Instituto de letras beatriz azevedo da silva jacinta, passos de uma escritora



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Manhã de sol
Dia azul de Maio. Esplende

um sol de ouro no céu que além se estende.

Prolongam-se vibrações do arrebol

na clara luz desta manhã de sol.


5 O céu ardente,

dum azul luminoso e transparente,

tem doçura infinita...

Um rumor de asas pelo azul palpita,

palpita pelo ar.
10 É carícia sonora, a música do mar.

O verde risonho

das árvores é lindo como um sonho.

A brisa leve e fresca em surdina cicia.


Há, em toda parte, uma explosão de alegria.

A natureza canta, radiosa,

um brilho aleluial na manhã gloriosa.

E todo esse esplendor se comunica

à alma da gente, que vibrando fica

e, com alta emoção esplêndida e feliz,

bendiz,

numa alegria incontida,

a glória de viver e a beleza da vida.

(1934)
O poema, composto de três estrofes com número variado de versos, quatro, cinco e nove versos, expressa a vibração e a alegria encontrada em uma paisagem observada em um dia de sol. Todos os elementos trazidos contribuem para a criação desta atmosfera telúrica: a vibração das cores como “dia azul de Maio” e “um sol de ouro”, criam o clima de leveza que o poema propõe. O poema é quase uma pintura pela sinestesia presente nos versos, que parece pretender levar o leitor a perceber as sensações daquela manhã de sol: “O céu ardente... Um rumor de asas pelo azul palpita, palpita pelo ar/ É carícia sonora, a música do mar.”.

A exposição destes aspectos da natureza se realiza pelo uso de uma linguagem simples, que expressa a leveza e a beleza que traduz nas estrofes: “E todo esse esplendor se comunica/ à alma da gente, que vibrando fica/e com alta emoção esplêndida e feliz/ bendiz/ numa alegria incontida /a glória de viver e a beleza da vida”.

Esta relação de harmonia, felicidade e paz traduzida na relação do ser com o ambiente que o cerca, neste caso, os elementos de uma natureza exuberante, que é um presente para os olhos de quem a contempla. Nos trechos do poema transcrito a seguir, a poetisa presenteia o leitor com outro cenário poético, que celebra, traduzindo em versos, desta vez, o cair do dia:





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