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Barba na história da humanidade



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Barba na história da humanidade


Por volta de 30 mil anos atrás os homens descobriram ser possível retirar os pelos do rosto com o uso de lascas de pedra afiada. Indícios comprovam que desde o Paleolítico o homem pré-histórico já possuía determinados hábitos de higiene e vaidade11.

No Egito antigo os pelos eram utilizados para diferenciar os membros da sociedade. Os mais abastados da nobreza, entre a qual se constavam os faraós, cultivavam a barba como um sinal de seu status. Isso era tão difundido que até mesmo a rainha Hatshepsut usava uma barba postiça presa à orelha, feita de ouro, durante as cerimônias religiosas. Já a classe sacerdotal optava por uma depilação total de seus pelos, que para eles indicava o distanciamento do mundo e dos animais11.

Para os gregos o uso da barba era bastante comum, porém essa tradição foi severamente proibida pelo rei Alexandre, o Grande, durante a dominação macedônica, em 323 a.C, que obrigou os soldados a cortar os pelos do rosto, porque eles poderiam ser agarrados pelos inimigos durante as batalhas12.

Na civilização romana a barba fazia parte de um importante ritual de passagem para os rapazes. Antes da puberdade nenhum fio de cabelo ou barba poderiam ser cortados. No momento de passagem da infância a juventude raspavam todos os pelos do corpo e ofereciam aos deuses.

Os senadores costumavam deixar a barba como símbolo do seu status político. Foi em Roma que surgiram os primeiros cremes de barbear, produzidos através do óleo de oliva e as primeiras barbearias.

Durante a Idade Média a barba sinalizou a separação que ocorreu na Igreja Cristã. Depois do cisma em 1054, que separou católicos e cristãos ortodoxos, a Igreja incentivou muitos dos clérigos e leigos católicos a fazerem a barba para que não parecessem com os integrantes da igreja ortodoxa ou até mesmo com os judeus e muçulmanos11.

Na Idade Média o bigode ganhou uma conotação demoníaca, o diabo passou a ser representado usando bigode em pinturas populares.

Em 1152 ocorreu a Guerra da Barba, quando o então barbudo Rei Luís VII casou-se com Eleanor, filha de um duque francês, recebeu duas províncias no Sul do país como dote. Ao voltar das cruzadas o rei Luís raspou a barba, o que não agradou muito sua esposa. Como ele não aceitou deixar a barba crescer novamente, ela divorciou-se e casou com o rei Henrique II da Inglaterra. Eles passaram a exigir de Luis VII as terras que havia recebido como dote, o qual negou- se a devolver e declarou guerra ao rival britânico12.

Mesmo mais tarde em 1447, o parlamento inglês proibiu o uso do bigode, porque ele virou símbolo das duas coisas mais odiadas pelos ingleses da época, a vaidade e o povo francês.

Com o desenvolvimento comercial e o grande número de invenções que marcaram o mundo moderno, a barba começou a indicar um traço da vaidade masculina. Em 1770 o francês Jean-Jacques Perret criou um modelo de navalha mais segura para barbear. No século seguinte foi inventada pelos irmãos americanos Kampfe a famosa navalha “T”.

Com o auxilio de Willian Nickerson, engenheiro do MIT, o caixeiro viajante King Camp Gillette, criou uma nova marca de lâminas e barbeadores descartáveis, utilizada até hoje por homens e mulheres do mundo todo.

Durante o século XX, o rosto lisinho virou sinônimo de higiene e civilidade, e muitas empresas e instituições governamentais não admitiam pessoas barbudas em seu quadro de funcionários11.

Entre as décadas de 1970 e 1980 cavanhaques e bigodes viraram febres entre os homossexuais norte-americanos, e teve como um dos seus maiores representantes o cantor Freddie Mercury.


Na década de 1990 a imagem do homem jovem e bem sucedido nos negócios estava diretamente ligada a barba feita e ao visual cara limpa, e mais uma vez a barba foi associada ao descuido, a falta de vaidade e até ao desemprego.

De acordo com o New York Times, o retorno ao uso da barba começou a crescer por volta dos anos 2000, e foi tornando-se mais popular a medida que homens famosos e influentes adotaram o visual.

Atualmente a barba se associa aos temíveis terroristas do Islã ou a pessoas com visual mais alternativo. Mesmo não indicando obrigatoriamente um determinado comportamento ou opção, a barba nos revela como as diferentes culturas salientam seus valores de unidade e diferença por meio dos mais insignificantes dados11.

O costume de preservar ou retirar os pelos da face, mais do que indicar um hábito corriqueiro, abre caminhos para que compreendamos traços de diferentes culturas espalhadas ao redor do globo12.




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