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  HISTÓRIA DO FUTEBOL BRASILEIRO E A



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3  HISTÓRIA DO FUTEBOL BRASILEIRO E A 

FORMAÇÃO DE UMA IDENTIDADE NACIONAL 

 

O  esporte  proporciona  um  bem  incalculável  à  sociedade,  é  um  agente  de 



transformação,  cumpre  um  importante  papel  na  inclusão  social  e  é  usado  para  melhorar  a 

convivência  na  sociedade  e  na  promoção  da  paz,  sendo  no  Brasil,  o  direito  ao  esporte 

assegurado  por  lei

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.  O  papel  do  esporte  na  comunidade  internacional  contribui  para  o 



entendimento  de  como  a  cultura  dos  países  se  beneficiam  do  esporte  para  se  projetarem 

internacionalmente,  e  também  divulgam  a  imagem  de  nação  que  desejam,  uma  vez  que  o 

intercâmbio  cultural  esportivo  é  realizado  em  larga  escala  e  alcança  até  os  mais  distantes 

pontos do globo, sendo possível através de suas seleções e esportistas divulgar o país. Neste 

capítulo  vamos  acompanhar  a  história  do  futebol  e  a  relação  com  os  Jogos  Olímpicos,  a 

importância da FIFA, como o futebol no Brasil contribuiu para a formação de uma identidade 

nacional, e a cultura brasileira sendo comercializada através dos jogadores. 

 

Estando  o  futebol  cada  vez  mais  importante  na  diplomacia  internacional,  como 



observado  no  capítulo  anterior,  de  acordo  com  Schutte  (2011)  “neste  aspecto,  ressaltamos 

cinco  pontos  que  nos  parecem  relevantes  para  a  projeção  de  cenários  de  continuidade  da 

discutida  nova  inserção  do  Brasil:  o  seu  peso  econômico  crescente,  o  pré-sal,  a  questão 

ambiental,  a  questão  da  alimentação  e  exposição  única  do  país  diante  da  opinião  pública 

mundial  com  a  realização,  em  um  curtíssimo  espaço  de  tempo,  dos  dois  maiores  eventos 

tel


evisionados do mundo”, a Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016. 

 

Desde a Grécia Antiga com os Jogos Olímpicos, o esporte reúne milhares de pessoas 



de  todas  as  classes  sociais,  podendo  ser  tanto  inclusivo  como  competitivo,  ajudando  a 

estabelecer  o  diálogo  e  a  compreensão  mútua,  além  de  ter  potencial  para  influenciar  e 

promover  relações  diplomáticas.  O  futebol,  em  particular,  assim  como  os  Jogos  Olímpicos, 

conecta os povos através de uma mesma linguagem, e por diversas vezes as interações dentro 

de  um  estádio  acabam  se  tornando  movimentos  políticos  e  sociais  em  que  os  torcedores 

buscam o mesmo resultado e se unem para apoiar seus times, jogadores e seleções.

 

A  participação  dos  países  em  Jogos  Olímpicos,  Copas  do  Mundo  e  demais  jogos 



organizados entre as Nações, se tornou um meio utilizado com a finalidade de afetar os outros 

                                                

21

 (Lei 11.438/06, regulamentada pelo Decreto 6.180/07)



 


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e  a  conseguir  resultados  desejados.  De  acordo  com  Nye  (2009  apud  PORTELA  2011),  as 



fontes de poder estão em constante mudança, sejam elas bélicas ou provedoras de soft power

Os  grandes  eventos  esportivos,  durante  o  século  XX,  tem  se  tornado  uma  dessas  fontes  de 

poder,  tendo  em  vista  as  disputas  políticas  que  os  Jogos  trazem  desde  a  sua  criação,  por 

exemplo  as  Olimpíadas  que  serviam  de  palco  para  disputas  políticas  e  também  para  buscar 

harmonia  entre  as  cidades-estados  gregas,  e  com  a  Nova  Ordem  Mundial  pós  Guerra  Fria, 

houve  maior  interesse  por  parte  dos  Estados  em  sediarem  tamanho  evento  esportivo 

(PORTELA, 2014).

 

Os  Jogos  Olímpicos  surgiram  na  Grécia  Antiga,  aproximadamente  em  776  a.C 



segundo  historiadores,  e  possuíam  grande  importância  para  os  gregos,  pois  além  de  caráter 

religioso e esportivo, também era um evento político. Os Jogos eram disputados de quatro em 

quatro anos, e na época da realização do evento ocorria a chamada Paz Olímpica

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. Os Jogos 



Olímpicos assim como grandes eventos esportivos, no mundo atual, podem significar tanto a 

superação de limites técnicos e atléticos, recordes esportivos e a comunhão da humanidade, 

como representar afirmação do poder do Estado, a competição entre nações, raças e ideologias 

(VASCONCELLOS, 2001).  “A confluência e o  conflito de  interesses  no terreno dos  jogos 

incluem  também  a  mercantilização  do  esporte,  seu  aspecto  condicionante  mais  recente  e, 

talvez, mais intrusivo” (VASCONCELLOS, 2001, pg 8). 

 

Os Jogos Olímpicos na época em que o mundo era dividido em dois, eram tratados 



como  uma  arma  de  guerra  ideológica,  assim  como  as  medalhas  e  feitos  olímpicos  eram 

consideradas  moedas  no  mercado  ideológico.  As  Olimpíadas  modernas,  durante  um  século, 

foram capazes de proporcionar momentos de autêntica harmonia entre os povos e, de quatro 

em quatro anos, atenuar divergências raciais, políticas e  ideológicas enquanto os países são 

convocados  para  competir  e  celebrar  a  (esperança  da)  paz.  Infelizmente  os  esportes  não 

puderam  prevenir  ou  “amenizar”  todas  as  guerras  como  acontecia  nas  Olimpíadas  da 

Antiguidade, em 1916 não houve Olimpíada em razão da Primeira Guerra Mundial e em 1940 

e  1944,  em  razão  da  Segunda  Guerra,  no  entanto,  três  meses  após  o  término  da  Segunda 

Guerra, o Comitê Olímpico Internacional (COI) já providenciava preparativos para a próxima 

edição dos Jogos. Desde então, os Jogos Olímpicos passaram por uma Guerra Fria e fixaram-

se  na  agenda  internacional  dos  países,  ocorrendo  há  mais  de  uma  década  sem  interrupções 

(VASCONCELLOS, 2011). Hobsbawn (1980) também ilustra que o espaço entre as esferas 

                                                

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Trégua entre guerras e conflitos. Tinha por finalidade garantir a segurança dos atletas de suas cidades-estados à 



cidade de Olímpia. 

 



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pública e privada foi preenchido pelos esporte, e que entre as duas guerras, o esporte, sendo 



um  espetáculo  de  massa,  foi  transformado  numa  sucessão  de  encontros,  nos  quais  quem 

estava competindo simbolizava seu Estado-Nação. 

 

“[Os  Jogos]  Resistiram  aos  boicotes  sucessivos  e  retaliatórios  capitaneados  pelas 



duas  maiores  potências  políticas,  econômicas  e  esportivas  da  época 

–  os  Estados 

Unidos, em 1980, e a União Soviética, em 1984. Transformaram-se em tribunas de 

muitas  causas  e  de  muitos  pleitos.  Delas  vocalizaram  os  negros  da  América  e  da 

África  em  luta  contra  o  racismo  e  o  segregacionismo,  os  chineses  da  ilha  e  do 

continente na disputa pelo título de verdadeiros chineses, as mulheres a caminho da 

igualdade  também  no  esporte  e  novas  nações  na  trilha  do  reconhecimento 

(VASCONCELLOS, 2011, pg 17).”

 

 

Pela primeira vez em 40 anos de jogos, as Olimpíadas realizadas em 1992 na cidade 



de  Barcelona,  ocorreram  sem  problemas  políticos

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,  embora  o  país-sede  estivesse  dividido 



entre espanhóis e catalães, fato que exigiu o hasteamento de duas bandeiras, e a execução dos 

dois  hinos  diferentes  na  cerimônia  de  abertura.  Vasconcellos  (2011)  ressaltou  que  as 

Olimpíadas de 1992 além de recepcionar aproximadamente dez mil atletas, representando 170 

países competindo em trinta modalidades, a quantia investida nas instalações e infraestrutura 

(cerca de US$ 10 bilhões) “aquilatava a magnitude dos Jogos Olímpicos de Barcelona  e sua 

importância  para  o  poder  público  espanhol”  (VASCONCELLOS,  2011,  p.  8).  Em  Atenas-

2004,  a  participação  da  Delegação  do  Timor  Leste  significava  o  lançamento  do  país  no 

cenário  internacional,  sendo  considerado  como  um  novo  ator  que  praticava  a  paz  e  a 

reconciliação. Já nas Olimpíadas de Inverno de Salt Lake City-2002, as provas médicas e os 

julgamentos  técnicos  considerados  prejudiciais  e  parciais  a  atletas  russos  motivaram  o 

ressurgimento  de  Guerra  Fria  político-esportiva,  levando  o  Presidente  Vladimir  Putin  a  se 

pronunciar quanto à possibilidade de boicote da Delegação russa ao desfile de encerramento 

dos Jogos (VASCONCELLOS, 2011). 

 

“As  razões  que  fizeram  do  esporte  um  meio  único,  em  eficácia,  para  inculcar 



sentimentos nacionalistas teriam sido a faculdade e a facilidade de provocar, mesmo 

nos menores atores políticos individuais ou públicos, a identificação com a nação. A 

imaginária  comunidade  de  milhões  de  concidadãos  parece  mais  real,  mais 

protagonista, na forma de um time de jogadores nomeados. O indivíduo, mesmo o 

simples  torcedor,  torna-se  o  próprio  símbolo  de  sua  nação.  (VASCONCELLOS, 

2011, pg 11)

 

 

                                                



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 De Seul à Barcelona e nos anos que se seguiram, o mundo mudou muito. A União soviética deixou de existir, 

as Alemanhas reunificaram-se com a queda do muro de Berlim, Cuba e Coreia do Norte voltaram à competição 

juntamente com a África do Sul - que retornou após o fim do regime do apartheid-, e pela primeira vez não não 

houve boicote, bem como a  a proibição de esportistas profissionais foi abolida (COLLI, 2004). Até o final da 

Guerra Fria ocorreram inúmeros boicotes às Olimpíadas por motivos políticos, como por exemplo os EUA  que 

não  participaram  dos  jogos  de  Moscou,  em  1980,  em  protesto  contra  a  invasão  do  Afeganistão,  e também  os 

soviéticos que não disputaram as Olimpíadas em Los Angeles, 1984, alegando problemas de segurança (LIRA, 

2015).

 


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