IntroduçÃO À bateria



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Chiquinha 

Gonzaga 

 

 



 

 



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 O Samba e a



 

Marcha possuem uma história em comum, o morro, para 

onde  foram  se  concentrando grandes  contingentes  desta  população  do  Bairro 

da Saúde e adjacências, “tocados pela valorização do centro urbano” na virada 

do séc. XIX para o XX, como diz Tinhorão. Mas a Praça XI continuava a ser um 

ponto  central  do  carnaval  carioca.  Era  nas  casas  de  ‘tias  baianas’

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,  que 


aconteciam  encontros  entre  a  rapaziada  que  gostava  de  uma  batucada,  de 

comida boa e que procurava no terreiro a proteção dos orixás. 

As  tias,  mulheres  negras  muito  respeitadas, 

exerciam uma influência local com sua liderança natural e 

mantenedoras e promotoras da cultura negra. E elas são 

homenageadas  até  hoje  nas  Escolas  de  Samba,  na  Ala 

das Baianas, desde o primeiro desfile da Deixa Falar, em 

1928, que mais tarde vai gerar a Estácio de Sá. Tia Ciata 

é um exemplo delas. Acolhedora, ela recebia em sua casa 

vários  músicos.  Foi  lá,  em  uma  das  rodas  de  sambas  e 

batuques,  que  surgiu  o  primeiro  Samba  gravado  pela 

‘Casa  Edison’  (Fred  Figner

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em  1917,  “Pelo  Telefone”, 



registrado  por  Donga  e  Mauro  de  Almeida. Era  ainda um 

Samba  ‘Amaxixado’.  Mais  tarde,  como  salienta  o 

pesquisador 

Carlos 


Sandroni, 

Samba 



vai 

desenvolvendo 

características 

mais 


próprias, 

principalmente entre os sambistas do Estácio nos anos de 1920. As influências 

baianas são fortes, mas foi no Rio de Janeiro que o Samba foi ‘urbanizado’, se 

consolidando  como  um  gênero  musical  urbano.  As  primeiras  gravações  e 

composições  de  Marchinhas  e  Sambas  aproveitavam  elementos  musicais 

desses grupos pioneiros.  

Dessa maneira, surge um  movimento em que novos 

Sambas e Marchas são criados para ‘alimentar’ o Carnaval 

e  o  nascente  mercado  fonográfico  brasileiro.  Fazem  parte 

desse  movimento  compositores  como  Sinhô,  Ismael  Silva, 

Noel  Rosa,  Braguinha,  Lamartine  Babo,  Ary  Barroso, 

Caymmi e muitos outros. Músicos e compositores do choro, 

como  Pixinguinha,  também  contribuíram.  O  Teatro  de 

Revista foi um importante divulgador dos gêneros musicais 

em moda. 

Com  a  formação  das  primeiras  Escolas  de  Samba, 

os  Ranchos  perdem  pouco  a  pouco  a 

sua força. O nome ‘Escola de Samba’ foi dado por Ismael 

Silva  em  1928,  em  referência  à  Escola  Normal,  onde  se 

formavam  professoras,  que  se  localizava  no  Estácio, 

próximo à reunião de seu grupo. Ismael dizia que se ali se 

formavam professores, na Escola de Samba formavam-se 

sambistas.  Foram  agregados  outros  instrumentos  de 

percussão  e  houve  uma  crescente  ‘profissionalização’ 

para o Carnaval. As primeiras Escolas e Agremiações não 

tinham  Sambas-enredos  escolhidos.  Geralmente,  os  mestres  puxavam  versos 

enquanto os foliões os repetiam. 

                                                

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 No período de surgimento dos ranchos, antes das escolas de samba.



 

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O jornal carioca A Noite Ilustrada publicou editorial em que o imigrante judeu Frederico Figner 

foi honrado, post-mortem, com o merecido 

título de ‘o mais brasileiro de todos os estrangeiros’.

 

Tia Ciata 



Noel Rosa 

 

Ismael Silva 

 

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