José alves dias



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CAPÍTULO 2ESTADO, RELIGIÃO E 
EDUCAÇÃO NO BRASIL


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3 CAPÍTULO 2: Estado, religião e educação no Brasil
 
Procuramos,  ao longo do primeiro capítulo,  enquanto  apresentamos  os  projetos 
de  lei  relacionados  ao  Escola  Sem  Partido  e  à  proibição  do  debate  de  gênero  na 
educação especificamente, já indicar as relações entre seus propositores e setores mais 
conservadores das religiões cristãs. Como vimos, boa parte dos projetos são de autoria 
de parlamentares  fortemente atrelados a essas  religiões ou  às  suas  bancadas  -  a Frente 
Parlamentar Evangélica  do Congresso  Nacional  e a Frente Parlamentar  Mista Católica 
Apostólica Romana. Além disso, o discurso destes projetos baseia-se tanto na defesa de 
uma moral judaico-cristã quanto no modelo de família mononuclear defendido por esta 
mesma tradição. 
Os dados coletados e as análises construídas ao longo da pesquisa nos levaram a 
concordar  com  Cunha  a  respeito  da  contínua  interferência  das  religiões  hegemônicas 
(católica  e  evangélicas)  nas  políticas  públicas  para  educação  no  Brasil.  Acreditamos 
também  que  a  disputa  por  hegemonia  no  campo  das  políticas  públicas  para  educação 
entre  grupos  mais  progressistas,  alinhados  com  as  diretrizes  dos  órgãos  internacionais 
como  a  Organização  dos  Estados  Americanos  (OEA)  e  a  ONU,  e  grupos  mais 
conservadores,  próximos  ao  discurso  produzido  por  grupos  religiosos  tradicionalistas, 
não esteja ocorrendo apenas no Brasil, como exemplificamos com o caso da Colômbia. 
Neste  sentido,  o  MESP  seria  fruto  da  combinação  entre  dois  elementos:  o  peso  da 
tradição  da  influência  católica  na  educação  brasileira  e  a  adesão  a  uma  nova  onda 
conservadora,  também  de  influência  religiosa,  abarcando  católicos  e  evangélicos,  que 
tem  em  sua  linguagem  e  nos  meios  empregados  para  divulgá-la  características  mais 
modernas. Em texto recente, Cunha apresenta a tese de que 
[...]  o currículo da Educação Básica, particularmente das escolas públicas, é 
objeto  de  ação  modeladora  que  visa  frear  os  processos  de  secularização  da 
cultura  e  de  laicidade  do  Estado,  mediante  dois  movimentos,  um  de 
contenção,  outro  de  imposição.  Ambos  os  movimentos  configuram  um 
projeto  de  educação  reacionária,  entendida  aqui  como  a  que  se  opõe  às 
mudanças  sociais  em  curso  e  se  esforça  para  restabelecer  situações 
ultrapassadas. (CUNHA, 2016, p. 2) 
 Segundo  esse  autor,  o  movimento  de  contenção  seria  um  movimento  social  e 
parlamentar e teria como sua principal arma os projetos do tipo Escola Sem Partido. Já 
os  projetos  de  imposição  seriam  parlamentares  e  governamentais  que  propõem  a 
inclusão das disciplinas de Moral  e Cívica e de Ensino  Religioso  no currículo escolar. 


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Acreditamos que esta tese consegue de fato abarcar boa parte do fenômeno conservador 
que observamos na educação nos últimos anos, uma vez que oferece uma perspectiva de 
interpretação  mais  abrangente,  se  compreendemos  a  luta  contra  a  laicidade  e  a 
secularização para além da ação de segmentos religiosos, mas também empreendida por 
setores conservadores de maneira mais ampla e que, muitas vezes, se beneficiam ou até 
mesmo se apropriam do discurso religioso. 
A partir das afirmações acima, explicitamos que, neste capítulo, buscamos traçar 
um breve histórico do envolvimento de católicos
 
e evangélicos com as políticas públicas 
para  educação  no  Brasil,  examinando  sempre  os  pontos  de  afinidade  entre  a  tradição 
católica ou cristã e o discurso do MESP.  Destacamos também a relação entre a “guerra 
cultural católica” e sua apropriação pelos segmentos mais conservadores da sociedade 
brasileira  e  a  ofensiva  contra  a  questão  de  gênero,  identificada  por  estes  grupos  como 
“ideologia de gênero”. 



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