José alves dias



Baixar 4.59 Kb.
Pdf preview
Página19/77
Encontro17.03.2020
Tamanho4.59 Kb.
1   ...   15   16   17   18   19   20   21   22   ...   77
Ideologia Alemã, sem alusão à edição e página, procedemos a uma pesquisa 
por meio da qual constatamos que a passagem citada não consta de nenhuma 
das  publicações  em  português  desta  obra  e  que  a  mesma  se  trata,  na 
realidade, de uma montagem a partir de trechos que aparecem em diferentes 
partes do livro, sem sequer respeitar a ordem sequencial dos mesmos. Desse 
modo,  o  requerimento  atribuiu  à  Marx  e  Engels  um  raciocínio  que  não  era 
deles,  mas  que  seria  conveniente  que  fosse  porque  assim  ficaria  mais  fácil 
combater o marxismo. (DERISSO, 2016, p. 6) 
No trecho abaixo, retirado do projeto de lei, contendo a suposta explicação dos 
escritos  de  Marx  e  Engels,  podemos  observar  que  a  análise  de  Derisso  é,  de  fato, 
correta: a destruição da família é apresentada como pré-requisito para o comunismo. 
Nesta  obra  [A  Origem  da  Família,  da  Propriedade  Privada  e  do  Estado], 
Engels,  seguindo  Marx,  sustentava  que  nos  primórdios  da  história  não  teria 
existido  a  instituição  que  hoje  denominamos  de  família.  A  vida  sexual  era 
totalmente  livre  e  os  homens  relacionavam-se  sexualmente  com  todas  as 
mulheres.  Deste  modo,  as  crianças  somente  conheciam  quem  eram  as  suas 
mães,  mas  não  sabiam  quem  fossem  os  seus  pais.  Mais  tarde,  à  medida  em 
que a sociedade passou de caçadora à agricultora, a humanidade começou a 
acumular  riqueza  e  os  homens,  desejando  deixar  as  novas  fortunas  como 
herança à sua descendência, para terem certeza de quem seria o seu herdeiro, 
foram obrigados a forçar as mulheres a não mais se relacionarem com outros 
parceiros.  Com  isto  transformaram  as  mulheres  em  propriedade  sexual  e 
assim  teriam  surgido  as  primeiras  famílias,  fruto  da  opressão  do  homem 
sobre a mulher, e com a qual se teria iniciado a luta de classes. A conclusão 
óbvia  desta  tese,  afirmada  como  absoluta  certeza,  visto  que  confirmava  as 
teorias  já  levantadas  pelo  jovem  Marx,  é  que  não  poderia  haver  revolução 
comunista  duradoura  sem  que  a  concomitante  destruição  da  família. 
(CAMARA DOS DEPUTADOS, 2015d) 
Entretanto, como explica Derisso, não há nestes escritos nenhum trecho sobre a 
necessidade dos revolucionários destruírem a família ou mesmo que ela fosse acabar: 
A  utilização  da  expressão  “origem  da  família”  no  título  da  obra  de  Engels 
associa-se à ideia de que a família é um produto histórico-cultural e, portanto, 
dinâmica, diferente da horda animal que a antecede. Isto fica evidente no fato 
de que Engels apresenta uma sucessão de modelos de famílias historicamente 
constituídas,  sem  teorizar  sobre  um  suposto  desaparecimento  da  instituição 
familiar, e muito menos que tal desaparecimento seria um pressuposto para a 
destruição  da  propriedade  privada  e  implantação  do  comunismo.  Ao  passo 
que com relação à propriedade privada e ao estado, Engels indica o contexto 
de  seus  surgimentos  e  as  pré-condições  para  a  destruição  de  ambas  as 
instituições.  Mas  mesmo  assim  os  opositores  da  chamada  “ideologia  de 
gênero”  ao  invés  de  dizerem  que  ele  concebia  várias  formas  históricas  de 
instituições  familiares,  sustentam  que  a  teoria  marxista  está  na  base  da 
conspiração contra a família. (DERISSO, 2016, p. 10) 


49 
 
 
 
A seguir, o texto do projeto de lei explica a longa conspiração para a destruição 
da família e do Estado através do uso da chamada “ideologia de gênero”: 
O  que  verdadeiramente  está  acontecendo  é  que  o  conceito  de  ‘gênero’  está 
sendo  utilizado  para  promover  uma  revolução  cultural  sexual  de  orientação 
neo-marxista  com  o  objetivo  de  extinguir  da  textura  social  a  instituição 
familiar. Na submissão do feminino ao masculino através da família, Marx e 
Engels  enxergaram  o  protótipo  de  todos  os  subsequentes  sistemas  de  poder. 
Se  esta  submissão  é  consequência  da  biologia,  não  há  nada  a  que  se  fazer. 
Mas se ela é uma construção social, ou um gênero, então, a longo prazo, ela 
poderá  ser  modificada  até  chegar-se  a  uma  completa  igualdade  onde  não 
haverá  mais  possibilidade  de  opressão  de  gênero,  mas  também  onde  não 
haverá  mais  famílias,  tanto  as  heterossexuais  como  demais  famílias 
alternativas.  Neste  contexto,  a  educação  caberia  como  uma  tarefa  exclusiva 
do  Estado,  e  não  existiria  mais  traços  diferenciais  entre  o  masculino  e  o 
feminino.  Em  um  mundo  de  genuína  igualdade,  segundo  esta  concepção, 
todos  teriam  que  ser  educados  como  bissexuais  e  a  masculinidade  e  a 
feminilidade  deixariam  de  ser  naturais.  (CAMARA  DOS  DEPUTADOS, 
2015d) 
Por  fim,  o  texto  explica  como  esta  “revolução  cultural  sexual  de  orientação 
neomarxista” foi tramada pela ONU, pela delegação dos Estados Unidos e pela própria 
primeira dama americana Hillary Clinton ao recomendarem o uso no termo “gênero” no 
lugar de “sexo” sem responder qual seria a definição de gênero e levando as delegações 
de outros países a adotar o termo por boa-fé, acreditando que “gênero” seria apenas um 
sinônimo  chique  para  “sexo”.  O  termo  gênero  tem  sido  um  dos  principais  alvos  dos 
deputados defensores  dos  projetos  do Programa  Escola sem  Partido, seja neste projeto 
1859/2015  de  maneira  direta,  seja  nos  7.180/2014  e  7.181/2014  ou  na  PEC  435/2014, 
que retiraram  gênero do  currículo nacional ao vedar os temas  transversais,  única parte 
dos  Parâmetros  Curriculares  Nacionais  (PCN)  na  qual  estava  presente  o  debate  sobre 
gênero. 
Figura 4 – Ilustrações contra o uso do termo gênero ou questões associadas, veiculadas 
na página do Movimento Escola Sem Partido 

1   ...   15   16   17   18   19   20   21   22   ...   77


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal