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354 MANUAL DO PROFESSOR
época era o Partido Comunista Brasileiro (PCB), 
que em 1947 foi considerado ilegal, tendo seus 
mandatos parlamentares no Congresso cassados. 
A Constituição de 1946 garantiu o direito de greve e 
assegurou às mulheres o direito de voto, mas man-
teve a restrição aos analfabetos, que compunham 
quase a metade da população brasileira.
2. JK assumiu a presidência tendo como mote de 
campanha o slogan “50 anos em 5”, ou seja, ele 
pretendia realizar em cinco anos de governo aqui-
lo que outros presidentes levariam 50 anos para 
concretizar. Para tanto, ele se apoiava no chamado 
Plano de Metas, que previa a aplicação de vultosos 
recursos nas áreas de energia, transporte, indús-
tria de base, educação e alimentação. Na verdade, 
apenas os três primeiros setores receberam a 
maior parte dos investimentos. Como resultado, 
em pouco tempo foram construídas usinas hidre-
létricas e siderúrgicas e implantadas as indústrias 
automobilística e de construção naval. A maior 
parte dessas obras foi realizada no Sudeste. O 
resultado desse programa foi o aumento da pro-
dução industrial: entre 1957 e 1961, o PIB brasileiro 
cresceu a uma média de 7% ao ano. Com maior 
poder aquisitivo, a classe média saiu às compras, 
aquecendo a economia brasileira. Entretanto, a 
construção de Brasília, no Planalto Central, contri-
buiu para o aumento da dívida externa brasileira e 
gerou déficit nas contas públicas. Para cobrir esse 
déficit, o governo passou a emitir papel-moeda 
em grande quantidade, aumentando a inflação: 
em 1959, o custo de vida no país aumentou quase 
40%. A expressão “anos dourados” refere-se, em 
princípio, a esse aumento do poder aquisitivo 
das classes médias e à ampliação do consumo de 
novos produtos. Essa prosperidade e o otimismo 
refletiram-se também no campo cultural. A cons-
trução de Brasília consolidou a base da arquitetura 
moderna; a bossa nova revolucionou a música da 
época misturando influências do samba e do jazz
O Cinema Novo exibiu as grandes contradições 
sociais do país, enquanto o teatro foi transfor-
mado pelas experiências de companhias como o 
Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), o Teatro de 
Arena, o Teatro Oficina e o Teatro Experimental 
do Negro. Na mesma época, a televisão começou 
a popularizar-se no Brasil, e algumas emissoras 
foram criadas nas grandes cidades. Na literatura, 
Grande sertão: veredas, obra-prima de Guimarães 
Rosa, provocou grande impacto em 1956. Até no 
campo esportivo, os êxitos da seleção brasileira na 
Copa de 1958, na Suécia, e em 1962, no Chile, e a 
conquista do título mundial de boxe por Éder Jofre 
contribuíram para aumentar o clima de otimismo.
3. O presidente Jânio Quadros renunciou sete meses 
depois de assumir o cargo, dando início a uma gra-
ve crise política. A Constituição definia que o vice-
-presidente, João Goulart, deveria assumir o cargo. 
Porém, ele era visto por muitos como defensor do 
comunismo. Por isso, os parlamentares da UDN, 
o alto comando das Forças Armadas e os grupos 
conservadores se opunham à sua posse. De outro 
lado, no Exército, grupos ligados ao governador do 
Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, do PTB, amea-
çavam resistir caso João Goulart fosse impedido 
de assumir a presidência. O país esteve à beira de 
uma guerra civil. Para solucionar a crise institu-
cional e política, o Congresso Nacional aprovou 
uma emenda à Constituição para instaurar o par-
lamentarismo no Brasil. Desse modo, João Goulart 
seria empossado na presidência, mas com poderes 
limitados, uma vez que as funções de chefe de go-
verno ficariam nas mãos do primeiro-ministro. O 
parlamentarismo vigorou entre setembro de 1961 
e janeiro de 1963, quando um plebiscito definiu o 
retorno do país ao regime presidencialista. Ao as-
sumir a presidência em janeiro de 1963, João Gou-
lart apresentou um programa de governo pautado 
no combate à inflação, nas reformas sociais e na 
retomada do crescimento econômico e industrial 
brasileiro. Para efetivar esse plano, ele colocou em 
prática as chamadas reformas de base. Entre as 
principais medidas defendidas por João Goulart
estavam a reforma agrária, o direito de voto aos 
analfabetos e aos militares de baixa patente, a 
nacionalização das empresas concessionárias de 
serviços públicos e o imposto progressivo (quanto 
maior a renda, mais alta a alíquota do imposto). 
Os setores conservadores acreditavam que Jango 
queria implantar o comunismo no Brasil com essas 
medidas, criando um clima de tensão. Em 13 de 
março de 1964, um grande comício na estação 
Central do Brasil, no Rio de Janeiro, em apoio às 
reformas de base, contou com 150 mil pessoas. No 
ato, Jango assinou decretos nacionalizando as refi-
narias de petróleo e anunciou a desapropriação de 
terras ao longo das ferrovias federais como medida 
política da reforma agrária. Em resposta, seis dias 
depois, a oposição levou à rua cerca de 500 mil 
pessoas numa passeata em São Paulo, conhecida 
como Marcha da Família com Deus pela Liberdade
Sob a liderança de empresários, representantes 
das classes médias urbanas e setores do clero, 
os manifestantes denunciavam o “comunismo” 
de João Goulart. Essa passeata representou o 
apoio político e social necessário para derrubar 
o presidente. Em 31 de março de 1964, o chefe do 
estado-maior do Exército, general Castelo Bran-
co, com o apoio do governo estadunidense, de 
lideranças udenistas, dos meios de comunicação, 
de empresários e de amplos setores das classes 
médias conduziu um golpe militar que destituiu 
Jango do poder.

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