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American  Football  League”,  considera  que  o  Brasil  possui  a  mesma  atitude  na  política 

industrial e nos campos: gera muita matéria-prima, mas falta capacidade na hora de acabar o 

                                                

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 Dados do Banco Central



 


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produto,  comparando  a  soja  e  o  café,  que  produzimos  os  grãos,  outros  países  processam  e 



depois importamos custando mais caro. 

 

Segundo a  FIFA,  no ano de 2014  foram registradas cerca de 13.900 transferências 



internacionais,  movimentando  um  total  de  US$  4,1  bilhões  [aproximadamente  R$  10,6 

bilhões],  e  os  jogadores  brasileiros  foram  os  que  mais  participaram  dessas  transações, 

totalizando  1.493  jogadores  que  mudaram  de  país  durante  o  ano  passado  (REIS,  2015).  O 

futebol  brasileiro  tem  se  consagrado  como  um  produto  de  exportação,  e  para  a  imagem  do 

país é algo positivo, ainda mais se os jogadores fazem sucesso lá fora (FAVERO, 2010). De 

acordo com Gerbelli (2015), há décadas o futebol brasileiro enfrenta um círculo vicioso que 

parecem  não  ter  fim:  os  jogadores  são  revelados,  se  valorizam,  e  os  clubes  brasileiros  os 

vendem para fazer caixa e pagar dívidas. Ainda segundo o autor, as partidas nacionais perdem 

qualidade e esse mecanismo de exportar os melhores é prejudicial para o país aficionado por 

futebol, no entanto, na parte econômica o êxodo dos jogadores pode ser comemorado, dado 

que  a  venda  de  atletas  significa  uma  ajuda  para  o  setor  externo.  No  primeiro  trimestre  de 

2015,  a  receita  registrada  na  conta  do  Banco  Central  com  a  venda  de  atletas  foi  de 

aproximadamente  US$  79  milhões,  entre  saída  e  chegadas  os  atletas  colaboraram  com  um 

saldo de US$ 66 milhões entre janeiro e março.

 

“Uma política pública de esportes, importante interna e internacionalmente, requer 



interação de vários setores e mecanismos. Do mesmo modo que empresas privadas 

exportadoras  escoram  a  rentabilidade  de  suas  vendas  no  suporte  e  orientação 

supletiva  dos  órgãos  governamentais  competentes,  que,  por  exemplo,  regulam  a 

concessão  de  incentivos  fiscais  à  instalação  do  parque  industrial  e  à  exportação  e, 

como é função dos Setores de Promoção Comercial de Representações Diplomáticas 

do  Brasil  no  exterior,  atuam  na  prospecção  e  projeção  de  negócios  comerciais, 

captação  de  investimentos  estrangeiros  e  atração  de  fluxos  turísticos,  também 

quadros  técnicos,  agências  e  manifestações  esportivas  podem  robustecer  suas 

atividades,  e,  com  efeito,  contribuir  para  o  fortalecimento  social  e  o  proveito  da 

imagem  internacional,  mediante  reconhecimento  e  cooperação  qualificada  entre 

instituições governamentais responsáveis.” (VASCONCELLOS, 2011, pg 13-14)

 

 



O  filósofo  italiano  Tonio  Negri,  em  junho  de  2002,  disse  que  o  futebol  está  preso 

numa camisa de força: 

 

“Quando a alegria do jogo é substituída pela busca do lucro  - e o resultado não é 



uma honra, mas um investimento industrial-, o futebol fica feio [...] O fato é que o 

futebol (o italiano e o mundial) está agora preso em uma camisa-de-força, aquela que 

business e a publicidade determinam em torno de toda atividade humana.

 

Não há saída: o melhor para recuperar a magia do esporte é fechar os olhos.”



 

 

A  despedida  do  jogador  brasileiro  Ronaldo,  o  “Fenômeno”,  serve  para  ilustrar  o 



quanto  o  futebol  é  um  investimento  que  empresas  investem  pois  o  alcance  é  mundial  e 

ganham  retorno.  Ronaldo  ao  se  despedir  dos  campos  e  informar  oficialmente  o  fim  da  sua 




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carreira,  agradeceu  aos  clubes  pelos  quais  jogou,  aos  colegas,  aos  técnicos,  demais 



profissionais envolvidos na sua carreira e finalizou o discurso:

 

Agradecer aos meus patrocinadores, em primeiro lugar agradecer à Ambev e à Nike 



que estão comigo desde que eu tenho 17 anos de idade, que acreditaram em mim e 

que me suportaram durante toda a minha carreira, e que com certeza continuaremos 

ainda juntos em outros projetos. Quero agradecer à Claro, que é meu patrocinador 

atual,  por  ter  acreditado  em  mim  também,  mas  principalmente  agradecer  à 

Hypermarcas, que bancou realmente esse projeto Corinthians [...]

 

 



O ex-jogador não esqueceu de mencionar seus patrocinadores para todo o país, pois 

mesmo sendo considerado pela  mídia e especialistas um  incrível  jogador de grande talento, 

sem  os  patrocinadores  ele  não  teria  construído  sua  imagem  de  “Fenômeno”,  diretamente 

vinculada ao  marketing esportivo. Damo (apud 

Giglio e RUBIO 2013), entende que “se os 

jogadores podem ser comparados às mercadorias, também revelam uma diferença em relação 

a elas por possuírem afeto.” O futebol se tornou um grande mercado e a maioria dos jogadores 

são tratados como commodities, usados até o limite e quando não são mais úteis são trocados 

para que a engrenagem futebolística ou o mercado não parem de atrair a atenção do público, 

dos patrocinadores e da mídia (GIGLIO e RUBIO, 2013).

 

 




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