Jornalismo e História: As importantes ligações e relações temáticas



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Jornalismo e História: As importantes ligações e relações temáticas

Diones Franchi 1

Na produção de um programa de TV, documentário ou periódicos impressos sobre a história, é necessário que na equipe, possamos contar com o profissionalismo do jornalista e do historiador. Esses dois profissionais devem interagir através do processo de pesquisa e fundamentação dos conteúdos a serem veiculados ou impressos.

O jornalismo e a história devem buscar importantes ligações temáticas para o bom desenvolvimento da produção histórica através dos meios de comunicação.

Enquanto a História estuda a vida humana através do tempo e o “pensamento dos homens”, suas ações e seu reflexo no cotidiano, o jornalismo trabalha na procura desses “pensamentos dos homens e suas ações” para a divulgação de “informações por meio de veículos de comunicação”, como jornais, revistas, rádio, TV e internet.

Segundo Silva (2003), apesar da força que liga o jornalismo e a história acreditamos que são raros os enfoques que tratam de maneira diferenciada, tal relação. Assim como o oposto, a História também pode ser interpretada como um instrumento do jornalismo no desenvolvimento de suas funções de informar, explicar e orientar.

Busca-se nesse contexto a eficiência da documentação histórica como complementação da pesquisa jornalística. Por outro lado, a informação veiculada ou impressa constitui-se um recurso utilizado por historiadores e pesquisadores da história como instrumento de contextualização e retratação do passado.

Desde o surgimento da imprensa por Johannes Gutenberg por volta de 1450, a informação jornalística é usada como registro pela historiografia. Por esse motivo a história utiliza-se do jornalismo como ferramenta de pesquisa. Nesse contexto é possível que o jornalismo através de um programa de TV, seja utilizado como ferramenta para a divulgação da história local em uma determinada comunidade.



Para a produção desses programas é necessário que o jornalista utilize uma pesquisa bibliográfica documentada, com a importância do uso das imagens e se possível à inclusão de entrevistas com pesquisadores, historiadores ou pessoas que estejam envolvidas no contexto. Relatos também podem fazer parte, visando à humanização do assunto abordado no programa de TV, documentário ou impresso.

Segundo Celestino (2011), o jornalismo é uma importante ferramenta na produção histórica:

A história escrita por jornalistas aborda temas históricos, como a publicação de livros, sendo comum jornais publicarem cadernos especiais sobre temas históricos.
É necessário que para a contribuição e divulgação histórica, as duas áreas, devam se ajudar a romper e esclarecer as fronteiras das duas disciplinas.

Recentemente existem as discussões que envolvem o que se convencionou chamar de nouvelle histoire, que significa “nova história” e foram inauguradas na França na década de 1970, por Jacques Le Goff. Sua coleção inaugurou uma série baseada em novos problemas, novos objetos e novas abordagens.

Essa temática aponta ligações importantes entre o Jornalismo e a história através das ideias propostas.

O historiador britânico Peter Burke (1992), aponta como importante o novo diálogo histórico publicando seu livro “A Nova História seu passado e seu futuro”, onde afirma:

A história nacional, dominante no século dezenove, atualmente tem de competir com a história mundial e a história regional (antes deixada a cargo de “antiquários” amadores) para conseguir atenção. Há muitos campos novos, frequentemente patrocinados por publicações especializadas. A história social, por exemplo, tornou-se independente da história econômica apenas para se fragmentar, como alguma nova nação, em demografia histórica, história do trabalho, história urbana, história rural e assim por diante.
Entende-se a importância da história local e regional também para os novos parâmetros da Nova História, para o trabalho jornalístico.

Dessa forma a preocupação pela Nova História, consiste também em artigos publicados por Peter Burke, que destacam pontos fundamentais que podem ser usados também por jornalistas para a pesquisa na mídia: Destacamos dois pontos principais pelo autor que seriam:

1 - A preocupação por uma história total olhando a história dos pequenos acontecimentos, localidades, aspectos inicialmente tratados como periféricos, como a história da leitura, história da feminilidade, história do corpo. Nesse caso o jornalista teria uma gama de assuntos a pesquisar com relevância local, com o apoio de historiadores que vivenciam e pesquisam a fundo o tema.

2 - Os historiadores tradicionais pensam essencialmente em uma narrativa dos acontecimentos, enquanto a nova história está mais preocupada com a análise das estruturas. Nesse caso os jornalistas também muitas vezes, pecam em uma escrita muito tradicional. Um fato seria a análise das estruturas, podendo tratar a questão das datas como irrelevante segundo alguns aspectos.

Exemplo: Em 1876 foi instalado no Brasil o primeiro telefone. A residência que teve este privilégio foi a da família imperial.

A relevância do dia exato não consta nessa frase, apenas o ano desse acontecimento histórico.

Mas em outro caso a relevância da data como o ano, deve ser precisa e documentada. Vejamos o exemplo:

O massacre de pelo menos 4 mil membros do exército polonês em sua maioria oficiais, na floresta de Katyn é o tema mais envolto em tabus na Polônia hoje. Segundo a história oficial, os alemães mataram os militares depois de captura-los em 1941. Segundo discussões feitas aos sussurros foi os russos que fizeram a matança em 1940 para dividir o espaço entre Hitler e Stalin. Em quem acreditar nos russos ou alemães? Um fato significativo é que as famílias dos prisioneiros deixaram de receber correspondência em 1940 e não em 1941.

O que hoje é comprovado é que foram os russos que fizeram a execução em massa ocorrida na Segunda Guerra Mundial entre abril e maio de 1940.

Além da questão das datas o historiador Burke valoriza as narrativas históricas que é muito bem aceito na produção de documentários históricos:

O problema que eu gostaria de discutir aqui é aquele de se fazer uma narrativa densa o bastante, para lidar não apenas com a sequencia dos acontecimentos, mas também com estruturas, instituições, modos de pensar etc.


Um fator importante é que não devemos centrar apenas nos grandes nomes da história, mas desenvolver uma pesquisa em outros personagens que também fizeram parte daquele acontecimento histórico.

Algumas propostas da nova história se consolidam com a preocupação da produção temática entre jornalistas e historiadores, no desenvolvimento de programas de TV e documentários históricos.



Alguns historiadores se inspiraram nas correntes de Michel Foucault, que se baseava nas formas de discurso que os conceberam enquanto tais, proporcionado ao pesquisador e historiador à busca em compreender os campos de relações de força nos quais se constituem os jogos de poder, e não mais se deter em uma suposta verdade documental.

A nova história para o jornalismo estaria identificada na produção de conteúdos midiáticos históricos e estruturais, consolidados nas técnicas de investigação e pesquisa entre historiadores e jornalistas.

Segundo Romancini (2005), nessa perspectiva entre jornalismo e a história, conclui-se que:

O campus de estudo de Jornalismo tem com a História profunda ligação. Apesar de parecer evidente para um especialista é importante notar que já existe um corpus de história do jornalismo, (provindo de historiadores, mas também de pesquisadores da comunicação), bem como notáveis trabalhos no qual o jornalismo serve de fonte ou objeto para a história. Registrar o que foi feito resulta num guia útil a interessados, e ao mesmo tempo podem servir, através de exemplos para mostrar a produtiva interação entre as áreas.


Dessa forma não são apenas os historiadores que recorrem a jornais para elaborar suas narrativas, mas os jornalistas que também utilizam do conhecimento histórico. Por muitas vezes a pesquisa em jornalismo é criticada por uma noção histórica diretamente focada na narrativa jornalística, como visão histórica imediata, por isso o cuidado entre a interação entre o jornalismo e a história na produção de programas de TV e documentários históricos.

O jornalismo é concluído pelo processo de entrevista entre o profissional e o entrevistado, com um objetivo resumido e claro, de forma que não leve tempo e explique de forma objetiva aos ouvintes, telespectadores ou leitores.

Na história, também temos a entrevista denomina história oral, que são diálogos com pessoas ligadas diretamente com o fato histórico, mas com longos detalhes relatados, mas que apresentam criticas por alguns autores da pesquisa histórica.

É preciso analisar todos os contextos e unir o bom jornalismo com a essência da história.

Dessa forma a ligação entre jornalismo e história ocorre principalmente quando os historiadores recorrerem a jornais para elaborar suas narrativas e os jornalistas utilizam o conhecimento histórico, para elaborar o que de fato se torna história.

Existem muitos trabalhos de história publicados, por jornalistas inclusive alguns feitos por jornalistas não acadêmicos, mas que possuem qualidades em termos de pesquisa.

Segundo  Berger,(2002):

A pesquisa do jornalismo tem muito a ganhar se inscrever sua prática de produção de conhecimento na lógica da dupla ruptura [proposta por Boaventura de Souza Santos].

Ao pesquisador cabe primeiro, romper com o senso comum da profissão para, depois, qualificar a profissão.


A preocupação dos historiadores está na forma como os jornalistas narram à história e que artifícios usam, sem misturar fatos literários para vender a matéria e se esquecer da pesquisa histórica como norma padrão.

O autor afirma que a responsabilidade do jornalista, deve permear um conteúdo histórico que mostre as verdadeiras faces da história, defendendo que a sociedade busque o senso comum (modo de pensar da maioria das pessoas) com o comprometimento do saber cientifico (na elaboração de hipóteses e comprovações) em níveis iguais na divulgação dos assuntos históricos na mídia.

Quando o jornal publica cadernos especiais de reportagens históricas, é necessário o jornalista buscar o conhecimento de pesquisadores e historiadores que entendam o conteúdo além da bibliografia, com sua visão critica dos acontecimentos.

Nesse caso pode-se afirmar que o jornalismo e a história devem buscar relações e ligações temáticas, para desenvolver o processo de pesquisa, contribuindo também que o material produzido por jornalistas e historiadores, seja uma importante ferramenta para o ensino de história.






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