Ilan Brenman ilustrações de



Baixar 35.54 Kb.
Pdf preview
Página2/2
Encontro03.05.2021
Tamanho35.54 Kb.
1   2
sador conheceu ou ouviu falar. Na leitura percebemos que muitos registros foram escritos a par-

tir de relatos de contadores de histórias, e com isso... Quem conta um conto aumenta um ponto. 

Aparecem muitas histórias dentro da História, algumas que nitidamente são fruto de 

um caldo de narrativas míticas e populares que circularam por diversos cantos do mundo. 

Heródoto toma alguns de tais contos como factuais, o que torna a leitura ainda mais sa-

borosa e instigante. Então aproveite essa viagem pelas histórias antigas e boa jornada!

Ilan Brenman


8

9

QUal É O HOmem maIS FelIZ DO mUnDO?



Há mais de dois mil e quinhentos anos

, na região chamada Lí-

dia, atual Turquia, um rei de trinta e cinco anos assumiu o poder. 

Seu nome: Creso. A inteligência e a coragem de Creso foram res-

ponsáveis pela grande expansão de seu Império, tornando Sar-

des, a capital, uma das cidades mais ricas e culturalmente efer-

vescentes da época.

Muitos filósofos gregos, famosos por sua sabedoria, foram 

atraídos a Sardes, pois lá poderiam encontrar homens ricos que 

quisessem aprender com eles e, ao mesmo tempo, prover seu 

sustento. Entre esses sábios estava Sólon, o Ateniense, que, di-

ferentemente dos outros, dava mais valor ao conhecimento que 

ao dinheiro.

Sólon havia acabado de realizar uma árdua tarefa, a pedido 

dos cidadãos de Atenas: redigir as leis da cidade. Terminado o 

trabalho, resolveu viajar pelo mundo para conhecer outras cultu-

ras e modos de vida. (Dizem que na verdade Sólon saiu de Ate-

nas para não ser molestado diariamente pelos compatriotas, que 

poderiam pressioná-lo a mudar, ou anular, as leis que havia feito.)

Depois de se encantar com a cultura egípcia na corte do rei 

Amásis, Sólon dirigiu-se a Sardes. Após meses de viagem, aden-

trou os portões da cidade e ficou boquiaberto. Nunca vira tama-

nha riqueza e esplendor.



10

11

— Meu nome é Aliata, o mesmo nome do falecido pai do nos-



so rei Creso — disse o menino. — Mas... o senhor é Sólon, o filó-

sofo mais sábio do mundo? — perguntou meio encabulado Aliata.

— O filósofo mais sábio do mundo? — riu Sólon.

— Aqui em Sardes todos já ouviram falar do grande Sólon 

de Atenas, de sua sabedoria e conhecimento. Meu pai, sempre 

que falo alguma besteira, briga comigo e diz: “Realmente, Sólon 

esse menino nunca será!”.

O filósofo não se conteve e explodiu numa gostosa risada. 

Depois de tomar ar, levantou-se do chão, pousou a mão no om-

bro de Aliata e disse:

— Diga ao seu pai que você acabou de conversar com Sólon, 

o filósofo de Atenas, de igual para igual. E que pior do que errar 

é não tentar. Adeus, menino. 

Aliata saiu correndo para falar com o pai. E a informação da 

che gada do grande sábio se espalhou com a rapidez do vento pela 

ca pi tal da Lídia. O rei Creso ficou empolgadíssimo com a notícia 

de tão ilustre visita e mandou imediatamente convidá-lo ao palá-

cio real.

Sólon aceitou o convite. No suntuoso palácio, antes do en-

contro com o rei, ganhou um bom banho, roupas novas e um de-

licioso banquete.

Com as forças renovadas, foi chamado ao salão real, e lá foi 

calorosamente recebido pelo poderoso rei Creso:

— Não posso acreditar nos meus olhos, você é mesmo Só-

lon, o mais sábio entre os sábios?

— Majestade, não sei se sou o mais sábio, sei que procuro 

sempre a verdade, mesmo que, às vezes, ela seja dolorida.

Só por essa resposta, Creso já sabia que estava diante de um 

grande homem. Os dois se sentaram em majestosas cadeiras, e o 

Um estrangeiro sempre era detectado rapidamente pela po-

pulação local. As vestimentas, a forma de andar, de mexer a ca-

beça, tudo era in dí cio de que uma pessoa que não pertencia a 

Sardes acabara de chegar.

— Caro estrangeiro, de onde você veio? — perguntou um 

menino muito curioso.

O sábio Sólon ficou de joelhos, na altura do menino, acari-

ciou sua cabeça e respondeu:

— Acabei de chegar do Egito.

O menino observou bem o rosto de Sólon, olhou suas rou-

pas e, um pouco confuso, disse:

— Eu já vi egípcios em Sardes, eles são carecas e usam peru-

cas, não usam barba nem bigode e têm um cheiro gostoso. Você 

é barbudo e bigodudo e tem um cheiro ruim de quem não to-

mou banho. Não me parece que o senhor é egípcio.

Sólon, que continuava ajoelhado, com um olhar doce e sim-

pático, retrucou:

— Você não me perguntou de onde eu vim? Pois então, 

acabei de chegar do Egito. Não disse que era egípcio. Sua per-

gunta devia ter sido outra. E, aliás, realmente preciso de um 

bom banho.

O menino ficou um tempo em silêncio, os olhos miravam o 

céu como que buscando compreender aquilo que Sólon acabara 

de dizer. De repente:

— Sim, sim! Entendi! O senhor nasceu em que cidade? — 

disse o menino, feliz da vida.

Sólon, cansado de ficar de joelhos, sentou-se, para espanto 

do menino e de alguns transeuntes que por ali passavam, e disse: 

— Nasci em Atenas e meu nome é Sólon. E você, menino, 

como se chama?



12

13

embaixo, Sólon foi apresentando às mais deslumbrantes riquezas 



do reino. Eram quantidades incalculáveis de pedras preciosas

montanhas de ouro e prata, esculturas de requinte sem igual.

O filósofo ateniense nunca vira riqueza como aquela, nem 

mes mo no Partenon, templo que abrigava os tesouros de Atenas. 

O rei Creso estufava o peito para relatar como havia adquirido 

tamanha fortuna. Depois de muito falar, finalmente se dirigiu a 

Sólon e, apontando as montanhas de ouro, disse:

— Voltemos a falar sobre a felicidade. Você que conheceu di-

versas culturas, povos, reis, me diga: quem foi ou quem é o ho-

mem mais feliz do mundo? 

— Telo de Atenas, majestade — respondeu Sólon.

O rei não podia acreditar no que ouvia, tinha acabado de 

mostrar a maior riqueza de todos os tempos e esperava outra 

resposta.

— Meu caro filósofo, quem é esse tal Telo de Atenas para 

que você o considere o homem mais feliz do mundo? — disse o 

rei, já um pouco melindrado com Sólon.

— Ele foi um homem muito bondoso e justo, teve dois fi-

lhos e vários netos. A criação deles teve como base a virtude, a 

justiça, a coragem e a verdade. Depois de uma vida plena, já com 

idade avançada, Telo foi à guerra ajudar os atenienses a combater 

seus inimigos, socorreu muitos compatriotas e morreu como he-

rói no campo de batalha.

O soberano não gostou muito dessa história. Então, tentou 

novamente:

— Bom, além de Telo de Atenas, quem foi ou quem é o se-

gundo homem mais feliz do mundo?

— Na verdade, são dois homens que merecem esse segundo 

lugar: Cléobis e Bíton.

rei começou a fazer inúmeras perguntas ao filósofo. Estava 

curioso sobre a visita que havia feito ao Egito.

— Os egípcios têm muitos costumes estranhos, não é? — 

perguntou o rei.

— Estranhos para quem? — perguntou o filósofo. — Eles 

também devem achar os gregos ou os lídios muito esquisitos. Ca-

da povo tem sua maneira de viver, mas no fundo todos buscam a 

mesma coisa.

— O que buscam todos os homens? — quis saber o sobe-

rano.

— A eudaimonia, a felicidade — respondeu Sólon.



O rei Creso percorreu com os olhos o grandioso salão real e 

teve uma ideia. Mas, antes de pô-la em prática, quis ouvir mais 

sobre os diferentes costumes egípcios. Sólon, então, descreveu al-

guns deles: 

— As mulheres egípcias são as responsáveis por ir ao merca-

do e lá negociam suas mercadorias, enquanto os homens ficam 

em casa costurando.

O rei Creso não conteve uma risada, mas pediu ao sábio que 

continuasse.

— As mulheres fazem xixi de pé, já os homens sentados.

O soberano segurava o riso, sabia que Sólon descrevia tudo 

aquilo com naturalidade.

Os filhos homens, lá no Egito, não são obrigados a sus-

tentar os pais idosos, já as filhas sim.

— Chega, chega. Já está bom! — disse Creso. — Agora ve-

nha comigo, quero continuar a conversa sobre a felicidade em 

outro local.

Os dois se dirigiram a outro salão, onde havia uma escada de 



pedra em espiral que descia até as profundezas do palácio. Lá 

Catálogo: sherlock -> books -> firstChapter


Compartilhe com seus amigos:
1   2


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal