Instituto de letras beatriz azevedo da silva jacinta, passos de uma escritora



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3.2 A Página Feminina”: uma proposta feminista para as leitoras baianas?
O que faz uma pesquisadora defender que uma autora, em um determinado contexto histórico pode ser considerada feminista? O que esta afirmação pode acarretar a este pesquisador e como sustentá-la, uma vez que determinada autora não se tenha declarado como tal? Nesta parte do trabalho, tendo como ponto de partida a leitura dos textos, os dados biográficos e da participação na imprensa baiana nos anos 1940, defendemos que Jacinta Passos foi uma intelectual feminista a partir da análise do conteúdo jornalístico publicado principalmente no jornal O Imparcial.

Mas o que de fato torna sua produção jornalística importante para a análise de sua postura como feminista? É possível identificar uma quebra de paradigmas a partir da seleção que ela faz, enquanto diretora da Página Feminina43, dos temas e dos tipos de textos publicados nesta coluna de jornal? A luta de muitas intelectuais pela sua inserção nas esferas sociais de poder só foi possível quando estas mulheres adentraram ao espaço público e de poder em que puderam escrever seus próprios discursos, ainda que negociando com o papel no qual estiveram enclausuradas por tanto tempo.

A década de 1940 foi marcada principalmente pelo grande conflito mundial referido anteriormente e aqui no Brasil pelo regime do Estado Novo (1937-1945), que desencadeou diversas mudanças nas áreas política e social brasileiras.

Na Bahia, os grandes jornais acompanharam os acontecimentos da Segunda Guerra Mundial e os desdobramentos do governo de Vargas sobre o país. Segundo José Santos (1985), o surgimento da grande imprensa na Bahia ocorre nos primeiros anos de século XX e estava representada principalmente pelos jornais: Diário da Bahia, Diário de Notícias, A Tarde e O Imparcial, que se adaptaram ao modelo de empresa jornalística da fase industrial, acompanhando os avanços de urbanização da cidade de Salvador e fazendo a cobertura dos acontecimentos cotidianos.

O jornal O Imparcial, referido anteriormente no texto, foi fundado em 04 de maio de 1918 por José Gabriel de Lemos Britto, e caracterizou-se, principalmente, pelo tom combativo de suas matérias e reportagens em relação aos assuntos políticos do momento histórico em que circulou.

Segundo a historiadora Consuelo Novaes Sampaio (2005), entre o período de 1918 a 1930, o jornal O Imparcial assumiu uma postura considerada conservadora, representando os interesses dos setores industrial e agrário da Bahia. A partir dos anos 40, após a compra do jornal pelo coronel Franklin Lins de Albuquerque, o jornal assumiu uma posição ideológica contundente contra o fascismo e a favor da entrada do Brasil na guerra em agosto de 1942.

O jornal contou com alguns colaboradores ilustres como o escritor e jornalista Jorge Amado, que ficou responsável pela coluna diária “A Hora da Guerra” de 1942 a 1945, na qual escrevia crônicas sobre aquele contexto histórico e o jornalista, escritor e redator-chefe Wilson44 Lins, que escrevia crônicas diárias sobre assuntos diversos e rodapés semanais de crítica literária. Neste mesmo período, o diário teve dentre suas colaboradoras a escritora e historiadora Hildegardes Vianna, a professora Edith Mendes da Gama e Abreu, que teve uma importante atuação política na luta pelo sufrágio feminino na Bahia e a escritora e militante política Jacinta Passos. A historiadora Janaína Amado, que fez o resgate da obra de Jacinta Passos, indica que é possível que a escritora tenha conseguido a colocação no jornal pela indicação do próprio Jorge Amado, que era seu amigo e foi, por um tempo, cunhado.

A pesquisadora feminista Nadia Gotlib reforça alguns aspectos anteriormente levantados sobre a emancipação feminina através da escrita em periódicos, como um fator que possibilitou a conquista de espaços de produção literária e artística:


Um dos veículos dessa emancipação, que possibilitou a divulgação dos textos das mulheres, tanto literários quanto mais propriamente políticos, foi a imprensa. E, dentro da imprensa, o periodismo feminino. O primeiro deles foi provavelmente, segundo Dulcília S. Buitoni, o jornal carioca O Espelho Diamantino, lançado em 1827. Desde então, outros jornais feitos por mulheres foram fundados com a intenção de tratar de questões ligadas às mulheres e, por vezes, problematizando questões importantes de caráter político, incluindo aí o direito ao voto. [...] (GOTLIB, 2006, p.11).

A presente análise concentra-se na participação de Jacinta Passos como colaboradora de um veículo de comunicação importante da Bahia nos anos 40 que possuía uma coluna semanal voltada especialmente ao público feminino. Ao assumir a direção da “Página Feminina” em fevereiro de 1943, Jacinta Passos, suas colaboradoras e colaboradores propuseram outra forma de diálogo com seu público-alvo: priorizavam o conteúdo político e a divulgação da participação das mulheres no trabalho de auxílio aos países envolvidos na guerra.

Até chegar à efetiva participação na política local como escritora e também militante, Jacinta Passos participou de diversas manifestações políticas na Bahia. Ela, em conjunto com outros jovens e principalmente com o apoio de Manoel Caetano Filho, seu irmão, que antes dela já se interessava por política e, por ser homem, teve mais acesso aos ambientes públicos, lutou através destes protestos por melhorias nas condições econômicas e sociais do país, pelo fim da guerra e por tudo o que acreditava:
[...] Muitos brasileiros jovens, como Jacinta, amadureceram em meio às discussões tensas e apaixonadas sobre a luta entre o fascismo e a democracia, sobre a ascensão do socialismo, sobre o papel do Brasil- que então vivia sob a ditadura do Estado Novo — naquela guerra mundial e naquele novo mundo que se desenhava. [...] Jacinta participou ativamente desse período. Durante a década de 1940, tornou-se jornalista muito atuante na Bahia, uma figura conhecida assumindo posições públicas sobre temas como a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial, os caminhos para a organização das mulheres, os rumos da política nacional, o papel dos intelectuais nos destinos do país [...]. (AMADO, 2010, p. 263)

A diretora da “Página Feminina” problematizou a condição feminina desde seus poemas, passando pela militância política até obter a chance de trabalhar em um veículo de comunicação — lugar privilegiado para a enunciação de um determinado discurso — onde encontrou espaço para refletir sobre os problemas que as mulheres em seu tempo enfrentavam. É importante ressaltar que seu olhar não estava direcionado apenas às mulheres das camadas médias da população, como será possível comprovar mais à frente.

Cabe-nos nesta fase do trabalho, identificar em que medida o conteúdo publicado na “Página Feminina” promove ou não a quebra de paradigmas em relação aos assuntos direcionados ao público feminino. Quais traços desta coluna de jornal são indicativos de uma proposta feminista para as leitoras de O Imparcial? Em que medida Jacinta Passos e suas colaboradoras e colaboradores podem ser considerados feministas dentro desta perspectiva?

Apesar do pouco tempo de existência, foram publicados na “Página Feminina” artigos de conteúdos variados e de grande riqueza para análise tendo em vista que, a proposta era vincular a imagem de mulheres ao trabalho nos diversos campos sociais e, principalmente, nas atividades da retaguarda da guerra, como a produção de suprimentos utilizados nos campos de batalha.

O desafio para a equipe desta seção do jornal era mostrar a atuação social e política feminina relacionando-a quase sempre as notícias da guerra, além de conciliar todo este conteúdo com o espaço reservado ao que ainda naquele tempo era considerado de interesse das mulheres como a moda, o cuidado com a casa, receitas etc. Pelo que pode ser observado, esses “interesses femininos” eram publicados muito mais como uma concessão, afinal não deveria ser tarefa fácil desvincular esses assuntos do chamado “universo feminino”. Os colaboradores da “Página Feminina” davam mais destaque aos aspectos considerados de maior relevância para fazer perceber às leitoras que elas poderiam ter uma atuação mais efetiva no seu meio social.

Os estudos feministas e de gênero, ao longo de seu processo de construção teórica, estabeleceram novas perspectivas dentro dos vários campos do saber ao inscrever na história o sujeito feminino como político e produtor de conhecimento nos diversos âmbitos da vida social, política e econômica das diversas sociedades.

Ao problematizar o lugar de enunciação feminino e o pensamento de alguns filósofos franceses sobre a figura feminina, Cláudia Costa (2002) chama a atenção para o fato de que produção feminina e a imagem da mulher estiveram sempre associadas a do homem, mas na dimensão da falta, e, portanto, vigorou no pensamento filosófico masculino e europeu a concepção de que o homem seria a unidade, o mesmo, e a mulher, representariam, dentro desta esfera da identidade de gênero, o outro deste mesmo.
Nos círculos pós-modernos, seguindo uma “lógica feminocêntrica”, certos intelectuais têm frequentemente utilizado a figura da mulher – como negatividade, ausência e falta – a fim de descentrar a si próprios das certezas das definições logocêntricas de identidade. [...]

De acordo com Teresa de Lauretis, quando os pós-estruturalistas franceses percebem a feminilidade como uma figura puramente textual (Derrida), como um corpo de prazeres difusos (Foucault), como superfície de investimentos libidinosos (Lyotard), ou como um lugar-corpo de afetividade não-diferenciada e, portanto, livre tanto da autorepresentação como de repressões identitárias (Deleuze), eles estão fazendo nada mais do que simplesmente “situando novamente a subjetividade feminina, no sujeito masculino”. (COSTA, 2002, p.66)

O conceito de “gênero”, como suporte analítico para a compreensão e problematização das representações sociais de feminino e masculino, contribuiu para a desconstrução da análise baseada apenas na oposição binária entre estas categorias discursivas. Este conceito é útil para pensar como se constroem as diferenças e as hierarquias presentes nas relações sociais que reproduzem uma ideologia culturalmente construída e que, por sua vez, produz efeitos reais nas relações sociais entre os sujeitos.
As concepções culturais de masculino e feminino como duas categorias complementares, mas que se excluem mutuamente, nas quais todos os seres humanos são classificados formam, dentro de cada cultura, um sistema de gênero, um sistema simbólico ou um sistema de significações que relaciona sexo a conteúdos culturais de acordo com valores e hierarquias sociais. Embora os significados possam variar de uma cultura para outra, qualquer sistema de sexo-gênero está sempre intimamente interligado a fatores políticos e econômicos em cada sociedade. (LAURETIS, 1994, p. 211).

Esse sistema de sexo-gênero a que a autora se refere e que é problematizado por outras teóricas feministas é responsável pela construção e manutenção de alguns padrões sociais atribuídos às representações de feminino e masculino que acabam por designar “papéis” e “lugares” reservados a cada um desses sujeitos a partir de “modelos” que lhes são impostos ainda que elaboradas exclusivamente no âmbito da cultura, ou seja, sem que haja nenhuma explicação científica que justifique o que mulheres e homens são ou devem ser e fazer. É a partir dos deslocamentos de algumas estruturas que se queriam fixas dentro dos estudos feministas, como o conceito e a operacionalização de “gênero” que procederemos com a análise aqui proposta.

Jacinta Passos criou um estilo autoral que, a partir da leitura de seus textos jornalísticos, estava comprometida com um posicionamento político que pode ser entendido como feminista. Esta postura autoral será analisada a partir da leitura de alguns textos jornalísticos publicados pela autora no jornal O Imparcial dos artigos e matérias presentes nessa seção, que foram publicados sob sua supervisão.

É possível afirmar que há de fato um compromisso editorial na “Página Feminina” em convidar as leitoras a refletir criticamente sobre a situação política do mundo, em convocá-las a participar ativamente do esforço de guerra brasileiro através dos trabalhos voluntários na Legião Brasileira de Assistência e, acima de tudo, uma preocupação com a problematização da condição social e política das mulheres no Brasil e no mundo.

Mesmo durante sua permanência como diretora da seção enfocada, Jacinta Passos continuou a escrever seus artigos em outras seções d’O Imparcial a exemplo dos textos analisados anteriormente neste trabalho como “Os estudantes e a guerra”, “Fascismo desesperado” (Cf. anexo I), “A caricatura do nazismo”, dentre outros.

Em outro artigo, “Mensagem aos povos da Europa” (Cf. anexo M), a jornalista discorre sobre a possibilidade do fim da guerra e da libertação dos povos europeus sob o domínio do nazi-fascismo demonstrando a importância que outras nações teriam nessa libertação. Como é possível ver, ela acompanha a linha editorial do jornal escrevendo basicamente sobre o conflito internacional.

A edição da “Página Femininade 26 de março de 1943 apresenta várias matérias sobre a participação das mulheres de forma direta ou indireta nos assuntos relacionados à guerra. Encontram-se também outras notas relacionadas ao conflito, mas que não têm ligação direta com o público feminino além da publicação de um poema de Pablo Neruda e de uma entrevista com a professora baiana Ligia Lemos em que fala sobre a participação das mulheres baianas na guerra. No topo da coluna há a inscrição “Página Feminina” seguida de outra “Direção de Jacinta Passos”. No centro do da página, há sempre uma notícia de destaque no cenário mundial da guerra sobre a participação das mulheres em algum evento sobre a guerra. Na referida edição, encontra-se o artigo “As mulheres conquistam a vitória”:
As mulheres, em todos os países livres do mundo, pelo trabalho diário, pela participação real no esforço de guerra, conquistam a vitória contra o fascismo. As mulheres sabem que na “Nova Ordem”, tirania universal de um povo, a sua posição é ser escrava dos homens. Na própria Alemanha e nos países dominados, a experiência da mulher tem sido a mais dolorosa. Mas com esta experiência ela tem, hoje, a certeza de que o fascismo é o seu maior inimigo e por isso luta contra ele, com todas as suas energias femininas45.
Em uma das edições do referido suplemento, há a publicação de trechos de uma palestra de uma das voluntárias da Legião Brasileira de Assistência, a “legionária” Eunice Cavalcanti, nos quais ela descreve como funcionava o trabalho das mulheres associadas à Legião Brasileira de Assistência (LBA) (Cf. Anexo C), o que era produzido por elas e a finalidade do serviço:
[...] As costuras da L.B.A. serão utilizadas de acordo com o que necessitarem nossos convocados, quer nos serviços hospitalares, quer no socorro às suas famílias. Esse socorro será ministrado pelas Legionárias Visitadoras, que, desempenhando a sua missão abnegada, irão de porta em porta visitar os lares daqueles que forem chamados para o cumprimento do seu dever”. Toda semana, era publicado na “Página Feminina” algum anúncio, entrevista ou qualquer outro texto jornalístico sobre a LBA em que se falava da importância do trabalho feminino voluntário no esforço de guerra do brasileiro.46

Além da LBA, de acordo com Andréa Rodrigues (2003), a participação das mulheres engajadas em associações com o intuito de praticar o assistencialismo sob a égide dos princípios morais do Cristianismo, desde as primeiras décadas do século XX na Bahia, garantiu o acesso ao meio público. São exemplos a Liga Baiana das Senhoras Católicas e a Associação das Senhoras de Caridade.

Na matéria “Obreiras da Vitória” 47(Cf. anexo E), é mostrado o trabalho de mulheres na indústria de armamentos, na construção de navios e equipamentos para dar suporte aos Estados Unidos na guerra. Em muitos destes postos de trabalho, as mulheres estavam em maior número em relação aos trabalhadores. Há com grande frequência na “Página Feminina” uma exposição positiva da imagem de mulheres ao redor do mundo no trabalho de auxílio aos países envolvidos no conflito. Há tanto um cuidado com a linguagem utilizada nos textos como na escolha das ilustrações e no cuidado com a diagramação da coluna semanal.

O subtítulo da matéria, abaixo de uma fotografia da entrada de trabalhadores em uma das fábricas, com um grande número de mulheres apresentando seus cartões de identificação, indica:

Neste grupo de operários, na ocasião de mostrarem seus cartões de identificação à entrada de uma fábrica de aeroplanos, nos Estados Unidos, veem-se quase tanto mulheres quanto homens. Miss Bob Frase, que está passando pelo portão, bem caracteriza a mulher que agora se dedica ao trabalho de guerra.48

Sob o título “Aqui passaram os Nazi-Fascistas”49, há uma notícia, que não está assinada, em que é possível identificar o posicionamento ideológico presente do jornal e da seção dirigida por Jacinta Passos, em relação ao nazifascismo com o seguinte texto:

Aqui passaram os nazi-fascistas... onde quer que se encontrem mães chorando sobre o cadáver dos filhos assassinados, é porque por ali passou o terror hitlerista ou passaram os seus vassalos dos diversos integralismos. (...) Mas o pranto das mães não ficará sem vingança. Os exércitos das Nações Unidas e dos povos livres limparão o universo da degradante presença do nazifascismo e das suas quintas-colunas. E jamais, cenas como esta, de tanta dor, se repetirão no mundo libertado!

No artigo “O que esta guerra representa para as mulheres”50 (Ver Anexo D), assinado por Maria Yêda Leite51, há uma reflexão sobre a guerra e o que ela representa para as mulheres brasileiras nele ela questiona a condição social e política em que se encontra grande parte das mulheres no país, refletindo sobre a participação ativa que muitas delas tiveram no esforço de guerra e que ainda assim, não têm o devido reconhecimento do seu trabalho. Um trecho do texto diz:


Em se integrando de forma tão eficiente na vida política, social e econômica de seus países, estas mulheres não podem deixar de se impor à admiração do mundo progressista e mesmo daqueles que ainda se acham impregnados de preconceitos carcomidos, pois a vitória alcançada pelo sexo feminino e a presente guerra é algo de concreto e insofismável. Também para a mulher brasileira, este é o momento de definir a sua situação. Aqui como em outros países latinos (...) a mulher pouco tem realizado no sentido de obter para si um patrimônio de privilégios que torne possível o pleno desenvolvimento de suas faculdades em um ambiente onde impera supremo, o sexo masculino de forte tendência patriarcalista [...].52

É possível identificar o posicionamento político efetivamente comprometido da colunista Maria Yêda Leite ao escrever este texto. Ela questiona a posição social e política a qual as mulheres brasileiras e de outros países estão submetidas e propõe a reversão deste quadro a partir de uma atitude política que partiria das próprias mulheres em reivindicar seus direitos a ocupar posições que lhes permitam exercer poder.

Diante da leitura dos fragmentos da “Página Feminina”, de alguns trechos dos artigos publicados por Jacinta Passos n’O Imparcial, poderíamos ensaiar uma conclusão de que a autora, suas colaboradoras e colaboradores construíram um discurso através de seus textos, comprometido com a proposta de aproximação entre os conteúdos jornalísticos políticos voltados ao público feminino.

As (os) jornalistas, colunistas, escritoras e demais pessoas que colaboraram nas edições da “Página Feminina”, demonstraram através de suas posturas autorais um engajamento com as mudanças e desafios que a sociedade brasileira enfrentava naquele contexto histórico: um regime político autoritário, a entrada do país na Segunda Guerra e a tentativa, diante deste cenário, de desestabilizar algumas “certezas” no campo político, social principalmente no que se refere à condição das mulheres.


A partir da divulgação de imagens de mulheres ao redor do mundo em condições de trabalho, da afirmação de suas iguais condições e capacidade de desempenhar diversas funções dentro do contexto do trabalho na retaguarda da guerra, seja nas fábricas de armamentos ou nas redações de jornais, buscou-se na “Página Feminina” a aproximação das leitoras de O Imparcial com a política e a conscientização da possibilidade de interferir ativamente na entrada do país na guerra através da Legião Brasileira de Assistência.53

Abaixo desta chamada, aparecem matérias mostrando a atuação feminina em diferentes países no mundo, todas elas com as respectivas fotografias. A matéria a seguir tem como título “Brasil” e mostra o contexto de trabalho das mulheres no país:


As mulheres brasileiras estão mobilizadas contra o inimigo comum das Nações Unidas. Ao mesmo tempo que se preparam para as frentes de batalha, substituem os homens nas tarefas da produção. No Rio e em São Paulo já é grande o número de mulheres que nas fábricas e nos campos ajudam o Brasil a produzir arma para a luta contra o nipo-nazi-fascismo-integralismo que ajudou54 barbaramente no Atlântico, tantas vidas nossas. Os náufragos clamam vingança do fundo dos mares. [...]55
Ao lado da matéria sobre o trabalho das brasileiras, há um texto sobre as mulheres norte-americanas:

As mulheres ianques participam ativamente na lista de seu povo para defender a liberdade dos povos. Shirley Ingalls e Martha Potter verificam as condições meteorológicas antes de pilotarem o seu avião-escola.

Mulheres pilotos estão participando do patrulhamento aéreo a cargo do avião militar e naval. As mulheres ianques estão portanto, lutando pelos supremos ideais da América, esse Novo Mundo “cujo trilho Colombo abriu nos mares nos mares como um Iris no pélago profundo”.56
Verifica-se que a característica comum entre essas notícias é o destaque ao trabalho feminino no esforço de guerra de seus países. Há a reiteração, a cada matéria que segue, da imagem feminina relacionada a atividades intelectuais e também aquelas que tinham como pré-requisito o uso da força corporal. Logo abaixo da matéria sobre as mulheres norte-americanas, encontra-se uma notícia sobre as mulheres inglesas:
As mulheres britânicas lutam corajosas e organizadas, pela Inglaterra. Lutam nos corpos auxiliares do Exército, da Marinha, da Força Aérea e em todos os serviços da retaguarda pela vitória contra o inimigo comum.57
A matéria sobre o trabalho feminino chinês vem acompanhada de uma fotografia em que três mulheres também estão no trabalho relacionado às batalhas durante o conflito. Há também outras matérias sobre a atuação feminina na Rússia, na França e na África do Sul.
Essas três figuras femininas que aparecem inspecionando as ruínas da cidade de Chung-King, após o ataque nipônico, são três famosas chinesas, Madame Kung, Sun-Yat-Sen e Chiang Kai Shek. Madame Chiang Kai Shek que representa bem a mulher moderna da China, onde até há pouco tempo, as mulheres viviam sob um jugo feudal, acaba de fazer uma viagem aos E. Unidos para pedir armas, armas para a China heroica e milenária que luta contra o invasor nipônico.58

Jacinta Passos e seus colaboradores organizaram inclusive a diagramação do suplemento semanal de maneira a colocar em primeiro plano este tipo de matéria, ou notícia, buscando sempre a associação da imagem feminina ao trabalho, à ação, colocando-a em uma posição de sujeito político e social através de atividades vitais no esforço de guerra de seus países além de outros tipos de trabalho não necessariamente voltados para este assunto. Com apenas este exemplar de “Página Feminina”, é possível observar que a escolha das matérias, notas, entrevistas e demais conteúdos são cuidadosamente pensados e organizados a partir de um posicionamento ideológico que visa construir uma imagem feminina voltada ao trabalho, aos assuntos políticos e também a uma mudança de postura comportamental.

Em relação a essa mudança comportamental, convém registrar uma nota que aparece em uma das edições da coluna semanal, interessante para pensar a proposta da diretora e de seus colaboradores em relação ao seu público-alvo. Na parte inferior central da edição de 22 de agosto de 1943, sob o título “Não abuse do cavalheirismo”, há uma nota com as seguintes instruções. (Cf. anexo F)
Não espere que os homens acorram para apanhar o seu lenço.

Não o force com olhares, a ceder lugar no ônibus.

Não espere desculpas do cavalheiro quando lhe pisar os pés.

Não se mostre frágil nas horas de aflição para forçar o companheiro a se preocupar consigo.

Não torne claro que ele paga as despesas.

Não lhe conte insultos de outros homens para obrigá-lo a defendê-la.

Não queira que os amigos sejam “admiradores”.59
Interessante observar que esta nota divide espaço com uma propaganda de salão de beleza, e outra de vestuário feminino, esta é a negociação que Jacinta Passos teve que fazer para conseguir editar a “Página Feminina”.

Max Hastings (2010) discorre sobre as experiências humanas durante a Segunda Guerra Mundial e aponta que, dentre outros grupos afetados pelo conflito, aborda o “lugar” da mulher neste conflito, a partir do olhar de personagens que acompanharam o desenrolar dos acontecimentos e eram severamente afetadas por estes, mas que de alguma forma se mobilizaram para contribuir com seus países. O autor analisa as dificuldades enfrentadas por elas ao participarem do trabalho de guerra em ambientes onde a presença masculina era ainda maior e no qual muitas delas sofreram hostilidades por questões de gênero:


A mobilização das mulheres foi um fenômeno essencial na guerra, mais generalizado na União Soviética e na Grã-Bretanha, ainda que Adam Tooze tenha mostrado que a Alemanha utilizou mais operárias do que se supunha.

O ethos social japonês impedia a elevação das mulheres a postos de responsabilidades, mas elas tinham um papel crucial nas fábricas e, em 1944, compunham metade da força de trabalho japonesa na agricultura. A Grã-Bretanha pré-guerra utilizava menos o trabalho feminino do que a União Soviética, mas rapidamente recrutou-as sob a pressão do cerco. Algumas descobriram uma realização desconhecida nos tempos de paz [...].

Muitas moças sofriam, porém, quando jogadas num mundo fabril vergonhosamente chauvinista, dominado pelos homens. [...].

Todos os países procuravam elevar e glamorizar o papel da mão de obra feminina durante a guerra como estímulo ao recrutamento. Nos Estados Unidos, em 1942, Red Evans e John Jacob Loeb compuseram uma canção popular: “O dia inteiro/Chova ou faça sol/ Ela é parte da linha de montagem. Ela faz história/Trabalhando pela vitória/Rosie, a rebitadeira [...]. (HASTINGS, 2012, p.371-2)

O autor continua a problematizar a atuação das mulheres durante o conflito mundial mostrando todo tipo de violência a que eram submetidas tanto nas fábricas quanto no serviço militar.

Ainda que as mulheres diretamente relacionadas ao trabalho nos países em que a guerra acontecia tenham enfrentado as adversidades mostradas por Hastings, o registro desta participação feito pela “Página Feminina” foi um importante instrumento para a reflexão sobre a condição social feminina nas diversas sociedades.

Ao mostrar o trabalho de mulheres ao redor do mundo como participantes do processo de auxílio na Segunda Guerra Mundial, cuja história nos livros didáticos é mostrada em sua grande parte pela ótica masculina, a coluna semanal dirigida por Jacinta Passos estava na contramão da práxis histórica e jornalística da época. Como o mundo político e da guerra era normalmente dominado pela figura masculina, há, nas matérias transcritas acima um deslocamento desse olhar. A seguir, uma entrevista com a professora baiana Lígia Lemos falando sobre a importância do trabalho das mulheres baianas na Legião Brasileira de Assistência, sob o título de “As mulheres baianas e a guerra: fala a professora Lygia Lemos” (Cf. Anexo A):
A “Página Feminina”, procurando ouvir o pensamento da mulher baiana sobre a guerra, está entrevistando mulheres de todas as classes e profissões. Já falaram uma comerciária e uma advogada. Hoje fala uma professora, Ligia Lemos, elemento muito conhecido e admirado em nosso meio educacional pela sua capacidade de educadora competente e esclarecida.

1º) Até que ponto nesta guerra se decidem os interesses vitais da mulher?

Até o ponto em que nela se decidem os interesses vitais da humanidade. Para a mulher como para o homem, esta guerra vai solucionar velhos problemas, entre outros, o problema da distribuição das riquezas e o problema da liberdade que são, em resumo, o problema da vida.

Em relação ao homem, no que diz respeito a direitos, a mulher estando em situação inferior, esperará conquistar os direitos que sempre lhe foram negados. Será uma conquista justa, porque a mulher dela será merecedora pelos sacrifícios que está a fazer no altar da Vitória: o sacrifício do seu trabalho, do seu sangue e do sangue de seus filhos, o sacrifício da vida, enfim.

Se esta não guerra é simplesmente uma guerra de interesses; se é uma guerra de ideias se houver depois dela uma revisão profunda nas leis que regem os povos; a mulher poderá ver resolvidos os problemas de interesse vital para ela. [...].60
Além de apresentar matérias com mulheres como protagonistas, a “Página Feminina” buscava ouvir a opinião de mulheres da sociedade baiana sobre a guerra. Logo no início da entrevista, que não está assinada por nenhum jornalista, esclarece-se que o suplemento havia procurado fontes diversas para falar sobre o assunto, não havia, portanto, apenas a voz das mulheres da classe média, outras trabalhadoras também eram consultadas.

A entrevistada opina sobre a função vital que as mulheres têm socialmente, no trabalho, na educação dos filhos e fala principalmente da necessidade de revisão da condição feminina que deveria ser feita no pós-guerra.

É notória a preocupação da direção e da equipe da “Página Feminina” em problematizar as questões relativas ao público ao qual se dirige. Esta estratégia, repetida a cada edição da página, em quase a totalidade se seu conteúdo.

Muitos artigos e entrevistas publicados na página semanal tinham um apelo à conscientização das mulheres baianas sobre a importância da adesão à Legião Brasileira de Assistência — L.B.A— organização criada em 28 de agosto 1942 e dirigido pela Primeira-Dama Darcy Sarmanho Vargas, com o objetivo de mobilizar o trabalho civil em apoio ao esforço de guerra — como é possível identificar através da entrevista feita com Jacinta Passos em 1943 publicada no jornal com o título “Palestra radiofônica de Jacinta Passos na semana de propaganda da Legião Brasileira de Assistência” ou “O trabalho das mulheres na mobilização da retaguarda nacional”, dentre outros.

Sob o título “Mulheres baianas”, há na edição de 26 de março de 1943 uma nota convidando as mulheres baianas a participar da LBA: “O Brasil precisa de enfermeiras. As inscrições para o curso de Samaritanas Socorristas estão abertas no Gabinete Português de Leitura. ”. Ao lado desta mesma nota, uma chamada para um recital beneficente para a LBA, organizado pela cantora Zoraide Aranha, dedicado às Forças Armadas do Brasil no qual Jacinta Passos participaria com poema “Canto da hora presente” em que faz uma alusão às dificuldades enfrentadas por diversos povos no mundo por conta da guerra naquele momento. A “Página Feminina” promovia uma propaganda muito forte da LBA, buscando sempre convocar as mulheres para o trabalho e para a divulgação das ações da organização:
[...] O trabalho de propaganda supõe, portanto, alguma coisa capaz de crescimento e amplitude. Essa condição fundamental para a propaganda existe na Legião Brasileira de Assistência. A Legião, organização de mulheres brasileiras para um serviço social comum pela sua própria natureza de organismo vivo, tende a crescer e se expandir [...].61
Os exemplos extraídos da “Página Feminina” são diversificados, tratam sob diversos ângulos das questões relacionadas às mulheres. Aquele espaço foi conquistado por Jacinta Passos pela seriedade com que tratava seu ofício de jornalista que acompanhava atenta a um dos principais acontecimentos do século XX e procurou associá-lo, ainda que como vimos de forma a equilibrar sua visão progressista com a tradição da época, às mulheres e torná-las sujeitos de sua própria história.

No jornal O Momento (1945-1957), há dois textos importantes que reforçam a ideologia política e a vanguarda feminista exercida pela autora em outro período de sua vida. Uma das entrevistas que concedeu neste período foi publicada no jornal. Com o título “Só unidas as mulheres resolverão seus problemas”62 (Ver Anexo I), a jornalista e militante política opina sobre os rumos da política e do interesse cada vez mais crescente das mulheres por política:

As chapas do Partido Comunista do Brasil em todo o país apresentaram nomes de intelectuais, escritores e poetas, juntamente com operários, à Câmara Federal e ao Senado. Foi isto uma demonstração da confiança que o partido do proletariado deposita nos intelectuais honestos, nos sinceros e decididos defensores do povo, como Jorge Amado, Graciliano Ramos, Aydano do Couto Ferraz e José Geraldo Vieira, romancista de profundas tendências religiosas.
Entre esses candidatos pela Bahia está a Jacinta Passos Amado , poetisa de imensa sensibilidade que soube dizer tão bem no memorável comício “A Bahia a Prestes e a Yeddo Fiúza, aquelas palavras francas, de duro realismo, que soaram bem no fundo da grande de marmiteiros presentes na Sé, porque foram palavras dirigidas à miséria do pobre homem da rua, do homem da marmita estranho aos oradores profissionais[...] Nossa entrevistada fala devagar, dando tempo a que o repórter escreva sua resposta, com toda a calma, palavra por palavra: - As mulheres estão demonstrando um interesse cada vez maior pelos acontecimentos políticos. Um fato que pude observar não somente aqui, mas em São Paulo, em Curitiba, em Porto Alegre, no Rio. É grande o número de mulheres que compareceram às últimas eleições. Elas participaram ativamente na campanha eleitoral, estiveram presentes nos trabalhos de organização dos partidos, nos comícios, nos jornais, nas chapas dos candidatos. Esse fato demonstra que as mulheres, no Brasil, estão adquirindo uma maior consciência política. [...] A mulher, e sobretudo a mulher operária vai tomando consciência de sua condição, e vai compreendendo que não adianta lutar sozinha para resolver seus problemas fundamentais. Está compreendendo que são problemas são os mesmos de milhões de outras mulheres e outros homens. [...]

É por isso que as mulheres estão se interessando pelos acontecimentos políticos, pelas eleições, pelos fatos que vão influir tão diariamente em suas vidas. A mulher operária sente ainda mais diariamente esses problemas, porque a sua condição é a mais difícil; além de trabalhar em péssimas condições nas fábricas, para receber um salário que sustente ou ajude a sustentar sua casa e seus filhos, ela tem de resolver os problemas da casa, comprar os gêneros, cozinhar, zelar pela casa e criar os filhos. [...] A mulher operária trabalha nas fábricas e nas casas, nas mais duras condições [...] E nas fábricas, quase sempre recebe um salário inferior aos dos operários. [...]

Há um grande número de mulheres não operárias, sobretudo de pequena burguesia, que conseguiram uma independência econômica através do seu próprio trabalho e que sentem os problemas femininos com mais agudeza. Algumas delas conseguem através do trabalho prático, uma identificação maior com a classe revolucionária e também com seu instrumento de luta, o Partido Comunista. Outras vão até determinado ponto: chegam a compreender a necessidade da luta organizada, da sua participação na vida política do país. [...] Concluindo, quero dizer que há um número de reivindicações femininas comuns a todas as mulheres e que, em torno dessas reivindicações é possível um trabalho unitário e organizado das mulheres. Mas é preciso levar em consideração um fato: a mulher brasileira não tem ainda uma tradição de luta política; tem uma experiência pobre de organização, porque começa a sair de um passado de opressão feudal. [...]63

No longo trecho destacado da entrevista de Jacinta Passos, concedida ao jornal O Momento64 é possível perceber a capacidade de reflexão da escritora, que ali falava na condição de militante política e candidata a deputada federal. Percebe-se que seu discurso está balizado na questão da divisão de classes, aspecto fundamental dentro da concepção do Partido Comunista. A jornalista aborda as problemáticas femininas elegendo dois polos de análise: as mulheres operárias e as da classe média, elencando as necessidades e os avanços de cada um dos lados, ressalta o recente interesse dessas mulheres pela política, o que para ela consiste em um avanço para o país, e vai mais além, destaca que diversas mulheres têm a força de trabalho na organização e mobilização política através de ações concretas, ou seja, ela eleva o feminino outro patamar, retratando-o não mais o vítimas de opressão histórica, mas como sujeitos históricos, políticos e politizados.

O nosso objetivo neste capítulo foi demonstrar, através dos exemplos selecionados, que a passagem de Jacinta Passos pelo jornalismo baiano, principalmente a sua atuação na “Página Feminina” do jornal O Imparcial, foi uma importante contribuição para a construção de novos paradigmas dentro da prática jornalística e política para as mulheres baianas de seu contexto histórico.

Portanto, é possível afirmar que a escritora Jacinta Passos, mulher, poetisa, militante política foi também feminista, na acepção mais ampla que este conceito possa significar, pois ela não apenas teorizou sobre a condição feminina em sua época, mas traçou um projeto e o executou de forma a abalar algumas estruturas que se encontravam sólidas nos anos 1940. Ao relacionar o público feminino dos periódicos em que atuou aos assuntos políticos como os desdobramentos da Segunda Guerra Mundial e o trabalho de milhares de mulheres ao redor do mundo, aos assuntos da política brasileira com eventos como a entrada do país no conflito e o trabalho das brasileiras em torno deste evento, fica clara sua proposta de inclusão da figura feminina como um sujeito político atuante e comprometido com a realidade social de seu país.

Podemos concluir que nossa escritora teve um “teto todo seu”65 onde fez da escrita seu meio de vida e sua forma de estar na vida. Suas ideias, ainda que em constante choque com os valores culturais de seu tempo, não estão obsoletas e sua visão humanística de mundo continua fazendo sentido e produzindo eco na contemporaneidade.

Esta intelectual foi uma jornalista feminista não apenas para buscar transformar sua realidade própria ou a de suas contemporâneas, mas por continuar em seu contexto histórico, a “desbravar” outros caminhos, criando, através da forma como expôs o trabalho de mulheres em diversas áreas da vida social, novas perspectivas de ação que podemos considerar feministas, às quais as mulheres no século XXI, recebem como um rico legado, na medida em que muitas conquistas de hoje foram possíveis pelo árduo trabalho de mulheres como a poetisa e jornalista militante comunista, Jacinta Passos.






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