  International  Church  of  The 
Foursquare Gospel, que [...] trouxeram para o Brasil o evangelismo de massa centrado 
na mensagem da cura divina”. (MARIANO, 2014, p. 30) Ainda segundo Mariano, 
[...]  com  mensagem  sedutora  e  métodos  inovadores  e  eficientes,  atraíram, 
além  de  fiéis  e  pastores  de  outras  confissões  evangélicas,  milhares  de 
indivíduos  dos  estratos  mais  pobres  da  população,  muitos  dos  quais 
migrantes  nordestinos.  Causaram  escândalo  e  reações  adversas  por  toda 
parte.  Mas,  ao  chamarem  a  atenção  da  imprensa,  que  os  ridicularizava  e  os 
acusava  de  charlatanismo  e  curandeirismo,  conseguiram  pela  primeira  vez 
dar  visibilidade  a  este  movimento  religioso  no  país.  (MARIANO,  2014,  p. 
30) 
Já  a  terceira  onda  começou  no  final  dos  anos  1970,  ganhando  força  nos  anos 
1980  no  Rio  de  Janeiro.  Teve  como  principais  igrejas  a  Igreja  Universal  do  Reino  de 
Deus  (IURD),  criada  por  Edir  Macedo  em  1977,  e  a  Igreja  Internacional  da  Graça  de 
Deus, de R. R. Soares e surgida em 1980. Para Mariano


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[...]  a  terceira  onda  demarca  o  corte  histórico-institucional  da  formação  de 
uma  corrente  pentecostal  que  será  aqui  designada  de  neopentecostal,  termo 
praticamente já consagrado pelos pesquisadores brasileiros para classificar as 
novas  igrejas  pentecostais,  em  especial  a  Universal  do  Reino  de  Deus.  O 
prefixo  neo  mostra-se  apropriado  para  designá-la  tanto  por  remeter  à  sua 
formação  recente  como  ao  caráter  inovador  do  neopentecostalismo. 
(MARIANO, 2014, p. 33) 
Mariano,  analisando  o  movimento  neopentecostal,  aponta  algumas  diferenças 
deste  movimento  para  as  duas  ondas  pentecostais  que  o  precederam.  Segundo  ele,  as 
duas primeiras ondas não possuíam “diferenças teológicas significativas entre si”, mas o 
mesmo  não  acontecia  comparando  pentecostais  e  neopentecostais.    Enquanto 
pentecostais  buscavam  a  salvação  pelo  ascetismo  e  a  “rejeição  do  mundo”,  os 
neopentecostais pregavam a “Teologia da Prosperidade” a qual, “grosso modo, defende 
que  o  crente  está  destinado  a  ser  próspero,  saudável  e  feliz  neste  mundo”.    Assim, 
“enquanto a primeira onda privilegia as línguas estranhas e a segunda, a cura divina”, os 
neopentecostais,  como  são  conhecidos  os  evangélicos  da  terceira  onda,  “enfatizam  a 
libertação  dos  demônios”.  Segundo  Mariano,  “tal  ênfase  nos  rituais  de  exorcismo  e  o 
repúdio  à  umbanda  acarretam  ataques  aos  cultos  afro-brasileiros,  dos  quais  procura 
libertar  seus  fiéis  e  clientes”  (MARIANO,  2014,  p.  35-6)  Mas,  essa  cruzada  pela 
“libertação dos demônios” não aconteceria apenas no campo individual e espiritual. A 
crença seria a de que, 
[...]  na  atualidade,  vivemos  e  participamos  de  uma  empedernida  guerra 
cósmica  entre  Deus  e  Diabo  pelo  domínio  da  humanidade.  Tal  perspectiva 
teológica,  porém,  não  se  reduz  à  crença  nesta  guerra  sobrenatural  e  a 
mediações  ritualistas  para  enfrentá-la.  A  teologia  do  domínio  ostenta 
igualmente um ideário de dominação sociopolítica (Cox, 1995: 281-297) ou, 
nos  termos  de  Gilles  Kepel  (1991),  concepções  de  descristianização  da 
sociedade “pelo alto”, quer dizer, pela via político-partidária e, acrescentaria, 
pela mídia eletrônica. (Idem) 
 
Mariano  aponta  que  não  há  como  não  notar  os  evangélicos.  Como  pretendem 
transformar a sociedade não apenas pela “conversão individual” e pela “inculcação da 
moral bíblica”, mas também pela “realização crescente de obras sociais, da participação 
na política partidária, da conquista de postos de poder nos setores privado e público e do 
uso  religioso  do  rádio  e  da  TV”  (MARIANO,  2014,  p.  45),  construíram  para  si  uma 
megaestrutura. Com estes fins,  
[...]  além  dos  milhares  de  templos  espalhados  pelo  país,  muitos  deles 
localizados  em  teatros  e  cinemas  decadentes  ou  desativados,  as  igrejas 
pentecostais  possuem  diversos  seminários  teológicos,  escolas,  editoras, 
gravadoras,  lojas,  livrarias,  videolocadoras,  organizações  missionárias  e  de 
assistência  social,  fundações,  orfanatos,  asilos,  hospitais,  centenas  de 
emissoras  de  rádio  e  algumas  de  TV.  Publicam  um  sem-número  de  jornais, 
revistas e folhetos. (MARIANO, 2014, p. 16) 


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Os evangélicos, então, romperam com a tradicional postura pentecostal apolítica, 
“ao  substituírem  a  velha  máxima  ‘crente  não  se  mete  em  política’  por  projetos 
eclesiásticos corporativistas radicados no slogan ‘irmão vota em irmão’ título de livro 
de um pastor assembleiano” e “passaram a engajar-se ativamente na política partidária 
por ocasião do Congresso Nacional Constituinte de 1986”. (MARIANO, 2014, p. 15)  
A análise das estatísticas a respeito da pertença religiosa dos brasileiros também 
é  bastante  significativa.  Segundo  Silveira  (2015),  considerando  o  período  de  1910  a 
2010,  o  número  de  católicos  caiu  de  90%  para  menos  de  68%  enquanto  o  número  de 
evangélicos foi de praticamente zero para 22%, em 2010. Mas, a análise se torna mais 
interessante  se  compararmos  esses  dados  com  os  de  Mariano  (2014),  que  considera  o 
período de 1980 a 2010. Segundo os dados apresentados por ele, nesses anos o número 
de católicos diminuiu de 89,2% para 64,6% e o de evangélicos aumentou de 6,6% para 
22%. Ainda que haja uma pequena variação nos dados fornecidos por ambos quanto ao 
número de católicos em  2010, o interessante é perceber como  praticamente não houve 
variação  no  número  de  católicos  e  evangélicos  nos  70  anos  entre  1910  e  1980  e  que 
apenas a terceira onda pentecostal foi capaz de alterar significativamente as estatísticas 
de pertença religiosa. Outra questão importante é que, mesmo que a pertença religiosa 
tenha  mudado,  o  número  de  cristãos  permanece  praticamente  inalterado  neste  período 
de cem anos, estando na casa dos 87% em 2010. 
 
Segundo  Mariano  (2014),  “a  expansão  do  pentecostalismo  constitui  fenômeno 
de  amplitude  mundial”,  uma  vez  que  esse  ramo  do  cristianismo  vem  crescendo 
aceleradamente  no  Pacífico  Sul,  na  África  e  no  leste  e  sudeste  da  Ásia,  em  “um 
autêntico processo de globalização ou transnacionalização”. Nenhum continente supera 
a  América  Latina  e,  “em  números  absolutos,  [o  Brasil]  figura  como  o  maior  país 
protestante  da  América  Latina,  abrigando  pouco  menos  da  metade  dos  cerca  de  50 
milhões de evangélicos estimados atualmente no continente” (MARIANO, 2014, p. 9). 
Contudo, convém lembrar que, se o Brasil é o maior país protestante da América do Sul, 
também é o maior país católico do mundo. 



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