Insetos deterioradores de madeira no meio urbano



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Adriana Antunes, MOI T10 

Após  a  leitura  do  artigo 



“Insetos  deterioradores  de  madeira  no  meio 

urbano”, responda às questões abaixo:  

1)  Os  cupins,  insetos  sociais,  podem  causar  um  grande  prejuízo  às  edificações. 

Contudo, são animais importantes na natureza. Comente sobre isto. 

 

Essa é uma espécie de “contradição” interessante, pois nos mostra que, apesar 



desse prejuízo que causam decorrente de sua natureza biológica, esses insetos são 

imensamente  importantes  quando  pensamos  na  vida  na  natureza.  No  artigo, 

percebemos dados que comprovam o prejuízo causado por tais insetos deterioradores 

e o quanto isso se constitui como um problema social que demanda recurso financeiro, 

como:  são  gastos  anualmente,  no  mundo,  mais  de  2  bilhões  de  dólares  em 

tratamentos  curativos  de  edificações.  Já  no  Brasil,  tratamentos  curativos  em  240 

edificações na cidade de São Paulo foram estimados em 3,3 milhões de dólares. Para 

o Brasil, temos esse como um problema favorecido pelas condições ambientais, como 

se percebe no artigo: 

“Os cupins são insetos predominantemente tropicais e, portanto, 

climas quentes e úmidos, como os do Brasil, são favoráveis a esses insetos”. Então, 

diante do supracitado, não se pode ignorar essa problemática. O que acontece é que 

se  esquece,  por  vezes,  que  em  função  da  diversidade  de  espécies,  hábitos  e 

exigências  de  cupins e  brocas  de  madeira,  a  prevenção  contra eles  exige  medidas 

que vão desde a árvore viva até o produto final. 

As  medidas  comumente  utilizadas  possuem  produtos  químicos,  tóxicos,  que 

por questões ambientais ou do próprio uso dado à madeira, encontram limitações. Em 

contrapartida,  não  se  pode  ignorar,  também,  a  relevância  desses  insetos  no  meio 

ambiente  e,  ainda,  a  maneira  com  que  se  organizam  e  interagem.  Além  do  seu 

aspecto interessantíssimo de se organizarem em sociedade, pesquisando além, são 

responsáveis  pela  decomposição  de  madeiras  mortas,  drenagem  e  ciclagem  dos 

nutrientes do solo. O mais enfatizado no artigo é que os cupins são insetos sociais, 

ou  seja,  constituem  colônias  as  quais  são  formadas  por  diferentes  categorias  de 

indivíduos, ou o que pode se chamar de castas, cada uma desempenhando um papel 

específico na sociedade e no meio ambiente. O que, além disso, é citado no artigo, é 

a relevância de distinguirmos os cupins que são prejudiciais daqueles que não causam 

mal  algum  e  que  são,  ainda,  extremamente  importantes  nessa  questão  ambiental. 

Outra  questão  que deve  ser  refletida  é  que os insetos  formam  o  grupo animal  com 

maior capacidade de adaptação aos mais diversos ambientes. Portanto, espécies hoje 

úteis  ou  inofensivas  podem  tornar-se  prejudiciais  em  função  de  uma  incorreta 

intervenção  do  homem  na  natureza.  Um  dado  interessante  citado  para  comprovar 

esse  fato  é  que: “Atualmente  com  cerca  de 2.500 espécies  descritas, apenas  10% 

delas  são  consideradas  pragas.  A  maioria  das  espécies  não  são  prejudiciais  ao 

homem  e  tem  um  importante  papel  na  reciclagem  da  matéria  orgânica  vegetal  na 

natureza.” 



 

2) Discorra sobre as castas e a função de cada uma na colônia. 

As castas podem ser definidas como as categorias nas quais estão separados 

por funções e definidos os cupins. Isso acontece pois são insetos sociais responsáveis 

por formar colônias nas quais cada grupo de inseto desempenha uma função distinta 

no meio ambiente. Uma colônia típica de cupins, para exemplificação, contém a casta 

dos reprodutores e duas castas não reprodutoras ou neutras, contendo os operários 

e  os  soldados.  Os  reprodutores  chamados  primários,  conhecidos  como  “siriris”  ou, 

ainda, “aleluias”, são as únicas formas com asas.  Quando imaturos, são chamados 

de ninfas e, ao atingir a maturidade, assim que deixam a colônia, em revoada, passam 

a  formar  casais  que  iniciarão  novas  colônias.  O  casal  fundador,  que  já  atingiu 

maturidade e deixou a colônia (agora denominado de casal real, portanto rei e rainha), 

dará  origem  a  todos  os  indivíduos  da  colônia.  Ainda,  é  interessante  salientar  que 

algumas  espécies  de  cupins  podem  produzir  reprodutores  de  substituição,  que  se 

desenvolvem  quando  desaparece  o  casal  real  ou  um  de  seus  componentes.  Esses 

reprodutores não atingiram a maturidade, mas adquirem, precocemente, a capacidade 

de reproduzir. 

  

Soldados  e  operários,  outras  castas,  são  indivíduos  machos  e  fêmeas,  sem 



asas  e  nos  quais  o  aparelho  reprodutor  não  se  desenvolve,  razão  pela  qual  são 

denominadas  castas  neutras  ou  estéreis.  A  casta  dos  soldados  é  a  categoria 

responsável  pela  defesa  da  colônia,  assim  como  diz  o  nome.  Apresentam  uma 

morfologia  adaptada  para  essa  função,  com  cabeça  resistente  e  mandíbulas  bem 

desenvolvidas e/ou uma glândula cefálica, cuja secreção é lançada contra o inimigo 

através de um poro frontal, a fim de cumprir a segurança. Há, contudo, espécies de 

cupins  que  não  possuem  soldados,  tendo  a  defesa  como  tarefa  exclusiva  dos 

operários, casta descrita a seguir. A casta dos operários é definida como a categoria 

mais numerosa socialmente e são os responsáveis por todos os trabalhos da colônia. 

Essas tarefas vão desde a construção do ninho até a alimentação das outras castas. 

São  os  operários  também  que,  por  um  processo  de  diferenciação,  originam  os 

soldados na maioria das espécies de cupins. 

 

Em relação às castas e à organização desses insetos, ainda, considerei uma 



observação  bem  interessante:  “Ao  contrário  de  outros  insetos  sociais  (formigas  e 

algumas abelhas) cujo desenvolvimento pós- embrionário é do tipo holometábolo, os 

cupins são insetos hemimetábolos. Isto significa que, nos cupins, as fases imaturas 

ou larvais são independentes e, portanto, já desempenham trabalho na sociedade” 

 

 

3) Comente sobre a alimentação do cupim. 



A  alimentação  dos  cupins  está,  no  artigo  analisado,  relacionada  com  seus 

hábitos  de nidificação, ou  seja,  construção  de  ninhos.  Algumas  espécies  de  cupins 

vivem  exclusivamente  na  madeira  da  qual  se  alimentam.  Já  outras,  constituindo  a 



maioria,  vivem  no  solo  ou em  contato  com  ele,  buscando o  alimento  no  exterior  do 

ninho. Dentre os cupins que vivem somente na madeira, também há uma divisão, já 

que  algumas  espécies  vivem  em  madeiras  secas,  com  teor  de  umidade  abaixo  de 

30%, os chamados “cupins-de-madeira-seca” e que são, economicamente, os mais 

importantes do grupo. Os outros são os chamados “cupins-de-madeira-úmida”, que, 

fazendo jus ao nome, vivem em  madeiras com elevado teor de umidade. O ataque 

desses  cupins  é  percebido,  sobretudo,  pelo  acúmulo  de  resíduos,  em  forma  de 

pequenos grânulos, encontrados junto à peça atacada. 

Mais especificamente, a celulose, um dos principais constituintes das paredes 

celulares  das  plantas,  é  o  alimento  universalmente  usado  por  todas  as  espécies. 

Apesar disso, apenas aqueles cupins que se alimentam quase que exclusivamente de 

madeiras  sadias  e  seus  derivados,  os  estritamente  xilófagos,  são  os  que  mais  nos 

causam  problemas.  Isso  porque,  para  que  a  celulose  possa  ser  utilizada  como 

alimento, ela deve ser decomposta na unidade que a constitui, a glicose. Os cupins 

ou não produzem as enzimas necessárias para digerir a celulose em glicose, ou as 

produzem em quantidade insuficiente. Eles utilizam a celulose graças à associação 

com microrganismos (flagelados ou bactérias), os quais vivem no seu trato digestivo 

e produzem as enzimas necessárias para essa digestão. Pesquisando além do artigo 

e mais especificamente sobre seus hábitos alimentares, conclui-se que se alimentam 

de  madeira  viva,  madeira  morta  em  decomposição,  herbáceas  e  gramíneas  vivas, 

detritos  vegetais,  húmus  e  solo  com  vários  teores  de  matéria  orgânica  e  fezes 

(principalmente de herbívoros). Além disso, é interessante que compreendamos essas 

diferenças entre os cupins e seus hábitos, principalmente a fim de entender melhor 

sua organização e, como solicitado, sua alimentação.  

 

4) Diferencie a broca-de-madeira do cupim, quanto ao grupo taxonômico (Ordem) e 



desenvolvimento pós-embrionário. 

Diferenciando  cupins  e brocas de  madeira  quanto  ao grupo  taxonômico,  ou  seja,  a 

ordem,  temos  que  os  cupins  pertencem  a  ordem  Blattodea  (encontrei  essa  ordem 

como sendo atualizada, e a ordem citada no artigo, Isoptera, como sendo considerada 

uma  subordem  atualmente)  e  as  brocas  de  madeira,  Coleoptera.  Quanto  ao 

desenvolvimento  pós-embrionário,  os  cupins  apresentam  metamorfose  incompleta, 

também  chamada  de  hemimetábolos.  Dos  ovos  eclodem  ninfas  que  não  são 

parecidos  com  as  castas  terminais.  Por isso,  são  denominadas larvas  ou  imaturos. 

Apresentam  as  fases  de  ovo,  ninfa  e  o  estágio  adulto  ou  imago.  Este  tipo  de 

metamorfose  envolve  alterações  graduais  e  não  apresenta  a  fase  de  pupa.  Já  as 

brocas  de  madeira  apresentam  o  oposto,  o  desenvolvimento  por  metamorfose 

completa, também chamado de holometábolo, apresentando as fases de ovo, larva, 

pupa e adulto. Do ovo eclode uma larva, a qual é bastante diferente do adulto.  



5) Cite como as brocas são agrupadas e comente sobre uma delas. 

As  brocas  estão  agrupadas  em  três  grupos  conforme  o  estágio  em  que  a 

madeira se encontra, o qual está fortemente relacionado com o seu teor de umidade. 

Essa classificação considera o hábito mais frequente dentro de cada grupo e não se 

aplica, necessariamente, a todas as espécies de um mesmo grupo. Esses grupos são: 

brocas que atacam a árvore viva ou recém abatida, brocas que infestam a  madeira 

durante a secagem e Brocas que atacam madeiras secas. 

O primeiro grupo elencado no artigo seria o de brocas que atacam a árvore viva 

ou recém abatida. Nesses estágios, a madeira encontra-se com alto teor de umidade 

e  as  brocas  que  existem  nessas  condições  são  principalmente  das  famílias 

Cerambycidae,  Platypodidae  e  Scolytidae.  Os  cerambicídeos  são  como  brocas 

caulinares  de  árvores  vivas,  porém  se  diferenciando  pois  atacam  também  árvores 

recém abatidas e madeiras apodrecidas. Dependendo da espécie o ataque pode ser 

apenas na porção logo abaixo da casca, ou, ainda ser mais profundo e penetrar no 

alburno, atingindo o cerne da madeira. A madeira recém abatida contém um elevado 

teor de umidade e brocas das famílias Platypodidae e Scolytidae são frequentes nesta 

fase. Dentro desse grupo, há também espécies que atacam árvores vivas e que em 

algumas  regiões  do  mundo  constituem  um  grande  problema,  já  que  podem  vir  a 

causar a morte da árvore.  

A  grande  maioria  dessas  brocas  são  espécies  conhecidas  por,  assim  que 

depositarem  os  ovos  na  madeira,  inocularem  um  fungo  que  servirá  como  principal 

alimento  para  as  larvas.  Esses  fungos,  denominados  de  “ambrosia”  são  os 

causadores  das  manchas  que  se  vê  ao  redor  dos  orifícios  e  ao  longo  das  galerias 

desses insetos. Mesmo quando o ataque não foi profundo, a grande quantidade de 

orifícios e galerias e as manchas causadas pelos fungos depreciam muito o valor da 

madeira. Devido à exigência, desses insetos e dos fungos, de uma alta umidade na 

madeira  para  seu  desenvolvimento,  a  madeira  seca  está  livre  do  ataque  desses 

insetos. 

 

6) Comente sobre como deve ser realizado o controle desses animais xilófagos. 



O controle desses animais xilófagos exige um grande debate em torno de seus 

aspectos  naturais  e  biológicos,  assim  como  explanado  no  artigo  analisado.  Não  é 

tarefa  simples  analisar  todos  esses  aspectos  a  fim  de  não  acabarmos  apenas  por 

prejudicar o meio ambiente ao usar produtos químicos nesse combate. De acordo com 

o que consta no artigo, para evitar o ataque de cupins, brocas-de-madeira ou de outros 

organismos xilófagos, o emprego de madeira preservada é a recomendação básica. 

Apesar disso, sabe-se que o uso de madeira preservada no Brasil é ainda bastante 

limitado  e,  particularmente  no  caso  da  construção  civil  e  mobiliário,  não  há 




especificações técnicas para madeira preservada nesses casos. Ainda, a preservação 

é  um  processo  geralmente  adotado  no  final  do  beneficiamento  da  madeira  e,  se 

quisermos  evitar  que  até  lá  ela  não  sofra  ataque  de  organismos  xilófagos,  outros 

procedimentos  devem  ser  adotados.  Se  considerarmos  tais  insetos  xilofagia  e  sua 

complexidade, a prevenção contra eles exige medidas que vão  desde a árvore viva 

até o produto final, uma vez que há diferentes espécies, particularmente de brocas, 

atacando a madeira nas diferentes fases do seu beneficiamento. Na mata, a madeira 

abatida,  aguardando  transporte  para  as  serrarias,  é  alvo  de  ataque  de  inúmeros 

insetos, particularmente as brocas das famílias Platypodidae e Scolytidae.  

Assim,  tratamentos  temporários,  são  recomendáveis  para  evitar  essas 

infestações ou controlá-las. A partir do momento que a madeira chega às serrarias e 

daí até o produto final, uma série de outras medidas preventivas podem ser adotadas. 

Nesse  caso,  os  três  procedimentos  mais  empregados  são  aplicação  de  soluções 

inseticidas (muito mais de caráter preventivo apenas), tratamentos com gases tóxicos 

e controle de qualidade. Percebendo, pela leitura do artigo, os aspectos negativos e

porventura,  duvidosos,  existentes  na  aplicação  de  inseticidas  e  no  uso  de  gases 

tóxicos, creio que o controle de qualidade seja extremamente necessário para prevenir 

que  se  necessite  procedimentos 

mais  “radicais”.  Ele  consiste  em,  basicamente, 

analisar e inspecionar madeira, móveis e estoque. Apesar disso, pode-se concluir que 

o  uso  de um  ou  outro  desses  métodos  no  controle dos insetos  xilófagos exige,  em 

primeiro  plano,  uma  seria  análise  da  situação  nos  diferentes  ambientes:  mata, 

serraria, marcenaria, fábrica de móveis e, se houver algum problema, diagnosticá-lo 

corretamente,  verificando  o  tipo  de  inseto  e  o  conjunto  de  condições  que  estão 

favorecendo sua presença, já que sabe-se de sua diversidade. 

 

 



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