Ii c ongresso i nternacional de



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II

 

C

ONGRESSO 

I

NTERNACIONAL DE 

L

INGUÍSTICA E 

F

ILOLOGIA

 

XX



 

C

ONGRESSO 

N

ACIONAL DE 

L

INGUÍSTICA E 

F

ILOLOGIA

 

Rio de Janeiro: CiFEFiL, 2016  



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ras,  então,  correm  para  enfrentar  a  tribo  inimiga,  deixando  Iracema  e 

Martim à sós. Ao perceber que o grito de guerra havia sido um “alarme 

falso”,  Irapuã,  com  raiva,  procura  o  guerreiro  branco  a  fim  de  matá-lo. 

No entanto, Araquém o protege. 

Martim, ao ouvir o som característico emitido por seu amigo Poti, 

sente vontade de fugir e ir encontrá-lo, porém a sacerdotisa de Tupã lhe 

garante  fidelidade e  vai localizar o potiguara a fim de lhe  dizer que seu 

companheiro branco logo viria para o alcançar. Não era prudente Martim 

afastar-se  durante  o  dia  porque  poderia  ser  seguido.  Nesse  momento, 

Caubi  aparece  e  alerta  a  irmã  de  que  os  tabajaras  tencionavam  matar  o 

hóspede. Iracema pede a seu irmão para que levantasse a pedra para que 

pudessem se esconder e que ele ficasse de guarda. 

No  interior  da  caverna,  Iracema  e  Martim  ouvem  a  voz  de  Poti, 

embora sem vê-lo. Ele lhes declara que estava sozinho e por sugestão de 

Iracema,  elaboram  um  plano  que  consiste  na  ideia  de  Martim  fugir  na 

mudança  da  lua,  ocasião  em  que  os  tabajaras  estariam  em  festa  e  assim 

ficaria mais fácil evitar o encontro deles com o irado Irapuã. À noite, na 

cabana de Araquém, Martim, ao lado de Iracema, não conseguia dormir, 

então pediu a ela que lhe trouxesse  mais uma vez a bebida sagrada. Ele 

dormiu e sonhou com a virgem, chamando-a, ela, por sua vez, correu pa-

ra ele e o abraçou, consumando o ato sexual. 

Quando a lua apareceu, os tabajaras se reuniram em torno do pajé 

e  levaram-lhe  oferendas.  Iracema,  após  preparar  a  bebida  sagrada,  diri-

giu-se  à  cabana  do  pai  para  buscar  Martim  e  conduzi-lo  até  Poti,  que  o 

aguardava escondido a fim de levá-lo em segurança. Ela os acompanhou 

até o limite das terras tabajaras e quando o guerreiro branco insistiu para 

que retornasse para a sua tribo, lhe revelou que não podia voltar,  pois já 

era sua esposa. 

Ao amanhecer, Poti os alertou de que os tabajaras já estavam em 

perseguição. Irapuã e seus guerreiros chegaram ao local onde estavam os 

fugitivos e na mesma hora apareceram também os potiguaras, sob a che-

fia de Jacaúna. Travou-se, então, o inevitável combate. Ao perceber que 

seus irmãos haviam perdido a luta, Iracema chorou vendo-os quase todos 

mortos. 

Retornando para a taba potiguara, Poti e Martim estavam conten-

tes, ao contrário de Iracema que estava triste por ter que ficar hospedada 

na  tribo  inimiga  que  matou  boa  parte  de  seus  irmãos.  Ciente  disso,  o 

guerreiro português decidiu procurar um lugar afastado para que pudes-



Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Linguísticos 

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Cadernos do CNLF, vol. XX, nº 08 – História da literatura e crítica literária. 

sem morar e viverem felizes. Nessa nova rotina, Poti e Martim caçavam 

enquanto Iracema colhia frutas, passeava pelos campos e arrumava a ca-

bana. Grávida, ela aguardava a hora do parto e já não sentia mais desgos-

to por ter saído de sua tribo. Com o passar do tempo, Martim começou a 

viver mais afastado, tomado pelas lembranças do passado anterior à vida 

na selva e ficava olhando as embarcações passando no mar, sem dar mui-

ta atenção à índia até que certo dia, chegou um guerreiro que, a mando de 

Jacaúna, convocava Poti para a guerra e Martim fez questão de ir com o 

amigo. 


Os dois partiram sem se despedir de Iracema e para que ela enten-

desse  que  haviam  ido  para  a  guerra,  Poti  fincou  no  chão  uma  flecha  de 

Martim e atravessou  nela um  goiamum que acabara de abater e enlaçou 

também  uma  flor  de  maracujá.  A  índia  quando  viu  o  sinal,  voltou  triste 

para a cabana e todos os dias tinha a confirmação de que seu amado ain-

da estava longe. Os dois guerreiros retornaram da batalha vitoriosos e, de 

novo, Martim e Iracema se amaram como no início de seu relacionamen-

to. Aos poucos, porém, ele voltou a se isolar com saudade de sua gente. 

Sua esposa se afastava, também triste. Um dia, apareceu no mar, ao lon-

ge, um navio dos guerreiros brancos que vinham aliar-se aos tupinambás 

para lutarem contra os potiguaras. Poti e seu amigo armaram uma estra-

tégia de proteção, esconderam seus guerreiros e atacaram os inimigos de 

surpresa. A vitória foi retumbante. 

Enquanto Martim estava combatendo, Iracema concebeu o filho, a 

quem chamou de Moacir, filho da dor. Certo dia, ela recebeu a visita de 

seu irmão Caubi, que, saudoso, vinha visitá-la, trazendo paz. Ele admirou 

a criança, porém surpreendeu-se com a tristeza da irmã. De tanto chorar, 

Iracema perdeu o leite para alimentar o filho e para conseguir amamentá-

lo novamente foi à mata e deu de mamar a alguns cachorrinhos, eles lhe 

sugaram o peito e dele arrancaram o leite. A criança estava se nutrindo, 

mas a mãe perdera o apetite e as forças, devido à tristeza e saudade que 

sentia. 


No  caminho  de  volta,  findo  o  combate,  Martim,  ao  lado  de  seu 

amigo  Poti,  vinha  apreensivo,  se  perguntando  como  estaria  sua  amada. 

Quando chegaram à porta da cabana, ela só teve forças para erguer o fi-

lho e apresentá-lo ao pai. Em seguida, desfaleceu e não mais se levantou 

da rede. Suas últimas palavras foram o pedido ao marido de que a enter-

rasse ao pé do coqueiro de que gostava tanto. O sofrimento de Martim foi 

enorme,  principalmente  porque  seu  grande  amor  pela  esposa  retornara 

revigorado  pela  paternidade.  O  lugar  onde  enterrou  Iracema  veio  a  se 






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