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Texto complementar 
No trecho a seguir, a socióloga Astréia Batista ana-
lisa o surgimento do “samba exaltação” no contexto do 
Estado Novo, destacando o caso de Aquarela do Brasil.
Embora essa perspectiva de arrumar a produção 
musical brasileira dentro de um ideal nacional civili-
zador tenha esbarrado na posição forte que a música 
ocupa na formação de nossa identidade cultural, não 
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340 MANUAL DO PROFESSOR
podemos dizer que, pelo menos parcialmente e tem-
porariamente, ele não tenha conseguido algum êxito, 
respaldada por uma política cultural de forte partici-
pação do Estado, via censura, e outros tipos de controle 
dos meios de comunicação de massa. [...]
A Aquarela, pela imagem de Brasil que Ary nela 
“descortina” (ufanista e exótica), vai corresponder ao 
modelo de música popular desejado pelo DIP, tendo 
sido inclusive vencedora de um concurso promovido 
por aquele Departamento.
Essa congruência entre discurso musical e discurso 
político oficial ligou, fortemente, a obra de Ary Barroso 
com a ideologia estado-novista. Acredito que este seja 
um dos fatores que influenciaram no grande sucesso 
que a Aquarela do Brasil obteve, principalmente como 
símbolo musical do país aqui e no exterior.
A ligação, consciente ou não, permanece como na-
tural nestes mais de 60 anos de existência da Aquarela, 
uma vez que ela passou a ser, no início da década de 
90, música tema da Hora do Brasil – programa de rádio 
criado pelo Estado Novo – em substituição ao O Guara-
ni de Carlos Gomes. Este fato pode ser entendido como 
seu reconhecimento, por parte do Governo, enquanto 
peça clássica do repertório da música brasileira.
BATISTA, Astréia Soares. Outras conversas sobre os jeitos do Brasil: o nacionalismo 
na música popular. São Paulo: Annablume; Fumec, 2002. p. 31-32.

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