Instituto de letras beatriz azevedo da silva jacinta, passos de uma escritora



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Serras e pântanos
Serra do Sincurá89
Dentro da noite, uma vela

de cera de carnaúba

com sua luz amarela

um fio de luzes subindo

que procissão é aquela?

da Serra do Sincurá

soldados caminham nela

subindo a pé vão puxando

os animais vão naquela

marcha lenta, padiolas

da chama à luz amarela

os homens de sete fôlegos

ofegam, que marcha aquela!

dentro da noite, Coluna,

dentro da noite uma vela.[...]
Jacinta Passos narra outros episódios da Coluna pelo Brasil retratando as batalhas travadas pelos soldados e as forças de resistência oferecidas em algumas regiões como no Vale do Piancó na Paraíba. Para esta parte da análise, foi importante observar como a mesma Jacinta Passos que deu vida poética à “Canção da partida” consegue atravessar a ponte lírica para escrever “A Coluna”. A partir da leitura atenta dos trechos selecionados, é possível identificar que há uma defesa e uma exaltação à figura do líder da marcha o Capitão Luiz Carlos Prestes, o “Cavaleiro da esperança”.

Pelo que se pôde observar nos textos de Jacinta selecionados para esta análise, a partir do momento em que a autora assume sua posição política, a sua literatura esteve muito próxima às ideias que defendia enquanto militante de um dos principais partidos do país na sua época. “A Coluna” é um exemplar de como ela conseguiu conjugar a palavra à ideologia político-partidária, uma vez que há o nítido exercício de exaltação da figura de Luiz Carlos Prestes como um “salvador”, um “revolucionário” responsável por conscientizar as camadas mais afetadas pelo descaso do Estado naquele contexto histórico.

“A Coluna” é uma das “faces poéticas” da obra de Jacinta Passos que dialogam diretamente com a sua atuação como militante política, uma vez que enaltece dentre outras coisas, a posição de líder político exercida por Prestes. Neste livro, a autora reforça o lugar de enunciação do seu discurso político.

Ao recriar a saga dos militares rebelados e de populares que a eles se uniram durante o percurso, Jacinta Passos estabelece um diálogo com a parte da história de seu país ao abordar um evento que apesar de ter sido uma tentativa frustrada de revolução, foi um episódio de grande repercussão política no Brasil. A escritora não se afastou de seu ofício nem mesmo por conta dos vários desafios que enfrentava no período em que o poema foi composto e publicado, como a distância da família as internações psiquiátricas e a falta de recursos financeiros.

Ao tomarmos como ponto de partida a “fronteira” entre a poesia cuja temática volta-se para a temática telúrica, da exaltação da natureza, da religiosidade e a poesia política, pode-se concluir que a escritora, militante política, comunista, Jacinta Passos transitou com fluidez entre uma e outra. Nos trechos de seus poemas selecionados para este capítulo, é possível perceber como esta intelectual estava atenta à história do Brasil e também à história do surgimento da ideologia comunista. Para Jacinta Passos, poesia foi bandeira, marcha, punho, resistência, dor e também esperança. Escrever foi sua forma de estar no mundo. Persistiu com sua crença na ideologia política comunista até o fim de seus dias tendo a poesia como sua fiel companheira.






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