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devem-repensar-vinda-ao-brasil.html

> Acesso em: 04 nov. 2015

 



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O  secretário-geral  da  FIFA,  Jérôme  Valcke,  afirmou  que  se  a  Copa  das 



Confederações,  em  2013,  não  tivesse  sido  concluída  em  razão  dos  protestos,  a  Copa  do 

Mundo  de  2014  no  Brasil  estaria  ameaçada.  Valcke  admitiu  que  os  protestos  assustaram  a 

entidade e colocaram em dúvida a capacidade brasileira em realizar tamanho evento esportivo. 

O  secretário-geral  comentou  que  ninguém  esperava  que  as  manifestações  tomasses  a 

proporção  que  tomaram,  e  que  a  maior  preocupação  pra  FIFA  era  garantir  a  segurança  de 

todos os envolvidos com a Copa  -  jogadores,  imprensa, torcedores etc. Valcke  afirmou que 

seria pior para o Brasil não sediar a Copa, não só para a FIFA (AGÊNCIA ESTADO, 2013).

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Embora a repercussão das manifestações tenham sido vistas de maneira a atrapalhar 

a Copa do Mundo e evidenciar os problemas do país em tão delicado momento de exposição 

mundial,  o  colunista  do  tabloide  Daily  Mirror,  no  mesmo  dia  da  publicação  do  Daily  Mail 

sobre a Copa do terror, defendeu a Copa no país e ressaltou que:  “A Inglaterra é parte de um 

torneio que será mais especial do que qualquer outro enquanto eu viver, por causa do que o 

futebol representa para o país-

sede”. O jornal alemão Zeit inclusive agradeceu os brasileiros, 

ressaltando que as federações esportivas devem repensar suas condutas, e apontou para algo 

que os alemães e também sul-africanos deveriam  ter feito, nas respectivas  Copas de 2006 e 

2010:  questionar  os  procedimentos  da  FIFA.  As  manifestações  registradas  no  país  foram 

voltadas  à  problemas  sociais  e  crônicos,  mas  em  época  de  Copa  das  Confederações,  os 

protestos  também  foram  direcionados  à  FIFA.  Zeit  concluiu  também  que  os  contratos 

restritivos  que  valem  bilhões  para  prever  a  exclusivid

ade dos patrocinadores bilionários,  “e 

que os eventos precisam ser humildes, individuais e transparentes.” 

 

Problemas com transparência e super gastos também  foram apontados por diversos 



jornais  internacionais,  a  exemplo  do  The  Guardian,  jornal  inglês,  que  criticou  as  obras  em 

atraso  e  ressaltou  que  “a  nação  está  humilhada  e  frustrada  com  os  gastos  excessivos  e  os 

atrasos que atormentam a realização da Copa de 2014”. O jornal também frisou que o atraso 

na entrega e os problemas do Maracanã, salientando a “falência da burocracia” e colocando 

em questionamento a segurança oferecida para abrigar eventos (Ferreira, 2013). Os custos da 

Copa foram sendo alterados no decorrer do tempo, Segalla (2013) chama atenção para o valor 

total do empreendimento, que se continuasse a ser reajustado o país sediaria a Copa mais cara 

que o total investido nas duas últimas edições -, Alemanha e África do Sul. A Copa de 2014 

foi a que mais rendeu lucros à FIFA, mas também a que mais custou à entidade - cerca de US$ 

                                                

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 Em: <


http://esportes.estadao.com.br/noticias/futebol,jerome-valcke-confirma-que-protestos-quase-tiraram-

copa-do-brasil,1104615

> Acesso em: 05 nov. 2015

 



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2 bilhões -, os estádios também bateram recordes de gastos



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, fato que levou a população  a 

“pedir”  nas  ruas  por  escolas  e  hospitais  no  padrão  FIFA,  e  não  estádios.  O  Brasil  gastou 

aproximadamente 66% a mais do que previu em 2010 quando foi anunciado que sediaria os 

jogos (MIRANDA, 2014).

 

Para os autores do livro Soccernomics, Simon Kuper e Stefan Szymanski (2010 apud 



GAZETA DO POVO, 2014), “sediar o Mundial não traz nenhum legado econômico. Para os 

especialistas, um país ganha  muito mais  se  investir o dinheiro em escolas e 

hospitais”. Para 

Martins (2014): “Futebol profissional é atividade privada. Deve jogar as regras de mercado. 

Não pode viver de financiamento público. Seria privilégio em relação a outros setores.” Na 

coletiva de impresa em Havana, 2014, a Presidente Dilma ressaltou:

 

O Brasil é um país que tomou uma série de medidas para essa Copa. […] O principal 



investimento  está  em  todas  as  estruturas  de  aeroportos,  em  todas  as  estruturas  de 

portos. Em todas as obras, que são muito maiores que a Copa, de mobilidade urbana. 

[…] É uma visão pequena não perceber a importância da Copa para o povo brasileiro 

e para o país”, afirmou.

 

 

A  Copa  com  máxima  transparência  prometida  pelo  presidente  Lula,  em  2010  na 



África  do  Sul,  e  realizada  no  governo  da  Presidente  Dilma  em  2014,  passou  por  grandes 

momentos  e  conflitos  até  ser  realizada,  e  foi  realizada  com  considerável  sucesso,  embora 

tenha  gerado  muita  repercussão  negativa  no  plano  nacional  e  internacional  desde  sua 

indicação para sediar o Mundial.

 

O Mundial no país também foi marcada pela derrota brasileira para a grande Seleção 



Alemã, que venceu de 7x1, novamente uma humilhação em casa - relembrando o jogo na final 

contra o Uruguai -,ferindo o orgulho dos brasileiros, que em três meses após o jogo iriam às 

urnas escolher o novo representante do Estado. O resultado do jogo influenciou nas intenções 

de voto à presidência,  não que tenha correlação entre os resultados das últimas eleições e o 

desempenho da seleção nas Copas, mas política e futebol se misturaram quando o país aceitou 

ser o anfitrião do Mundial. Felizmente a realização da Copa foi positiva, embora os inúmeros 

problemas  já  relatados,  os  aeroportos  funcionaram  bem,  o  acesso  aos  estádios  ocorreu  sem 

problemas, e a alegria dos brasileiros voltou a figurar nas publicações estrangeiras. 

 

Cristian  Klein  (2014),  repórter  político,  abriu  espaço  para  questionar  o  7  a  1  e  as 



implicações que ele possuiu para além do futebol ou política, apontando para a formação da 

identidade  nacional  e  da  capacidade  do  Brasil  -  e  dos  brasileiros  -  em  lidar  com  situações-

                                                

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 O Maracanã já tinha sido reformado para o Mundial de Clubes da FIFA, em 2000, e para o Pan-Americano de 



2007, e mesmo assim foi investido mais de 1,2 bilhão de reais na reforma. Outro exemplo é o estádio do Mané 

Garrincha, localizado no Distrito Federal, que liderou os gastos com mais de 1,4 bilhão investidos (Rosas, 2013). 

 



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limite,  de  estar  pronto  para  momentos  de  decisão,  o  repórter  exemplificou  essa  capacidade 



utilizando as  competições esportivas e as derrotas que o Brasil  sofreu  mesmo quando era o 

favorito, a exemplo de Daiane dos santos foro do pódio em Atenas, Rodrigo Pessoa que era o 

favorito no hipismo nos Jogos de Sidney em 2000, e claro, o 7 a 1 sofrido pela Alemanha, que 

em  meia  hora  fez  cinco  gols  na  atordoada  e  anestesiada  Seleção  Brasileira.  Todos  esses 

exemplos citados por Klein reforçam a tese de que o atleta brasileiro não compete somente 

pelo  país,  mas  para  o  país.  A  expectativa  colocada  nos  atletas  -  muitas  vezes  chamados  de 

heróis -, representa a expectativa de um país, e o atleta acaba se sentindo o responsável por 

trazer alegria à um povo 

que ainda sofre de “complexo de vira-lata”. Após a derrota para a 

Alemanha,  o  zagueiro  David  Luiz,  chorando  lamentou  que    "[...]  só  queria  poder  dar  uma 

alegria ao meu povo, minha gente que sofre tanto já com inúmeras coisas".

 

Baseado no crescente processo inflacionário, escândalos de corrupção, desvio de 



verba e a Copa do Mundo, a presidente Dilma Rousseff, segundo pesquisas realizadas para a 

eleição de 2014, sofreu uma queda das intenções de voto, sendo um dos principais agravantes 

possíveis para o resultado das eleições a saída do Brasil do Mundial (DEL DUCCA, 2014). 

Ainda de acordo com Del Ducca (2014), a inflação que estava na margem de 6% somada a um 

crescimento  baixo  mesmo  com  a  influência  do  mundial,  foi  um  fator  determinante  para  o 

resultado  das  eleições  que  ocorreram  em  outubro  de  2014,  no  qual  a  presidente  Dilma  foi 

reeleita  com  51,65%  dos  votos  apurados  contra  48,35%  do  candidato  Aécio  Neves 

(ELEIÇÕES 2014, 2015), e para Del Ducca (2014), ainda não estava claro se sediar a Copa do 

Mundo foi algo benéfico para o país. 

 

Dados oficiais da FIFA apontam que o Mundial no Brasil foi o que mais se gastou 



e  ganhou  dinheiro,  sendo  a  Copa  mais  cara  e  lucrativa,  que  distribuiu  mais  prêmios,  foi 

assistida por mais pessoas, teve em campo os jogadores mais caros, a que teve mais ingressos, 

mais jornalistas, maior audiência, maior gasto com os estádios - gasto três vezes maior que o 

indicado  pela  CBF  à  FIFA  em  2007  (CHADE,  2014).  Definitivamente,  foi  a  “Copa  das 

Copas”. De acordo com o Comitê Organizador da Brasileiro da Copa do Mundo, em dado 

divulgado em novembro de 2015, a Copa fechou o ano com saldo positivo, arrecadando R$ 

554,7 milhões em 2014, e R$ 370 milhões em 2013, entretanto a receita foi consumida pelas 

despesas operacionais, e o lucro só ocorreu pois o caixa arrecadado foi aplicado e rendeu juros 

(TORRES, CARRANÇA, 2015). O último Balanço final para as Ações da Copa do Mundo da 

FIFA  Brasil  2014,  edição  número  6  do  Ministério  do  Esporte,  divulgado  em  dezembro  de 

2014,  divulgou  mais  de  11  milhões  de  pedidos  de  ingressos  para  os  jogos,  público  total  de 



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3,43 milhões de espectadores, 32 centros de treinamento de seleções por todo o país, além de 



28  campos  oficiais  de  treinamento  e  uma  média  de  2,67  gols  por  partida,  somando  171,  o 

maior número da história das Copas.

 

Tanto  dentro  como  fora  de  campo  o  saldo  da  Copa  foi  considerado  positivo,  com 



mais de 1 milhão de turistas de 202 países

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, mais de 3 milhões de turistas brasileiros viajando 



entre  as  cidades  para  prestigiar  os  jogos,  aproximadamente  20.000  profissionais  de 

comunicação fazendo a cobertura da Copa, aeroportos operando com índice de atrasos abaixo 

da média mundial (cerca de 17,8 milhões de passageiros nos 21 principais aeroportos do país 

entre 10 e 15 de junho) e aproximadamente 3 bilhões de interações nas redes sociais durante o 

Mundial. A pesquisa realizada pela Nielsen Sports, em outubro de 2014, constatou que 49% 

da população era a favor do evento, sendo a interação humana o ponto alvo do evento. Dados 

da  Fundação  Instituto  de  Pesquisas  Econômicas  (FIPE),  aponta  que  para  83%  dos  turistas 

internacionais o Brasil atendeu plenamente ou superou suas expectativas, e 95% tem intenção 

de retornar ao país

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O  Brasil  pode  ter  melhorado  sua  imagem  como  destino  turístico,  mas  a  imprensa 

internacional  insiste  em apontar o país  como  irresponsável  dos seus gastos e com  inúmeros 

problemas provenientes principalmente da corrupção. A revista de economia Business Insider

em maio desde ano, 2015, escreveu uma matéria ressaltando que as coisas continuam piorando 

para  o  Brasil,  citou  o  caso  de  corrupção  da  Petrobras,  e  afirmou  que  a  Copa  piorou  os 

problemas do país e que o dinheiro deveria ter sido usado em projetos de infraestrutura, além 

de citar a  inflação e a política de  consolidação  fiscal proposta pelo  ministro Joaquim Levy, 

que  segundo  a  revista  econômica  não  dará  certo

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.  Ainda  de  acordo  com  a  publicação,  as 



Olimpíadas podem deixar o Brasil numa crise ainda maior, assim como ocorreu com a Grécia. 

Em  maio  de  2015,  o  jornal  famoso  jornal  americano  The  New  York  Times  publicou  uma 

matéria em que dizia que o Brasil gastou bilhões de dólares em estádios,e que até agora está 

tentando decidir o que fazer com eles.

 

O  futebol  no  Brasil  desde  a  Era  Vargas  se  transformou  numa  política  de  Estado, 



homens  de  confiança  do  presidente  eram  designados  a  cuidar  do  esporte,  políticos  e 

presidentes investiam nas Copas, nos seus times, na imagem que ele traria se fosse campeão, e 

                                                

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  Dentre  esses  turistas  58,5%  visitaram  o  Brasil  pela  primeira  vez  e  90,2%  tinham  a  Copa  como  principal 



motivo  da  viagem  (Dados  do  último  Balanço  Final  para as  Ações  da  Copa  do  Mundo  da  FIFA  Brasil  2014, 

edição número 6, dezembro de 2014).

 

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 A média de permanência desses turistas foi de 15,7 dias e 491 municípios foram visitados.



 

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