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  Importância da FIFA



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3.5 

Importância da FIFA 

 

Em  2012,  a  FIFA  divulgou  que  contava  com  aproximadamente  265  milhões  de 



jogadores e 5 milhões de árbitros e dirigentes, dados que correspondem a 4% da população 

mundial e que tornaria a federação a quarta nação mais populosa do mundo (FOLHA, 2015). 

Entre os anos de 2007 e 2010, a receita da federação foi de mais de 4,2 bilhões de dólares, 

dinheiro  originado  praticamente  todo  na  Copa  do  Mundo  que  ocorre  a  cada  quatro  anos. 

Gavin Newsham (apud FOLHA, 2015) escreve no livro Sportonomics que a FIFA está numa 

posição de grande e genuíno poder, não apenas no âmbito do esporte que a entidade controla.

 

O futebol e a FIFA cresceram vertiginosamente graças ao brasileiro Jean Havelange,  



que presidiu a Federação de 1974 à 1998.

 

“Em  1974,  depois  de  subir  muito,  Jean  Marie  Faustin  de  Godefroid  Havelange 



conquistou  a  cúpula  da  FIFA.  E  anunciou. 

–  Vim  vender  um  produto  chamado 

futebol. Desde  então, Havelange exerce o poder absoluto  sobre o futebol mundial. 

Com  o  corpo  grudado  no  trono,  rodeado  por  uma  corte  de  vorazes  tecnocratas, 

Havelange  reina  em  seu  palácio  de  Zurique.  Governa  mais  países  que  as  Nações 

Unidas,  viaja  mais  que  o  Papa,  e  tem  mais  condecorações  que  qualquer  herói  de 

guerra. (...) Este idoso monarca mudou a geografia do futebol e transformou-o num 

dos  mais  esplêndidos  negócios  multinacionais.  Em  seu  mandato,  dobrou  a 




37 

 

quantidade  de  países  nos  campeonatos  mundiais:  eram  dezesseis  em  1974,  serão 



trinta e dois em 1998”. (GALEANO, 2002, p. 166-167 apud FAVERO, 2006, p.16) 

 

 



Havelange saiu da presidência da FIFA após 24 anos no poder, e numa declaração 

em  entrevista  para  o  site  da  Copa  do  Mundo  da  Alemanha  em  dezembro  de  2003,  o  ex 

presidente (apud FAVERO, 2006) declarou:

 

“Quando eu cheguei no escritório da Fifa em Zurique, encontrei uma casa velha e 20 



dólares no caixa. No dia em que fui embora, 24 anos depois, deixei propriedade e 

contratos no valor de mais de 4 bilhões de dólares. Entre 1974 e 1998, eu visitei cada 

país-membro  pelo  menos  três  vezes,  e  a  Fifa  tinha  algo  em  torno  de  186  países 

filiados. Acho que o único que eu não consegui ver foi o Afeganistão, porque eu não 

conseguia entrar lá. Apesar disso, eu estimo que tenha viajado cerca de 26 mil horas 

de vôo, o equivalente a passar três anos no ar”.

 

 

O  Itamaraty  emprega  cooperação  nessa  área  como  ferramenta  para  fortalecer 



parcerias e realizar  mega eventos, como vem ocorrendo desde 2011 com os Jogos Militares 

sediados no país. Hoje o Brasil vive a “Década do Esporte”, com um histórico de Copa das 

Confederações  (2013),  a  Copa  do  Mundo  (2014)  e  os  jogos  Mundiais  dos  Povos  Indígenas 

(2015) - incluindo os Jogos Olímpicos e Paralímpicos que serão sediados no país em 2016, e 

os Jogos Universitários Mundiais (2019). Megaeventos realizados no país demonstram para a 

comunidade internacional a crescente importância do país, assim como os países dos BRICS 

também  foram  escolhidos  para  sediar  megaeventos,  a  exemplo  da  África  com  a  Copa  e 

Pequim com as Olimpíadas e Paralimpíadas (ITAMARATY, 2015)

32

.

 



O Brasil que sediou uma Copa em 1950 e tinha como objetivo criar um sentimento 

brasileiro,  está  cada  vez  mais  presente  nos  eventos  esportivos  e  o  tema  está  em  pauta  no 

âmbito  multilateral, o esporte vem  sendo utilizado como  instrumento na promoção da paz e 

cooperação - que utiliza e reforça o soft power brasileiro. O Brasil já assinou memorandos de 

cooperações  esportivas  com  mais  de  70  países  -  e  a  demanda  vem  aumentando 

(ITAMARATY, 2015).

 

O jogo amistoso de futebol contra a seleção do Haiti, em agosto de 2004, conhecido 



como o “Jogo da Paz”, foi uma forma de soft power diplomático do governo brasileiro, que 

não  se  importava  com  o  resultado  do  jogo,  apenas  com  o  saldo  positivo  da  diplomacia 

brasileira,  que  foi  notado  em  todo  o  mundo,  noticiado,  reportado  e  serviu  de  tema  para  o 

documentário “O dia em que o Brasil esteve aqui”

33

. O Haiti sofreu um golpe de estado que 



derrubou o presidente Jean-Bertrand Aristide, a ONU tentando restaurar a paz enviou tropas 

                                                

32

 Em: 


<

http://www.itamaraty.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=3688&catid=191&Itemid=439

&lang=pt-BR

> Acesso em 30 set. 2015

 

33

 Documentário produzido por Caíto Ortiz e João Dornelas. Conta a história do Jogo da Paz.



 


38 

 

brasileiras  para  o  país,  ao  passo  que o  primeiro-ministro  interino  fez  a  declaração  de  que o 



Brasil deveria enviar sua Seleção de futebol em vez de tropas. O jogo foi descrito como uma 

mistura  de  paixão  e  ilusão,  como  se  apenas  naquele  dia  o  Haiti  não  estivesse  passando  por 

todos os problemas de um país miserável e de um povo sem esperança (PAZ, 2009). 

 

“Em  dezembro  de  2004,  a  ONU  nomeou  oficialmente  o  jogador  brasileiro  Kaká, 



então  do  clube  AC  Milan,  como  Embaixador  contra a  fome  do  PAM 

– Programa 

Alimentar  Mundial.  John  Powell,  Diretor-Executivo  daquela  agência  humanitária, 

destacou  que  “os  jogadores  de  futebol  são  Embaixadores  naturais.  O  futebol  é  o 

esporte  mais  popular  do  mundo,  elimina  fronteiras  e  une culturas”.  A  escolha  do 

atleta  do  Brasil,  que  visitou  projetos  e  operações  que  atendem  a  800  milhões  de 

pessoas no mundo, foi impulsionada pelo fato de o governo brasileiro aparecer como 

liderança  internacional  muito  visível  na  luta  contra  a  fome  e  a  pobreza.” 

(VASCONCELLOS, 2011, pg 19)

 

 



O futebol que era jogado a princípio por paixão e lazer, após a primeira transmissão 

televisiva,  em  1954,  se  tornou  um  negócio  grandioso,  movimentando  além  de  paixões, 

dinheiro, poder político e espaço a ser conquistado. As Copas que eram realizadas com poucas 

seleções,  de  forma  amadora  com  obras  terminadas  em  cima  do  prazo  e  sem  grande 

visibilidade, passaram a ser o evento  midiático esportivo de maior escala, atraindo toda uma 

indústria televisiva, de materiais esportivos, negociação entre times mundiais, relacionamento 

entre políticos de diferente países, mediador de conflitos etc. O esporte e futebol passaram a 

servir de instrumento de soft power a muitos países, que além de suas seleções e esportistas, 

demonstram  sua  cultura  através  da  realização  de  grandes  eventos.  O  futebol  passou  a  ser 

utilizado  como  ferramenta  política  internacional,  não  mais  somente  utilizado  na  política 

interna  para  angariar  votos,  mas  através  de  suas  seleções,  jogadores,  times  e  eventos 

realizados começou a ajudar os países a construir uma imagem internacional, sendo a Copa do 

Mundo, como observaremos no próximo capítulo, o evento esportivo de maior  alcance e que 

simboliza toda a mercantilização de  jogadores, imagem e  influência  internacional de países, 

construção de identidades e geradora de esperança ou desilusão. 

 

 



 

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