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II

 

C

ONGRESSO 

I

NTERNACIONAL DE 

L

INGUÍSTICA E 

F

ILOLOGIA

 

XX



 

C

ONGRESSO 

N

ACIONAL DE 

L

INGUÍSTICA E 

F

ILOLOGIA

 

Rio de Janeiro: CiFEFiL, 2016  



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brasileira”  (Cf.  COUTINHO,  1980,  p.  79-80).  Ele  argumenta  que  a  in-

fluência  europeia  exercida  não  foi  suficiente  para  deter  o  nacionalismo 

presente na literatura, desde suas primeiras manifestações e que, graças a 

esse  sentimento,  voltado  para  o  nacionalismo,  essa  adquiriu  fisionomia 

através do poder criador dos poetas/escritores da época, que iam conquis-

tando mais aptidão e talento a cada item escrito, e, assim, alcançou a ma-

turidade,  mais  especificamente,  no  período  do  Romantismo,  visto  que 

uma  das  características  essenciais  dessa  tendência  era  a  valorização  da 

natureza como fonte de inspiração/proteção e a outra era o gosto ao pas-

sado da nação,  às ruinas. Isso fez com que  surgisse a  necessidade de se 

inventar uma história e um herói sem mácula que representassem o Brasil 

e fez com que os escritores desenvolvessem temas e formas peculiarmen-

te  brasileiras.  Afrânio  Coutinho  (1968)  ressalta  que  o  desenvolvimento 

da  consciência  nacional  da  literatura  se  transpunha  e  atuava  igualmente 

sobre o plano político, exercendo assim uma função cívica; que a repre-

sentação do “estilo de vida próprio, brasileiro, é que é fator principal da 

literatura no Brasil” (Cf. COUTINHO, 1968, p. 162) e que não há dife-

renças entre as produções anteriores à Independência e as produções pos-

teriores à essa emancipação. 

O  escritor  brasileiro,  político  e  advogado  José  Martiniano  de 

Alencar,  nascido  em  1829  e  morto  em  1877,  por  tuberculose,  filho  da 

aristocracia  rural  e  da  oligarquia  provinciana,  é  considerado  o  patriarca 

da literatura brasileira por incitar o movimento de renovação da literatu-

ra, acentuar a necessidade de se adaptar os moldes estrangeiros ao ambi-

ente do Brasil, defender os motivos e temas brasileiros, reivindicar os di-

reitos  de  uma  linguagem  nacional,  incorporando  vocábulos  tipicamente 

indígenas  e  criando  diversos  neologismos,  colocar  a  natureza  e  a  paisa-

gem  física  e  social  brasileiras  em  uma  posição  elevada,  produzindo  um 

mundo virginal e paradisíaco, dando ênfase na flora e fauna brasileiras e 

retratando  em  seus  escritos  o  que  conseguia  capturar  do  modo  de  vida 

dos índios, exigir o enquadramento do regionalismo na literatura, apontar 

a necessidade de ruptura com os modelos neoclássicos e ceder um enér-

gico impulso à literatura brasileira em direção à liberdade. 

Em  suas  obras,  esse  autor  abrangeu  praticamente  todas  as  partes 

do país - entre elas o sertão do Nordeste, o litoral cearense, a cidade do 

Segundo  Reinado  –  e  toda  a  evolução  histórica  da  nacionalidade,  que 

compreende diversos períodos que vão desde o pré-cabralino (anterior ao 

contato do índio com o homem branco) até o período que abrange a vida 

urbana de seu tempo. 




Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Linguísticos 

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Cadernos do CNLF, vol. XX, nº 08 – História da literatura e crítica literária. 

Em Alencar agregam-se duas perspectivas distintas que condensa-

ram a consciência literária nacionalista. Uma delas é a linha técnica refe-

rente à formação dos gêneros e das formas e, a outra linha que diz respei-

to ao processo de diferenciação da literatura brasileira com relação à lite-

ratura  ibérica.  Ele  elevou  o  conceito  de  gênero  textual  e  desenvolveu-o 

não só no aspecto estrutural, mas também no aspecto temático e isso de-

lineou o caminho para outros grandes autores, tais como Machado de As-

sis. 

José de Alencar, em sua obra Iracema, evoca com imagens e im-



pressões da exuberante natureza brasileira alguns espaços, que merecem 

destaque, por serem cenários de importantes acontecimentos nesse livro. 

São, dentre outros, o campo dos tabajaras, onde fica a taba do pajé Ara-

quém, pai de Iracema; a taba de Jacaúna, na terra dos potiguaras; a praia 

em que vivem Martim e Iracema e que também onde nasce Moacir. Ele 

apresenta nesse romance a terra conquistada, as tradições do povo e abar-

ca todas as facetas da evolução nacionalista do Brasil. Por ser, talvez, a 

pessoa que mais lutou e defendeu a identidade brasileira, tanto através do 

vocabulário, quanto da sintaxe que empregava, foi escolhido para análise. 

Pretende-se averiguar se no livro citado há a presença de uma imposição 

cultural ou de uma adaptação cultural portuguesa ou ambas, na configu-

ração dos personagens e ideologias culturais que os circunscrevem. 

Sob a história, ao mesmo tempo, romântica e trágica da protago-

nista  Iracema,  representante  do  Brasil,  que  é  coagida  a  mentir  ao  pai  e, 

em consequência disso, quebra o voto sagrado se entregando a Martim – 

uma analogia da Europa e do colonizador –, luta contra seus próprios ir-

mãos  e  atrai  para  si  a  morte  e  a  destruição,  ocultam-se  vários  aspectos 

ideológicos. 

 



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