Jangada de pedra Olga Pombo Lisboa, fcul, 16 Maio, 2013


Peter Sloterdijk Palácio de Cristal, p. 62



Baixar 28.1 Kb.
Página5/11
Encontro17.03.2020
Tamanho28.1 Kb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9   10   11

Peter Sloterdijk

Palácio de Cristal, p. 62

cinco viagens, das muitas que se fizeram

passagem

do cabo

Bojador

(1433)

Gil Eanes

passagem

do cabo

Da Boa

Esperança

(1487)

Bartolomeu Dias


“ (…) quando uma figura Se nos mostra no ar, robusta e válida, De disforme e grandíssima estatura, O rosto carregado, a barba esquálida, Os olhos encovados, e a postura Medonha e má, e a cor terrena e pálida, Cheios de terra e crespos os cabelos,

A boca negra, os dentes amarelos.

"Tão grande era de membros, que bem posso Certificar-te, que este era o segundo De Rodes estranhíssimo Colosso, Que um dos sete milagres foi do mundo: Com um tom de voz nos fala horrendo e grosso, Que pareceu sair do mar profundo: Arrepiam-se as carnes e o cabelo A mi e a todos, só de ouvi-lo e vê-lo.

Camões


Lusiadas, Canto V

O mostrengo que está no fim do mar

Na noite de breu ergueu-se a voar;

À roda da nau voou três vezes,

Voou três vezes a chiar,

E disse: «Quem é que ousou entrar

Nas minhas cavernas que não desvendo,

Meus tectos negros do fim do mundo?»

E o homem do leme disse, tremendo:

«El-rei D. João Segundo!»

 

«De quem são as velas onde me roço?



De quem as quilhas que vejo e ouço?»

Disse o mostrengo, e rodou três vezes,

Três vezes rodou imundo e grosso.

«Quem vem poder o que só eu posso,

Que moro onde nunca ninguém me visse

E escorro os medos do mar sem fundo?»

E o homem do leme tremeu, e disse:

«El-rei D. João Segundo!»

 

Três vezes do leme as mãos ergueu,



Três vezes ao leme as reprendeu,

E disse no fim de tremer três vezes:

«Aqui ao leme sou mais do que eu:

Sou um povo que quere o mar que é teu;

E mais que o mostrengo, que me a alma teme

E roda nas trevas do fim do mundo,

Manda a vontade, que me ata ao leme,

D' El-rei D. João Segundo!» Mensagem, O Mostrengo

The bogey-beast that lives at the end of the sea

In the pitch dark night rose up in the air;

Around the galleon it flew three times,

Three times it flew a-squeaking,

And said: "Who has dared to enter

My dens which I do not disclose,

My black roofs of the end of the world?"

And the helmsman said, a-trembling:

"King Don Joao the Second!"

 

"Whose are the sails over which I skim?



Whose are the keels I see and hear?"

Said the monster, and circled three times,

Three times it circled filthy and thick.

"Who comes to do what only I can,

I who ell where none has ever seen me

And pour forth the fears of the bottomless sea?"

And the helmsman trembled, and said:

"King Don Joao the Second!"

 

Three times from the helm he raised his hands,



Three times on the helm he lay them back,

And said, after trembling three times:

"Here at the helm I am more than myself:

I am a People who wants the sea that is yours;

And more than the monster, that my soul does fear

And dwells in the dark of the end of the world,

Commands the will, that binds me to the helm,

Of King Don Joao the Second!" Mensage, The bogey-beast




Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6   7   8   9   10   11


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal